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4.2 Vanngym gruppe- 10. september 2014

4.2.3 Aktiv hverdag

O impacto da deficiência auditiva traz graves conseqüências no desenvolvimento global da criança.

Bevilacqua (1998) definiu a deficiência auditiva como qualquer distúrbio no processo de audição normal e seja qual for a sua causa, tipo ou severidade e afirmou que tal deficiência pode trazer dificuldades no que se refere ao desenvolvimento psicosocial, emocional e lingüístico de uma criança.

Várias são as causas da deficiência auditiva e estas podem ser pré-natais (ocorrem antes do nascimento), peri-natais (no momento do nascimento), ou pós-natais (após o nascimento, em qualquer período da vida).

Basicamente classifica-se a deficiência auditiva de duas maneiras: quanto à localização da alteração no ouvido e quanto ao grau dessa alteração.

OE OM OI

Figura 1. Representação esquemática do Sistema Auditivo Legenda: OE- orelha externa; OM- orelha média; OI- orelha interna.

Fonte: Produzido por Dampfaergevej 8, 4. sal., 2100 Copenhagen East. cd-room Understanding the Hearing- Oticon.s/d.

Conforme apresentado na Figura 1, o sistema auditivo é dividido em duas partes, a periférica (compõem-se de ouvido externo, médio e interno) e a central (formada

pelas vias do tronco cerebral e centros auditivos do cérebro).

Assim, classificam-se as deficiências auditivas de acordo com a localização da alteração, em:

• deficiência auditiva condutiva: a alteração encontra-se no ouvido externo

e/ou ouvido médio, podendo ser reversível ou parcialmente reversível após determinado tipo de tratamento medicamentoso ou cirúrgico. Um exemplo de fator causador de perda auditiva condutiva, especialmente em crianças são as otites recorrentes;

• deficiência auditiva neurossensorial: alteração localizada no ouvido

interno, de caráter irreversível; Exemplos de fatores causadores de perda auditiva

neurossensorial são: meningite, fatores genéticos, exposição à medicação ototóxica*, fatores

relacionados à prematuridade, rubéola ou toxoplasmose materna, entre outros;

• deficiência auditiva mista: alteração localizada no ouvido externo e/ou

médio e também no ouvido interno que pode ocorrer, por exemplo, devido a fatores genéticos (como malformação dos ossículos do ouvido médio ou na cóclea) ou otite crônica.

• deficiência auditiva central: a alteração pode se localizar a partir do

tronco cerebral até as regiões subcorticais e córtex cerebral.

A deficiência auditiva é medida por meio da mudança do limiar em decibel (dB). De acordo com o grau de comprometimento Northern & Downs (2005) classificaram as deficiências auditivas como:

Leve – Limiar tonal entre 15 a 30 dB;

Moderada - Limiar tonal entre 31 a 60 dB; Severa- Limiar tonal está entre 61 a 90 dB;

Profunda- Limiar tonal está acima de 90 dB;

*

A principal conseqüência de uma de deficiência auditiva reside em sua repercussão no desenvolvimento da linguagem e fala, o que irá interferir diretamente em todo o processo de aprendizagem da criança.

Observa-se, na Figura 2 abaixo, que todos os graus de perda auditiva acarretam em algum prejuízo na percepção dos sons da fala. Em crianças com perdas auditivas neurossensoriais severas e profundas, o implante coclear é um recurso indicado que permite à criança a sensação da audição e a percepção dos sons da fala em todo o espectro de freqüência*.

Figura 2. Representação do espectro de sons de fala plotados em um audiograma padrão. A

área sombreada representa a área que contém a maioria dos elementos da linguagem falada e os traços coloridos referem-se aos graus de perda auditiva, conforme classificação de Northern & Downs (2005).

*

Espectro de freqüência: faixa de freqüência dos sons graves aos agudos. Freqüência: propriedade acústica do som, medida em Hertz (Hz). No audiograma acima, apresenta-se o espectro de freqüência de 125 a 8000 Hz.

As conseqüências que determinado tipo e grau de deficiência auditiva acarretam ao desenvolvimento da criança dependem de múltiplos fatores, de modo que se observam crianças portadoras de deficiência auditiva com o mesmo tipo e grau de perda auditiva que se comportam de maneiras diferentes, devido as suas características individuais.

Para cada tipo, grau e características da deficiência auditiva existe um tratamento apropriado, que conta com avaliação e intervenção de equipe interdisciplinar, na maioria dos casos.

Desta forma, a aplicação de recursos tecnológicos como aparelhos de amplificação sonora individual (AASI), o sistema de freqüência modulada (FM) e o Implante Coclear Multicanal têm sido empregados para o desenvolvimento de indivíduos com deficiências auditivas, demonstrando-se benéficos para seu processo de inclusão educacional.

Um dos recursos tecnológicos empregados na habilitação e reabilitação de crianças com deficiências auditivas severas e profundas é o implante coclear multicanal, sendo a primeira vez que estas crianças têm um recurso tão poderoso na tentativa de minimizar o impacto da privação sensorial auditiva em seu desenvolvimento (BEVILACQUA, 1998).

O implante coclear multicanal é uma prótese auditiva que apresenta componentes internos e externos substituindo o órgão sensorial da audição, gerando uma estimulação elétrica nas fibras do nervo auditivo, a qual ocasiona, em frações de segundo, a sensação auditiva, de modo que um indivíduo usuário de implante coclear multicanal pode

reconhecer auditivamente* os sons da fala até mesmo em situações abertas, como por

exemplo, utilizando o telefone. (BEVILACQUA, COSTA FILHO & MARTINHO, 2004).

*

Reconhecimento auditivo: Habilidade de identificar as palavras e frases e seus significados. Divide-se em reconhecimento em conjunto fechado ou introdutório, no qual a criança consegue selecionar palavras, por exemplo, dentro de possibilidades de respostas (“Você vai com o papai ou com a vovó?” ) e reconhecimento em conjunto aberto, no qual as opções de respostas não estão definidas e dependem de todo o contexto da linguagem, por exemplo: “Com quem você foi à escola?”. Este é o início da habilidade de compreensão auditiva.

A cirurgia de implante coclear em crianças iniciou-se por volta da década de 80 e o primeiro Implante Coclear Multicanal foi implantado em um menino de dez anos de idade (CLARK, COWAN & DOWELL, 1997). Desde então, inúmeros progressos ocorreram tanto na tecnologia de seus componentes internos e externos, na técnica cirúrgica, nos exames realizados para a programação do processador de fala como na expansão de estudos para analisar os resultados e o custo-benefício da utilização deste recurso na população infantil (JESSOP, 2005).

Figura 3. Ilustração: Implante coclear multicanal. (a e b- microfone, c- processador de fala,

d- antena externa, e- receptor-estimulador, f- feixe de eletrodos, g- cóclea, h- nervo auditivo).

Fonte: http://www.cochlear.com

O funcionamento do implante coclear ocorre da seguinte maneira: O som é captado pelo microfone do equipamento (a,b); o sinal elétrico gerado é enviado ao processador de fala (c), onde será analisado e codificado em impulsos elétricos, que serão transmitidos de maneira transcutânea por radiofreqüência para o componente interno (e,f) por meio da antena interna (e). Os impulsos elétricos processados pelo receptor-estimulador (e) são enviados a eletrodos intracocleares específicos (f) inseridos na cóclea (g), os quais são programados separadamente para transmitir sinais elétricos que variam em intensidade e

em freqüência para fibras nervosas específicas em várias regiões da cóclea (g,h). Estes sinais elétricos caminham do nervo auditivo (h) pelas vias auditivas até chegar aos centros auditivos no cérebro, onde, após a interpretação da informação, o usuário de implante coclear é capaz de experimentar a sensação de audição.(BEVILACQUA, COSTA & MARTINHO, 2004).

Tais autores destacam os critérios de indicação do implante coclear para adultos e crianças, sendo que, de forma resumida os critérios para o IC em crianças são:

Critérios de elegibilidade

Contra-indicações