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3   Om yngre funksjonshemmede som bor hos foreldre

3.5   Brukere av heimebaserte tjenester 18- 66 år etter sivilstand

4.4.3   Aleineboendes bruk av type heimebaserte tjenester

Aí, quando chegou aqui tinha engenho de fazer farinha e carreiro e tudo, as minhas irmãs veio trabalhar no engenho de fazer farinha, aí. Mas no dia de sábado, depois que elas acaba o serviço, ela arrancava daqui a pé e ia lá no Macuco. Lá no distrito de Esmeraldas, perto de Esmeraldas, levar um trocadinho, pra ajudá papai, que nós era muito irmão, as minhas irmã. [...] Meu irmão veio primeiro, aí trouxe minhas irmãs pra fazenda onde ele tava trabalhando. Aí, uma empregou aqui em Contagem, a outra, as outras ficaram trabalhando no Engenho de fazer farinha. Mas era

muito difícil!96 I Q * 2 / MS $ 4

J

Papai, depois, nessa época dele tá nessa luta das meninas trabalhando aqui e tinha que levar o dinheiro sábado e voltar domingo! Tava ficando difícil. E que Geraldo, papai pegô e falou com Geraldo, ó, eu tenho aquele pedaço de, pedacinho de terra lá, cê vai pra lá, faz um rancho lá, vai pra lá, aí, fica fácil! Sua família tá lá, as menina também pode ir lá pra sua casa e pode inté no meio da semana fica mais fácil, que as Abóboras é aqui mais perto, não é muito mais perto não, mas é mais perto. Aí que Geraldo fez um rancho de sapé, que chamava.97 I Q * 2 /

MS $ 4 J

Com o passar do tempo foi que papai combinou de papai vir embora pra cá, porque tava mais fácil pra, pra as menina trabalhá. [...] Foi aí que nós veio pro rancho de sapé, o Jaba arrumou um carro de boi [...] e arrumou do seu João Cabeludo, Tio Dodo, irmão de mamãe, era carreiro dele, eu era guia de boi. Eu tava com quê? 12 anos. Eu saí guiando boi daqui lá no Macuco! Pra tio Dodo ir buscar a mudança de papai. Veio em dois carros. [...] E atrás, na traseira do carro, assim, amarrava uma vara assim e pra pô minha vó, assim, que foi escrava, chamava Maria do Amparo, morreu aqui com cento e tantos anos. [...] é umas histórias meio, né, que a pessoa pensa assim que não credita no que a gente fala.98 I Q

* 2 / MS $ 4 J

(...) Papai quando veio, nós não foi ali, nós não morava ali não, era ali embaixo perto da casa de, daquela casa de parafuso. Depois de passado de tempo que ele fez, nós morou muito no rancho de sapé ali, ó. De capim, era coberto de capim. Não tinha tijolo, era barro, molhava barro com mão. Cavacava aquela porção de terra assim, pegava a gente que era mais menino, moleque e punha pisando naquilo, massando, pra podê dá liga pra pegá dentro das vara. E marrava as varinha, assim, longe um do outro (...) [pau a pique]

96 1# , p. 60. 97 1

nós moramos foi nisso aí muito tempo. Aí, depois é que fez adobe! Nos fizemos adobe pra construir aquela casa. Depois tijolinho! Pra depois tijolo furado! É assim que foi, a vinda nossa pra cá foi assim. [tinha 12 anos na época; casa que hoje mora Parafuso, que foi Geraldo Parafuso, aleijado, casado com Joventino, deve ter mais de 100 anos] (...) é o que eu tava falando: ninguém fica satisfeito com o que tem. É o tal de quando ocê começa a comer um pedacinho de carne, você quer passar a comer só filé. Que aquela carne não serve mais. É o caso que aconteceu com a gente. A gente foi, aí, tentei, ‘ah, vão fazê uma casa, vão coisa’. Foi fazê adobe. Mas adobe também era pisado, era pisado no barro. Era...cê conhece adobe, né? Pois é, a gente fazia terra de adobe, foi aí que construiu seu Marcolino, se...o filho dele. Como é que chamava meu Deus? Esqueci o nome do filho. Foi que fez aquela casa ali pra papai. (...) o depósito que tem em Contagem, de material, que vendeu as teia pra papai (...) Eu devia tá com 18, 17 anos que nós

mudemos praquela casa.99 I Q * 2 / MS

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Eu vim pra cá tava com nove anos. Tem 70 anos que eu moro aqui [...] eu vim pra cá tava com nove anos. Eu vim do município de Esmeralda, Mata Macuco. Papai criô nós lá. I*C < 9 6 9 /

MS $ & J

Os filhos de Arthur Camilo são as pessoas que sofreram para que hoje esse patrimônio esteja aqui. Então por isso a gente tem que ter o respeito, a consideração, a valorização porque além deles sofrerem pra manter tudo que a Comunidade tem hoje, eles são as pessoas que detém o maior conhecimento de tudo que a

Comunidade preserva.100 IK Q 2 / $

& * # 1

2 2 Q * MS J

A Comunidade dos Arturos é uma comunidade afro!descendente que mantém não só a união da família, os costumes antigos familiares, mas uma comunidade que mantém também as suas tradições culturais, sagradas, religiosas, afro, herdadas de seus ancestrais e que durante o tempo de existência tem todo um patrimônio imaterial, um patrimônio histórico de vida.101 IK

Q 2 / $ & * #

1 2 2

Q * MS J

99 1# , p. 73.

100 Entrevista concedida à autora em 08/03/2013. 101 1

O padre Geraldo ligou avisando que uns africanos estavam visitando a paróquia e se poderia trazê!los para nos conhecer. Claro que concordamos. Juntamos a mulherada para preparar biscoitos para recebê!los. No outro dia, quando eles chegaram, eram uns cincos, parecia que era gente da gente mesmo. Pretinhos como nós, com a mesma cara e o sorrisão largo. Foi uma festa só. Eles também se acharam parecidos conosco, alguns até choraram e disseram que estar na comunidade era como estar na aldeia deles. Não me lembro o nome do lugar, mas acho que eles se sentiram lá em Aruanda mesmo. Até a gente se sentiu assim. Eles tocaram caixa, cantaram e dançaram. Agora eu sei que realmente aprendemos muito do que sabemos e fazemos com eles. Foi muito

bom.102 I $ 4 J

A comunidade pra mim é o mais importante de tudo. Começou o crescimento familiar e junto com esse crescimento familiar a preservação das tradições. (...) E depois de um certo tempo veio parar aqui na comunidade a Irmandade. E aí a Irmandade, que até então era uma Irmandade da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, porque a primeira data da Irmandade é de 1868, quando foi fundada a Igreja, e com a demolição da igreja a Irmandade veio parar na comunidade. (...) Porque já existia a Irmandade lá. Então demoliram a Igreja, aí foi cedido esse terreno onde é a Igreja pra ser construído. A gente não sabe o motivo da demolição. Como os Arturos já faziam parte da Irmandade, os Arturos assumiram a construção da Igreja. Era mutirão. A gente era tão envolvido que Seu Zé Acácio, ele tinha um grande número de animais, então tem um córrego (hoje o esgoto tomou conta, mas era um córrego onde as pessoas iam para lavar roupa, para lavar vasilhas) e lá desse córrego era que a gente tirava a água pra gente poder construir lá em cima. Colocava os tambores na carroça, eu lembro que a gente ia atrás da carroça, a gente molhava tudo. Então os Arturos assumiram a construção. Isso foi por volta de 72, 73. Nessa época com a construção da Igreja e a grande participação dos Arturos... A Igreja na época não era chamada de Igreja era um centro comunitário. Esse centro comunitário tinha três funções: era o centro comunitário, igreja e a sede da Irmandade.103 IK Q

2 / $ & * #

1 2 2 Q

* MS J

102 Entrevista concedida a Rosângela Paulino de Oliveira por um Arturo não!identificado pela autora.

Cf. OLIVEIRA, Rosângela Paulino de. , nº 7 – Setembro / Dezembro 2007 – http://www.pucsp.br/revistanures.

Fazer parte da Irmandade é pertencer a esse mundo do sagrado. A esse mundo que tem todo um fundamento, um sacramento.104

I* & 0 B / , 5 & 5

, , 5 C TS J

Os Arturos existem institucionalmente pela Irmandade. O estatuto é de Irmandade de Nossa Senhora do Rosário de Contagem, o CNPJ é Irmandade de Nossa Senhora do Rosário de Contagem. O regimento do estatuto é totalmente entorno das tradições da Comunidade. Houve uma junção. A diretoria da Irmandade hoje, é totalmente composta por descendentes arturos. Então houve uma junção da Comunidade à Irmandade. E os dois andam juntos. (...) A Irmandade lida com a parte jurídica, com a parte burocrática, é mais administrativa.105 IK Q 2 /

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1 2 2 Q *

MS J

Desde a década de 70 quando a Comunidade assumiu a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, então a partir daí a Irmandade começou a cuidar das questões da Comunidade, mas assim as pessoas de fora vieram para fazer parte dessa diretoria. E os Arturos constituíam maioria da Irmandade. Então ficava nas mãos de outras pessoas e a gente fica muito submisso a essas pessoas e ao ideal deles. E aí acabou que essa Irmandade veio parar na Comunidade. Foi quando João assumiu a diretoria pela primeira vez. E a partir daí a Irmandade começou a trilhar a Comunidade diante daquilo que já era um propósito da própria

Comunidade.106 IK Q 2 / $ &

* # 1 2

2 Q * MS J

A Comunidade foi criada onde até uns tempos atrás onde ela tinha um regime patriarcal, onde tinha um pivô na Comunidade que era o centro de educação, de convivência, de tudo.107 IK Q

2 / $ & * #

1 2 2 Q *

MS J

104 Fala proferida em mesa redonda em 14/05/2013 em evento da Semana Nacional de Museus. 105 Entrevista concedida à autora em 08/03/2013.

106 1 . 107 1 .

Essa união da gente vem da origem dos pais. A gente sempre teve união: tamo sempre junto, na alegria e na tristeza. Minha mãe sempre ensinava que a gente devia estar sempre ali pra ajudá as pessoa que precisam da gente. Então se os pais ensinô, isso deve ser passado, a gente vai continuano. A minha filha segui as mesma coisa que eu faço, ela continua. É uma coisa que tem origem e vem

assim de mãe pra filho.108 I* 6 9 / ; /

, MR * # 2 *C J

A família aqui toda nasceu dentro do Reinado. (...) Então não existe, porque o pessoal fala Congado, mas antigamente era Reinado. Agora, o pessoal, aqui, porque aí esses vindouros não sabe o quê que é. Porque aqui é Contagem, somos a cidade mais rica que existe por aqui, é Contagem. Porque ela tem um Reino, que é esse pedaço de terrinha de papai. Que isso que cês tá vendo essa Comunidade aqui foi formada por Arthur Camilo Silvério um Reino, aqui dentro. Que nós nunca brincou na guarda de fora, nós nunca saiu pra outra guarda, nós sempre aqui com ele. Então, se chama Reinado. Eu acredito que é o lugar que Nossa Senhora tá presente aqui com nós toda hora, que isso aqui é Dela, não é

nosso.109 I Q * 2 / MS $ 4

J

O que mantém a família viva e unida é o Congado, a fé em Nossa Senhora do Rosário e nos santos. No dia em que tirarem o Congado daqui acaba tudo. Não sei nem se ainda seremos uma família. Nosso rosário é antigo, se perde no tempo, com os que já foram. É o que nos liga com Deus e Nossa Senhora. Sem isso não

somos nada.110 IK $ 4 J

Então, eu falo, na minha família tem de tudo, graças a Deus, temos o espirita, têm os católicos que somos eu, Mário, né, e tem os evangélico também. De todo modo, na minha família tem de tudo um pouco, né. Então, eu valorizo muito o que eles seguiram, né, aí, eu falo: bom, quis sê crente. Maravilha. Palavra de Deus é tão bonita, né. Então eu gosto muito, sabe, da palavra.111 I*

6 9 / ; / , MR * #

2 *C J

108 JESUS, Seldinha de. ALMEIDA, Juniele Rabêlo de. Narrativas, memórias e identidades: mulheres

da comunidade negra dos arturos. 0 + Nº 7, ano 3, setembro/outubro/2008, p.10. In: http://www.historiaimagem.com.br

109 INSTITUTO ESTADUAL DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO DE MINAS GERAIS –

IEPHA/MG. Obra citada, p. 75.

110 Entrevista concedida a Rosângela Paulino de Oliveira por um jovem Arturo não!identificado pela

autora. Cf. OLIVEIRA, Rosângela Paulino de. , nº 7 – Setembro / Dezembro 2007 – http://www.pucsp.br/revistanures.

111 Entrevista concedida a Leonardo Augusto Silva de Freitas. In: INSTITUTO ESTADUAL DO

Nós temos... temos uma grande sorte de ter uma família. Essa família é criada dentro daquele círculo... Entende! É ... nem todos, porque o Congado, o Reinado é pra todos, mas nem todos é pra o Reinado. (...) eu tenho três filhos que participam efetivamente do Congado e os outros, não dançam no Congado, mas trabalha na cozinha... na limpeza... Temos o privilégio de ter uma família... As mulheres estão grávidas e já estão dançano.112 IK B < C 4

< / TS $ 4 &

1 2 J

Como ser os Arturos sem esse instrumento deixado pelos seus antepassados, essa ferramenta, que é o rosário de Maria, a fé em Nossa Senhora do Rosário? (...) Isso pra nós Arturos não significa um conjunto de contas!de!lágrima uma atrás da outra, mas significa sim a essência de uma família e a gente passa pras nossas crianças que é o rosário de Maria... O que de fundamental que há além do sincretismo? Que isso é uma família, que essa família não pode ser desligada. Uma vez arrebentado esse cordão dificilmente a gente vai conseguir contar ou apanhar as contas que vão ser

espalhadas.113 IK $ < 2 6 9 / TS $

* # 1 2

J

Tem conflito. Porque conflito é normal. Toda família normal tem lá os seus conflitos. Porque ninguém vive num mar de rosas. Agora você imagina conflito numa família de quase 500 pessoas. Aí a gente imagina que esses conflitos chegam ser algo fora do controle. E até o presente momento não.114IK Q 2

/ $ & * #

1 2 2 Q *

MS J

Quando estamos aqui, não importa se estamos brigados, isso é lá fora. Aqui dentro do Rosário estamos dançando para Nossa Senhora e somos as contas do rosário dela. Se um deixar o rosário quebrar, todo mundo padece junto.115 I $ 4 J

112 Entrevista concedida a Marisley Silva Soares. Cf. SOARES, Marisley Silva. A linguagem oral e

musical, mítica e sagrada como formadora da “identidade cultural” dos Arturos. (Trabalho de conclusão de curso de pós graduação latu sensu no campo da Arte e Cultura). Universidade do Estado de Minas Gerais, Escola Guignard, Belo Horizonte, 2007.

113 Fala proferida em mesa redonda em 14/05/2013 em evento da Semana Nacional de Museus. 114 Entrevista concedida à autora em 08/03/2013.

115 Entrevista concedida a Rosângela Paulino de Oliveira por um Arturo não!identificado pela autora.

Cf. OLIVEIRA, Rosângela Paulino de. Revista Nures nº 7 – Setembro / Dezembro 2007 – http://www.pucsp.br/revistanures.

A fé em Nossa Senhora faz a gente se unir e se segurar. Às vezes a gente fica assim ah hoje eu não vou, mas na hora que bate a caixa ocê lembra assim epa Senhora do Rosário! Eu não tô indo por, por mim as vezes, ocê entendeu? Eu tô indo porque eu amo Nossa Senhora do Rosário, porque tudo que eu peço ela me dar. Então pela a fé em Nossa Senhora do Rosário eu acho que isso nunca

acaba.116 I* 6 / TS , J

Nós somos tudo farinha de um saco só. I; J

Então, na minha Comunidade, eu sou feliz por causa disso. Eles me dão apoio, eles me dão aquilo que eu quero, aquela liberdade de ser um mestre de Congo, aonde eu tenho a minha sobrinha, a minha prima, as minhas tias, os filhos deles, todos compartilham comigo na Guarda do Congo. A partir do momento que eles uniformiza, que eles estão entregues à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário.117 IK B < C 4 < / TS

$ 4 &

1 2 J

Os Arturos sem o Congado é uma coisa, o Arturos congadeiro é outra. Ou seja, a partir do momento que qualquer um Arturos entra num grupo, seja o Congo ou o Moçambique, que ele veste seus uniformes, ele se transforma totalmente. E isso não transforma só o indivíduo, transforma o grupo. Não é simplesmente um grupo dançante, um grupo cantante, não é só isso. É a forma mais elegante que nós encontramos. Quando eu digo nós, é essa herança que nós recebemos do nosso avô, bisavô, que passou de geração pra geração, e nós encontramos no Congado, hoje, condições de estar resolvendo qualquer

problema.118 IK $ < 2 6 9 / TS $

* # 1 2

J

116 INSTITUTO ESTADUAL DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO DE MINAS GERAIS –

IEPHA/MG. Obra citada, p. 83.

117 1# p. 79.

118 In: Jessouroun (2003) apud Lucas (2005). Cf.: LUCAS, Glaura. Música e tempo nos rituais do

Congado mineiro dos Arturos e do Jatobá. Tese (Doutorado em Música) Programa de Pós! Graduação em Música do Centro de Letras e Artes da Universidade estadual do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2005. p. 146.

" 'K O ,1'*- DA TRADIÇÃO ARTURA V * B ( W # . 119 (Canto arturo) - B - % # B 120

(Canto arturo – Guarda de Moçambique)

Nós temos a tradição oral, as nossas crenças, a nossa fé. A nossa identidade principal é ser filhos da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário onde no nosso dia!a!dia a gente vive a preservação dessa memória que o Arthur Camilo e a Carmelinda iniciou e passou para seus filhos121I* & 0 B / , 5

& 5 , , 5 C

TS J

Esse renado é dos antigo, dos tronco véio. Veio de desde a África, por causa dos escravo. A Festa do Rosaro tem que continuá. Quando nós canta, é por causa de um compromisso sagrado. Quando puxa a cantiga dos antigo – do meu pai, do Zé Aristide – parece que eles tão ali. É, eles tão ali. Eles tão ali, junto com a

gente. E isso muda tudo.122 I Q * 2 / MS

$ 4 J

Os nego é fio do Rosaro, os vivo e os morto. Num tem diferença. Eu garro com Nossa Senhora do Rosaro pra ela me dá um prazo, um tempo. Mas no dia que eu morrê – eu falei com minha família – pelo amor de Deus, eu quero Congado. As caxa bateno e me puxano, e me levano, e me entregano lá no cemitero. Dexa a matera lá. Mas minha alma, essa vai ficá dentro do Congado.123

IK , 2 / TS $

* # U J

119 Entrevista concedida à Glaura Lucas. Cf.: LUCAS, Glaura. Música e tempo nos rituais do Congado

mineiro dos Arturos e do Jatobá. Obra citada, p. 157.

120 1# , p. 168.

121 Fala proferida em mesa redonda em 14/05/2013 em evento da Semana Nacional de Museus. 122 Entrevista concedida a Núbia Gomes e Edimilson Pereira. Cf. GOMES, Núbia Pereira de

Magalhães; PEREIRA, Edimilson de Almeida >9 * 4Os Arturos. Obra citada, p. 214.

2 $ #

2 $ #

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( # 124

(Canto arturo – Guarda de Congo)

Quando nós cantamo, é mais de três voz que canta junto.125 I*C

< 9 6 9 / MS $ &

J

A gente nasce no congado, vive e morre dentro do congado. Porque ninguém sabe o que é o congado direito. Nem os capitão mais velho. Bom, eles sabem muito, no jeito deles. Meu avô já sabe também a outra história, outro já sabe outra história, então... a gente, nós tem que saber o fundamento do congado. Então... e levar o congado ao mistério. Aí tá o mistério, porque ninguém sabe onde está o mistério. Cada um sabe até aquela história onde aprendeu. Cê ocê aprendeu fé, tá bom. Ali cê... Outro já foi lá e aprendeu mais um bocadinho. Cê conversa com outro que aprendeu menos um bocadinho. (...) Cê vai... tentando aprender, tem muitos, muito que tem que aprender ainda.126 IK /

TS J

Papai tinha muita fé! Ele nasceu no reinado e morreu no reinado. Ensinava os filhos, ensinava todos que queria brincar ele ensinava, dançava. Ele acostumou os filho tudo acompanhando ele, todos eles dançam reinado, até hoje é os filhos que faz o reinado.127

I $ > 2 4 ; ' / MS ,

1 B J

A força nossa, o pivô nosso aqui, é o Congado. Quando toca os tambores aqui, mexe com a Comunidade tudo, tudo, tudo, tudo. Cê vê gente que custa ver aqui na Comunidade, custa ver eles junto com a gente, quando é no dia da festa “Que que tem pra mim fazer? Olha, lá em casa tem isso, eu posso ajudar nisso”. Eu penso que se não tivesse isso aí, ia só distanciando. [...] Eu costumo dizer que nos Arturos cê soltou um foguete e bateu numa lata nós tamo em festa. Então isso é bonito demais! É vontade de

124 1# , p. 168.

125 Entrevista concedida a Núbia Gomes e Edimilson Pereira. Cf. GOMES, Núbia Pereira de

Magalhães; PEREIRA, Edimilson de Almeida >9 * 4 - . Obra citada, p. 180.

126 Entrevista concedida a Júnia Rocha Bessa. Cf: BESSA, Júnia Rocha. O significado e a vivência da

tradição da festa de Nossa senhora do Rosário na Comunidade dos Arturos (Contagem/MG). V Congresso de Ciências Humanas, Letras e Artes de Ouro Preto. In: http://www.ichs.ufop.br/conifes/anais/CMS/cms0501.htm

127 INSTITUTO ESTADUAL DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO DE MINAS GERAIS –

viver, vontade de viver mesmo!128 IK B < C 4 < /

TS $ 4 &

1 2 J

Ao som desses tambores é que várias questões foram realizadas. Desde a vinda, desde o negro ainda na Africa, a sua viagem, né? Aqui para o Brasil como escravo, aqui no Brasil trabalho escravo, então assim, o negro uma vez escravizado, tratados como animais era através de seus rituais que muita das vezes eles se comunicavam, porque durante o dia eles não podia nem se comunicar uns para com os outros, então as nossas tradições hoje tem uma origem, tem uma forma de ser realizada onde através dos cantos e da expressão da dança nós nos comunicamos uns para com os outros e os tambores contribuiu pra isso. E hoje a gente tem condições através do som tambores de reviver esse momentos, valorizar esses momentos dos nossos ancestrais e pra que a gente tenha condições de mostrar, de preservar e mostrar para as novas gerações o quanto é importante as nossas