• No results found

6 Sameksistens

6.2 Aktuelle virkemidler for å sikre sameksistens

3.5.1 Contexto da Pesquisa: Local da Coleta de Dados

A escola escolhida para realizar a pesquisa foi o Centro Pedagógico(CP) da UFMG, localizado no campus da UFMG, em Belo Horizonte/Minas Gerais. O contato para que todos os trâmites legais da pesquisa fossem garantidos foi feito através do LAPED – Laboratório de Pesquisa de Psicologia e Educação Helena Antipoff. A Escola Fundamental do Centro Pedagógico é integrada à Faculdade de Educação da UFMG e tem como objetivo principal constituir-se como um campo de experimentação e renovação educacionais. Dentre suas funções, destaca-se o desenvolvimento de pesquisa, em que esta instituição busca criar um ambiente propício para uma variedade de investigações que possam ser realizadas por professores do Ensino Fundamental e Médio, professores universitários, estagiários e outros17.

O CP é uma escola pública, instalado em uma grande área verde com amplo espaço para as crianças brincarem e se divertirem, além de possuir uma estrutura física ideal para o desenvolvimento integral de seus alunos. A escola tem uma grande procura por parte de famílias de contextos socioeconômicos distintos, devido o reconhecimento educacional que possui na comunidade belorizontina e por estar inserida no campus de uma das melhores universidades do Estado de Minas Gerias.

A escola adota o critério do sorteio para ingresso de seus novos alunos e, dessa forma, evita mecanismos de seletividade que favoreçam quaisquer grupos sociais, busca-se, portanto, uma amostra aleatória da população. É importante ressaltar que tal critério para o ingresso de alunos contribuiu para que, nesta pesquisa, não houvesse qualquer tipo de discriminação ou preconceito que pudesse interferir nos resultados.

Junto à coordenação da escola, definiu-se que a turma escolhida para a pesquisa seria a que tivesse crianças com as características predefinidas no projeto, ou seja, uma turma com crianças com idade entre 9 e 11 anos e que houvesse, em seu meio, um (a) aluno (a) com diagnóstico de TDAH. Escolheram-se, portanto, três meninos da 4ª. Série C do Ensino Fundamental, Segundo Ciclo que funciona no turno vespertino.

3.5.2 Características da Turma 4ª Série C – Segundo Ciclo do Ensino Fundamental

O Segundo Ciclo de formação humana na Escola Fundamental do Centro Pedagógico está ordenado em três anos. Os alunos que o freqüentam estão entre os nove e onze anos de idade. De acordo com Andrade (2006, p. 34) esta escola concentra mais sujeitos representantes das classes econômicas C e B2 do que se apresenta no Brasil e em Belo Horizonte, em que as concentrações econômicas se localizam nas classes C e D. A 4ª série C é composta por 32 alunos: vinte e dois meninos e onze meninas.

Essa faixa etária tem como característica um rápido crescimento físico, intelectual, relacional e interesse na busca pela identidade pessoal, procurando entender seu papel na sociedade e no grupo em que atua. Inicia-se, nesta etapa, o processo de mudanças biológicas, psicológicas e de construção de conceitos mais abstratos. Inicia-se a preocupação com o sexo oposto na convivência entre eles e nas descobertas relacionadas à sexualidade.

A escola objetiva e procura contribuir para a construção da identidade do (a) aluno (a), instruindo-o (a) na ética, na responsabilidade social e na responsabilidade com o planeta. Avaliam-se os alunos do Ciclo, ao longo de todo o processo de ensino-aprendizagem, acompanhando-os no dia-a-dia escolar. Essa avaliação constante orienta a prática educativa dos professores, que levam em conta as dificuldades e os progressos dos alunos para planejarem ou

reformularem seu trabalho. Todo esforço e crescimento observados no comportamento e no rendimento dos alunos são valorizados, mesmo que não tenham atingido a compreensão dos conceitos trabalhados e/ou participado das experiências nas diversas aulas18.

É relevante, para se entender o contexto de vida dos alunos observados, fazer uma explanação em torno da turma em que eles estão inseridos. Isso porque é uma turma que se difere das outras. Todos os envolvidos, professores, coordenadores, assistente social, buscam meios para o desenvolvimento de um trabalho que realmente redunde em uma mudança de comportamento na maioria das crianças que ali convivem.

As crianças foram agrupadas há mais de dois anos, e como não há na escola outra turma para que seja feito um reagrupamento dos alunos, eles permanecerão juntos por mais alguns anos. A criação de uma nova turma, para redistribuição das crianças, provavelmente diminuiria o desgaste da escola com os problemas comportamentais que surgem constantemente.

A sala de aula dessa turma tem aproximadamente 50m², três armários de aço no fundo, um quadro-giz na frente, um mural pouco usado; uma lixeira com cores diferentes para coleta seletiva; há janelões em sua lateral que areja o ambiente. É uma sala bem iluminada que fica no terceiro andar da escola e possui fácil acesso aos banheiros, bebedouros, pátio e às demais dependências.

Em diversas aulas, as carteiras ficam em círculo, de forma que todos os alunos possam participar das discussões propostas pelos professores, segundo o depoimento da professora responsável pela turma. Os recursos didáticos mais usados em sala de aula são os aparelhos de

data show, de DVD, de CD e a televisão. A professora responsável pela turma trabalha

frequentemente com um notebook sobre sua mesa.

A 4ª série C é uma turma considerada agitada. As crianças conversam bastante e muitas delas apresentam dificuldades para prestar atenção nas aulas. Não conseguem ficar atentas aos professores durante a ministração dos conteúdos, nem assentadas durante um período mínimo das aulas. Observou-se a necessidade dos professores de chamar constantemente a atenção da turma, devido à indisciplina. No entanto, os professores criam sempre estratégias para envolver os alunos, mas, por muitas vezes, acabam desistindo pelo fato dos alunos não participarem das atividades como o planejado. De acordo com o professor de Ciências e os próprios alunos, as aulas no Laboratório de Informática e no Laboratório de Ciências estavam suspensas por período

indeterminado devido à indisciplina da turma, que parece não reconhecer na suspensão de atividades bem práticas, lúdicas e diferenciadas uma “punição” para a indisciplina. . A falta de disciplina, ordem e de reconhecimento quanto ao momento para cada atividade é uma constante, isso pode ser visto, novamente, no depoimento da professora de Filosofia que, durante a apresentação de um filme, teve muita dificuldade para acalmar a turma e dar início à exibição, e, quando surgiu uma cena de beijo dos personagens, a maioria das crianças reagiu com gritos e zoação19. E, durante toda a exibição, há muita conversa e isso acaba prejudicando a realização dessa proposta atividade que tem um tempo muito curto de execução.

A professora de Matemática, no seu depoimento, afirmou que sente que o grupo transfere a resistência à disciplina para a pessoa dela, e que não tem conseguido reverter a situação, mesmo fazendo novos e diversos planejamentos.

A professora responsável pela turma trabalha os conteúdos de História e Geografia e tem, como proposta de ensino, favorecer um ambiente para a aprendizagem das crianças, ou seja, um espaço para o dialógico, onde os alunos sintam-se à vontade para expressar suas idéias e opiniões. Ela acredita que isso, de certa forma, é ainda mais necessário, uma vez que avalia a compreensão de questões muito abstratas para essa faixa etária. Ainda percebe que, quando leva seu laptop e

data show para a sala de aula, surge uma grande inquietude na maioria das crianças. A professora

ainda acredita que esses aparelhos eletrônicos servem de estímulos para as crianças da mesma forma que para os adultos.

A assistente social da escola atende os alunos enviados pelas professoras por motivos de indisciplina. Ela declarou que a 4ª C é uma turma muito agitada e que os alunos já chegaram a derrubar o armário da sala e por isso há uma rotatividade muito grande de professores com a turma. Por outro lado, a professora de Filosofia declarou que sente necessidade de passar mais tempo com a turma para conversarem mais nas aulas. Muitas vezes, ela faz debates e discussões interessantes, em que a turma participa e faz inferências, mas que precisa ser interrompida para cumprimento do horário escolar, bem como de seu programa.

3.6 Análise dos dados e a definição das categorias analíticas

191. Zoação: fazer troça de; rir de alguém ou fazer-lhe uma brincadeira, por divertimento; caçoar, gozar – termo do regionalismo brasileiro de uso informal. (HOUAISS, 2004).

Segundo Yin (2005), a análise dos dados é a parte mais delicada e mais difícil de ser executada no estudo de caso, exigindo que o pesquisador confie em sua experiência ou na literatura da área para a interpretação dos resultados. Para o autor, cada investigação deveria ter uma estratégia de análise que orientasse o pesquisador sobre o que deveria ser analisado e por que razão. A estratégia mais prática é confiar na proposta teórica do estudo realizado e analisar os dados com base nessa proposta.

Para análise dos dados coletados, através da observação, entrevistas, filmagens, fotografias, relatórios individuais dos alunos, foi feita uma triangulação dos dados de forma que eles se confirmassem. Além da triangulação, os dados foram relacionados com os referenciais teóricos já explanados nos capítulos anteriores de maneira a examinar detalhadamente o fenômeno estudado.

Onozato (2007, p. 80) considera relevante a definição das categorias analíticas que serão utilizadas para reunião dos elementos de conteúdo previamente definidos na pesquisa. O QUADRO 1 apresenta as categorias analíticas e os elementos de análise usados como base para o estudo.

QUADRO 1 – Categorias e elementos de análise

Categorias Analíticas Elementos de Análise

Relação FamiliarRelação com os pais

Comportamento em casa

Organização do ambiente de estudo

Estabelecimento de limites pelos pais

Aceitação das ordens dos pais

Iniciativa para realização dos deveres escolares

Uso adequado dos aparelhos eletrônicos

Tempo de uso dos aparelhos eletrônicos

Local adequado para os estudos

Relação com aparelhosTempo de uso da televisão, computador,

som e videogame

Necessidade do uso dos aparelhos

Uso em casa e na escola

Influência no cotidiano

Envolvimento emocional

Comportamento na escolaRelação com os professores, com os colegas

Participação nas aulas

Indisciplina

Realização das atividades

Concentração

Postura nas aulas

Inquietação

A análise dos dados será apresentada a partir das três categorias analíticas acima: a primeira refere-se à identificação e história familiar de cada um dos sujeitos para uma contextualização familiar, a segunda se refere à relação dos três sujeitos com os aparelhos eletrônicos, e a terceira refere-se ao contexto escolar deles. Entretanto, para entender melhor o comportamento das crianças serão apresentadas características da turma em que as crianças estão inseridas – a 4ª série C do Ensino Fundamental, Segundo Ciclo. É relevante esta explanação pelo fato de a turma ser foco de diversas discussões e debates na escola devido ao comportamento bastante problemático.

No contexto escolar, apresenta-se, inicialmente, a realidade escolar das crianças, bem como a relação delas com a tecnologia, com seus pais, seus colegas e demais pessoas envolvidas na vida escolar. Posteriormente, apresentar-se-á a descrição da postura das crianças e seu comportamento em três categorias: relação familiar, relação com aparelhos eletrônicos e comportamento na escola, bem como a análise das entrevistas feitas com as mães e com as próprias crianças. Considerou-se cada caso, que foi analisado em relação aos outros. Como já dito, as crianças receberam os nomes fictícios de JJ, Carlos e Zéo com o objetivo de preservar suas identidades.

No próximo capítulo são apresentados os resultados obtidos após a aplicação da SES-C – Escala de Auto-Avaliação para Crianças, bem como o processo de tradução utilizado. A escala é relevante para analisar os resultados obtidos através da observação e entrevista. Explicitar-se-á a relação feita entre as crianças e os estímulos que recebem em seu contexto vivencial, especialmente os estímulos provenientes de aparelhos eletrônicos, além de verificar a influência destes aparelhos na promoção de sintomas comportamentais como a hiperatividade e o déficit de atenção, percebidos no ambiente escolar e em suas casas.