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Advice regarding gaps in knowledge

4 Advice to management authorities regarding responses

5 Advice regarding gaps in knowledge

Nesta pesquisa considera-se o período desenvolvimental entre 1:3 e 12 anos. Incluem-se, portanto, as etapas de desenvolvimento da aquisição da variação, já que, de acordo com Eckert (1989,

2000), Roberts e Labov (1964, 1995), Roberts (1997, 2002) e Foulkes, Dockerty e Watt (1999, 2005), a emergência da variação estruturada começa nos primeiros estágios da aquisição da linguagem. Com base nessas considerações, buscou-se construir uma amostra representativa do português falado por crianças e por seus cuidadores em três cidades gaúchas – Pelotas, Porto Alegre, e Vista Alegre do Prata. A presente pesquisa conta com um total de 80 informantes divididos em:

a) amostra crianças: 48 informantes b) amostra adultos: 32 informantes.

Tendo em vista que um dos objetivos deste estudo é acompanhar as etapas de emergência da variação linguística, a Amostra Crianças contempla dados longitudinais e transversais. Com relação aos dados do estudo longitudinal, a amostra engloba crianças com idade entre 1:3 e 5:0. As entrevistas foram realizadas a cada trinta dias, por um período de seis meses. Com relação aos dados do estudo transversal, a amostra é formada por dados de dezesseis sujeitos com idade entre 6 e 12.

Informa-se que parte desta amostra (sete crianças nascidas em Pelotas-RS) pertence ao banco de dados LIDES (Linguagem Infantil em Desenvolvimento), o qual faz parte do acervo de dados do Laboratório Emergência da Linguagem Oral (LELO) da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) e do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Católica de Pelotas22, e a outra parte da amostra (41 crianças) foi obtida por meio de entrevistas realizadas pela própria pesquisadora e pelos cuidadores das crianças pertencentes às faixas etárias entre 1:3 e 5:0, sendo que 05 crianças foram selecionadas em Pelotas, 12 em Porto Alegre, 24 em Vista Alegre do Prata, conforme mostra o Quadro 16:

Quadro 16 - Número de informantes por cidade

Cidade Nº. de informantes infantis

Pelotas 12

Porto Alegre 12

Vista Alegre do Prata 24

TOTAL 48

Fonte: A autora.

As 48 crianças estão distribuídas em 12 faixas etárias (FE), cada uma representada por quatro informantes (dois meninos e duas meninas), como mostra o Quadro 17 a seguir:

Quadro 17 - Sujeitos da Pesquisa: por Faixa Etária FE Idade (anos: meses) PEL/POA (no. de infs) VAP (no. de infs) FE Idade (anos:meses) PEL/POA (no. de infs) VAP (no. de infs) 1 1:3- 1:8 02 02 7 4.1-4:6 02 02 2 1:7 -2:0 02 02 8 4:7-5:0 02 02 3 2:1 -2:6 02 02 9 6:0 -7:0 02 02 4 2:7 - 3:0 02 02 10 8:0- 9:0 02 02 5 3:1- 3:6 02 02 11 10-11 02 02 6 3:7-4:0 02 02 12 11-12 02 02 Fonte: A autora.

A Amostra Adultos conta com dados de trinta e dois (32) informantes (cuidadores principais). A recolha dos dados dessa amostra foi obtida por meio das entrevistas realizadas pelo próprio informante cuidador em sua interação com a criança. Considera-se cuidador principal a pessoa que estimula, brinca e que acompanha a criança, que com ela fala e com ela brinca, em todas as etapas de seu desenvolvimento linguístico.

Salienta-se que a interação espontânea entre a criança e o cuidador é, durante o processo de aquisição, fundamental para se verificar se os princípios que regulam a variação na fala do adulto atuam da mesma maneira na aquisição. Segundo Docherthy e Foulkes (2002), a variabilidade encontrada na fala da criança é reflexo da variabilidade encontrada na fala do adulto, conforme já foi referido na seção 3.3, Capítulo 3.

5.2.1 Banco de dados

O LIDES (Linguagem Infantil em Desenvolvimento)23 é um banco de dados sediado na UFPEL e UCPEL, que reúne amostras de fala de crianças e de seus cuidadores. Esse banco é constituído de dados de fala de nove crianças entre 1:0 e 4:6 (anos: meses), 9 sujeitos das cidades de Pelotas e um da cidade de Santa Maria. O banco inclui também os dados de 10 sujeitos adultos - cuidadores das crianças.

Os dados que integram o LIDES estão disponíveis em arquivos de áudio do tipo .wav e foram obtidos por meio de interação espontânea entre a criança e o cuidador. As falas foram gravadas digitalmente uma vez por mês, durante um período de seis meses, na casa do próprio entrevistado. As gravações foram realizadas pelo próprio cuidador responsável pela criança, com duração máxima de 30 minutos.

Deve-se salientar que os dados coletados pela autora deste estudo seguiram os mesmos procedimentos adotados para a composição do banco LIDES.

5.2.2 Critérios para constituição da amostra

Foram considerados os seguintes critérios para a inclusão dos informantes que compõem a amostra em exame neste estudo:

a. o informante deveria ter o português como língua materna;

b. o informante deveria ser filho de pessoas nascidas na localidade e que dela ainda façam parte;

c. o informante não deveria ter se afastado da cidade por mais de dois anos; d. o informante não deveria ter sido submetido a nenhum tratamento de fala.

Os primeiros critérios considerados, a, b e c, indicam que todos os informantes (crianças e adultos) selecionados pertencem, de fato, à comunidade considerada. O critério d garante que todos os informantes apresentem desenvolvimento normal da fala.

Com relação especificamente aos informantes adultos, foram critérios de inclusão:

a. ser o cuidador imediato da criança ou, ainda, o responsável direto pela criança, podendo assim contribuir com informações mais detalhadas sobre a rotina de vida e estimular a produção de fala espontânea por meio de brincadeiras, conversas, leituras de histórias, dentre outros aspectos;

b. ter ensino fundamental completo;

c. ter pleno conhecimento das informações elencadas no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e com elas concordar (ver Apêndices).

5.2.3 Coleta de dados

O contato para coleta de dados foi feito, previamente, por meio de indicações de amigos, pessoas conhecidas, de forma a evitar que crianças da mesma família ou crianças com contato próximo fossem incluídas na pesquisa. Os responsáveis legais pela criança e os seus cuidadores receberam, previamente, um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE (APÊNDICE A) para realização das entrevistas com a criança e outro autorizando a coleta de dados do próprio cuidador das crianças que receberam acompanhamento longitudinal. Nesse termo, constaram todas as informações necessárias como a data e hora da coleta, duração das entrevistas, integridade das informações e os procedimentos que foram utilizados. Deve-se esclarecer que foram elaborados três modelos de TCLE: um para as crianças em acompanhamento longitudinal, outro para as crianças que fazem parte do estudo transversal e outro para os informantes adultos cuidadores.

Neste trabalho, utilizaram-se dois tipos de instrumentos, um para o grupo da pré-escola, apresentado no Anexo A, e outro instrumento para o grupo do ensino fundamental, apresentado no Anexo B. Para as crianças entre 1:3 e 5:0 (doravante Grupo A), por se tratar das faixas etárias iniciais, foi utilizada a técnica de nomeação espontânea com base no instrumento AFC (Avaliação Fonológica da Criança) proposto por Yavas, Matznauer-Hernandorena e Lamprecht (1991), neste trabalho identificado por instrumento A. O referido instrumento recebeu contribuição de Guerreiro Rodrigues (AFCpe, 2007) quanto às ilustrações coloridas e em tamanhos maiores (entre 30 e 50 cm).

Esses instrumentos (figuras) foram utilizados pelo cuidador a fim de estimular a produção de palavras; assim a criança, ao reconhecer a figura, falava seu nome – técnica da nomeação. Esse instrumento também possibilitava explorar e estimular a criatividade da criança, pois todos os desenhos foram elaborados a partir de um tema relacionado ao cotidiano da criança, como o momento do banho, a hora do almoço, a festa de aniversário, o zoológico, a pracinha e os brinquedos.

Para as crianças entre 6:0 e 12 anos (doravante Grupo B), foram aplicados dois tipos de instrumentos para a coleta de dados. O primeiro instrumento (doravante B1) foi um questionário-guia composto de questões relacionadas à vida cotidiana do sujeito, à comunidade e a assuntos diversos, tais como escola, programas favoritos, diversões, entre outros, conforme mostram os Apêndices D e E. O segundo instrumento (doravante B2)compõe-se de um jogo interativo de perguntas e respostas. As entrevistas foram realizadas na casa dos informantes. Com as crianças entre 1:0 e 5:0, foram feitas pelo próprio cuidador e em sua própria residência, a fim de que a criança pudesse se sentir mais à vontade. Além disso, a criança pôde mostrar seus próprios brinquedos ou objetos

utilizados no seu dia a dia. As crianças das faixas etárias maiores (entre 6 e 12 anos) foram entrevistadas pelo próprio pesquisador, na presença de um adulto responsável pela criança.

Foi utilizado para o registro do áudio um gravador de voz digital Olympus Ws-700m 4g Pendrive, Mp4 Vor, utilizado especialmente para este fim. As entrevistas gravadas foram copiadas para um computador da marca ACER e para um HD externo da marca Samsung.

As sessões de gravações tiveram a duração de 30 a 45 minutos. Após cada gravação, as ocorrências identificadas foram transcritas foneticamente em fichas elaboradas especialmente para esse fim. Cada ocorrência foi codificada, conforme será apresentado na seção 5.3.2.1 a seguir. Todas as fichas foram revisadas pela própria pesquisadora e por linguistas24 da área.