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Aggregation and the Sign of Earnings in Value Relevance Research

O sujeito classificado como leitor-navegador experiente ou leitor seletivo da tela foi Ricardo, aluno da 7ª série. Suas participações nas atividades de coleta foram significativas, uma vez que possibilitaram a criação da terceira e última categoria de leitor-navegador.

A respeito de suas leituras cotidianas o participante fez as seguintes afirmações: “Eu leio mais gibi. Gibi e livro de filme: Código da Vinci, Harry Potter, Senhor dos Anéis. Leio livro de filme né e bastante gibi. Agora, poema eu não leio muito não”. Questionei se ela não realizava leituras na Internet, ele disse que apenas notícias. Perguntei, então, se ele tinha preferência por ler noticias on-line, mas ele disse o seguinte: “Não, eu prefiro ler no jornal (impresso). Eu faço natação, então eu pego o jornal que tem lá para ver o que acontece... É como eu falo pra você, eu não tenho computador em casa, então eu acho mais fácil, acostumado”.

Ricardo, entre todos os sujeitos participantes da pesquisa, foi o que apresentou maior desenvoltura nas entrevistas e nas discussões de grupo focal. A partir de suas falas foi possível perceber que ele possui certe freqüência de leitura, principalmente de materiais/livros não escolares/escolarizados. O ambiente familiar foi apresentado como fomentador da leitura, o que significa que o entorno familiar tem sido favorável à formação do sujeito como leitor. Fato notado quando questionado se as pessoas que vivem com ele costuma ler qualquer tipo de material impresso ou não no dia-a-dia delas. O sujeito esclareceu que: “Meu pai fala que tem que ler. Mesmo que você já esteja na sétima série. Você tem que ler, ler, ler. Porque cada vez que você lê um livro, você aprende uma palavra nova, uma história nova. Meu irmão que é pequeno e está aprendendo a ler agora, a gente faz ele ler bastante para exercitar. Os membros da minha família todos lêem sim”.

Sobre os procedimentos adotados quando possui uma pesquisa escolar, Ricardo disse o seguinte: “Eu primeiro procuro na biblioteca. Por exemplo, eu pego um livro e procuro aquele assunto que a professora pediu se não tiver eu procuro na Internet... Sabe... Geralmente eu pego mais na Internet... Pra saber aquilo que a professora pediu. Quando não tem no livro eu vou à Internet”. A partir disso questionei se ele sabia dizer por que recorria em primeiro lugar à biblioteca, ele respondeu o seguinte: “Porque assim... Eu vou citar um exemplo: quando você assiste um filme que tem um livro daquele filme ele conta mais detalhes. Na Internet, por exemplo, está escrito assim: um menino de 24 anos morre por assassinato. Daí depois você vai na outra página que fala sobre isso, aí você entende quem foi, porque foi, onde e quando. Então, se eu procuro sobre o folclore, com certeza na Internet tem, mas eu prefiro no livro, porque dá para você ler, para você anotar [...] Eu não tenho computador, eu acho mais fácil do que ter que ficar indo em lan-house, aqui na escola... Eu acho mais fácil catar um livro da biblioteca e em casa anotar”. Por fim, questionei se ele resistia em pesquisar na web, ele disse que: “Não, não tenho não. É que eu prefiro o livro porque ele dá tudo, a característica... O que seja... Mais detalhes”.

Da mesma maneira que os outros dois sujeitos analisados, Ricardo também realiza suas pesquisas escolares primeiro na biblioteca, nos livros, e, somente, em caso de não encontrar é que ele recorre a Internet. Portanto, para ele, a fonte primordial de pesquisa escolar é a biblioteca ou, melhor, são os livros. No entanto, aí reside uma contradição ou problema, qual seja o de que apesar da preferência manifesta pela biblioteca, pelos livros, é na Internet em que na maioria das vezes o conteúdo é localizado, aprendido. Com isso, quero demonstrar que apesar de Ricardo ser considerado, em razão de suas ações, um leitor-navegador experiente, isso não significa que ele privilegie a Internet em detrimento dos livros, ao contrário, entre os sujeitos detentores de menor conhecimento sobre o ciberespaço a preferência é mais recorrente do que entre os que detêm maior conhecimento, isso na amostragem dessa pesquisa. Sobre o perfil de leitura do sujeito, pode se dizer que ele era/é um bom leitor do impresso. Em todas as atividades das quais participou, apresentou respostas às questões de pesquisa. Isto significa que ele compreendia o que lia ou, em outras palavras, atribuía sentido/significado ao material de consulta.

Nas leituras feitas na web não foi diferente. O sujeito focado nas perguntas para a pesquisa, não se dispersava, navegava e tomava decisões com segurança. Na

transcrição que se segue, de seu trajeto de leitura na tela, tais ações podem ser visualizadas mais claramente.

A trajetória de Ricardo iniciou-se pelo acesso ao website de buscas, Google. Sua maneira de ler na tela, conforme descrita anteriormente (p.71) foi nitidamente de escaneio do texto. A constatação fundamentou-se nos movimentos realizados pelo sujeito com o cursor do mouse. Ricardo arrastava rapidamente o cursor sobre o texto, linha por linha, mas nem sempre chegando ao final de cada uma delas. Isto quer dizer que ele lia rapidamente, antecipando palavras e partes do texto. Diferente, por exemplo, de Fernando, que lia lentamente, arrastando o cursor palavra por palavra.

Ricardo lia rapidamente os resultados do Google, acessava o website que apresentava indícios das respostas. No interior do site, o sujeito mobilizava a estratégia acima descrita, demonstrando querer buscar pistas que o levassem as respostas ou a parte delas. Realizada a leitura, Ricardo retornava aos resultados do Google e acessava um novo site, repetindo as mesmas ações, até chegar o momento em que tomou a decisão de fazer uma nova busca; para isso, utilizou uma nova palavra-chave. Por essa atitude, novamente, diferencia-se dos outros dois sujeitos analisados, os quais realizavam as buscas sempre com as mesmas palavras-chave.

Na nova busca, as estratégias mobilizadas foram às mesmas da anterior. Ricardo acessava um website, realizava uma rápida leitura de seu conteúdo, retornava aos resultados do Google e acessava um novo ambiente. Assim foi até o momento em que ele abriu o software de digitação de textos. Nessa etapa, Ricardo, inicialmente, escreveu um título, pautado no tema da pesquisa, e redigiu um pequeno texto referente às respostas. É importante que seja dito que redigiu o texto com suas próprias palavras, não utilizou de anotações ou qualquer outro material de apoio, o sentido por ele construído ao longo da leitura, materializou-se no texto das respostas. No momento não vou me prolongar a esse respeito, pois é assunto das próximas páginas.

Contudo, ainda sobre o trajeto de leitura do sujeito, cabe dizer que sua classificação como leitor-navegador experiente ampara-se nas competentes ações de navegação registradas, no conhecimento de um número razoável de ferramentas da rede ou ainda, para citar Santaella (2004), no fato de Ricardo possuir “internalizado as regras do jogo da navegação” (SANTAELLA, 2004, p.118).

O leitor-navegador sabe quais estratégias mobilizar em cada momento de seu percurso, ele executa os “procedimentos navegacionais condizentes com as regras”

(SANTAELLA, 2004, p.118). No entanto, ainda assim, esse tipo de leitor pode se deparar com situações inesperadas. Mas nesses casos, ele busca em seu repertório de experiências navegacionais indícios que facilitem a resolução do problema.

Por sua vez, a classificação do sujeito como leitor seletivo da tela refere-se às estratégias de leitura por ele mobilizadas, a saber: a de seleção, antecipação e objetividade, manifestadas na sua maneira de ler rápida e na construção eficaz de sentido. Ricardo lê rapidamente, passando os olhos pelas linhas em busca de pistas que levem às respostas de pesquisa, isto é, ao seu objetivo de leitura. Mas na tela, como se verá na próxima seção, o sentido é construído pela união de fragmentos de informação, encontrados nos diversos textos (nos diferentes websites) pelos quais trafega o leitor. Por isso, a seletividade é de fundamental importância nesse processo.

3.3

Novos suportes, novas formas dos textos, novas maneiras de