6.3.1 Exposições do MIQ na escola como espaço educativo
Este tópico mostra a culminância das exposições e o impacto das ações da Alfabetização Científica para os licenciandos assim como as perspectivas, avaliação das seções e mudanças conceituais sobre Alfabetização Científica geradas ao final da pesquisa. A aplicação do MIQ no contexto escolar ocorreu em duas exposições, já mencionado anteriormente, a primeira na Unidade Escolar Landri Sales e a segunda na Escola Técnica Estadual Professor Petrônio Portela (PREMEN).
Na Unidade Escolar Landri Sales, a exposição ocorreu ocupando os corredores e duas salas, uma vez que a escola não possui laboratório de ciências e o número de salas é insuficiente para atender toda a demanda da escola. O espaço foi otimizado pelos licenciandos para organizar as seções por meio de uma adequada sequência lógica e
programação visual, como mostra a Figura 7, com vistas a contemplar os objetivos educacionais do MIQ (divulgar a Química do cotidiano pautada nos princípios da alfabetização científica).
A falta de espaço e materiais para a realização de atividades ligadas ao Ensino de Química nas escolas só fortaleceu a natureza do museu itinerante, por isso os licenciandos organizaram os objetos da exposição no IFPI e levaram para a escola. A rotina da exposição se dividiu em três momentos: deslocamento ao espaço da escola, montagem das seções, exposição e em seguida desmontagem e retorno ao IFPI.
Figura 7: Sequência das seções na exposição do MIQ organizada pelos licenciandos no espaço físico da Escola Landri Sales
Fonte autoria própria
Há, portanto, um vínculo entre a formação da coleção a ser exposta e a produção de conhecimento pelos licenciandos, de maneira que se pode dizer que a própria constituição dos objetos de exposição e as formas de classificá-los e exibí-los refletem determinadas perspectivas teóricas e maneira de lidar com o conhecimento e a alfabetização científica.
Desde os primeiros momentos de exposição, os licenciandos já constatavam ações
descritas pelos indicadores da Alfabetização Científica como motivação e interação com a
exposição, e assim o sucesso no alcance dos objetivos ficou bem evidente, conforme fala do
Licenciando (E).
No começo eu não imaginei que seria tão abrangente assim. Pelo sucesso que teve a primeira exposição percebemos que os alunos estavam bastante interessados, curiosos interagindo com os objetos. Onde a gente via que o aluno estava motivado e qualquer dúvida que ficou após a exposição eles pesquisaram em relação ao que
foi tratado. Eu não tinha esse pensamento nas primeiras reuniões que iria ser tão abrangente como está sendo o MIQ. (LICENCIANDO E)
O Licenciando afirma que suas expectativas foram superadas para a primeira exposição, embora tenham sido realizadas reuniões falando sobre o impacto das ações de educação científica. É necessário esse contato com as ações práticas para vivenciar e internalizar as mudanças de concepção.
Ao longo da exposição e com o olhar investigativo os licenciandos puderam
identificar alguns indicadores11 da alfabetização descrito por Cerati; Marandino (2013), como
mostra a Figura 7. Essa percepção caracteriza a aquisição de conhecimentos, análise e
avaliação dos potenciais da Alfabetização Científica, Ensino de Química no cotidiano e realidade da educação básica das escolas de Picos visitadas. Acredita-se que isto ocorreu porque estes fatores estão correlacionados na exposição e sua conectividade possibilita uma melhor abordagem das ações na formação inicial docente.
Figura 8: Indicadores da Alfabetização Científica identificado pelos licenciandos na exposição da Unidade Escolar Landri Sales
Fonte: Pesquisa direta
11
A construção do MIQ como metodologia formadora é baseada no sistema de análise desenvolvido por Cerati e Marandino (2013) que permite identificar indicadores de AC na exposição. Este sistema é constituído por quatro indicadores e seus respectivos princípios: científicos, institucionais, interface social, afetivo/estético.
O indicador mais destacado pelos licenciandos foi o Estético/Afetivo, isso porque motivou o visitante a interagir com a exposição. O atributo de explorar sentidos, emoções e valores ainda no âmbito estético/afetivo estiveram presentes na Seção 4 (experimentações) com o vulcão e a formação de larvas e da luz negra. Para os licenciandos esse indicador
mostrou o quanto é importante o aluno estar motivado para aprender, tendo a liberdade e
autonomia como seus principais objetivos.
O indicador de interface social da Alfabetização Científica foi outro fator ressaltado pelos licenciandos ao longo da exposição. A relação estabelecida entre a ciência e a história da humanidade foi percebida pelo olhar dos licenciandos nesses momentos de promoção da educação científica. O papel do cientista maluco foi crucial no sentido de estimular os alunos a participarem das seções e entenderem a presença da Química no âmbito social. Por meio da transposição didática e objetivos educacionais (APÊNDICE C) o licenciando pode adaptar fatos da história da Química para as situações escolares no transcorrer da exposição, proporcionando uma visão diferente dos fatos explorados para os visitantes.
Os licenciandos identificaram maior dificuldade dos visitantes no indicador científico, pois os visitantes desconheciam a discussão teórico-conceitual de algumas seções (Figura 7). Entretanto, o MIQ apresentou alguns pontos que puderam minimizar tais dificuldades por meio da interação com os textos das seções, contextualização da exposição, possibilidades de descobertas e discussões com os licenciandos.
A análise da exposição feita pelos licenciandos, utilizando características dos indicadores científicos (estético/afetivo, interface social, científico e institucional) mostrou o envolvimento dos licenciandos com as ações de Alfabetização Científica, a apropriação dos aportes teóricos e a capacidade para organizar situações problematizadoras da Química pelos futuros professores. O Quadro 10 apresenta relatos dos licenciandos sobre a primeira exposição.
Quadro 10- Percepções dos licenciandos sobre a culminância da exposição na Unidade Escolar Landri Sales
LICENCIANDO PERCEPÇÕES SOBRE A EXPOSIÇÃO