8. The analysis at the domestic level
8.3. The agribusiness potential power
Os entrevistados são abordados com a seguinte pergunta: “o contexto atual das condições de trabalho impede ou impulsiona a participação dos trabalhadores?”
6.4.7.1 No Centro de Educação Profissional
O contexto atual de desemprego e a tecnologia, para F1,
[...] de um lado impedem; porque se a pessoa fica tomada por uma impressão do que existe lá fora, desanima. (...). Por outro lado, a partir do momento em que a pessoa percebe a participação como uma forma de combater todo esse contexto externo, sente-se impulsionada de fato. (...). Creio que a participação dos trabalhadores na gestão, na direção, na efetivação da atividade é um fator que impulsiona e, inclusive, muda as condições externas do trabalho, porque cria formas diferentes, cria redes, impulsiona à criatividade. (...) E muitas modificações realizadas, e em andamento são frutos da participação dos colaboradores, mais do que da direção. Então, acredito que o contexto atual impulsiona as equipes e os colaboradores em geral para essa participação. (F1)
Para F2,
[...] Existem pessoas que realmente vêem esse fator como um incentivador ou até um impulsionador, até mesmo para uma qualificação pessoal. Pode acontecer um caso ou outro de pessoas que vêem isso como um impedidor, mas no grande grupo eu vejo que as pessoas percebem que a mudança sempre gera certa estabilidade, mas também nesse caso especifico da mudança tecnológica ela vai trazer melhorias no ambiente como um todo. (F2)
O Centro Educacional contribui para reduzir os impactos negativos do desemprego por meio do ensino profissionalizante que envolve tornearia
mecânica, mecânica automotiva, chapeação, pintura e automotiva, artes gráficas, impressor Offset, artes gráficas, acabamento manual, artes gráficas operação de máquina de acabamento, marcenaria, informática básica, informática Web
designer, informática designer gráfico, informática manutenção de rede de
computadores, serigrafia, padaria, telemarketing e corte e costura (CENTRO DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL, 2006).
Desse modo, F1 e F2 demonstram perceber que o Centro de Educação Profissional como Organização está cumprindo seu papel na sociedade.
6.4.7.2 No Sindicato dos Gráficos
Na percepção de S1, as condições atuais de trabalho se repercutem negativamente, porque
[...] por exemplo, eu iniciei na minha atividade nos anos 60, mais precisamente em 67, portanto, já tenho 40 anos de estrada. Naquele período existiam postos de trabalho e faltava mão de obra, ou seja, a pessoa estava empregada em um lugar e saia, porque havia uma proposta melhor. Hoje é muito raro isso acontecer, porque a rotatividade é grande; vários postos de trabalho foram suprimidos; funções inexistem. (...) Muitas vezes, se faz uma campanha de sindicalização, mas a rotatividade é tanta que a pessoa permanece alguns meses e em seguida está desempregada, e quando volta, já não volta na mesma situação. Outra coisa importante, se as pessoas não se prepararem, elas não acompanham realmente o ritmo das outras. Hoje existem determinadas tarefas, para as quais a pessoa necessita de um aperfeiçoamento. É necessário saber fazer de tudo um pouco. (S1)
Para S2, as condições de trabalho nos dias de hoje impedem a participação dos trabalhadores:
Não é que isso seja uma pá de cal que vá impossibilitar a participação. Mas é como disse anteriormente: carga horária demasiada, banco-de- horas, não ter um horário determinado. O ramo gráfico não tem um horário determinado de entrada e saída, isso na grande maioria das gráficas. (...). Nós recebemos muitas reclamações do pessoal que trabalha em jornais, e que é um numero significante da categoria. Eles não participam dos eventos porque a carga horária deles inclui também os finais de semana. Hoje as empresas trabalham em três turnos ou dois; se realizarmos um evento às 18h, existe um número muito grande de pessoas trabalhando nesse horário, e a tendência é o aumento, a cada ano, do número de empresas trabalhando em turnos. (S2)
A preocupação de S2 é que as dificuldades de realizar as tarefas sindicais tornem-se cada vez mais difíceis. Explicita os aspectos maiores de suas preocupações:
A área gráfica e o setor bancário foram as categorias que mais sofreram com essa questão da tecnologia, porque, por exemplo, há 10 anos atrás não se encontrava máquinas de quatro cores nas empresas. E hoje a grande maioria possui máquinas quatro cores, bicolor – inclusive a bicolor não era uma máquina atual. Com isso, por exemplo, havia quatro máquinas, cada uma para uma cor, e ali eram necessários um impressor e um auxiliar, ou seja, oito trabalhadores. E essas quatro máquinas foram substituídas por uma somente, que imprime em quatro cores, e são necessários somente 2 trabalhadores.
A tecnologia obriga o trabalhador a estudar e exclui quem não tem essa possibilidade:
Então, a tecnologia avança e diminui a questão de mercado em relação à mão de obra. (...). Essa discussão é muito abordada nas negociações; por exemplo, se seis trabalhadores foram demitidos, porque uma máquina nova foi comprada, e se haverá condições de se fazer mais trabalhos com mais rapidez, então por que não existe uma troca em relação a um melhor salário? (...). Tem o lado positivo, porque faz com que a categoria busque uma formação escolar melhor, para, por exemplo, poder lidar com uma máquina que possui termos em inglês. As empresas já estão fazendo essa distinção, não para o lado negativo, mas para que o seu corpo de trabalhadores tenha pelo menos o segundo grau. E isso tem também um lado negativo, porque faz uma exclusão (S2)
Diante disso, os associados debatem sobre como solucionar os problemas. E isso não é de hoje, como diz o sindicalista gráfico Danesi (2001, p. 62), conforme relatado no livro do Sindicato dos Gráficos de 2001: “o homem, desde épocas imemoriais, sentiu a necessidade associativa, porque na solução dos problemas coletivos exige-se a troca de idéias através do debate [...]”.
6.4.7.3 Na Federação das Associações dos Moradores
No contexto da Federação das Associações dos Moradores, como explica A1, o desenvolvimento das tecnologias parecem dificultar, num primeiro momento,
[...] devido à lógica de consumo e do individualismo, e com o aumento brutal da produtividade, que dispensa um volume de trabalho muito grande, ainda que não dispense o trabalho que continua sendo a chave (...). Tanto é que o movimento sindical encontra-se em uma bruta crise, e vai encontrar muita dificuldade se não surgir uma gama nova de lideranças a partir das lutas que continuam. (...). E hoje as gorduras do capitalismo diminuíram muito. Por outro lado, o grau de contradições que esse mesmo sistema gera, a miséria, as condições ambientais, também abrem a possibilidade ímpar de novos avanços da consciência da realização da participação. Então esse é o problema do capitalismo, ele é o coveiro de si mesmo. A miséria dos trabalhadores, que são a base