Apresentada a nossa amostra e os procedimentos desenvolvidos para chegar aos resultados do estudo, importa saber quais os resultados obtidos, averiguando se as hipóteses traçadas anteriormente são confirmadas ou rejeitadas.
Antes demais, temos também de compreender se a nossa amostra é consistente, ou seja, analisar o comportamento que os dados da amostra assumem quando esta fica maior. Este exercício será feito para cada uma das componentes em análise com base no Coeficiente Alfa de Cronbach.
Começando pelo tipo de conflito temos:
Tabela 3 - Consistência interna – alfa de Cronbach: tipo de conflito
Alfa de Cronbach Nr de itens Relacional .907 5 Tarefa .664 3
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De acordo com a categorização de Hill e Hill (2005), isto significa que temos uma consistência interna excelente para o conflito relacional (0.907), enquanto que no caso do conflito de tarefa a mesma define-se como fraca, mas aceitável (0.664).
No caso da resposta ao conflito, temos valores de consistência interna entre o fraco, mas aceitável (0.612 para a resposta flexível) e o razoável (0.709 para a resposta de resolução). Atente-se na tabela abaixo:
Tabela 4 - Consistência interna – alfa de Cronbach: respostas ao conflito
Alfa de Cronbach Nº de itens Flexível .612 4 Compromis so .648 4 Forçar .697 4 Evitamento .691 4 Resolução .709 4
Por fim, no caso da inteligência emocional, os valores obtidos são igualmente válidos, embora para todas as dimensões encontradas se classifiquem como fracos, mas aceitáveis. Variam entre o 0.621 para a regulação das emoções e o 0.666 para a utilização das emoções:
Tabela 5 - Consistência interna – alfa de Cronbach: inteligência emocional
Alfa de Cronbach
Nr de itens Avaliação e expressão das
emoções .641 13
Utilização das emoções .666 10 Regulação das emoções .621 10
Confirmada a consistência interna dos dados em análise, seguimos para a resposta às hipóteses que os propusemos no ponto 5.1.
Vamos então caso a caso verificar se o comportamento dos indivíduos está de acordo com as hipóteses formuladas.
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Segundo os resultados obtidos com a aplicação do teste t-Student, a perceção dos elementos da organização é de que o conflito do tipo relacional é mais evidente que o relacionado com a tarefa, sendo a diferença marginalmente significativa: t(93)=1,786, p = 0.077. Então, confirma-se H1.
Tabela 6 - Tipo de Conflito – t-Student
Tarefa Relacional
M DP DP DP t Tipo de conflito 2.72 .86 2.84 1.03 1.786* * p ≤ .10
H2: A dimensão predominante no que respeita à Inteligência emocional é a Utilização de emoções.
A tabela 6 mostra as diferenças nas dimensões da inteligência emocional são estatisticamente significativas: F(2, 182) = 46.301, p = 0.001.
O teste de comparação múltipla a posteriori leva-nos a concluir que a dimensão relacionada com a Utilização das Emoções é significativamente mais predominante do que a dimensão de Avaliação e Expressão das Emoções e que a dimensão de Regulação das Emoções (para p=0.001), resultando na confirmação da H2.
A diferença entre as dimensões de Avaliação e Regulação das Emoções não é estatisticamente significativa (p=0.052).
Tabela 7 - Inteligência emocional – Anova Repeated Measures
Avaliação Utilização Regulação
M DP M DP M DP F
Int. Emocional
3.70 .31 3.96 .31 3.76 .27 46.301** * * p ≤ 0,01 ** p ≤ 0,05 *** p ≤ 0,001
H3: O tipo de conflito existente e a dimensão de inteligência emocional predominante estão correlacionados.
Aqui pretendemos estabelecer uma correlação entre as variáveis predominantes, resultantes da resposta às hipóteses um e dois.
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Para tal, podemos recorrer ao Coeficiente de Correlação de Pearson.
Segundo este, o valor da correlação entre o conflito de tipo relacional e a dimensão de utilização das emoções é igual a 0.051, ou seja, está muito próximo de zero não sendo por isso estatisticamente significativo. Assim conclui-se que não existe correlação entre ambos. Deste modo, a H3 não recebe confirmação empírica.
Tabela 8 - Correlação IE e tipo de conflito
Relacional Utilização das
emoções ,051
H4: Perante uma situação de conflito, os indivíduos optam pela Resolução do mesmo.
As diferenças na resposta ao conflito revelam-se estatisticamente significativas com F(4, 368)=45.713, p=0.001.
O teste de comparação múltipla a posteriori indica que a resposta ao conflito relacionada com a Resolução é significativamente predominante face aos outros tipos de resposta (p < 0.001). Assim sendo, confirmamos a hipótese estabelecida em H4.
Tabela 9 - Tipo de conflito – Anova Repeated Measures
Flexível Compromis so Forçar Evitame nto Resoluç ão M DP M DP M DP M DP M DP F Resposta conflito 3,33 ,46 3,72 ,40 3,46 ,65 3,72 ,56 4,1 5 ,45 45,713** * *** p ≤ 0,001
H5: A resposta ao conflito que mais se destaca está relacionada com a dimensão da inteligência emocional predominante.
Novamente para responder a esta hipótese podemos recorrer ao Coeficiente de Correlação de Pearson para entender de que forma estas duas variáveis se relacionam.
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Analisados os dados, chegamos a um resultado considerado estatisticamente significativo (0.395), que revela que a relação é positiva e moderada, ou seja, quanto mais se utiliza uma estratégia de resolução de conflito, mais presente está a vertente de inteligência emocional relacionada com a utilização das emoções, confirmando-se assim H5.
Tabela 10 - Correlação IE e tipo de conflito
Utilização das emoções Resolução ,395*** *** p ≤ 0,001
H6: O tipo de conflito e a inteligência emocional estão relacionados com o sexo.
No caso do conflito, não se encontram diferenças estatisticamente significativas.
Por outro lado, para a inteligência emocional, os resultados são estatisticamente significativos nas dimensões de Avaliação e Utilização das Emoções.
Isto resulta na confirmação parcial de H6.
No caso da Avaliação e Expressão das emoções, as mulheres apresentam valores significativamente mais elevados do que os homens (3.81 vs 3.59 para t(92)=3.427, p=0.001).
Também no caso da Utilização das Emoções o sexo feminino apresenta valores significativamente mais elevados que os homens (4.08 vs 3.86 para t(91)=3.640, p=0.001).
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Tabela 11 - Tipo de conflito e IE vs género – t-Student
Feminino Masculino M DP M DP t Tipo conflito Tarefa 2,62 ,88 2,80 ,85 -.977 Relacional 2,79 1,01 2,89 1,06 -.439 Inteligência emocional Avaliação 3,81 ,32 3,59 ,28 3.427*** Utilização 4,08 ,30 3,86 ,29 3.640*** Regulação 3,80 ,31 3,72 ,23 1.422 *** p ≤ .001
H7: O tipo de conflito e a inteligência emocional estão relacionados com a idade.
Recorrendo novamente à aplicação do Coeficiente de Correlação de Pearson, vamos relacionar a idade com cada uma das dimensões quer de conflito quer de inteligência emocional.
Pela tabela abaixo, vemos que os valores encontrados são muito baixos, próximos de zero, não tendo significado estatístico. Desta forma, concluímos que nem o conflito nem a inteligência emocional têm relação com a idade dos indivíduos, rejeitando-se H7.
Tabela 12 - Tipo de conflito e IE vs idade – coeficiente de correlação de Pearson
Idade Tipo conflito Tarefa ,115 Relacional ,157 Inteligência emocional Avaliação -,044 Utilização -,054 Regulação ,058
H8: Quanto maior o nível de escolaridade, menor a tendência para conflitos do tipo relacional e maior a presença da dimensão de IE relacionada com a Utilização das emoções.
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Sobre este ponto nada podemos concluir, uma vez que as diferenças na perceção do tipo de conflito e inteligência emocional em função do nível de ensino não são estatisticamente significativas (p > 0.05).
Tabela 13 - Tipo de conflito e IE vs escolaridade – coeficiente de correlação de Pearson
Ensino Secundári o Ensino técnico/prof . Licenciatura Mestrado M DP M DP M DP M DP F Tipo conflito Tarefa 2,89 0,98 2,70 0,94 2,65 0,67 2,44 0,79 2,084 Relacional 3,02 1,05 2,72 1,01 2,83 1,07 2,51 0,93 2,595 Inteligência emocional Avaliação 3,74 0,31 3,66 0,35 3,76 0,36 3,59 0,17 2,053 Utilização 3,93 0,30 3,93 0,30 4,09 0,37 3,85 0,22 2.110 Regulação 3,73 0,26 3,80 0,27 3,78 0,34 3,73 0,18 0.302