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4. Analysis of the 3D CFD simulations

4.4. Mesh validation

4.5.1. Aerodynamics

As respostas dadas às perguntas realizadas a respeito do cuidado com a saúde física e mental, da afetabilidade pelo trabalho e a disponibilidade de horas de folga ou lazer, deixam clara a divergência entre as três donas-de-casa, marcada novamente pelas suas diferenças de classes sociais. Esse item será marcado pelas diferenças sócio-econômicas entre as mulheres entrevistadas e, dessa vez, a desigualdade social ficará ainda mais revelada.

O comprometimento da saúde em função do exercício do trabalho doméstico apareceu só na fala de Maria – a que realiza sozinha todo o serviço doméstico laboral. Embora ela tenha dito já no início da entrevista que de vez em quando viajava para diminuir o estresse, quando indagada quanto sua saúde, ressaltou apenas problemas físicos. De fato, ela não apresentou uma compreensão abrangente das implicações de seu trabalho na sua saúde física e mental. Pelo discurso dessa dona-de-casa, é o problema físico que a impede de realizar as atividades domésticas e não o excesso e a repetição das atividades

domésticas que a levaram ao adoecimento. Ela diz: “To com probema nos osso né, então

num tô dando conta”. Ou ainda “Atrapaia assim a lavação de roupa né, porque eu fico muito... sem alento né, pra fazé as coisa, porque quando eu lavo roupa eu fico o dia sem alento pra limpá a casa, né?”.

As funções que Maria realiza como dona-de-casa é o que afeta sua saúde. O peso do trabalho laboral dos serviços domésticos é um desgaste que não ocorre com as demais participantes. Além disso, a dificuldade de acesso a bens e serviços, em especial na área da saúde, amplia sua vulnerabilidade. Ela não procura cuidados médicos porque depende do Sistema Único de Saúde, de órgãos públicos para se tratar, e o funcionamento destes, a desmotiva:

“É outra coisa que eu num procuro, num procuro[...]. Ficá parada naquela fila, um

entra na frente, o outro entra, num me sinto bem de jeito nenhum [...]. Se eu

tivesse dinhero eu fazia tudo ali, particulá. [...]você vai cedo, o médico chega as

veze duas hora e você saí sete, né brincadeira não, você passa o dia inteirim empaiada, aí eu num tenho paciência”.

Essa falta de recursos afeta também as possibilidades de lazer de Maria. As atividades ficam restritas às visitas a familiares e à prática religiosa. Excetuando viagens raras que faz para visitar a família, o único lazer que Maria apontou foi sair em alguns momentos, quando termina suas tarefas, para visitar os irmãos que moram perto de sua residência.

Paola, por outro lado, afirmou: “a minha atividade doméstica não afeta em nada na

minha saúde”. Ao contrário, colocou que está tão acostumada com a vida que tem que o

seu corpo não agüentaria outro tipo de trabalho. No entanto, os cuidados com a saúde e as atividades de lazer ficam condicionados a limitação financeira.

Em alguns momentos ela destacou que seu lazer não poderia ser oneroso. No cotidiano, seu lazer fica restrito a fazer quadros com a vizinha, a tomar café com uma amiga ou fazer um “lanchinho com colegas no shopping”. Nos finais de semana as opções incluem ver filmes, ir ao clube ou jantar fora com a família. Quanto a fazer atividades físicas, numa academia, por exemplo, relatou que não faz para não lhe trazer gastos, mas que até poderia fazer uma caminhada já que é gratuita. Já se referindo aos cuidados médicos, faz consultas quando necessário e busca alternativas mais baratas, como clínicas- escola ou atendimentos sociais.

Em outra realidade econômica está Salete, que afirma se cuidar sempre para “ficar velha com saúde”. Ela afirmou que faz caminhada e bicicleta ergométrica (a bicicleta estava na área de lazer perto do local da entrevista) não por vaidade, mas por qualidade de vida. Salete faz também constantes check-ups e exames ou consultas de rotina. Como lazer, além do trabalho voluntário e do artesanato que desenvolve, verbalizou que de vez em quando pega “um aviãozinho” e faz “uma viagenzinha”, porque adora viajar. Com relação à possibilidade do trabalho doméstico afetar a sua saúde, ela diz que ao contrário, que afeta positivamente porque proporciona um ótimo bem-estar por manter sua mente ocupada, porém tranqüila.

Os estudos de casos realizados com mulheres donas-de-casa também mostraram dimensões novas do espaço privado, ao mesmo tempo em que compartilham com papéis e lugares tradicionais da categoria feminina. Frente ao exposto, resta-nos, ainda, avaliar que o fato das mulheres entrevistadas pertencerem a diferentes gerações (22, 53 e 63 anos) as deixa em lugares díspares e promove discursos sociais distintos. A idade pode ser, sem

dúvida, um fator relevante para o desenvolvimento da visão de mundo destas mulheres e, conseqüentemente, das posições que tomaram quanto ao tema em questão.

Mas, acima de tudo, podemos ressaltar que as experiências comuns que aproximaram o relato das mulheres – maternidade e invisibilidade do trabalho – ficam minimizadas frente ao abismo sócio-econômico que as separam. Inquestionavelmente, para além das diferentes realidades financeiras há a interferência multifatorial (raça, escolaridade, moradia, relações sociais) causada pelas posições sócio-econômicas que ditaram os significados de seu trabalho e de sua condição humana, diga-se, feminina.

CAPÍTULO VI - CONTRIBUIÇÕES À VISIBILIDADE DO FEMININO A PARTIR