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7.  Erfaringer fra arbeidet med de norske biogassanleggene

7.5  Aktører og kompetanse

7.5.1  Aktuelle aktører i Norge

José Adauto Bezerra, cearense de Juazeiro do Norte, ilho de José Bezerra de Menezes e Maria Amélia Bezerra, proprietários de usinas de beneiciamento de algodão. Cursou a Academia Militar das Agulhas Negras, onde concluiu o curso de Oicial do Exército.

No ano de 1974, Adauto Bezerra tinha posição de destaque no cenário político cearense, pois liderava grupo eleitoral que envolvia não só a região caririense, como também outras regiões do Ceará. (LINHARES, 1996).

Em 3 de outubro de 1974, a Assembleia Legislativa do Ceará realizou sessão especial, no qual foi eleito governador o Coronel Adauto Bezerra, e para vice-governador Waldemar de Alcântara.

Diferente da administração anterior, a gestão de Adauto Bezerra pretendia cuidar mais do interior do Ceará. Em seus pronunciamentos, costumava dizer que governaria “[...] de costas voltadas para o mar e de frente para interior cearense” (LINHARES, 1996, p. 375).

Mesmo querendo fazer uma gestão diferente da de César Cals, Adauto Bezerra usou a mesma estratégia política que este: obter o monopólio da política cearense. E para conseguir o controle político desejado, colocou seus familiares em cargos imprescindíveis da administração pública, bem como concedeu regalias aos seus sectários, tendo até sido criada

a Secretaria para Assuntos Municipais, que tinha como Secretário seu irmão gêmeo Humberto Bezerra, ex-vice-governador do Ceará. Para embasar esta informação, usamos as palavras de Farias.

[...] Adotou, desde o início, da mesma forma que César Cals, uma forte estratégia de monopolizar a política do estado; o eixo dessa estratagema passava pela distribuição de membros de sua família em postos públicos vitais e pela conquista de apoios, concedendo vantagens materiais e simbólicas aos correligionários e até aos partidários dos demais coronéis, as velhas e isiológicas oligarquias municipais, sempre atraídas pelo “canto do governo”. Nessa missão de obter “leais aliados”, foi fundamental a criação da Secretaria para Assuntos Municipais, entregue a Humberto Bezerra. (2007, p. 288)

O enfraquecimento econômico dos municípios cearenses, que havia se intensiicado com a concentração dos recursos nas mãos do governo federal, e a inabilidade de grande parte dos prefeitos das cidades cearenses, só veio a colaborar com a estratégia política implantada pelo Coronel Adauto Bezerra, pois essa situação criava gestores leais e dependentes do seu governo.

Em mensagem enviada à Assembleia Legislativa do Ceará em 1978, Adauto Bezerra destaca que, apesar de estar em tempos de recessão, o Ceará recebeu quantidade signiicativa de verbas federais a serem aplicadas em projetos.

Tendo que administrar, portanto, numa época de recessão inanceira e de cortes orçamentários, é gratiicante dizer que nunca, em sua história recente, o Ceará foi tão beneiciado por transferências federais. [...] Essa privilegiada posição alcançada pelo Ceará, em relação aos demais Estados nordestinos, deveu-se a um trabalho integrado, que consistiu na elaboração rápida e oportuna de planos, programas e projetos, todos de reconhecida exeqüibilidade, completando-se esse trabalho com o acompanhamento de sua aprovação junto aos organismos federais e regionais. (1978, p. II – preâmbulo)

É válido mencionar algumas obras realizadas em seu governo. Na área da agricultura foi implantado o POLONORDESTE, destaca-se que, em três anos de atuação desse projeto, foram aplicados cerca de Cr$ 239,5 milhões nos municípios de Baturité, Quixadá, Sertões dos Inhamuns e Salgado, Quixeramobim e médio Jaguaribe, dentre outros. (MENSAGEM À ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA, 1978, preâmbulo, p. II).

No setor educacional, mais especiicamente o ensino de primeiro grau, foram ampliadas 197 salas de aula, 277 escolas e a construção de 91 unidades escolares. O objetivo desse governo era possibilitar que crianças, com idade entre 7 e 14 anos, tivessem maior acesso à educação. No mês de dezembro de 1977, 79,6% da população com essa faixa etária já estava frequentando a escola. (MENSAGEM À ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA, 1978, preâmbulo, p. IV).

Na área da saúde, podem ser citados a ampliação do sistema estadual de saúde; a conclusão do Hospital Infantil Albert Sabin; a construção de um hospital regional em Jaguaribe; a ediicação do Hospital Otacílio Mota, em Ipueiras; e a instalação do Pronto Socorro Psiquiátrico e do Centro de Psiquiatria Infanto-Juvenil, os dois no Hospital de Saúde Messejana. Em várias outras cidades também estavam sendo construídos hospitais, dentre elas citamos: Uruburetama, Solonópole, Boa Viagem, Iracema, Sobral, Juazeiro do Norte, Senador Pompeu, Tianguá, dentre outras. (LINHARES, 1996, p. 376).

Foi no governo de Adauto Bezerra que houve a interiorização do Banco do Estado do Ceará – BEC e a criação da Universidade Estadual do Ceará – UECE. (MENSAGEM À ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA, 1978, preâmbulo, p. X).

Adauto Bezerra tinha uma força política que impressionou tanto Virgílio Távora quanto César Cals. Os maiores centros de oposição ao seu governo localizavam-se na região de Morada Nova, que era comandada por Manoel de Castro, aliado de Virgílio Távora, e na região de Juazeiro Norte, governada por Mauro Sampaio, este ex-aliado dos Bezerra e, posteriormente, aliado de César Cals.

Para endossar a força política que Adauto Bezerra tinha no Estado do Ceará, usamos as palavras de Farias (2007, p. 289) quando ele airma que “Adauto exercia largo controle sobre a vida política do estado. O Ceará virou uma grande Juazeiro do Norte. Nada parecia deter o coronel. [...]”.

Em 28 de fevereiro de 1978, com menos de três anos de gestão, Adauto Bezerra lê sua carta-renúncia no Plenário 13 de Maio da Assembleia Legislativa do Ceará. O motivo alegado era a desincompatibilização, pois o mesmo desejava concorrer a um mandato federal.

Levo ao conhecimento dessa Augusta Assembléia Legislativa que, nesta data, 28 de fevereiro do ano em curso, por meio do presente instrumento, renuncio a meu mandato de Governador do Estado do Ceará, para efeito de desincompatibilização, visto como estou no propósito de candidatar-me ao mandato eletivo federal. Em conseqüência, me afasto, hoje, a partir deste momento e em caráter deinitivo, do cargo de Chefe do Poder Executivo Estadual e o faço com estrita observância dos constitucionais e legais aplicáveis à espécie. (MOTA, 2008, p. 87-88)

Sobre a renúncia do governador Adauto Bezerra e a posse do Vice-Governador, Waldemar de Alcântara, Linhares cita um fato interessante:

Petrônio Portela, – uma das Inteligências mais brilhantes que o cenário político nacional teve na atualidade, que a morte retirou do nosso convívio –, dizia que no mês de fevereiro de 1978 foi feita uma reunião em seu gabinete de líder do Governo no Senado com a presença de Adauto, Waldemar de Alcântara, ainda vice-governador, e Virgílio Távora. Adauto anunciou que iria renunciar e Waldemar informou que não poderia assumir, pois se o izesse estaria prejudicando o seu ilho Lúcio, que desejava ser deputado federal. Virgílio então propôs que Lúcio fosse o próximo prefeito de Fortaleza e comprometeu-se a tanto. Vai daí, dizia Petrônio, que Virgílio já estava trabalhando para ser o próximo Governador do Ceará. Ante tal argumento, Waldemar aceitou o mandato de um ano, apesar de ser uma fase de grandes expectativas. (1996, p. 377-378).

A Cheia do Poder Executivo, a partir do momento da renúncia, passou para o vice- governador Waldemar de Alcântara. Este governou o Ceará de fevereiro de 1978 a março de 1979. Na disputa de 1978, a Aliança Renovadora Nacional – ARENA elegeria a maioria dos deputados estaduais e federais; colocaria César Cals como senador biônico; nomearia Lúcio Alcântara, ilho do Governador Waldemar de Alcântara, para Prefeito de Fortaleza; e para governador do Ceará, Virgílio Távora e como vice-Governador, Manoel de Castro.

A criação do cargo senador biônico era parte de um conjunto de normas feitas pelo Presidente Geisel popularmente conhecido como o “pacote de abril”. O objetivo da criação desse cargo era impossibilitar que o Movimento Democrático Brasileiro – MDB se tornasse majoritário no Senado. Sobre isso, Fausto explica o seguinte:

Geisel apertou o cerco, introduzindo em abril de 1977 uma série de medidas que icaram conhecidas como o “pacote de abril”, após colocar o Congresso

em recesso. Entre as medidas do pacote, estava a criação da igura do Senador biônico, cujo objetivo era impedir que o MDB viesse a ser majoritário no Senado. Os senadores biônicos foram eleitos, ou melhor, “fabricados”, por eleição indireta de um colégio eleitoral. (2006, p. 272).

Encerrava-se, assim, a década de 1970 no Estado do Ceará. Uma década marcada por disputas políticas, perseguição a adversários políticos, morte e tortura de pessoas contrárias ao Regime Militar vigente no Ceará e no Brasil.

1.2 O Ceará entre Dois Extremos – a enchente de 1974 e a seca de 1979: