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3 MATERIALER OG METODE .1 Metode

5.2 Løsninger for problem

5.4.5 Alene arbeid

tentativas de integração entre as abordagens da Vulnerabilidade e Resiliência (CANNON; MÜLLER-MAHN, 2010). Iniciativas nesse sentido partiram tanto de cientistas das Humanas, que viram na noção de resiliência uma metáfora poderosa, quanto de ecólogos, que incorporaram o conceito de vulnerabilidade ao respectivo marco teórico e passaram a considerar sistemas sociais como estudos de caso. Atualmente (2013), comunidades científicas das humanidades e ciências naturais gravitam em torno das duas abordagens, realizando trabalhos em coautorias e empreendendo experiências epistemológicas interessantes (JANSSEN et al, 2006; TURNER et al, 2003).

Convergência teórico-conceitual

Pioneiro, o geógrafo Peter Timmerman foi um dos primeiros a refletir sobre potenciais conexões entre o conceito de resiliência e o de vulnerabilidade humana em sua monografia Vulnerability, resilience and the colapse of Society (TIMMERMAN, 1981). Desde então, a ponte entre as abordagens foi fortalecida, sendo muitas vezes apresentadas como convergentes, a despeito das raízes em domínios do conhecimento tão diferentes (ADGER, 2006; EAKIN;LUERS, 2006; SMIT; WANDEL, 2006; TIMMERMAN, 1981). Alguns autores apresentam o conceito de resiliência como o inverso (flip side) da vulnerabilidade, o outro lado da moeda (FOLKE et al, 2002b). Klein et al (2003) argumentam que essa interpretação conceitual não agrega muito ao debate sobre adaptação a não ser ressaltar que o emprego de resiliência enfatiza o lado positivo da adaptação (construção de resiliência) e o uso de vulnerabilidade adota uma perspectiva negativa (redução de vulnerabilidade).

De fato, correspondências conceituais superficiais como essa não se sustentam a um escrutínio mais detalhado do arcabouço teórico-conceitual de ambas as abordagens. Nesse sentido, Gallopín (2006) alerta que extrapolações teóricas de uma abordagem para a outra não devem ser feita sem crítica. Para ele, resiliência é um conceito mais restrito, uma propriedade interna dos sistemas socioecológicos, referindo-se a capacidade do sistema

em manter-se dentro de um domínio de estabilidade. Já vulnerabilidade é um conceito amplo, determinada por fatores externos (exposição) e propriedades internas do sistema socioecológico (sensibilidade e capacidade adaptativa). Ainda segundo Gallopín (2006), o espaço da vulnerabilidade abrange uma paisagem de estabilidade (composta por vários domínios de estabilidade), o que impossibilita qualquer perspectiva que coloque os dois conceitos em grau de equivalência. Como alternativa, o autor sugere o conceito de robustez6 como inverso da vulnerabilidade

Muitos trabalhos da vulnerabilidade tratam resiliência como uma metáfora, análoga a forma como capacidade adaptativa é empregada. Parte da literatura entende essa analogia como equivalência conceitual, substituindo o termo capacidade adaptativa pelo de resiliência no arcabouço da vulnerabilidade. É o caso dos geógrafos Dow (1992) e Pelling (2003), que discutem vulnerabilidade como função de exposição, resistência e resiliência. De forma semelhante, Kasperson et al (2005) e Turner et al (2003) apresentam um arcabouço da vulnerabilidade composto por exposição, sensibilidade e resiliência. Nos exemplos acima também chama a atenção o uso intercalado entre o termo resistência e sensibilidade. Ambos contém a mesma ideia, porém a enfatizam de forma oposta. Resistência é empregada na abordagem da resiliência para definir uma das facetas da resiliência: capacidade de resistir a mudança. Sensibilidade é usada na abordagem da vulnerabilidade como propensão do sistema à mudança ou, posto de outra forma, de ser impactado.

Contudo, alguns autores defendem uma relação hierárquica entre resiliência e capacidade adaptativa. O geógrafo Klein et al (2003), por exemplo, apresentam resiliência como propriedade da capacidade adaptativa. Essa interpretação, por sua vez, vai de encontro a adotada pelos teóricos da resiliência, os quais trabalham com uma relação hierárquica oposta: capacidade adaptativa como propriedade da resiliência (FOLKE et al, 2002b; CARPENTER et al, 2001; NORBERG; CUMMING, 2008b).

Curiosamente, cientistas naturais fazem o caminho inverso, se apropriando da noção de vulnerabilidade na pesquisa em resiliência. Luers (2005), por exemplo, propõem um arcabouço da vulnerabilidade no qual relaciona matematicamente vulnerabilidade como função da exposição e sensibilidade dividido pela distância do estado do domínio de estabilidade em relação ao thresholds:

Por sua vez, os geógrafos Smit & Wandel (2006) trazem o conceito de coping range para se referir a amplitude de distúrbio que um sistema socioecológico é capaz de lidar,

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6

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Robustez: capacidade de um sistema em manter sua estrutura diante de um distúrbio.

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Vulnerability ¼f ðSensitivity; ExposureÞ

State=Threshold

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acomodar ou se recuperar, noção muito semelhante a ideia de thresholds trazida na teoria da resiliência (Figura 9):

Figura 9 Representação gráfica do conceito de coping range e sua relação com capacidade adaptativa

Fonte: Smit & Wandel, 2006.

Na verdade, o léxico envolvido na pesquisa em resiliência e vulnerabilidade é muito mais amplo e rico em interpretações, agregando maior complexidade à comunicação entre cientistas e entre estes e os usuários da informação científica. Coping, por exemplo, é um conceito comum no jargão da literatura de desastres naturais (KLEIN et al, 2003). Nela, é empregado para descrever adaptações reativas ocorridas durante ou imediatamente após o distúrbio (SMIT; WANDEL, 2006). Neste contexto, Vogel (1998) distingue coping ability - resposta de curto-prazo – de capacidade adaptativa - respostas de longo prazo. Já Watts & Bohle (1993) empregam outros termos para refletir as mesmas ideias: adaptabilidade e potencialidade, respectivamente. Por sua vez, Klein et al (2003) equivalem sua acepção de resiliência a de coping ability, definindo-a como capacidade de tolerar distúrbios e se auto- organizar. Destes pouco exemplos, nota-se um repertório de termos diferentes para se referir a ideias semelhantes dos quais cada autor lança mão do que lhe parece mais apropriado.

Todavia, essa liberdade de escolhas em como relacionar termos e definições traz o risco de mal-entendidos e apropriação equivocada da informação científica. Diante de um panorama conceitual tão diverso em interpretações, um leitor casual ou um pesquisador que ainda dá seus primeiros passos nesse território interdisciplinar pode se sentir, no primeiro momento, confuso. É por isso que uma profunda revisão da literatura acompanhada de uma reflexão crítica sobre sua diversidade epistêmica é essencial a qualquer cientista ou grupo de pesquisa que pretenda caminhar de forma criteriosa em temas que tradicionalmente são abordados a partir da vulnerabilidade e da resiliência.

Divergências teórico-metodológicas

Se por um lado as abordagens da resiliência e vulnerabilidade convergem em seus arcabouços teórico-conceituais, por outro há particularidades e aspectos incompatíveis entre ambas, que as distinguem e inibem a dissolução das fronteiras epistêmicas em prol de uma única abordagem.

A primeira barreira refere-se à abordagem metodológica e objetivos específicos de pesquisa. Se ambas almejam entender como os sistema socioecológicos são afetados e respondem a perturbações, a abordagem da resiliência busca compreender processos de resposta (inovação, aprendizado, organização), identificar thresholds/indicadores de estado, e caracterizar domínios de estabilidade. Já abordagem da vulnerabilidade busca avaliar impactos, danos e perdas, assim como entender contextos que tornam os sistemas socioecológicos susceptíveis a distúrbios e que determinam a resposta. Para tal, a abordagem da resiliência dá grande ênfase ao uso de modelos matemáticos hipotéticos para descrever e simular os fenômenos socioecológicos observados. Já a abordagem da vulnerabilidade lança mão de estudos de caso e analogias para observar o comportamento dos sistemas socioecológicos (FORD et al, 2010a).

Do ponto de vista teórico, também há divergências importantes. A abordagem da resiliência é, em seu arcabouço teórico, amoral. Isso implica que ser resiliente é, a princípio, nem bom nem ruim; essa definição é caso-específico, dependente do que é desejado ou não pelos atores envolvidos. Assim, o objetivo político em alguns casos será construir resiliência e, em outros, erodir a resiliência. Já na abordagem da vulnerabilidade o objetivo político é claro: redução da vulnerabilidade, invariavelmente o resultado de qualquer intervenção no sistema. Outra diferença se encontra na unidade de referência de análise. Na abordagem da resiliência, as unidades de referências são abstratas: domínios de estabilidade (o que é resiliente), enquanto na abordagem da vulnerabilidade a unidade de referência é uma entidade palpável: populações, setores, locais, indivíduos (o que é vulnerável). Ademais, a abordagem da resiliência tem como premissas teóricas fundamentais as noções de ciclos adaptativos, panarquia, thresholds, bacia de atração, paisagens de estabilidade, as quais são estranhas à pesquisa em vulnerabilidade.

1.1.6 Vulnerabilidade e resiliência na pesquisa sobre adaptação à Mudança Climática

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