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Demografiske og besetningsrelaterte faktorer

4 Diskusjon

4.2 Demografiske og besetningsrelaterte faktorer

1.4.1 Desenvolvimento e Características da Carcinicultura

A área total de cultivo de camarão no estuário do Rio Jaguaribe foi 1.676,78 ha, em 2005 (SOARES et al., 2007) e 1.640 ha em 2006 (MARINS et al., 2011). Atualmente, a área total dedicada ao cultivo de camarão é 2.411,30 ha, o que representa um aumento de 47,0% em comparação com 2006 e de 43,8% em relação a 2005.

Os sistemas aquícolas têm gradualmente evoluído de sistemas extensivos e tradicionais para sistemas semi-intensivo e intensivo os quais são classificados de acordo com o tamanho do viveiro, trocas de água, mão-de-obra, uso de ração e de produtos químicos e densidades de estocagem (ANH et al., 2010).

No estuário do Rio Jaguaribe, a carcinicultura semi-intensiva utiliza viveiros que são menores do que em fazendas tradicionais (1-8 hectares), mas são capazes de proporcionar rendimentos mais elevados (1-5 toneladas ha-1 ano-1), enquanto os cultivos intensivos utilizam

práticas de manejo que são caracterizadas por altas densidades de estocagem em viveiros com aeradores mecânicos (1-5 hectares) e altas produtividades (6-15 toneladas ha-1 ano-1).

Desde 2003, a carcinicultura brasileira tem tido problemas com enfermidades em muitas regiões (ANDRADE et al., 2007; POULOS et al., 2006). O surto causado pelo IMNV causou a indústria brasileira de cultivo de camarão, perdas milhões de dólares, reduzindo o número de empregos e a entrada de divisas (LIGHTNER, 2011).

Apesar da expansão da área de produção, as enfermidades não têm afetado os níveis de produção das fazendas de camarão no Estuário do Rio Jaguaribe, no período 2010- 2012 (TEIXEIRA-LOPES et al., 2010; TEIXEIRA-LOPES et al., 2011). O IMNV ocorre, principalmente, no período chuvoso, tendo sido mais intenso no período 2003-2009 que em 2010-2012. Doenças estão associadas de forma mais evidente com as mudanças ambientais do que com a intensificação das fazendas (ALAM et al., 2007; PRIMAVERA, 1991; PÁEZ- OSUNA et al., 2003;).

Adicionalmente, problemas com a qualidade da água, associados a um cultivo sem planejamento e descontrolado, podem aumentar a incidência de doenças e reduzir a produção (DEB, 1998). Infelizmente, as fazendas de camarão nessa região não implementaram planos de biossegurança, boas práticas de manejo (BPM) e o uso de pós-larvas com certificação, apesar da ocorrência de enfermidades e outros problemas técnicos.

Apesar das doenças serem um problema reconhecido, a indústria e o governo brasileiro não estão usando camarões SPF e Certificados de Código de Conduta. Este caso é completamente diferente da situação observada na Tailândia, onde cerca de 18.000 larviculturas e fazendas são certificadas para as Boas Práticas Aquicultura/Código de Conduta por parte do governo da Tailândia (YAMPRAYOON; SUKHUMPARNICH, 2010). Além disso, devido ao seu custo elevado e a falta de preparo por parte dos carcinicultores, ainda é estimado que a maioria das fazendas não têm seus efluentes tratados.

No estuário do Rio Jaguaribe, fazendas de camarão operam durante todo o ano com vários ciclos por ano. Por outro lado, em outros países a tendência tem sido reduzir o número de ciclos por ano devido as baixas produtividades durante os meses frios (PÁEZ- OSUNA et al., 2003; PONCE-PALAFOX et al., 2011; WAHAB; BERGHEIM; BRAATEN, 2003; YAMPRAYOON; SUKHUMPARNICH, 2010).

A indústria de cultivo de camarão localizada no estuário do Rio Jaguaribe emprega 2.350 pessoas, que representam 23,2% dos empregos gerados nos dois municípios onde está inserido o estuário do Rio Jaguaribe. Portanto, esta indústria contribui significativamente para o emprego rural como observado em outros países em desenvolvimento (ISLAM; BRADEN, 2006; MELTZOFF; LIPUMA, 1986).

O cultivo de camarão no Equador tem transformado o equilíbrio regional da economia em relação à produção, emprego e habitação (MELTZOFF; LIPUMA, 1986). Da mesma forma, os benefícios econômicos da carcinicultura na Ásia são bem reconhecidos, incluindo as oportunidades de emprego (AZAD; JENSEN; LIN, 2009; DEB, 1998; ITO, 2002). Além disso, esta indústria contribui para a segurança alimentar e a redução da pobreza, assim como é capaz de gerar empregos nos diversos setores da cadeia produtiva (PAUL; VOGL, 2011).

Entretanto, não é surpreendente que o crescimento da carcinicultura tenha gerado um aumento das críticas de suas consequências socioambientais, incluindo a marginalização de membros de comunidades rurais, o crescimento dos sem-terra, perda dos sistemas tradicionais de apoio à subsistência, aumento da pobreza, diminuindo da segurança alimentar e a transferência de terras e riqueza para as elites locais e nacionais (NEILAND et al., 2001). Esses problemas têm sido relatados em vários países produtores (BRIGGS; FUNGE-SMITH, 1994; GOSS; BURCH; RICKSON, 2000; HUITRIC; FOLKE; KAUTSKY, 2002; NEILAND

et al., 2001; VEUTHEY; GERBER, 2011).

No estuário do Rio Jaguaribe, os aspectos negativos da carcinicultura incluem a proibição das populações locais do seu acesso tradicional aos manguezais, o declínio na

segurança alimentar, a marginalização das comunidades costeiras e o desemprego devido ao abandono de fazendas de camarão (QUEIROZ, 2007). No entanto, as evidências para esses casos não são apresentadas de forma objetiva e concreta pelo autor.

No período 2003-2010, a competitividade das exportações de camarão cultivado do Brasil foi afetada pela doença IMNV, ação antidumping promovida pelos EUA e o fortalecimento da moeda brasileira. Consequentemente, as exportações diminuíram de 58.500 toneladas em 2003 para 1.600 toneladas em 2010 (ROCHA, 2011). A produção de camarão em cativeiro no Brasil tem permanecido constante nos últimos anos, mas as exportações caíram acentuadamente e quase toda a produção é no presente consumida internamente (ABREU et al., 2011).

Em comparação com outros países, o Brasil tem um alto custo de produção para o camarão cultivado. No entanto, a indústria do camarão brasileiro tem se beneficiado da alta dos preços domésticos, apesar da redução no preço internacional devido as restrições de importação de camarão e a alta demanda no mercado doméstico (FOSTER; VINCENT, 2010; KEITHLY-JR; POUDEL, 2008; LEBEL et al., 2010; ROCHA 2011). Em 2011, os preços por categoria de tamanho variavam entre U$ 4,67-6,04 para 80/100 (contagem de unidades de camarão), U$ 4,95-6,60 parar 70/80 e U$ 5,85-8,10 para 50/60. Estes preços são 40-50% mais elevados do que os preços praticados pelos aquicultores na Ásia (MUANGKEOW et al., 2007).

1.4.2 Avaliação do uso e Ocupação do Solo

O uso de imagens de satélite tem permitido o monitoramento e mapeamento de áreas que requerem atenção sobre a gestão de recursos naturais (FREITAS et al., 2011; GIAP; YI; YAKUPITIYAGE, 2005; SALAM; ROSS; BEVERIDGE, 2003). Técnicas de levantamento aéreo fornecem um nível de detalhes que permitem a visualização da paisagem de acordo com sua estrutura e distribuição temporal e espacial. O uso desta ferramenta é justificada pelo seu baixo custo e geração de dados digitais, que pode ser facilmente incorporados em um banco de dados GIS.

Em muitos países, a rápida expansão da carcinicultura tem causado grande destruição de manguezais (CHOWDHURY; SHIVAKOTI; SALEQUZZAMAN, 2006; AHMED; DEMAINE; MUIR, 2008). A destruição de áreas de manguezais foi documentada durante este estudo. Estes habitats estão legalmente protegidos e executam funções ecológicas

e econômicas importantes, como a proteção estrutural da costa contra a erosão, regulação hidrológica e abrigo para biota.

Contudo, fazendas de camarão localizados no estuário do Rio Jaguaribe foram construídas em menos de 0,2% (3,7 ha) de áreas de mangue. Da mesma forma, para a Costa do Norte de Sinaloa (México), uma análise de detecção de alterações de coberturas terrestres, com imagens Landsat, mostrou que 75% do cultivo de camarão nessa região foi construída sobre salgados, enquanto que menos de 1% foi construído em manguezais (BERLANGA- ROBLES et al., 2011).

1.4.3 Avaliação da Qualidade de Água

A qualidade da água dos efluentes da carcinicultura depende de uma série de fatores, incluindo o tipo de solo do viveiro, qualidade da água no ponto de captação d’água, fase do cultivo e práticas de gestão empregadas (ZIEMANN et al., 1992). A poluição da água é amplamente associada com o uso e a descarga de águas por parte viveiros de camarão (ANH

et al., 2010). Os problemas mais comuns em sistemas abertos de troca de água são bloom de

fitoplâncton, deterioração dos fundo dos viveiros e doenças bacterianas (FUNGE-SMITH; BRIGGS, 1998).

A qualidade da água e os efeitos subsequentes da carcinicultura no ambiente costeiro foram avaliados por meio da análise dos parâmetros anteriormente mencionados, nas estações de amostragem selecionadas ao longo dos pontos de entrada e saída. Os parâmetros biológicos, físicos e químicos da água durante o período de monitoramento foram mantidos dentro do padrão brasileiro de qualidade de água de efluentes industriais lançados em águas salobras, exceto para NAT (converter em amônia), nitrato, nitrito e fósforo total. No entanto, as normas brasileiras de qualidade da água para o lançamento de efluentes industriais são mais restritivas do que os padrões para BPA (Boas Práticas de Aquicultura da Aliança Global de Aquicultura) Os padrões brasileiros de qualidade da água para NAT e fósforo total são ≤ 0,4 mg L-1 e ≤ 0,12 mg L-1, respectivamente, enquanto que para os padrões BAP são ≤ 5,0 mg

L-1 e ≤ 0,5 mg L-1, respectivamente.

Vários estudos relacionados com o monitoramento da qualidade da água em fazendas de camarão relatam resultados semelhantes (ANH et al., 2010; BIAO; CASILLAS- HERNÁNDEZ et al., 2006; COSTANZO; O’DONOHUE; DENNISON, 2004; THOMAS et

al., 2010; TROTT; ALONGI, 2000; WAHAB; BERGHEIM; BRAATEN, 2003; ZHUHONG;

provenientes de viveiros de camarão normalmente contém concentrações elevadas de nutrientes dissolvidos em comparação com a água oriunda dos pontos de captação (ANH et

al., 2010; BIAO; ZHUHONG; XIAORONG, 2004; COSTANZO; O’DONOHUE;

DENNISON, 2004; THOMAS et al., 2010).

Por outro lado, os valores de cada parâmetro ambiental permaneceram estáveis durante o período de 2010-2012, indicando a capacidade do estuário em reciclar nutrientes. Por exemplo, os níveis de NAT nos pontos de captação de água não diferiram significativamente (p>0,05) durante os anos 2010 (média de 0,95 mg L-1, variando entre 0,01-

3,30 mg L-1), 2011 (média de 0,40 mg L-1, variando entre 0,03-2,00 mg L-1) e 2012 (média de

0,87 mg L-1, variando entre 0,03-1,51 mg L-1).

Os manguezais têm certa capacidade de tolerar entradas periódicas de efluentes de viveiros de carcinicultura (TROTT; ALONGI, 2000). Os autores sugerem que os efluentes podem ser dissipados pelas marés e assimilados e/ou mineralizados pela estuário. Nesse caso, na Austrália, a qualidade da água foi analisada por um período de 3 anos em um estuário com manguezais que recebeu aportes periódicos de efluentes de viveiros de camarão, e em dois estuários próximos, que não sofreram impacto (TROTT; ALONGI, 2000).

Os autores concluíram que estuários influenciados por marés têm alguma capacidade, pelo menos em escalas espacial e temporal curtas, para processar entradas intermitentes de nutrientes oriundos de viveiros. Entretanto, diferenças marcantes nos parâmetros físicos e químicos foram evidentes entre os pontos de captação de água e de lançamento de efluentes e na fazenda de camarão, quando esta estava vazia, em produção e em despesca (COSTANZO; O'DONOHUE; DENNISON, 2004). Segundo os autores, ficou evidente que o estuário tinha sido influenciado, como resultado de resíduos de fazendas de camarão.