2. Materials and methods
2.1. Aerated steam treatment on strawberry transplants
A Aufklärung tinha como intenção a emancipação humana: a razão como a única forma de se chegar ao fim de tal estágio. A humanidade poderia despedir-se de todas as formas de fantasias que compreende em seu estágio de infantilidade. Agora a humanidade poderia seguir o seu próprio destino, ou antes, fazer acontecê-lo sem ter necessidade de um ser supremo para afirmar o que seja certo ou errado. Assim, entraria em sua maioridade de modo a guiar-se por suas próprias decisões tendo a certeza regrada na experiência. A ciência tornou-se a forma de compreensão do mundo com o seu método experimental por estar em conformidade como a realidade e, dessa forma, pode se eximir do trabalho especulativo que é de ordem de outras ciências. Pois, a especulação não tem nada a comprovar mediante a teorização que se faz sobre o mundo, antes, tem a dizer a maneira como deveria ser, o que não tem qualquer correlação com o mundo concreto, com a natureza em sua forma elementar. O desejo imbuído de dominação movimenta a ação do homem para a sua emancipação e, portanto, para que se consiga atingir o seu estágio de maioridade. Se antes o homem era refém das forças incumbidas da natureza e, por conseguinte, tinha que se adequar as suas leis, agora, o homem empreende uma ação inversa: o homem tem a capacidade de submeter a natureza ao seu julgo. A sua ação diante da natureza expressa a racionalidade que foi formulada ao longo dos séculos. É mediante a racionalidade, por meio da razão que o homem tem a capacidade de pôr a natureza abaixo de si. Compreendendo as relações das leis que vigoram na natureza, o homem tem a possibilidade de modificá-las com a intenção de produzir algo que possa favorecer a humanidade em sua totalidade. A proposta da Aufklärung consiste em acabar como o sofrimento da humanidade e para tornar isso realidade coloca toda a sua confiança na ciência. Portanto, somente a ciência teria a capacidade de resolver todos os problemas que são apresentados à humanidade. A ciência se apresenta como sendo divina de modo que tem em suas mãos as fórmulas para solucionar o sofrimento que assola a humanidade. A razão deve conduzir a ações humanas por compreender os meios para se conseguir atingir tal fim, isto é, a racionalidade é a segurança para o desenvolvimento da humanidade.
No entanto, o que leva a razão a retroceder em um estado de barbárie logo que se deu a sua consumação? Por qual motivo o objetivo da Aufklärung não foi realizado? O que
terá acontecido em Auschwitz? Uma irracionalidade da razão, ou uma racionalização da morte? São vários questionamentos acerca da razão e do estado de barbárie que logo se sucedeu. Em “Dialética do Esclarecimento” Adorno e Horkheimer se questionam sobre como foi possível se chegar a tal estado e concluem que esse estado só foi possível por uma progressiva instrumentalização da razão e um atrofiamento crítico diante da realidade. A falta de um posicionamento crítico propicia a conformação com a realidade existente e não dá a possibilidade para que se saia dessa lógica. A razão instrumentalizada parece tornar-se um ser absoluto que não necessita ser questionada e, por conseguinte, válida toda a pretensão de verdade. Deveras, Deus estava em Auschwitz. Isso pode até ser mal interpretado, mas quando a razão assume o lugar de uma divindade, neste caso, o lugar de Deus e não pode ser questionada sua ação, tem-se a possibilidade de afirmar tal fato. A razão divinizada desembocou em um processo racional da morte e, portanto, não compreende em uma forma irracional, mas uma falta de criticidade diante dos fatos que se sucedem. A religião torna-se, talvez, o único elemento de criticidade diante da realidade.
3 A RELIGIÃO NA PERSPECTIVA DE THEODOR ADORNO
O pensamento de Adorno está estritamente ligado ao acontecimento da Segunda Guerra Mundial, em especial, as formas de degradação da humanidade ocasionadas pelo Nationalsozialismus42, na administração da morte nos campos de concentração e o antissemitismo são como chaves para compreender seu pensamento. Uma palavra poderia resumir o empreendimento reflexivo de Adorno: Auschwitz. Sendo que Auschwitz não representa somente um estágio de barbárie em que a humanidade caiu, mas uma denúncia de que a promessa não foi realizada e comprovou-se como engodo. Ao invés da humanidade alcançar sua emancipação e sua efetivação houve um retrocesso para uma barbárie. Tal retrocesso só foi possível com o eclipsar da razão e a técnica como fim deixando de lado o ideal da Aufklärung para um futuro próximo. A técnica não constitui um desvio para a humanidade, ou que possa levá-la a uma estagnação, mas o seu mau uso pela humanidade ao estabelecer a técnica como fim. A técnica deveria ser um auxilio que proporcionasse a efetivação da humanidade e seu domínio diante da natureza, no entanto, tal ideal não foi possível de ser realizado. O que aconteceu foi uma nova forma de dominação da humanidade: a técnica tornou-se um fim, a qual a humanidade é um instrumento que lhe mantém. Dessa forma, a humanidade caiu em um novo engodo ao atribuir a técnica o seu papel de emancipação. O que se vê é uma instrumentalização crescente da razão e uma degradação do sujeito autônomo. O sujeito reflexivo que empreende em compreender o mundo segundo sua perspectiva de mundo e a sua forma de racionalizar parece ser uma inadequação para a sociedade atual. A sociedade se pauta na padronização da indústria cultural e vê no indivíduo autônomo uma ameaça eminente que precisar ser eliminado. Assim, o sujeito autônomo corresponde a uma ameaça ao modo de viver estabelecido na sociedade que adota o modo econômico de troca livre de mercadorias. Entretanto, o exaurir do sujeito autônomo pode levar a supressão reflexiva diante do que está aí e o que lhe é imposto como verdade inquestionável de modo que o sujeito deve se adequar a um determinado ticket, contendo uma forma padrão da sociedade. A supressão do sujeito autônomo e sua atividade reflexiva tendem, de certa maneira, a tornar o indivíduo isento da capacidade crítica diante das coisas que são dadas. Sendo que as coisas dadas correspondem às ideologias que fazem parte da sociedade e estão isentas de qualquer dúvida sobre o seu status de verdade. Assim, a falta da criticidade do sujeito pode conduzi-lo a uma decisão pautada na concordância com as
ideologias vigentes. No entanto, tal decisão não constitui uma vontade inerente ao sujeito autônomo, antes comporta na decisão irreflexiva do sujeito. A não reflexividade pode levar a perda da capacidade crítica diante da realidade e a indiferença diante do outro e conduzir ao antissemitismo. A abordagem sobre o antissemitismo perpassa na obra de Adorno no tempo de guerra e após Auschwitz. De modo que na obra “Dialética do Esclarecimento”, feita conjuntamente com Horkheimer, é abordada na parte final sobre a questão do antissemitismo.