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7.3 Realistisk cellemodell

7.3.2 Aktiveringstid

O comportamento reprodutivo é convergente entre os peixes-anuais sul americanos e africanos (Costa, 1998). O comportamento observado em espécies de

Austrolebias é similar ao observado em espécies de Simpsonichthys (Belote e Costa, 2002 apud García et al., 2008). Diferenças em algumas fases da corte sexual podem ser

interpretadas como derivadas especificamente de condições morfológicas (García et al.,

2008).

As características biológicas e comportamentais das espécies anuais, combinadas com a resistência dos ovos à seca, servem para maximizar o sucesso reprodutivo em ambientes temporal e espacialmente inconstantes (Haas, 1976a).

Os peixes anuais possuem altíssima fertilidade. Depois de maduros, eles desovam diariamente até a senescência ou morte (Wourms, 1972c; Haas, 1976a)

O alto dimorfismo sexual na forma e nas cores dos peixes anuais sugere que a seleção sexual possui uma importante participação na evolução do grupo (D'anatro e Loureiro, 2005). Entretanto, informações acerca dos mecanismos de isolamento reprodutivo, incluindo uma análise detalhada dos sinais de cortejo, são escassas (García et al., 2008).

Haas (1976a) observou que o comportamento reprodutivo de Notobranchius

guentheri está reduzido aos movimentos necessários para fertilização dos ovos que são

depositados no substrato. Nas poças acompanhadas durante esse trabalho, as desovas ocorreram em qualquer lugar na área central mais profunda, onde a água poderia acumular mesmo após um período curto de chuva.

Fêmeas de peixes anuais carregam poucos oócitos ao mesmo tempo, o que pode ser interpretado como um fator limitante para a reprodução das espécies (García et al., 2008).

Em Austrofundulus limnaeus a produção total de ovos por dia aumenta com a idade da fêmea.

Essa correlação, no entanto, provavelmente está mais ligada ao tamanho que a idade, como foi reportado para Notobranchius guentheri na África (Podrabsky 1999b).

De acordo com Wourms (1972c), para os peixes anuais em geral, durante o período de desova, cada fêmea madura contribui com uma porção diária de ovos que terão a

mesma idade. Como isso se estende por semanas ou meses, uma sequencia cronológica de sub-populações de ovos pode se formar. Esse efeito multiplicador contribui para a sobrevivência da espécie, a despeito da imprevisibilidade ambiental.

Shibatta (2005) comprovou que para o Pirá-Brasília a desova também é parcelada, e cada fêmea pode produzir cerca de três ovos por dia. Especificamente quanto ao comportamento de corte do Pirá-Brasília, Shibatta (2006) observou que o macho corteja a fêmea quando ela se aproxima, através do estremecimento do corpo e mudança no padrão de colorido, de vermelho para azul escuro. O macho conduz a fêmea até o substrato, onde se enterram e realizam a desova após compressão lateral do corpo do macho sobre a fêmea A alteração no padrão de colorido do macho durante a corte corrobora com o observado por Belote e Costa (2002 apud Shibatta, 2006), para outras 10 espécies do gênero Simpsonichthys.

Apesar de Haas (1976a) e Romie (1979 apud Shibatta, 2006) não considerarem

que os peixes anuais sejam territorialistas, os machos de Pirá-Brasília observados por Shibatta (2006) demonstraram comportamento de defesa de uma determinada área e, por isso, podem ser considerados territorialistas.

Em Nothobranchius guentheri, exceto durante a reprodução, o comportamento

observado por Haas (1976a) não foi territorial, e os peixes passaram a maior parte do tempo em busca de alimentação. O autor observou ainda que a dominância entre os machos geralmente foi estabelecida em rápidos encontros de abordagem e fuga. Quando a situação se estendia por mais tempo, poderia haver enfrentamentos onde se entrelaçam as mandíbulas até que um saísse dominante. O autor também observou a formação de hierarquias lineares em populações bem estabelecidas, sendo o macho dominante o responsável pela maior parte das desovas. Segundo o autor, a periodicidade diária tanto de comportamentos agonísticos como reprodutivos, somada à hierarquia linear dos machos, à ausência de territórios e à ocorrência de acasalamentos promíscuos, resulta no aumento das oportunidades de fêmeas receptivas entrarem em contato com machos.

Haas (1976a) aponta, no entanto, que em Nothobranchius guentheri existe forte competição entre os machos durante a reprodução, ao passo que as fêmeas são toleradas e geralmente a desova é promíscua. A ocorrência ou não de desova é ditada pelas fêmeas, e machos subordinados raramente teriam sucesso reprodutivo, em função da agressividade dos machos dominantes.

Shibatta (2006) divide o comportamento social do Pirá-Brasília em dois grupos: o reprodutivo e o agonístico. Os machos são territorialistas, defendendo o local de permanência – preferencialmente a região inferior da coluna da água – que ainda é utilizado para busca de

alimento e para a reprodução. Ocorre dominância entre machos e entre fêmeas. Para o autor, comportamentos elaborados de corte e territorialidade podem ser importantes para esses animais que vivem em poças temporárias, cujas características físicas e químicas podem ser pouco estáveis, e a densidade populacional é um fator relevante e que determina a frequência das interações sociais.

Esse autor também observou situações nas quais o opressor perseguiu o oponente após o ataque, e este poderia nadar em direção à superfície ou descer, enterrando-se no substrato. Esta última estratégia também foi observada quando em presença de um possível predador (os movimentos bruscos do observador já eram suficientes para desencadear esse comportamento). Se tal comportamento for realmente comum na natureza, é de se questionar as implicações possíveis em amostragens, ou os efeitos colaterais gerados pela coleta praticada por hobbystas em alguns ambientes.

Por fim, Shibatta (2006) relata a ocorrência de mais eventos de desova entre as temperaturas de 23 e 24ºC. O autor associa essa observação aos relatos de hobbystas de que a espécie é mais ativa a temperaturas entre 22 a 25ºC, tornando-se menos ativa a temperaturas superiores a 28ºC (Kadlec 1986 apud Shibatta, 2006). Segundo Couture (1988 apud Shibatta, 2006) a espécie também se torna letárgica em temperaturas inferiores a 18ºC.

Markofky e Matias (1977) não observaram mudanças na produção de ovos pelas fêmeas Nothobranchius guentheri associadas às variações normais de temperatura.

Embora não tenha testado especificamente, Podrabsky (1999) relata a impressão de que a disponibilidade de alimentos (tanto quantidade quanto qualidade) parece afetar a

produção de ovos em Austrofundulus limnaeus. Se a alimentação for parada por mais de um

dia já se observa uma diminuição clara na produção e viabilidade dos ovos.