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5. Kognitive prosesser ved eksponering for tobakksutstillinger

6.1 Advarselsmerking og redusert reklameeffekt

O núcleo Planalto Serrano é formado por 18 grupos de agricultores familiares e por uma cooperativa.

Na composição deste núcleo, pôde-se verificar um cruzamento significativo de redes paralelas que expandem as fronteiras para além da Rede Ecovida, como células que se desenvolvem com autonomia e depois se integram ao todo. Como exemplo, existem vários pontos de interseção com outra rede – a Rede de Agroecologia do Planalto Serrano, cujos integrantes mobilizam ações no âmbito territorial e, por meio de ONGs locais, movimentos sociais de mulheres e igreja, conduzem projetos e mobilizam

discussões que são depois levadas pelo núcleo Planalto Serrano à Ecovida nas plenárias gerais (ver figura anexa) 53.

Além dos grupos de produtores familiares, o núcleo conta com a assessoria técnica feita pelo Centro Vianei, e com a comercialização efetuada pela Cooperativa Ecológica de Agricultores, Artesãos e Consumidores da Região Serrana – ECOSERRA. No âmbito governamental, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI), ligada à Secretaria do Estado da Agricultura e Desenvolvimento Rural também presta assesoria técnica.

A sede da ECOSERRA está situada em Lages/SC. Surgiu a partir das feiras e atualmente investe quase todos os seus esforços no mercado de lojas especializadas e atacadistas de grandes cidades do próprio Estado e de outros, como São Paulo. Foi criada com o objetivo de comercializar os produtos, centralizando compras com documentação e registros formais necessários. Mas o órgão articulador central deste núcleo é a ONG Centro Vianei de Educação Popular, uma entidade da sociedade civil, sem fins lucrativos, fundada em 1983.54

As funções principais da referida ONG são: “Assessorar processos nas áreas do cooperativismo de crédito; formação de jovens, capacitação técnica e política através de Cursos de Educação Popular (CEP's); produção agroecológica de alimentos; comercialização direta da produção; agroindustrialização artesanal e certificação de produtos agroecológicos” (Centro Vianei, 2008).

53 Participam desta Rede 26 entidades e organizações (Sindicatos de Trabalhadores Rurais, Cooperativas

de Crédito, Grupos, Associações e Cooperativas de Agricultores Familiares Agroecológicos, Escritórios Municipais do serviço público agrícola, Casas Familiares Rurais, o Centro Vianei, a Uniplac, Consad, Cooperativa Ecoserra e Núcleo Planalto Serrano da Rede Ecovida de Agroecologia.

54 Em fevereiro de 2008 foi realizada entrevista em grupo no próprio Centro Vianei com Natal Magnanti,

atual Secretário de Administração e Finanças da entidade e com Fabiano de Andrade – Presidente da Cooperativa Ecoserra, além de entrevista individual com Selênio Sartori, engenheiro agrônomo, e Coordenador Executivo do Vianei. Em julho de 2008, foi realizada outra visita à ONG, desta vez para entrevista com Jozete Nieheus, coordenador do grupo Renascer de Urubici, que estava no Centro Vianei para reunião do CODETER e com Simone Pereira, técnica da ONG, que desenvolve funções como agente facilitador, mais diretamente ligada às famílias.

A atuação do Centro Vianei abrange 18 municípios na região do Planalto Catarinense. Os programas da entidade se orientam por dois eixos básicos: educação popular e agroecologia, com enfoque cada vez maior para este último. Segundo o coordenador da ONG, dentre os problemas atuais, os aspectos que têm requerido mais atenção na região são a comercialização, o acesso ao crédito e o reconhecimento dos processos de credibilidade. Esta última questão diz respeito à legitimidade, perante o mercado e o governo, do processo de certificação participativa realizado pela Ecovida, conforme discutido de forma detalhada no capítulo quatro desta tese (Entrevista com o Coordenador do Centro Vianei em julho/2008).

Problemas como a dificuldade para a implementação das políticas públicas foram ressaltados como parte relevante de atuação da ONG, pois, além da necessidade de políticas públicas adequadas, aplicá-las também é um dos pontos que requer acompanhamento. Um exemplo pode ser percebido no caso de oito projetos do PRONAF,55 que foram aprovados nos últimos dois anos e ficaram entre seis meses a um ano para ter a verba liberada, o que só foi possível com a intervenção de funcionários do Ministério do Desenvolvimento Agrário que pressionaram a gerente da agência do Banco do Brasil, a pedido dos coordenadores do Centro Vianei.

Ainda segundo o coordenador do Centro Vianei, outro desafio atual é o de construir e participar de espaços de gestão social, como os conselhos estaduais compostos por entidades da sociedade civil e poder público, recentemente implementados em Santa Catarina.

Atualmente, o Centro Vianei faz parte do Colegiado de Desenvolvimento Territorial – CODETER que define a aplicação de recursos financeiros, do Consórcio de

55 Linha específica destinada ao financiamento de empreendimentos gerenciados por mulheres, dentro do

Segurança Alimentar e Desenvolvimento Territorial - CONSAD, e da Comissão de Instalação de Ações Territoriais – CIAT, abrangendo projetos em 31 municípios.

Em relação aos grupos que compõem a Rede Ecovida nesse núcleo, há uma diferença de organização e participação dos agricultores envolvidos em cada grupo que, segundo os técnicos do Centro Vianei, são evidenciadas pela realização de discussões e encaminhamentos dentro do próprio grupo, da capacidade de se mobilizar para encaminhar questões de seu interesse e pela possibilidade de atuação do grupo mesmo sem a assessoria da ONG. Esta divisão leva à seguinte distribuição de grupos no núcleo Planalto Serrano: 7 são considerados consolidados, demonstrando autonomia e capacidade organizativa, 22, em transição e 9, em estágio inicial de estruturação.56

Os grupos consolidados são aqueles que se não houvesse uma entidade de assessoria iriam continuar trabalhando e realizando as coisas deles em grupo. Podia ter algum percalço, mas iam continuar. Se não tivesse a Ecoserra, eles iam dar um jeito, iam continuar produzindo, iam comercializar de uma maneira diferente. Iam ter problemas e tal, mas iam continuar. Já os grupos “em transição” são aqueles que teriam mais dificuldades. E um grupo em estágio inicial é aquele que não tem solidez e teriam a tendência a não existir mais (Selênio Sartori, Coordenador Executivo do CentroVianei).

Ainda segundo o Coordenador Executivo do Centro Vianei, um fator de diferenciação entre os grupos é o grau de autonomia, a capacidade de autonomia e iniciativa e as relações que os participantes estabelecem entre si para encaminhar seus interesses.

É claro que tem muita briga, também, muita discussão. Mas entre eles, eles se entendem. Então, eu diria, assim, que eles procuram realizar coisas fora só desse terreno da agricultura ecológica. Eles se mobilizaram para conseguir a tal da caixa d’água. É uma mobilização importante. Eles mesmos tiveram a iniciativa e tal de procurar essa história do turismo e organizar uma associação para essa questão do turismo. E estão puxando essa questão para nós, é uma questão que a gente não consegue dar conta. Não tem como. A gente conhece o tema, já fez discussão e tal, mas não tem como o cara dar conta de muita coisa, senão acaba não fazendo nada certo. E eles foram atrás. E estão fazendo isso (Selênio Sartori, Coordenador Executivo do Vianei).

Outro aspecto que reflete a dinâmica dos grupos é a proposição de temas de Grupos de Trabalho (GT), os quais têm sido sugeridos por agricultores ou se originam de projetos do Governo Federal, como o Grupo de Trabalho de Sistemas Agroflorestais, que se formou com o amadurecimento de discussões em um projeto em que havia 16 instituições públicas e civis relacionadas.

A coordenação não cria um grupo de trabalho. Ah... a coordenação criou um grupo de trabalho. Criou. Que é o grupo que cuida das finanças e tal. Esse foi criado pela coordenação. Mas os grupos de trabalho e esse que chamamos de GT batatinha, foi criado a partir de uma articulação de algumas pessoas que queriam discutir biocombustível. E é uma coisa assim que vai... a gente se encontra. Hoje já tem até projetos que a gente está elaborando em conjunto. (Diretor Financeiro do Centro Vianei).

Os dois grupos pesquisados neste núcleo são considerados consolidados o grupo Renascer e o Otacílio Costa que foram escolhidos como base para a pesquisa em razão dos seguintes aspectos: o primeiro está em fase de abertura para novos projetos que integram atividades inovadoras ligadas a novos espaços produtivos no meio rural. Com isso, os participantes estão expostos a iniciativas diversas que marcam um momento de rearranjo na dinâmica grupal.

Quanto ao grupo Otacílio Costa, a opção foi por ser considerado dentro do núcleo Planalto Serrano um dos que demonstra maior consistência em termos de adesão a discussões ideológicas, vinculando-se e participando ativamente de muitos projetos com enfoques temáticos, além do técnico-produtivo. A seguir, são apresentados detalhadamente os grupos e os sujeitos entrevistados.