• No results found

3. Relevant teori

3.4 Vindteori

3.4.1 Aerodynamikk

O Turismo cultural é outra questão frequentemente levantada nas discussões sobre as possibilidades de mudanças na estratégia do setor turístico da cidade e fortalecimento do setor cultural. Esse tipo de turismo vem emergindo como resultado do próprio desenvolvimento do mercado turístico e a sua necessidade de diversificação. Bonet (2003) aponta como razão principal do seu crescimento nas últimas décadas a crescente importância da classe média urbana, detentora de um maior nível educacional, que cada vez mais tenta buscar algo especial, distinto dos programas turístico de massa, e com conteúdo cultural, simbólico, espiritual ou histórico.

No turismo de sol e mar praticado no Rio Grande do Norte têm-se os grandes resorts como padrão de hospedagem, empreendimentos que estimula o hóspede a ficar o máximo de tempo possível em suas instalações, sem instigá-lo a conhecer as demais regiões da cidade e entrar em contato com a população local. Já o turismo cultural busca atrair o viajante que

25 Entrevista realizada no dia 13/12/2014. As perguntas feitas ao entrevistado encontram-se em anexo.

procura um contato autêntico com a população e a cultura local, mais interessados em experiências autênticas do que em bens materiais. (BARRETO, 2000)

O setor turístico em Natal movimenta uma gama de serviços, como os da hospedagem, passeios turísticos e alimentação, contudo, apesar das atividades ligadas a cultura serem consideradas “atividades característica do turismo”26, as mesmas sofrem pouco impacto dessa

demanda. Dessa forma, existem pelo menos três grandes problemas que dificultam ações públicas mais elaboradas para o turismo cultural. O primeiro é a ausência do básico, verba. É verdade que há uma cifra no orçamento municipal destinado ao turismo cultural, contudo, ele é irrisório: em 2011 não passou de cinco mil reais, em 2013 houve aumento súbito e não usual para R$ 260.992,57, voltando para menos de trinta mil reais em 2013 e no ano da Copa do Mundo no Brasil, em que Natal foi uma das cidades sedes, não houve qualquer menção ao turismo cultural na previsão orçamentária do município, apenas a destinação de mil reais para “Ativação Cultural da Copa do Mundo” (Portal da transparência Natal/RN). O segundo problema é a falta de comunicação entre as secretarias locais responsáveis pelas duas áreas, ou seja, falta uma aproximação institucional, hábito comum na gestão pública nacional.

E por fim, existe aquela grande resistência do turismo de sol e mar; é certo que a cidade nasceu enquanto destino turístico a partir das suas belezas naturais, contudo o turismo cultural é uma área que pode ser fomentada como estratégia para aumentar a permanência do turista, desconcentrá-lo espacialmente pela cidade e aumentar a demanda na “baixa estação”, além de viabilizar economicamente e fomentar os setores ligado as artes e cultura no estado.

O retrato desse descaso com o turismo cultural é o bairro da Ribeira, bairro histórico que junto com a cidade alta concentra grande parte dos equipamentos culturais da cidade, sendo, portanto, potencial destino turístico. A cada gestão municipal há uma promessa de “revitalização”, apoio aos empreendedores e divulgação turística da área, contudo não há andamento desses projetos. O único investimento público considerável realizado no bairro nos últimos anos foi a construção do terminal de passageiros do porto, na rua Chile, obra de responsabilidade federal. Henrique Fontes observa que, apesar da cultura está presente no discurso dos gestores do turismo, apenas nos últimos três anos houve uma comunicação entre

26 Nomenclatura da Organização Mundial do Turismo, organização ligada as Nações Unidas, que cita as atividades e serviços que agrupa e faz movimentar o setor turístico.

as duas áreas, e mesmo assim através da iniciativa e insistência dos profissionais da cultura. A Ribeira apenas a alguns anos começou a ter coleta de lixo regular, porém ainda sofre a falta da infraestrutura mínima como iluminação e segurança. Os projetos desenvolvidos no bairro, como a virada cultural e o circuito cultural ribeira, não contam com uma ajuda efetiva da administração pública. Nas primeiras edições do circuito cultural não houve nenhum tipo de ajuda pública, seja ela financeira ou apoio técnico. Já a virada cultural conta com apoio mínimo da prefeitura, a qual fornece gambiarras de iluminação, palcos, geradores e banheiros químicos, sendo a única virada cultural do país a não ter apoio financeiro público. Com relação a construção do terminal de passageiros do porto e a possibilidade de que ele possa trazer benefícios para o bairro, Henrique não acredita nessa possibilidade, pois os turistas que chegam nos cruzeiros não circulam pelo bairro já que todo tipo de serviço de transfers estão esperando para os levarem para outros locais.

Porém existe programas desenvolvidos na cidade que merecem destaque também. O RN Criativo, programa federal com contrapartida do governo estadual, tem o objetivo de operar na formação, mapeamento e articulação do setor cultural, além de fomentar o diálogo com outros setores da sociedade civil (setor público, setor privado, universidades, ONGs etc.), fazendo a ponte entre artista, produtores culturais e tais instituições. Contudo, atualmente o trabalho está concentrado na área da formação. Apesar do programa ainda estar iniciando, já existem alguns resultados, principalmente na área de formação para a elaboração de projetos para editais, aonde oito projetos assessorados pelo programa foram aceitos em editais, inclusive alguns dos proponentes foram contemplados pela primeira vez.

O RN Criativo pode e deve ir mais além da assessoria para editais, deve, inclusive, orientar os artistas a se tornarem cada vez menos dependentes de editais e dinheiro público, fomentando a ligação com outras fontes de financiamento, patrocínio etc. A esperança é que com o tempo e experiência o RN Criativo possa se tornar um programa que englobe todas as questões e setores que envolvem o desenvolvimento da economia criativa do estado do Rio Grande do Norte. Contudo, segundo Henrique Fontes, apesar de estarem trabalhando com uma boa infraestrutura, na data da entrevista já faziam cinco meses que a equipe técnica não recebe salário, havendo inclusive a deserção de algum deles. Henrique aponta que a ausência da contrapartida estadual está provocando esse problema. Mais uma vez a atuação do governo local se apresenta como entrave ao desenvolvimento da economia criativa na cidade.