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2. METODE

3.3 Aktivitetstilbud knyttet til barns psykiske helse

Trata-se de um estudo de caso de abordagem qualitativa. Optou-se por esta modalidade por entender que, diante da natureza complexa do objeto de estudo, qual seja, a assistência segura no perioperatório, os objetivos propostos somente seriam atingidos por meio de um método que permitisse uma análise intensiva do contexto do fenômeno para compreender sua multidimensionalidade, configurada pela singularidade dos diversos atores envolvidos.

Nessa perspectiva, utilizou-se o estudo de caso por se tratar de um delineamento de pesquisa que permite analisar em profundidade o grupo, a organização ou o fenômeno, considerando suas múltiplas dimensões (GIL, 2009); e a abordagem qualitativa por estar relacionada aos significados atribuídos pelas pessoas aos fenômenos, a partir de suas experiências do mundo social e de como compreendem este mundo, buscando interpretar as situações em seus ambientes naturais, em vez de ambientes artificiais ou experimentais, oferecendo, assim, subsídios pertinentes aos pesquisadores que estudam a atenção à saúde e os serviços de saúde (POPE; MAYS, 2009).

A utilização da abordagem qualitativa neste estudo justifica-se por considerar que as dimensões que promovem a segurança cirúrgica estão presentes no cotidiano de trabalho dos profissionais que compõem os pontos de atenção da rede intra-hospitalar e ultrapassam a objetividade da aplicação de instrumentos como o checklist de cirurgia segura recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). É necessária uma abordagem que apreenda a subjetividade que permeia o contexto das relações interprofissionais para, inclusive, aplicar o

checklist ou outra ferramenta para a melhoria da qualidade e verificar como esses profissionais percebem o fenômeno da segurança cirúrgica.

A abordagem qualitativa permite uma aproximação da realidade, incorporando a questão do significado e da intencionalidade como inerentes aos atos, relações e estruturas sociais (MINAYO, 2014). Possibilita também a compreensão de fenômenos complexos, trabalhando um universo de significados, manifestações, ocorrências, motivos, fatos, eventos,

vivências, ideias, sentimentos, aspirações, crenças, valores e atitudes em busca da compreensão da realidade humana vivida socialmente (TURATO, 2005; MINAYO, 2014; TRIVIÑOS, 1987).

O método de estudo de caso, que é a modalidade de investigação escolhida para esta pesquisa, vem sendo utilizado em pesquisas, tanto em disciplinas tradicionais, como a psicologia e a antropologia, quanto nas áreas com orientação prática, como administração pública, ciência política, trabalho social, educação e enfermagem (YIN, 2015). Independente do campo que o utiliza, a necessidade da pesquisa de estudo de caso surge do desejo de compreender fenômenos sociais complexos e contemporâneos inseridos em contextos reais, sejam eles individuais, organizacionais, sociais, políticos ou de grupos (YIN, 2015).

São diversas as definições e autores que versam sobre estudo de caso na literatura. Robert K. Yin tem se destacado, sendo considerado um dos mais célebres autores no campo de estudos de caso (GIL, 2009). A definição apresentada recentemente por Yin (2015) vem sendo desenvolvida desde 1981 e reflete uma visão em duas partes dos estudos de caso. A primeira inicia-se com o escopo do estudo, e a segunda parte da definição surge devido ao fato de que o fenômeno e o contexto não são fáceis de distinguir nas situações do mundo real.

1 – O estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo (o “caso”) em profundidade e em seu contexto de mundo real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente evidentes. 2 – A investigação do estudo de caso enfrenta a situação tecnicamente diferenciada em que existirão muito mais variáveis de interesse do que pontos de dados, e, como resultado conta com múltiplas fontes de evidência, com os dados precisando convergir de maneira triangular, e como outro resultado beneficia-se do desenvolvimento anterior das proposições teóricas para orientar a coleta e análise de dados (YIN, 2015, p. 17-18).

Essa definição em duas partes – abarcando o escopo e as características desse método – mostra a abrangência do estudo de caso e como ele conserva as características holísticas e significativas dos acontecimentos da vida real (YIN, 2015), analisando as inter-relações entre as variáveis para promover o entendimento do caso o mais completo e profundo possível. Procedeu-se, nessa pesquisa, a utilização do estudo de caso descritivo, que caracteriza o fenômeno dentro de seu contexto, como um caso único, pois visa captar e reter uma perspectiva holística das circunstâncias e das condições de uma situação diária ou de um lugar comum (YIN, 2015).

Desse modo, justifica-se a utilização do método de estudo de caso nesta pesquisa, uma vez que a compreensão da percepção dos profissionais sobre a promoção de cirurgias seguras

Segurança da assistência no perioperatório: integração de uma complexa rede intra-hospitalar 42

é construída pelo cotidiano do próprio trabalho desses profissionais dentro da rede intra- hospitalar. De acordo com Pereira, Godoy e Terçariol (2009), o estudo de caso alarga a visão do fenômeno por apreender o indivíduo em sua integridade e em seu contexto. Os profissionais da pesquisa compõem um grupo que, embora em diversas funções e responsabilidades, partilha do mesmo contexto, e suas ações representam o retrato do atendimento cirúrgico real, que é complexo e permeado de eventos significativos para o entendimento da segurança dos pacientes. Nesse sentido, a estratégia de estudo de caso permite a análise da dinâmica dos processos em sua complexidade, o que estabelece sua condição específica de contribuição à construção do conhecimento (PEREIRA; GODOY; TERÇARIOL, 2009).

Ademais, a utilização do estudo de caso se mostra apropriada também por se tratar de um fenômeno muito discutido na contemporaneidade e por responder às perguntas relacionadas a como ocorre determinado fenômeno, não exigindo controle dos eventos comportamentais (YIN, 2015), o que induz também ao uso da abordagem qualitativa.

A crítica mais frequente em se utilizar estudos de caso e abordagem qualitativa refere- se a não possibilidade de generalização. A abordagem qualitativa considera as limitações metodológicas de generalização, tendo a preocupação maior com o aprofundamento e abrangência da compreensão do objeto estudado (MINAYO, 2014). A autora chama a atenção para o fato de não usar o método qualitativo como uma alternativa às abordagens quantitativas, mas pensá-lo no sentido do aprofundamento do caráter social, sendo que o método quantitativo o apreende de forma parcial e inacabado. Os estudos de caso, segundo Yin (2015), assim como estudos experimentais, são generalizáveis às proposições teóricas e não às populações ou aos universos. O estudo de caso, como o experimento, não representa uma “amostragem”, e sim uma oportunidade de lançar luz empírica sobre conceitos ou princípios teóricos, sendo sua meta expandir e generalizar teorias (generalização analítica) e não inferir probabilidade, enumerando as frequências ocorridas (generalização estatística) (YIN, 2015).

Segundo Pereira, Godoy e Terçariol (2009), para assegurar a condição de cientificidade do estudo de caso, é essencial considerar diversos aspectos que podem constituir pontos frágeis, sendo particularmente: a seleção dos casos, a coleta e o registro de dados, sua análise e a interpretação, bem como o planejamento e o preparo do pesquisador. Assim, a elaboração de estudos de caso exige o cumprimento de cinco componentes essenciais conforme descrito por Yin (2015):

1) Questões do estudo de caso: o método é indicado para responder às perguntas "como" e "por que" de eventos contemporâneos onde os comportamentos não podem ser manipulados. É importante utilizar-se da literatura disponível, de forma que o pesquisador estreite seu interesse a um ou dois tópicos-chave, analise estudos-chave para identificar questões novas ou lacunas para futuras pesquisas e outros estudos que sugira ou aperfeiçoe as questões propostas pelo pesquisador (YIN, 2015).

2) Proposições: o estudo de caso demanda um problema que necessite de uma compreensão holística sobre um evento ou uma situação, usando a lógica indutiva que é do particular ou do específico para o geral (YIN, 2015).

3) Unidade(s) de análise: é aquilo que será examinado dentro do escopo do trabalho. Contribui para identificar onde procurar evidências relevantes, uma vez que é impossível estudar todos os aspectos de um fenômeno (YIN, 2015). Neste estudo, delimitou-se a seguinte unidade de análise: a segurança no perioperatório por meio da percepção de profissionais que atuam direta e indiretamente no ato anestésico-cirúrgico e a relação que estes estabelecem no cotidiano de trabalho de um hospital público, sendo este também o “caso” a ser estudado.

4) A lógica que une os dados às proposições: indica a vinculação dos dados às proposições, ou seja, antecipando-se os passos da análise de dados com a coleta dos dados necessários. Os dados não podem ser em demasia, a ponto de não serem utilizados na análise, e também não devem ser escassos, o que impediria a aplicação da técnica analítica (YIN, 2015). Os dados foram submetidos à análise de conteúdo.

5) Critérios para interpretar as constatações: em pesquisas quantitativas as estimativas estatísticas servem como critérios para interpretar os resultados. Uma alternativa para os estudos de caso que não utilizam a estatística é identificar e abordar as explicações rivais para os achados. Os resultados se tornam mais fortes, dependendo de quanto mais explicações rivais tiveram sido abordadas e rejeitadas (YIN, 2015).