6. Visuell analyse
6.2 Aksjeavkastninger
A temperatura do ar está diretamente relacionada aos processos de crescimento vegetativo e maturação da cana-de-açúcar. Nesse sentido, Burr et al. (1957) observaram uma redução de 84% na taxa de fotossíntese da cana-de-açúcar quando a temperatura ambiente diminuiu de 23 para 13,6°C. Waldron et al. (1967) mostraram que a eficiência fotossintética diminuiu de forma linear com a diminuição da temperatura do ar em uma amplitude de 34 a 5°C. Os efeitos da temperatura do ar na taxa de fotossíntese e na eficiência desse processo estão diretamente relacionados ao desenvolvimento vegetativo da cultura (ALEXANDER, 1973). Nesse sentido, Stender (1924) mostrou uma íntima relação entre o comprimento e diâmetro dos colmos e a temperatura do ar, com redução na taxa de crescimento dos colmos durante o inverno a um terço da observada no verão. Mamet e Galwey (1999) mostraram que a redução na taxa de crescimento dos colmos, seja em comprimento ou em diâmetro, é acompanhada de aumento na taxa de acúmulo de sacarose nos colmos.
Alexander (1973) descreveu que o processo de maturação fisiológica da cana- de-açúcar depende da redução sazonal da temperatura do ar, a qual retarda a taxa de desenvolvimento vegetativo sem, porém, afetar significativamente o processo fotossintético, de maneira que haja maior saldo de produtos fotossintetizados transformados em açúcares para armazenamento nos tecidos da planta. Clements (1962) relatou que dois dos mais importantes fatores associados à maturação da cana- de-açúcar são o índice de umidade da bainha foliar na colheita e a temperatura média do ar dos três meses anteriores à colheita. Ambos os fatores mostram ter uma forte relação inversa com Brix, ou seja, quanto menor o índice de umidade e mais frias as noites, mais propícias às condições para a maturação. Yates (1972) encontrou que as baixas temperaturas promovem o amadurecimento mais efetivamente do que baixa disponibilidade de água no solo. Tais resultados também foram encontrados por Glover (1971), Saes et al. (1990) e Argeton (2006), os quais sugeriram que em locais onde não
há deficiência hídrica é necessário que a temperatura média seja inferior a 21°C por três meses para que ocorra o repouso vegetativo e seja iniciado o processo de maturação.
Glasziou et al. (1965) mostraram que níveis relativamente altos de açúcar foram produzidos quando a temperatura do ar foi reduzida durante um longo período de tempo. Segundo esses autores, a concentração de açúcar não excedeu 12% de peso fresco quando a temperatura do ar foi mantida constante ou quando se promoveu pequenas variações diárias na mesma. Todavia, quando a temperatura média do ar foi reduzida durante um período relativamente longo de tempo (3 a 6 meses), a concentração de açúcar chegou as 17% de peso fresco. Os mesmos autores observaram, ainda, a ocorrência de perda de açúcar quando as plantas, que haviam alcançado altos níveis de sacarose, foram transferidas de ambientes com baixa temperatura para ambientes com alta temperatura. Contudo, os efeitos do aumento da temperatura do ar na redução dos níveis de sacarose foram observados após 35 dias de exposição, ou seja, o processo de redução dos níveis de sacarose foi bem mais rápido do que para seu acúmulo. Baseado nesses resultados, Glasziou et al. (1964) descartou a crença de que variações diárias na temperatura do ar são indutoras da maturação da cana-de-açúcar, além de sugerir que a planta é muito mais responsiva a fatores que favoreçam o crescimento vegetativo do que a maturação.
Segundo Scarpari (2007), há uma incongruência quanto à informação dos parâmetros térmicos da cana-de-açúcar, principalmente os relacionados à sua temperatura-base. Para dados obtidos em ambientes controlados, a temperatura-base é frequentemente calculada por meio da relação linear entre um sub-período de desenvolvimento da cultura e o intervalo de temperatura testado. No campo, entretanto, a determinação dos parâmetros térmicos é ainda mais complicada porque não há temperatura constante na qual a taxa de crescimento possa ser diretamente relacionada (LIU et al., 1999). Assim, inúmeros valores de temperatura-base foram propostos, os quais variaram de acordo com os locais, cultivares avaliadas e estádio de desenvolvimento.
Nesse sentido, Barnes (1964) encontrou que para a brotação dos toletes a temperatura-base é de 12°C, enquanto Inman-Bamber (1991, 1994) obteve para o
perfilhamento a temperatura-base de 16°C. Já Bacchi e Souza (1977) consideraram tal valor entre 18 e 19°C para o processo de elongação dos entrenós. Esse valor também foi encontrado por Liu et al. (1999), os quais trabalharam com duas cultivares de cana- de-açúcar. Autores como O’Callaghan et al. (1994) e Barbieri et al. (1977) consideraram temperaturas-base constantes para todos os processos e fases da cultura, iguais a 18 e 20°C respectivamente.
Uma possível explicação para essa variação nos valores de temperatura-base é que em condições de campo, temperaturas mínimas ou máximas diárias ultrapassam o valor da temperatura-base. Nessas condições, os métodos existentes normalmente influenciam o acúmulo da soma térmica (LIU et al., 1999). Amplitudes térmicas diárias geram temperaturas máximas e mínimas distintas ao longo do período, entretanto podem gerar a mesma temperatura média. Este fato pode interferir na determinação da temperatura-base, com valores distintos sendo encontrados para um mesmo local. Além disso, o processo de aclimatação ao frio desenvolvido pelas plantas implica em numerosos efeitos fisiológicos e bioquímicos, os quais modificam a sensibilidade das plantas às baixas temperaturas e, dessa forma, o crescimento pode ou não ser interrompido (XIN; BROWSE, 2000).
No caso da maturação, Scarpari (2004, 2007) consideraram que temperaturas abaixo de 20°C retardam a taxa de crescimento da cana-de-açúcar e proporcionam acúmulo de sacarose em seus colmos. Como a maturação está relacionada à redução da temperatura do ar, Scarpari (2002) e Scarpari e Beauclair (2004) propuseram um método para correlacionar tais variáveis, o qual foi denominado de soma de graus dias negativos. Esse método assemelha-se ao conceito de horas de frio, o qual é entendido como o tempo, em horas, em que a temperatura do ar permanece abaixo da temperatura-base para quebra de dormência em algumas espécies (BURIOL et al., 2000).
Segundo Scarpari (2007), é preciso considerar que, no caso da cana-de-açúcar, temperaturas entre 7 e 0°C não devem ser consideradas no cálculo de graus-dia negativos. Além disso, deve-se descontar 0,47 nos graus-dia negativos acumulados a cada grau abaixo de 7°C, o que se faz necessário pois temperaturas inferiores a essa afetam a assimilação de carbono, a condutância estomática e a taxa fotossintética,
determinando a magnitude de troca gasosa do dia seguinte, reduzindo também a translocação noturna de sacarose para os colmos (GRANTZ, 1989; WALDRON et al., 1967), existindo um acúmulo de sacarose nas células das folhas na tentativa de diminuir o potencial mátrico e a temperatura de congelamento.