5 Feeling and Knowledge in Aesthetic Experience
5.6 The Aesthetic Object: a Quasi- Subject
O Quadro 2 apresenta a caracterização dos 19 participantes desse estudo, compreendendo entre eles: 7 enfermeiros e 12 técnicos de enfermagem, sendo que destes, 8 encontravam-se ainda na qualidade de bolsistas. Em geral, os bolsistas, estão concluindo o curso técnico em enfermagem, porém já possuem habilitação para exercerem o cargo de auxiliar de enfermagem. O candidato a bolsista é efetivado como tal, após concorrer a uma prova interna, caso seja aprovado, cumpre uma carga horária de 40 horas semanais e desenvolve as atividades e responsabilidades de um funcionário, sem, contudo, possuir um vínculo empregatício com a instituição.
Acredita-se que a grande quantidade de profissionais de nível médio em relação aos de nível superior pode ser reflexo do que Silva (1986) chamou de heterogeneidade da formação profissional dos trabalhadores que compõem a equipe de enfermagem, haja vista, essa profissão ser composta por diferentes categorias profissionais, tais como: enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem e parteiras.
Segundo dados do Conselho Regional de Enfermagem (COREN/RN, 2010), atualmente, no Rio Grande do Norte, a quantidade de profissionais de enfermagem, perfazem um total de 19.308 profissionais inscritos (Figura 1), sendo que destes, 83% são técnicos e auxiliares de enfermagem e 17% representam a categoria dos enfermeiros. Assim, percebemos que tal fato reflete diretamente no quantitativo desses profissionais nos ambientes institucionalizados.
Com relação as informações, sobre o sexo dos participantes, apresentadas no Quadro 2, observa-se que há predominância de profissionais do sexo feminino, sendo apenas 5 do sexo masculino. Este fato reflete nitidamente que a enfermagem, nos dias atuais, ainda é uma profissão composta predominantemente por mulheres, característica essa que veio sendo construída desde os tempos remotos.
Entende-se que a feminização da profissão de enfermagem implica em caracteres que lhes são peculiares, como é o caso da sua relação com o ato de cuidar, atividade central e presente desde os seus primórdios quando se sabe que a mãe na família, sempre retirou para si essas responsabilidades.
Figura 1 - Distribuição do total de profissionais de enfermagem inscritos no COREn/RN. Fonte: quadro de inscritos em 01/09/10 (COREn/RN, 2010).
No caso específico da profissão de enfermagem, essas considerações estão intimamente entrelaçadas a divisão sexual das funções, tendo em vista que, historicamente foi designado ao homem a caça e a participação em guerras, já que o mesmo era dotado de uma maior força física, devido a diferenças biológicas. Ao mesmo tempo em que as mulheres ficavam encarregadas da colheita, cozinha e prestação de cuidados aos familiares. Assim, desde sua origem, o trabalho de enfermagem esteve associado ao trabalho feminino, seja este, representado por mulheres leigas, religiosas, com formação específica ou não (DAHER, 2000; MELO, 1986; SILVA, 1986).
Com o surgimento dos hospitais, no início, o cuidado ainda se refletia em ações de caráter doméstico, designado, portanto, ao sexo feminino e mesmo, posteriormente, com a consolidação da enfermagem profissional essa marcada presença do sexo feminino foi estimulada, tendo em vista que ser mulher era pré-requisito para frequentar escolas de enfermagem (MELO, 1986; SILVA, 1986).
Sobre a idade dos entrevistados, 13 deles encontram-se na faixa etária de 19 a 39 anos, constituindo assim um grupo de profissionais adulto-jovens. Tal faixa etária corresponde ao período do auge da fase reprodutiva do ser humano. Ainda sobre a faixa etária, ressalta-se que os enfermeiros foram os que tiveram a maior representatividade na faixa de mais idade. Os técnicos constituíram a faixa mais nova, de 19 a 29 anos.
Observa-se então, que este é um grupo com idade relativamente média de vida, significando dizer que muitos deles podem ser casados e ter família constituída. Por serem, na maioria, mulheres, estas podem estar participando de uma dupla jornada de trabalho, quando se considera, que além do trabalho fora, a mulher também assume o trabalho doméstico. Tal situação indica uma grande carga horária de trabalho diária, o que pode provocar cansaço, indisposição e instalação precoce de fatores predisponentes para as doenças crônicas, sendo em algumas ocasiões percebidas pelo absenteísmo ou licenças médicas.
No que se refere ao tempo de serviço na instituição, o maior tempo citado foi de mais de 10 anos, referido por dois enfermeiros e seguidos por outros quatros que estão na instituição há quase 10 anos. Percebe-se também que a maioria dos entrevistados prestam seus serviços há pelo menos 5 anos. Além disso, merece destaque a quantidade de técnicos de enfermagem (8) presentes há menos de um ano no hospital. Tal fato pode ser atribuído à presença de um grande número de bolsistas, que pode ser explicado como uma forma da instituição resolver temporariamente a reposição dos seus quadros de forma efetiva, tendo em vista a pouca existência de concursos públicos no momento atual.
Diante desse fato, Oliveira (2009, p. 73) analisa a situação atual destes estagiários remunerados e a sua contribuição para a força de trabalho em enfermagem na instituição do presente estudo. Segundo o autor, no referido hospital as atividades realizadas pelos bolsistas “extrapolam as atribuições dos técnicos de enfermagem”, tendo em vista que foram registrados relatos nos quais os bolsistas afirmam assumirem as enfermarias sozinhos durante o estágio, “se responsabilizando pelos cuidados de enfermagem ocorridos nos momentos de jornada de estágio”. De acordo com quadro de pessoal citado pelo autor, em 2009, havia no HUOL, 388 profissionais de nível médio, sendo que destes, 180 eram concursados da UFRN; 65 possuíam contratos temporários, cujo processo seletivo é realizado pela Fundação Norte RioGrandense de Pesquisa e Cultura (FUNPEC) da UFRN; e 143 eram bolsistas, perfazendo um total de 208 técnicos de enfermagem (dentre terceirizados e bolsistas) que apresentam contratos precarizados na instituição. Nesse sentido, o trabalho precarizado é aquele que não garante ao trabalhador os direitos trabalhistas e previdenciários, além de possuir característica temporária e de caráter informal (OLIVEIRA, 2009).
A precarização do trabalho tem suas raízes nas novas formas de organização do trabalho com a introdução de novas tecnologias, as quais surgem como reflexo do processo de globalização. Nesse cenário, ocorre o aumento do desemprego nos setores produtivos, tendo em vista a não adequação do trabalhador a essas novas formas de estruturação do trabalho. Assim, emprega-se regularmente uma força de trabalho, a qual pode ser demitida sem muitos custos (OLIVEIRA, 2009; MEDEIROS, 2000).
Com relação ao setor de trabalho, percebe-se que parte dos participantes trabalham em unidades clínicas de internação, denominadas de enfermarias. Esse fato justifica-se por ser um setor grande que absorve parte dos profissionais de enfermagem. Além disso, setores caracterizados como fechados, tais como UTI, CC, dentre outros, tem apresentado, em nossa realidade, maior resistência na contribuição com pesquisas.
Características Enfermeiros (as) (07)
Técnicos (as) de Enfermagem (12) Total (19) Sexo Masculino Feminino 2 5 3 9 5 14 Faixa Etária 19-29 anos 30-39 anos 40-49 anos 50-59 anos - 3 2 2 5 5 1 1 5 8 3 3 Tempo de Serviço no Hospital < 1 ano 01-05 anos 06-10 anos > 10 anos - 1 4 2 8 4 - - 8 5 4 2 Setor de Trabalho Enfermaria Centro Cirúrgico UTI 5 1 1 12 - - 17 1 1