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KAPITTEL 1 INNLEIING

1.5 A NNAN FORSKING PÅ OMRÅDET

Tendo em vista a diversidade pedagógica das escolas públicas e privadas de nosso país, foram criados os Parâmetros Curriculares Nacionais, documentos publicados pelo Ministério da Educação e do Desporto (MEC, 1997) com o objetivo de servir de diretrizes curriculares para os profissionais ligados à educação do Brasil, como professores, coordenadores pedagógicos, diretores de escolas, integrantes de secretarias de educação, entre outros, de modo a garantir uma formação básica comum em todas as regiões brasileiras, mais precisamente visando à melhoria da qualidade de ensino.

Embora existam diferenças sociais, culturais, regionais, étnicas e religiosas, há a necessidade de garantir conteúdos mínimos comuns a todos, independentemente da região a que pertençam pois, em um país democrático, o Estado deve assegurar a aquisição de conhecimento e desenvolvimento de capacidades.

Os referenciais propostos nos PCNs (1999, p.50) “buscam orientar e garantir a coerência das políticas de melhoria da qualidade de ensino, socializando discussões, pesquisas e recomendações, subsidiando a participação de técnicos e professores brasileiros...”. Por isso, os PCNs têm sido vistos como um importante documento norteador de práticas pedagógicas nas escolas. Até o PNLD tem usado as recomendações dos PCNs para análise dos materiais didáticos publicados no país, motivo esse que tem levado os autores/editores de livros didáticos a seguirem as sugestões curriculares propostas nesse documento, para não correrem o risco de terem as suas coleções reprovadas pelos analistas do MEC.

3.3.1 A importância dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua

Portuguesa

É pertinente destacar que a implementação dos PCNs e de uma sistemática de avaliação de livros didáticos (PNLD) representam um avanço na educação brasileira. Em se tratando dos PCNs de Língua Portuguesa, é importante mencionar o quanto inúmeros pesquisadores dessa área têm avançado nos estudos desse documento e procurado organizar programas de capacitação de professores. Para que os PCNs se tornem intelegíveis aos profissionais de educação e sejam levados à prática em sala de aula muito se tem que fazer. Como já mencionado, a formação continuada de professores deve ser prioridade nesse processo. Além disso, há a necessidade de reestruturação das propostas curriculares nos municípios e estados, elaboração do projeto pedagógico de cada instituição, criação de textos complementares ao que se propõe nos PCNs, bem como a adoção de livros didáticos consonantes às recomendações desse documento . Até porque, embora existam as recomendações dos PCNs, têm de ser respeitadas as especificidades culturais de cada região e os programas de sala elaborados pelos professores.

Como estamos tratando dos PCNs de Língua Portuguesa, é indiscutível a importância do domínio da língua oral e escrita, pois é por meio dela que as pessoas se comunicam, interagem, lêem e interpretam textos, expõem os seus pontos de vista e produzem conhecimento. Ressaltamos o que pontuam os PCNs sobre a linguagem:

O domínio da língua tem estreita relação com a possibilidade de plena participação social, pois é por meio dela que o homem se comunica, tem acesso à informação, expressa e defende pontos de vista, partilha ou constrói visões de mundo, produz conhecimento. Assim, um projeto educativo comprometido com a democratização social e cultural atribui à escola a função e a responsabilidade de garantir a todos os seus alunos o acesso aos saberes linguísticos necessários para o exercício da cidadania, direito inalienável de todos. (PCN, 1997, p.21)

Segundo indicações dos PCNs, os conteúdos de Língua Portuguesa devem ser organizados em dois eixos básicos, ou seja, o de uso e o de reflexão. No primeiro eixo, encontram-se os processos de produção e compreensão de textos orais e escritos e, no segundo eixo, análise e reflexão sobre a língua e linguagem. Ao se mencionar o uso da

linguagem, quer-se dizer que as capacidades linguísticas a serem desenvolvidas em Língua Portuguesa relacionam-se ao ato de falar, escutar, ler e escrever.

Como o objetivo geral de nossa pesquisa está centrado no trabalho com a oralidade em materiais didáticos, decidimos levantar as considerações propostas nos PCNs acerca desse tema e encontramos sugestões de produção oral em diferentes circunstâncias, como:

• a organização de atividades em equipes que pressuponham o planejamento do que será apresentado, a realização de pesquisas que objetivem a definição de temáticas, a distribuição de tarefas, a apresentação dos resultados obtidos; • o planejamento de atividades que pressuponham a solução de problemas,

argumentação e contra-argumentação dos procedimentos tomados e exposição oral;

• apresentação oral do planejamento de um texto, critérios adotados para a elaboração e avaliação dos resultados alcançados;

• elaboração de atividades das mais diversificadas, mas sempre relacionadas à comunicação propriamente dita, como explanação oral de temas escolhidos, descrição de quaisquer equipamentos utilizados, narração dos acontecimentos de situações em que estão inseridos, entre outras. Há que se considerar o quanto os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN-Brasil-SEF/MEC 1997) e o Programa Nacional de Avaliação do Livro Didático (PNLD-Brasil-SEF/MEC 2008) auxiliaram na direção de um trabalho com os gêneros textuais em LP. Não só isso, como também as influências que tiveram no processo de revisão das práticas pedagógicas e na produção de novos materiais didáticos.

Os gêneros do discurso propostos nos PCNs de Língua Portuguesa estão embasados na concepção de língua proposta por Bakhtin (1953-1979), como pode ser observado a seguir:

Os gêneros são determinantes historicamente. As intenções comunicativas, como parte das condições de produção dos discursos, geram usos sociais que determinam os gêneros de que darão forma aos textos. É por isso que, quando um texto começa com “era uma vez”, ninguém duvida de que está diante de um conto, porque todos conhecem tal gênero. Diante da expressão “senhoras e senhores”, a expectativa é ouvir um pronunciamento público ou uma apresentação de espetáculo, pois sabe-se que nesses gêneros o texto,

inequivocadamente, tem essa fórmula inicial. Do mesmo modo, pode-se reconhecer outros gêneros como cartas, reportagens, anúncios, poemas, etc (PCN, 1997, p.23).

Em nossa pesquisa, também usamos como referencial teórico Bakhtin (1953-1979) no que se refere a considerar os gêneros discursivos como objetos de ensino e os textos como unidades de ensino. Essa mesma perspectiva é retomada pelos PCNs, visando ao ensino-aprendizagem em situações concretas de produção da linguagem. Em linhas gerais, os PCNs de Língua Portuguesa (1997) objetivam dar condições ao aluno de ampliação do domínio da língua e da linguagem, de maneira a desenvolver os seus conhecimentos discursivos e linguísticos.

Quando se trata de propostas relacionadas à produção oral, em sala de aula, imaginamos que basta solicitar aos alunos a exposição oral de um tema, que as atividades serão facilmente executadas. Partimos do pressuposto que a arte de falar em público faça parte do dia-a-dia deles e por isso não precise ser ensinada. Muito pelo contrário, pois há uma série de fatores envolvidos no processo de exposição oral, como planejamento, tomada de decisões, linguagem adequada à situação proposta, entonação, gestos, postura, dentre outros fatores, que acabam sendo relegados a um segundo plano. Por isso, discussões a respeito de exposições orais em sala de aula têm de ser levantadas em programas de formação de professores, pois dessa forma mais pesquisas poderão ser feitas a respeito de um tema tão importante.

A seguir, apresentaremos a segunda parte de nossa pesquisa que é a análise propriamente dita. Na parte II, traremos três capítulos: no primeiro faremos considerações acerca da metodologia utilizada na pesquisa; no segundo e no terceiro capítulos, explicitaremos a macroanálise e a microanálise, respectivamente, dos materiais didáticos de Língua Portuguesa, de quinta a oitava séries, do Ensino Fundamental.