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O padrão de metadado Dublin Core (ISQ, 2010) teve sua origem na década de 90 quando a Web encontrava-se em sua fase de amadurecimento. Em uma discussão ocorrida em outubro de 1994 na Conferência 2nd Annual World Wide Web em Chicago vislumbrou-se a

necessidade de uma infraestrutura para habilitar descoberta de recursos na Web. Meses depois, um

workshop, liderado principalmente por bibliotecários, foi realizado para discutir um formato de

metadado básico endereçado a descrever recursos na Web. Assim, nascia o Dublin Core Metadata Iniciative (DCMI).

O DCMI realizou entre 1995 e 2001 vários workshops e encontros envolvendo

profissionais multidisciplinares com propósito de discutir a necessidade de desenvolvimento de um padrão extensível e amplamente aplicável. Desse modo, em 1999 um conjunto de 15 elementos de metadados, derivados do padrão MARC, foi proposto e publicado como uma referência. O The Dublin Core Metadata Element Set (DCMES) tornou-se um padrão nacional em 2001 (ANSI/NISO

Z39.85) e um padrão internacional em 2003 (ISO 15386).

O Dublin Core é endereçado principalmente para descrição de recursos eletrônicos na internet destinados principalmente a museus, bibliotecas, agências de governo e organizações comerciais (HUNTER, 2002a). Suas principais características estariam centradas na simplicidade na descrição de recursos; na interoperabilidade semântica; num consenso internacional e interdisciplinar; e na extensibilidade. De acordo com ISQ (2010), o padrão é alvo de críticas, principalmente pela comunidade de biblioteconomia, no que tange à simplicidade no formato e estrutura de seus elementos, além de comparações com o MARC e outros padrões comumente usados pela comunidade. Entretanto, apesar das críticas, o padrão é amplamente utilizado em várias comunidades na descrição de recursos eletrônicos e como fundamento para a concepção ou

142 proposta de outros padrões de metadados. O Quadro 6 apresenta a relação dos 15 elementos Dublin Core.

Quadro 6 - Descritores Dublin Core

Descritores Características

Contributor (Colaborador) Entidade responsável pela contribuição na criação do recurso, como, por exemplo,

pessoa, organização ou serviço.

Coverage (Cobertura) Escopo espacial ou temporal ou abrangência do recurso. O nome de lugar,

localização por coordenadas geográficas são exemplos de escopo espacial. Datas e intervalos de datas são exemplos de escopo temporal. Já a abrangência do recurso pode ser o nome de uma entidade administrativa ou uma localidade geográfica na qual o recurso é aplicado.

Creator (Criador) Entidade responsável pela criação do recurso. Pessoas, organizações e serviços são

alguns exemplos. Normalmente, o nome do criador é utilizado para indicar uma entidade.

Date (Data) Período de tempo associado com o ciclo de vida do recurso.

Description (Descrição) Descrição sobre o conteúdo do recurso.

Format (Formato) Manifestação física ou digital do recurso, podendo incluir formato, tamanho e

duração.

Identifier (Identificador) Identificação unívoca do recurso em um determinado contexto. É recomendado que a

identificação esteja em conformidade com algum sistema de identificação formal.

Language (Linguagem) Idioma relativo ao conteúdo do recurso.

Publisher (Publicador) Entidade responsável pela disponibilização do recurso.

Relation (Relação) Estabelece um relacionamento entre recursos, promovendo uma referência a um

recurso associado.

Rights (Direitos) Geralmente incluem informações sobre direitos de propriedade intelectual associados

ao recurso.

Source (Origem) Referência ao recurso ao qual o objeto é proveniente.

Subject (Assunto) Tema principal concernente ao conteúdo do recurso. Representado geralmente por

palavras-chaves, frases-chave, códigos de classificação, dentre outros.

Title (Título) Nome formal fornecido ao recurso.

Type (Tipo) Natureza ou gênero do recurso, podendo ser texto, áudio, vídeo, etc.

Fonte: elaborado pelo autor.

Atualmente, esforços relacionados à integração do Dublin Core com a linguagem RDF da Web Semântica são uma realidade. As comunidades DCMI e Web Semântica focam na conversão de formato de metadado para vocabulário de metadado, isto é, uma coleção de propriedades definidas cuidadosamente para fins de uso na concepção de sentenças descritivas sobre recursos (também denominada namespaces, conforme foi elucidado na seção 3.3.3). Tais

mudanças refletiram na introdução da noção de Qualificadores Dublin Core (Qualified Dublin Core, em inglês) com a finalidade de refinamento acerca dos recursos descritos (ISQ, 2010).

Os Qualificadores do padrão são organizados em duas classes, a saber: i) elementos de refinamento; e ii) esquemas de codificação. A primeira adiciona especificidade para o elemento a

ser refinado, como, por exemplo, o elemento data seria desmembrado em criação, validade, modificação, etc.; a segunda fornece restrições nos valores a serem destinados aos elementos do

padrão por meio de vocabulários controlados, por exemplo. Ressalta-se que a utilização desses qualificadores não é obrigatória e possibilita o desenvolvimento de novos qualificadores de acordo com as necessidades de cada aplicação. Salienta-se também que os qualificadores modificados ou adicionados podem não ser entendidos por recursos de outras aplicações pelo fato de serem específicos.

Segundo Hunter e Iannella (1998), o Dublin Core foi projetado especialmente para produção de metadados voltados a documentos textuais. Embora um número considerável de

workshops tenha sido realizado para discutir e propor soluções voltadas à extensão dos elementos

para o contexto de documentos não textuais, a ênfase geralmente recai no uso de subelementos e esquemas específicos (os qualificadores do padrão) para dados audiovisuais. Além disso, tais dados são endereçados mais a informação de tipo bibliográfica do que a conteúdo documental.

De modo a endereçar descritores para fornecer uma solução abrangente de cobertura multimídia, uma abordagem híbrida foi proposta (HUNTER e IANNELLA, 1998; HUNTER, MARTÍNEZ e OLTMANS, 2000; HUNTER, 2002a) baseada na combinação de elementos do padrão Dublin Core (qualificados e não qualificados) e do padrão MPEG-7 juntamente com a linguagem RDF119 (e suas extensões). As vantagens da proposta híbrida estariam em: i) possibilitar que máquinas de buscas baseadas em descritores Dublin Core sejam usadas também para buscas em tipos de mídias diversificados; ii) manter a intenção original do Dublin Core em fornecer elementos centrais e métodos seminais de catalogação especializados; iii) mapear catálogos importantes como o US MARC para Dublin Core; e iv) integrar facilmente outros padrões de metadados para conteúdo audiovisual.