A amostra inicial é constituída por 340 formandos, com idades compreendidas entre os 16 e os 54 anos de ambos os sexos. As escolaridades oscilam entre o 6º ano e o 12º ano. Todos se encontram integrados num percurso formativo, numa modalida- de/medida específica de formação, nomeadamente, Educação e Formação de Jovens, Educação e Formação de Adultos e Aprendizagem. No seu todo, foram abrangidas 13 ações/cursos na medida de Aprendizagem, nas seguintes áreas: Técnico de Seguros, Técnico de Vitrinismo, Técnico de Multimédia, Técnico de Desenho Gráfico, Técnico de Serviços Pessoais e Apoio à Comunidade e Técnico de Animação Sócio-cultural; 4 ações/cursos na medida de Educação e Formação de Jovens: Operador de Informática, Instalação e Reparação de Computadores e Auxiliar de Acção Educativa; e 14 ações de formação na modalidade/medida de Educação e Formação de Adultos: Técnico de Mul- timédia - Nível Secundário (NS), Técnico de Desenho Gráfico NS, Técnico Adminis- tractivo NS, Recepcionista de Hotel NS, Instalação e Reparação de Computadores B3 (equivalência ao 9º ano de escolaridade).
As saídas profissionais das acções de formação onde se encontram integrados são diferentes em relação aos níveis de qualificação profissional.
A especificidade da amostra reside também no facto da sua grande maioria, qua- se na totalidade (salvo número muito residual que nunca teve qualquer experiência ou contacto com o mundo de trabalho), já terem vivenciado experiências de desemprego e
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no momento da recolha de dados estarem a frequentar formação profissional de curta ou de longa duração.
A designação de activos desempregados abrange activos adultos desempregados à procura de novo emprego e activos jovens desempregados à procura do primeiro emprego. Portanto, ambos nesta fase são formandos, mas com características diferentes quanto ao percurso escolar, ambiente familiar, experiência profissional e aos contextos que frequentam em geral.
Relativamente aos adultos desempregados à procura de novo emprego, caracte- rizam-se por serem, na sua grande maioria, formandos que há muito tempo não estão em contacto com processos que implicam aprendizagem e aquisição de novas compe- tências em contextos estruturados e formais. Não estudam há muitos anos, por vezes chegam a atingir os 20 anos sem contacto com qualquer sistema estruturado e formal de ensino e/ou de formação. Muitos desempenharam ao longo de muitos anos da sua vida, por vezes desde muito cedo, o mesmo tipo de actividade profissional e/ou um conjunto de tarefas muito concretas, repetitivas e monótonas, sem qualquer processo de aprendi- zagem estruturado, a não ser, por via da aprendizagem prática não formal.
Esta é uma das razões porque, em situação de desemprego, o adulto não conse- gue concorrer e ter uma via aberta para a sua integração no mundo do trabalho pois está desactualizado, de acordo com as novas competências que exige o mundo do trabalho de hoje.
Por último com a anulação de 12 protocolos, um participante por ter respondido ao acaso (evidente desinteresse em ler com atenção, reflectir e atribuir as suas respos- tas), seis por terem 15 anos de idade (não têm idade mínima legal para trabalhar) e cinco por respostas omissas ou por terem assinalado mais do que uma resposta num único
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item várias vezes, foram excluídos de acordo com o critério definido pela equipa, sendo assim validados 328 protocolos.
Apresentam-se os resultados da primeira parte deste estudo, relativos à recolha de informações gerais da situação dos formandos.
No Quadro n.º 6.1 são apresentados os resultados relativos à percentagem e à frequência da distribuição por sexo. Os resultados sugerem que não existem diferenças que mereçam alguma apreciação especial. Existe uma distribuição praticamente idêntica entre os formandos de sexo masculino (50,3) e os do sexo feminino (49,7).
Quadro n.º 6.1
Distribuição da amostra por sexo (amostra total)
Sexo Frequência Percentagem
Masculino 165 50,3
Feminino 163 49,7
Total 328 100,0
Estes resultados não permitem efectuar qualquer interpretação relativamente à predominância do público que se encontra a frequentar formação profissional. Apenas permitem dizer que no momento da recolha de dados, existia um número muito aproxi- mado entre os formandos de ambos os sexos.
No Quadro n.º 6.2 são apresentados os resultados relativos à distribuição da amostra por frequência e percentagem por subgrupo de idades. Estes resultados demonstram que existe um número muito elevado de formandos que se encontram no subgrupo de idade entre os 16 e os 23 anos, no total de 256 formandos, que representa 78,0% dos indivíduos que constituíram a amostra para esta investigação. O Quadro n.º 6.2 evidencia ainda a existência neste subgrupo de idade, diferença no número de for-
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mandos comparativamente aos outros subgrupos de idade, com tendência de redução significativa à medida que vão aumentando as idades. A percentagem a seguir com maior número de formandos é do segundo subgrupo de idades entre os 24 aos 35 anos, com uma frequência de 43 formandos, representando 13.1% da amostra total. Nos três últimos subgrupos de idades (36-45 anos, 46-55 anos e 56-65 anos) as percentagens dos formandos que constituíram a amostra não são expressivas.
Quadro n.º 6.2
Distribuição da amostra por subgrupo de idades (amostra total)
Subgrupo de Idades Frequência Percentagem
16-23 Anos 256 78,0 24-35 Anos 43 13,1 36-45 Anos 16 4,9 46-55 Anos 11 3,4 56-65 Anos 2 ,6 Total 328 100,0
De referir que, os dados foram recolhidos num momento em que se encontravam a decorrer muitos cursos de Aprendizagem e de Educação e Formação de Jovens nos Serviços de Formação que colaboraram na sua recolha. Sendo assim, a percentagem da amostra traduz apenas que, embora estivessem a decorrer alguns cursos de Educação e Formação de Adultos e de Qualificação Profissional eram constituídos por muitos for- mandos com níveis de escolaridade baixa para serem considerados como parte integran- te desta investigação.
No Quadro n.º 6.3 são apresentados os resultados relativos às habilitações literá- rias. Estes permitem considerar que o número de formandos com nível de escolaridade do 9º ano completo (antigo 5º ano) é maior e representa 45.5% da amostra total, seguido pelos formandos com nível de escolaridade que se situam entre o 6º e o 8º ano. Os res-
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tantes oscilam entre o máximo de 22.0% de formandos com o ensino secundário incom- pleto e o mínimo de 0.6% com frequência universitária.
Quadro n.º 6.3
Habilitações literárias antes da entrada na formação (amostra total)
Nível de Escolaridade Frequência Percentagem Entre os 6.ºano e 8.º ano de escolarida-
de
102 31.2
9.º ano de escolaridade (antigo 5.º ano) 147 44.8
Ensino secundário incompleto 71 21.6
Ensino secundário completo (12.º ano) 6 1.8
Ensino superior incompleto 2 0.6
Total 328 100
Esta diferença no nível da escolaridade da amostra, apresentada no Quadro 6.3 permite considerar que a realidade dos indivíduos que se encontram a frequentar forma- ção profissional, especialmente os primeiros resultados com valores de 31.2% e 44.8%, sugerem a leitura de que a maioria dos formandos estão dentro dos requisitos de entrada para frequentar diversas acções de formação profissional, nomeadamente, as acções de formação com equivalência ao 9º ano de escolaridade ou ao 12º ano de escolaridade.
No que se refere ao Quadro n.º 6.4, são apresentados os resultados relativos à frequência e à percentagem dos formandos empregados e desempregados que se encon- tram a frequentar formação profissional, mediante os quais se pode verificar que existe um número maior de formandos desempregados, 300 representando 91.5% da amostra total e um número significativamente inferior de formandos, 28que se encontram a tra- balhar, mesmo que por poucas horas, e representam 8.5% da totalidade da amostra total.
128 Quadro n.º 6.4
Frequência e percentagem de formandos empregados e desempregados (amostra total)
Formandos Frequência Percentagem
Empregado/a 28 8.5
Desempregado/a 300 91.5
Total 328 100
Estes resultados sugerem a leitura de que os formandos desempregados estão em maior número porque estão dentro dos requisitos pré-definidos para a frequência de formação profissional. Os formandos que aparecem como empregados (28 formandos), em primeiro lugar, podem ser descritos no essencial, como formandos que antes de entrarem na formação ou durante o processo formativo encontraram alguma oferta de trabalho, geralmente de poucas horas e em segundo lugar, estes trabalhos são de curta duração e compatíveis com o horário da formação. Mas não totalizam as horas necessá- rias para serem considerados empregados, uma vez que, trabalham menos de 30 horas por semana, alguns muito menos ainda (10 ou 18 horas por semana), o que na prática é a formação profissional que ocupa a maior parte do seu tempo. Caso cumprissem com os requisitos para serem considerados empregados seriam integrados na medida dea formação designado por contínua.
No Quadro n.º 6.5 são apresentados os resultados relativos à frequência e à per- centagem de formandos desempregados e empregados (se teve alguma experiência pro- fissional ou não), colocando-lhe a seguinte questão: “É a 1ª vez que se encontra nessa situação?”.
A leitura destes resultados sugere que se deve ter alguma prudência na interpre- tação e consideração dos mesmos, uma vez que, apesar da maior percentagem do resul-
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tado “Sim” 268 formandos (Sim 1 e Sim 2), representando 81.71% da amostra, nela se incluem aqueles que sempre trabalharam no mesmo local, sem qualquer tipo de expe- riência de trabalho diferente ao longo da sua vida profissional – Sim 1; mas também formandos considerados desempregados pela idade legal e formandos que estiveram sempre integrados em sistemas de ensino ou de formação mas que nunca
Quadro n.º 6.5
É a 1.ª vez que se encontra nessa situação? (amostra total)
Respostas Frequência Percentagem
Sim 1 211 64.33
Sim 2 57 17.38
Não 60 18.29
Total 328 100
tiveram um único trabalho em termos profissionais, isto é, que estiveram sempre inte- grados em escolas ou em Centros de Formação Profissional – Sim 2.
O resultado relativo à resposta “Não”, dada por 60 formandos, representa 18.29% da amostra total, e enquadra aqueles formandos que de facto, tiveram o seu per- curso profissional muito marcado por instabilidade permanente e diversas experiências de trabalho em variadíssimas empresas, organizações e instituições.
6.1.10 Procedimentos
Tendo em consideração a natureza da amostra e os objectivos do estudo, as apli- cações decorrem em Centros de Formação Profissional de Gestão Directa e Gestão Par-
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ticipada, do Serviço de Formação Profissional, do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). As aplicações decorreram em contexto de grupo em salas teóricas de formação.
Os instrumentos foram aplicados pela seguinte ordem: primeiro foi entregue a ficha de dados, a seguir o Questionário sobre Repertório Comportamental e depois o Inventario sobre Adaptabilidade e por último o Inventário de Empregabilidade (este úlmo não faz parte deste trabalho). A aplicação dos instrumentos decorreu em sala de formação com os grupos já constituídos no âmbito da formação profissional onde se encontravam integrados. Não foi limitada a participação de nenhum formando durante o processo de aplicação por razões relacionadas com o nível de escolaridade e situação face ao emprego.
De notar que todos os formandos que participam neste estudo, antes de serem integrados numa acção de formação em cumprimento das normas da instituição, estive- ram envolvidos num processo de orientação profissional com o objectivo de avaliar o seu perfil de interesses, de competências específicas e no levantamento de informações relativas ao seu percurso escolar, profissional (caso exista) e todo o seu enquadramento social, familiar e económico, com vista à sua integração numa acção de formação espe- cífica que seja mais adequada ao seu perfil para assim proceder ao seu encaminhamento para a formação e estruturar e organizar o processo de acompanhamento psicopedagógi- co durante o processo formativo.
As respostas aos instrumentosforam dadas depois de terem sido lidas as instru- ções. Durante esta fase, não se verificaram constrangimentos de qualquer ordem e natu- reza, os formandos não manifestaram qualquer dificuldade em compreender os objecti- vos dos instrumentos, o conteúdo dos itens e a forma de responder usando correctamen- te a escala de alternativas de resposta. O número de indivíduos em cada uma das aplica-
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ções variou entre 10 e 18 sujeitos. Apesar de não ser estipulado um tempo limite para a realização da tarefa, a aplicação demorou em tempo médio, cerca de 10 minutos.