Abies Fraseri (Pursh) Poir. in Lam. Encycl. Méth. Bot. Suppl. V: 35 (1817).
Abies balsamea var. Fraseri (Pursh) Nutt., Gen. II: 223 (1818). Picea Fraseri (Pursh) Loud., Arbor. et Fruticet. Brit. IV: 2340, f. 2243-
-2244 (1838).
Exemplares observados: 20 (Sintra, Parque da Pena: exemplar com cerca de 15 anos, na parte superior do Viveiro Velho e proveniente de semente fornecida pela Casa Vilmorin-Andrieux; este exemplar secou no Verão de 1945, após ter frutificado abundantemente) —21 (Sintra, Parque da Pena: exemplar com cerca de 20 anos, frutífero desde 1947, da mesma proveniência do anterior, a meio do Viveiro Velho) —129 (Sintra, Parque da Pena: exemplar da mesma idade e proveniência do an terior, frutífero desde 1947, num talhão confinante com a Rua das Minas o um pouco abaixo do exemplar de Abies cilicica n.° 52) — 136 (Sintra, Parque da Pena: exemplar da mesma idade e proveniência dos anterio res, frutífero desde 1947, a 8 m para leste do exemplar de Abies cilicica n.°52) — 137 (Sintra, Parque da Pena: exemplar da mesma idade e proveniência dos anteriores, frutífero desde 1947, a cerca de 9 m para o lado de baixo do exemplar de Abies cilicica n.° 52) — 138 (Sintra, Parque da Pena: exemplar da mesma idade e proveniência dos anterio res, frutífero desde 1947, ao lado do n.° 137, mas um pouco acima o mais dentro da talhão).
Além dos exemplares mencionados, observámos menos minuciosa mente vários outros existentes no Parque da Pena, todos da mesma idade ■e proveniência dos acima citados.
Porte: Árvore de tronco erecto, cilindro-cónico, ramificado desde a base nos indivíduos novos; pernadas inseridas em verticilos afastados, delgadas, patentes, compridas na base da copa e encurtando bastante nos verticilos a partir dos 15-20 anos, ramificadas oposto-disticadamente: copa aberta, ampla na base e afilada para cima, piramidal. Segundo Sar-
gent (1898: 105), as pernadas inferiores destacam-se frequentemente antes dos indivíduos atingirem metade do seu desenvolvimento.
Dimensões máximas observadas: Altura = 3 m e DAP = 5 cm (n.° 137).
Ritidoma: Delgado, liso, cinzento-claro e com vesículas resiníferas nos indivíduos novos. Segundo Sargent (1. c.), o ritidoma, nos exem plares mais velhos, é pouco espesso e dividido em delgadas escamas castanho-avermelhadas, tornando-se geralmente cinzentas à medida que os exemplares se aproximam da maturidade.
Ramos:
1) Da parte inferior da copa: Lisos, densamente pubescentes (com pêlos um tanto frisados), baços nos primeiros anos mas depois um tanto brilhantes, amarelados (mas parecendo um tanto arruivados, devido ao indumento) no l.° ano, cinzento-acastanhados no 2.° ano e perfeita mente cinzentos a partir do 3.° ou 4.° ano, oposto-disticados.
2) Da parte superior da copa: Diferindo dos anteriores por serem um pouco mais grossos e menos pubescentes.
Gomos:
1) Da parte inferior da copa: Subglobosos, cinzento-violáceo, não ou pouco escondidos pelas folhas terminais, com 2,5-4 x 2,5-4 mm, quan do três terminais os dois laterais afastados de 8-42 mm, muito resinosos e de escamas não proeminentes, persistentes.
2) Da parte superior da copa: Diferindo dos anteriores por serem um pouco maiores.
Folhas:
1) Da parte inferior da copa: Lineares ou às vezes linear-espatu- das, laminares, sulcadas na página superior, flexíveis, com 10-25 x
x 1,5 mm, discolores, verde-escuro-brilhantes e geralmente com algumas fiadas estomáticas na região apical na página superior, e com duas faixas brancas acunheadas, cada uma com 8-12 fiadas estomáticas, mais largas do que a nervura pouco carenada na página inferior, obtusas e ligeira mente chanfradas no ápice, acunheadas e torcidas no máximo a 90° na base, com disco basal pouco desenvolvido, pouco densas, pectinadas nos ramos muito ensombrados e dispostas em escova nos iluminados; secção elíptico-avicular, razão largura—espessura = 2,5-3,5, hipoderme des contínua, canais de resina dois, centrais, nervura com os feixes conduto res afastados e sem células prosenquimatosas.
2) Da parte superior da copa: Diferindo das anteriores por: não sulcadas ou às vezes superficialmente apenas na parte basal da página superior, mais rígidas e espessas, com 9-15 x 1,5-2 mm, com 6-12 fiadas
176 ANAIS DO INSTITUTO SUPERIOR DE AGRONOMIA
estomáticas esbranquiçadas na página superior, agudas ou acuminadas e mucronadas nos ramos de menor hierarquia e obtusas ou truncadas, múticas e geralmente inteiras nos de maior, dispostas em escova.
Flores:
1) Masculinas: Elipsoides e violáceo-purpúreas em novas e oblon gas com as cristãs das anteras violáceo-purpúreas marginadas de amarelo na antese, até 15 x 6 mm, pedunculadas; cristãs das anteras orbicular-
Fig. 34
Abies Fraseri (Pursh) Poir. Secção
transversal duma folha de ramo in ferior (ex.ar n.° 129).
-cordiformes mas geralmente um pouco contraídas no cimo e aqui trun cadas; pólen amarelo-claro.
2) Femininas: Formando-se sobretudo no cimo da copa, ovoides, verde-claras, com 20x8-12 mm; escamas protectoras subquadradas ou oblongo-rectangulares, reflexas, verde-claras mas escarioso-marginadas, mucronadas; escamas carpelares reniformes, inteiras, purpurascentes e puberulentas.
Pinhas: Ovoide-oblongas ou ovoides, arredondadas na base, subsés- seis, com 3,5-7 x 2,5-3 cm, violáceo-anegradas em novas, cinzento-vio láceas antes da maturação e acastanhadas depois, com bastante exsuda- ção da resina branca constituindo grumos e películas, de escamas protec toras muito salientes, reflexas e recobrindo quase inteiramente os escu dos; escamas protectoras verde-claras em novas, com 19-21x2-3 (na unha) — 6-9 (no limbo) mm, de limbo grande, subquadrado ou oblongo- -rectangular, mucronado e de mucrao com 1-2,5 mm; escamas frutíferas largamente flabeliformes, não lobadas, puberulentas no escudo, de mar gens superior inteira e laterais roído-desticuladas, com 14-16 x
x 16-20 mm.
Sementes: Obliquamente obovado-oblongas, com 5-6 x 2,5-4 x x 2-2,5 mm, de asa dolabriforme ou semi-ovada, azul de aço na face superior e cinzenta na inferior mas por fim acastanhada, e com 12-15 x
Fig. 37
9 — Abies Veitchii Lindl. Abies Veitchii Lindl. in Gard. Chron. 23 (1861).
Picea Veitchii (Lindl.) A. Murr. in Proc. Hort. Soc. II: 347, f. 52-62 (1862).
Pinus selenolepis Pari. in DC. Prodr. XVI (2): 427 (1868) (*). Abies Eichleri Lauche in Garten-Zeit. I: 63 (1882) (2).
Abies Veitchii var. nihkoensis Mayr, Monogr. Abiet. Jap. Reich. 39, t. 2 f. 4 loco sup. (1890).
Abies Veitchii for. typica Mayr op. cit. 39, t. 2 f. 4 loco inf.
Pinus nephrolepis var. Veitchii (Lindl.) Voss in Mitt. Deutsch. Dendr. Ges. XVI: 94 (1907).
Exemplares observados: 11 (Sintra, Parque da Pena: exemplar com 25-30 anos, no talhão do Gigante e proveniente de semente forne cida pela Casa Vilmorin-Andrieux).
Porte: Árvore de tronco erecto, cilindro-cónico, ramificado desde a base nos indivíduos novos; pernadas inseridas em verticilos aproxima dos, delgadas, patentes ou as superiores erecto-patentes, pouco compridas na base da copa e encurtando gradualmente para cima, ramificadas oposto-disticadamente; copa densa, esguia e piramidal. Segundo Wilson (1916: 61), as árvores adultas, nascidas em povoamento denso, têm nu merosas pernadas curtas e delgadas formando copa piramidal esguia e afilada, enquanto que as nascidas mais desafogadamente têm pernadas maiores.
Dimensões máximas observadas: Altura = 3 m e DAP= 7 cm (n°. 11).
Ritidoma: Delgado, liso, cinzento-claro ou quase branco e com vesí culas resiníferas em todas as idades.
0) Parlatore cita Abies Veitchii Lindl. como sinónimo, mas não fez a combinação Pinus Veitchii (Lindl.), por já existir o homónimo Pinus Veitchii Roezl, Cat. Gr. Conif. Mex. 32 (1857), correspondente a uma espécie distinta, actualmente tida como variedade da Pinus Ayacahuite Ehrenb. ex Schlecht. [P. Ayacahuite var. Veitchii (Roezl) Shaw, Pin. México 10 '(1909)].
(2) Este binome foi dado a plantas que se julgou terem provido de se mentes enviadas de Tiflis para Potsdam e correspondendo a uma nova espécie do Cáucaso. Porém, mais tarde deu-se pelo erro e verificou-se que essas plantas pertenciam à já descrita Abies Veitchii Lindl.
178 ANAIS DO INSTITUTO SUPERIOR DE AGRONOMIA
Ramos:
1) Da parte inferior da copa: Lisos, puberulento-pubescentes, pouco brilhantes, castanho-claros ou ligeiramente avermelhados no l.° ano e cinzentos ou cinzento-acastanhados desde o 2.° ano, oposto-disticados.
2) Da parte superior da copa: Como os anteriores. Gomos:
1) Da parte inferior da copa: Subglobosos, uns purpúreos com manchas brancas e outros quase completamente brancos, mais ou menos escondidos pelas folhas terminais, com 2,5-4 x 2,5-3 mm, quando três terminais os dois laterais afastados de 8-10 mm, muito resinosos e de escamas persistentes.
2) Da parte superior da copa: Um pouco maiores do que os an teriores.
Folhas:
1) Da parte inferior da copa: Lineares, laminares, sulcadas na página superior, flexíveis, com 10-36 x 1,5-2 mm, discolores, verde-
Fig. 36
* Abies Veitchii Lindl. Secção
transversal duma jolha de ramo inferior (ex.ar n.° 11).
-escuro-brilhantes e sem estornas na página superior, e com duas faixas brancas acunheadas, cada uma com 7-10 fiadas estomáticas, mais largas do que a nervura não carenada na página inferior, truncadas e chanfra das no ápice, acunheadas e torcidas no máximo a 180° na base, com disco basal bem desenvolvido, densas, subpectinadas nos ramos ensom brados e dispostas em escova nos iluminados; secção oblongo-avicular, razão largura — espessura =3-4, hipoderme muito descontínua, canais de resina dois, centrais, nervura com os feixes condutores afastados e com bastantes células prosenquimatosas.
2) Da parte superior da copa: Diferindo das anteriores por: mais espessas, até só 30 mm de comprimento, faixas estomáticas cada uma com 10-12 fiadas e mais largas do que a nervura carenada na página inferior, agudas nos ramos de menor hierarquia, torcidas na base até 270°; hipoderme menos descontínua.
Flores:
1) Masculinas: Oblongas e violáceo-purpúreas em novas e cilíndri cas com as cristãs das anteras violáceo-purpúreas marginadas de amarelo cu as inferiores amareladas na antese, com 12-15 x 4-5 mm, peduncu-
ladas; cristãs das anteras cordiformes; pólen amarelo-pálido.
2) Femininas: Cilíndricas, violáceo-pulpúreas (verdes na var. oli vacea Shiras. (*)), com 18-20 x 5 mm; escamas protectoras quadrangu- lares, violáceo-purpúreas (verdes na var. olivacea Shiras.) mas esca- rioso-marginadas, mucronadas; escamas carpelares aladas, puberulentas.
Pinhas: Cilíndricas, arredondadas na base, subsésseis, com 4,5-7 x 2-2,5 cm, violáceo-purpúreas ou um tanto azuladas em imaturas e acastanhadas na maturação (na var. olivacea Shiras., verdes em ima turas e cinzento-acastanhadas na maturação), com exsudação de resina branca formando grumos e películas, de escamas protectoras mais ou menos salientes; escamas protectoras verdes em novas, com 10-13 x 2 (na unha) —4-5 (no limbo) mm, de limbo quadrangular, mucronado e de mucrão com 1 mm; escamas frutíferas aladas, puberulentas no es cudo, de margens superior inteira e laterais roído-denticuladas, com 8-12 x 15-20 mm.
Sementes: Obliquamente obovado-oblongas, com 5-7 x 3-4 x 2 mm, de asa acinaciforme, amarelada na maturação (antes azul de aço) e com 7-9 x 7-9 mm.
10 — Abies homolepis Sieb. et Zucc.
Abies homolepis Sieb. et Zucc., Fl. Japon. II: 17, t. 108 (1842) (*). Pinus homolepis (Sieb. et Zucc.) Ant., Conif. 78, t. 31 f. 1 (1842-43). Abies brachyphylla Maxim, in Buli. Acad. Sei. St. Pétersb. ser. 3, X:
488 (1866) et Mél. Biol. VI: 23 (1866).
0) Abies Veitchii var. olivacea Shiras. in Bot. Mag. Tokyo XXVII: 132 (1913).
(') Siebold e Zuccarini <(1. c.) descreveram, sob o nome Abies homolepis, uma espécie japonesa a partir de exemplares novos, fazendo apenas referência aos caracteres dos ramos, gomos, folhas e pinhas muito jovens. N,a sua tab. 108, estão representados dois ramos folhosos e duas pinhas jovens. Por outro lado, Maximowicz descreveu, a partir de exemplares adultos, um abeto de Fudje-iama, que denominou Abies brachyphylla. Durante muitos anos, a espécie de Siebold e
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Pinus brachyphylla (Maxim.) Pari. in DC. Prodr. XVI (2): 424 (1868).. Picea brachyphylla (Maxim.) Gord., Pinet. ed. 2: 201 (1875).
Exemplares observados: 56 (Sintra, Parque da Pena: exemplar com: 25-30 anos, no talhão abaixo da rua que termina na Capela de Santo- António e proveniente de semente fornecido pela Casa Vilmorin-An- drieux) —83 (Sintra, Parque da Pena: exemplar da mesma idade e proveniência do anterior, no talhão do Gigante).
Além dos exemplares mencionados, não conhecemos mais nenhum no nosso País. No entanto, tivemos ocasião de observar alguns exemplarei adultos nos Reais Jardins Botânicos de Kew (Inglaterra) e noutros jar dins europeus.
Porte: Árvore de tronco erecto, cilindro-cónico, ramificado desde a base nos indivíduos novos; pernadas inseridas em verticilos um tanto afastados, delgadas, subpatentes ou as superiores erecto-patentes, com pridas na base da copa e encurtando gradualmente para cima, ramifi cadas oposto-disticadamente; copa aberta, ampla e piramidal. Segundo Wilson (1916: 57), as árvores adultas têm pernadas robustas e patentesr formando uma copa frequentemente arredondada no cimo.
Dimensões máximas observadas: Altura = 4 m e DAP= 6 cm (n.° 56).
Ritidoma: Delgado e destacando-se em pequenas escamas papirá- ceas nos indivíduos novos, mais espesso e dividido em numerosas peque nas placas mais ou menos quadradas nos adultos. O ritidoma é castanho- -claro nos exemplares novos um tanto ensombrados e cinzento nos adultos,, mais escuro nos troncos recebendo pouca luz e mais claro nos iluminados.
Ramos:
1) Da parte inferior da copa: Estriados (acentuando-se os sulcos- com a idade), glabros, brilhantes, amarelados no l.° ano e amarelo- -acinzentados desde o 2.° ano, oposto-disticados.
2) Da parte superior da copa: Diferindo dos anteriores por serem um pouco mais grossos.
Zuccarini foi considerada crítica, por não se conseguir identificar devidamente, e várias conjecturas foram emitidas a seu respeito. Porém, Mayr, que viveu vários anos no Japão e que aqui teve ocasião de observar de perto as espécies- indígenas, chegou à conclusão de que Abies homolepis Sieb. et Zucc. e A. bra
chyphylla Maxim, nao 'eram mais do que uma mesma espécie, solucionando assim