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Adaptiv tilnærming i forvaltningen

Para entender a influência do livro aqui analisado, esta obra de Brian McLaren recebeu no Brasil o prêmio Areté de Livro do Ano de 2008, concedido pela ASEC – Associação dos Editores Cristãos.

A obra de McLaren chegou ao país e foi disseminada de forma quase que viral por alguns dos pastores mais influentes de até então. Ainda que não se possa dizer que sua vendagem tenha sido um sucesso estrondoso, contudo, variadas foram as citações e menções feitas à sua obra por parte de escritores influentes, como o que veremos a seguir.

Já no prefácio da edição brasileira da obra, Ricardo Gondim diz de forma enfática: “devorei cada página com a sensação de entrar numa sala bem iluminada, rodeada de espelhos. Comecei na primeira página e só parei na última, tamanha foi a sede que ele despertou em mim.” (p. 9). O mesmo Gondim enfatiza o tom reformista da obra quando diz que “sua teologia [da igreja] não se encontra pronta e, por isso, precisa ser revista e corrigida constantemente” (p. 12).

Vale registrar aqui que o autor da obra ainda utiliza a expressão “pós-modernidade”, já no subtítulo, bem como em todo o texto. Mesmo o prefácio à edição americana feito por Hans Frei, teólogo da Universidade Yale, o autor também se vale da mesma expressão. Nesse prefácio, Hans Frei destaca que McLaren não é dogmático em sua obra quando diz: “A última coisa que ele [McLaren] quer fazer é encerrar a conversa – seu desejo é mantê-la fluindo em nome do caminho, da verdade e da vida” (p. 20).

Na introdução, McLaren faz as proposições iniciais que vão nortear o desenvolvimento da obra. Dentre eles, no que diz respeito ao tema desta pesquisa, ele faz uma pergunta importante: “Você pode ser um cristão que está lutando, questionando e procurando por razões para continuar sendo. Ou pode ter deixado a comunidade cristã oficialmente, mas parte do seu coração ainda está lá, e você se pergunta se poderá retornar algum dia” (p. 22).

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A seguir, o autor mostra que espera que sua obra possa ter um alcance relativamente forte junto ao público insatisfeito com a igreja e seus tradicionalismos, politicagens, liturgias pouco estimulantes e dificuldade de ser relevante e aceita no que diz respeito ao seu discurso para o homem pós-moderno:

Muitos de nós chegamos perto de deixar a comunidade cristã. Não por causa de Jesus ou de suas boas-novas, mas por causa das frustrações com a política religiosa, as proposições teológicas dúbias, as dificuldades para interpretar passagens da Bíblia que parecem extremamente cruéis (especialmente para pessoas sensibilizadas por Jesus sobre a importância da compaixão), e/ou constrangidas pela recente ou não tão recente história da igreja. Ou talvez seja simplesmente tédio – música e sermões chatos, respostas melodramáticas para perguntas difíceis e tantas outras aventuras. Ou talvez seja fadiga – uma roda- vida de reuniões, livros, programações e argumentações inúteis que produzem mais tarefas, obrigações, culpa e estresse (p. 22).

De fato, os comentários de McLaren são a “porta de entrada” para o tema nomadismo e desigrejamento que estamos objetivamente avaliando. No Brasil de 2004, não havia ainda uma forte consciência desse fenômeno que hoje aqui analisamos.

Palavras como “frustrações”, “tédio”, “fadiga”, “culpa” e finalmente “estresse” dão o tom exato de onde McLaren quer e vai chegar, como veremos ao longo desta análise. E ele se propõe a fazer uma abordagem pós-crítica, para “produzir uma abordagem nova, generosa, emergente, que é mais que a soma de suas partes” (pp. 24, 25).

Ainda na introdução, o autor apresenta suas credenciais como um professor-pastor, participante ativo de um ambiente líquido que já estaria afetando de forma inquestionável sua forma de pensar, quando diz que não deseja ser arbitrário em relação aos seus pensamentos expressos na obra:

Estou certo de que estou errado sobre muitas coisas, embora não esteja seguro exatamente sobre quais coisas estou errado. Estou até mesmo seguro de que estou errado sobre aquilo que penso estar certo em pelo menos alguns casos. Assim, sempre que você pensar que estou errado, pode estar certo. Se, no processo determinar que eu estou errado, terei de algum modo lhe servido (p.26).

Sobre o propósito do livro, McLaren diz que “é tentar ajudar-nos a realinhar nossa religião e nossa vida ao menos um pouquinho mais com esse Alguém” (p.29). A seguir, aprofunda seu tom filosófico líquido-moderno quando diz que:

Esta ortodoxia generosa não significa uma simples fusão, mistura, combinação ou reconciliação de duas escolas de pensamento. Ela discorda de ambas, com respeito “a visão de certeza e de conhecimento que liberais e evangélicos sustentam em comum”, uma visão que Grenz descreve como “produzida (...) por pressuposições modernistas” (p.31).

Ao mesmo tempo, McLaren diz também sobre seu texto que “ele é simplesmente uma tentativa de oferecer algo útil para um diálogo necessário e constante [...]” (p.32).

No capítulo 0 (isso mesmo!), McLaren procura explicar definições de termos importantes da obra como “ortodoxia” e “generosa” e é honesto com o leitor ao confessar que sua formação e especialidade é em língua inglesa e não em teologia. E mais uma vez ele fala de um de seus objetivos com a publicação do livro: “uma tentativa de corrigir aquilo que entendo ser má doutrina, incluindo má doutrina acerca da doutrina” (p. 38). McLaren enfatiza ainda neste capítulo sua intenção de provocar proximidade e diálogo entre as variadas vertentes do cristianismo, ao mesmo tempo em que tenta trazer para perto os que se sentem “deslocados” nessa atual igreja conservadora.

Como a grande maioria das obras em que seus autores questionam alguma estrutura ou valores estabelecidos, em Uma ortodoxia generosa, o autor não foge à regra e usa o artifício de fazer perguntas ao leitor, mas já tendo seus pressupostos devidamente elaborados e sustentados, quase que deixando o leitor sem condições de questionar.

Como o livro é dividido em duas partes, que por sua vez são subdivididas em capítulos, as perguntas elementares são: “Por que sou cristão?” e “Que tipo de cristão eu sou?”. E são essas questões que McLaren vai tentar responder sob sua ótica não teológica e ao mesmo tempo mais voltada para responder aos anseios de mentes líquido-modernas, procurando desconstruir o que já foi edificado pela tradição evangélica conservadora norte- americana.

Logo no primeiro capítulo, o autor procura fazer o leitor repensar seus conceitos acerca de Jesus e enumera os sete “Jesus” que ele observa na igreja cristã atual: o protestante conservador, o pentecostal/carismático, o católico-romano, o ortodoxo oriental, o protestante liberal, o anabatista e o que se volta aos oprimidos e é ligado com o pensamento da Teologia da Libertação.

Essa estratégia de confrontar o leitor com a visão multifacetada e apresentada de forma caricaturada dos elementos fundadores da religião cristã é bastante elaborada para tentar desconstruir toda a segurança e tradição que o leitor porventura ainda carrega. E isso vai acontecer ao longo de cada capítulo desta obra.

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McLaren finaliza o capítulo um com mais uma pergunta referente a todos esses tipo de Jesus disponíveis na prateleira da fé cristã: “Por que não celebrá-los todos?” (p. 77). E ao mesmo tempo, procura caracterizar aqueles que, segundo ele, marcaram com suas ações, de forma negativa, o cristianismo “do passado”.

Apesar da proposta e do desafio do autor de reavaliar ser interessante, é da mesma forma importante que um determinado grupo religioso tenha suas posturas teológicas bem fundadas, mesmo que em discordância com outras, ainda que sem serem politicamente corretas – e é claro, desde que mantenham o respeito ao direito e liberdade de culto de outros religiosos.

No capítulo dois McLaren, inicia seus questionamentos sobre a divindade cristã e argumenta ser contra o uso de gênero, bem como de termos hierárquicos, na referência a Deus. Usando os elementos harmoniosos que simbolizam unificação, ele propõe que um suposto Deus B seja aquele que de certa maneira se encaixe na sua própria capacidade racional e relacional (ou de seus leitores).

No terceiro capítulo vem outra pergunta importante: “Jesus seria cristão?”. Aqui McLaren, mais uma vez em tom conciliador com os “de fora”, questiona conceitos que hierarquizam Deus em relação à humanidade, usando inclusive o exemplo dos EUA como potência, que servem para inflamar os sentimentos anti-hierárquicos dos leitores líquido- modernos, e generaliza ao colocar em sua argumentação, supostas palavras e pré-conceitos que os cristãos teriam contra os não cristãos. O autor finaliza o capítulo dizendo se sentir deprimido, “perdido, estúpido e patético” (p. 100), por essa possibilidade de conversar sobre uma “ortodoxia generosa”.

O capítulo quatro questiona a soteriologia conservadora cristã, insinuando que o cristianismo seria uma religião muito intimista (leia-se egoísta) e que seu verdadeiro conceito de salvação é um conceito libertador e restaurador e não condenatório, como seria segundo McLaren, o conceito da maior parte dos cristãos, segundo sua própria análise.

Chegando na segunda parte da obra e tendo já “desmantelado” boa dose da teologia cristã conservadora no que diz respeito principalmente à soteriologia, McLaren prepara o terreno para mais questionamento ao status quo religioso e faz uma série de colocações em forma de perguntas acerca de posições eclesiológicas, teológicas e doutrinarias antagônicas. São 14 capítulos em sequência proposital e objetiva que intenta desconstruir ou pelo menos tornar “fluídos” conceitos e práticas até então sólidos na cabeça de muitos de seus leitores.

Em forma de contrapontos, mas também sob a bandeira do diálogo entre tradições até então supostamente antagônicas, McLaren apresenta nesses capítulos sumários objetivos de

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elementos culturais e teológicos do cristianismo que estariam influenciando sua vida, tais como: missional, evangélico, pós-protestante, liberal, conservador, místico, poético, bíblico, carismático, contemplativo, fundamentalista, calvinista, anabatista, anglicano, metodista, católico, verde (ecológico), encarnacional e finalmente emergente.

Há, da parte do autor da obra, a tentativa em todos os capítulos de sintetizar as posições antagônicas na busca por algo mais “generoso” e menos “rigoroso” no que diz respeito à ortodoxia. Ele não se opõe à ortodoxia, mas sugere que ela deve ser mais tolerante a aberta. McLaren procura construir sua argumentação de forma a confeccionar um mosaico de possibilidades, teologias, doutrinas, crenças, ritos, etc.

Apesar de ser bastante inovadora, até então, a forma como Brian McLaren trabalha os assuntos relacionados na obra, não há de fato uma abertura para um diálogo e nem espaço para o leitor em relação às dúvidas acerca de seus conceitos e colocações. A proposta é propositiva e ao mesmo tempo impositiva, na medida em que o leitor recebe uma enorme carga de questionamento a tudo o que para ele até então simbolizou uma religiosidade – que pode ter sido recebida pelo leitor da parte de seus pais inclusive, podendo ter sido a religião cristã parte da segurança social de boa parte desses leitores, até então.

Não é fácil ficar imune a tamanha artilharia, com argumentos variados e fundados em descontentamentos percebidos pelo autor ao longo de sua vida como cristão-evangélico e pastor, vindo de igrejas mais tradicionais e chegando ao que ele mesmo chama de cristianismo emergente.

A ortodoxia generosa para McLaren é a principal, senão única, via pela qual segundo ele a igreja pode chegar a alcançar os não cristãos e mesmo os sem-igreja, em suas mais variadas formas de nomadismo e pertença, com certa autoridade e consistência para obter resultados mais efetivos junto a essa nova geração ausente das igrejas evangélicas. Para isso, pilares da religião cristã evangélica seriam flexibilizados e se tornariam fluídos.

Precisamos perceber a importância de sua obra nos Estados Unidos no momento em que foi lançada. A debandada das novas gerações da igreja, o conservadorismo evangélico no poder político e uma mídia secularizada expondo as vísceras da religião em seções públicas prepararam o ambiente propício para o surgimento da igreja emergente e de seus teóricos e profetas.

Não nos cabe aqui opinar sobre se é certa ou errada teologicamente sua abordagem, mas o fenômeno aqui que nos chama a atenção é a observação, a análise e a desconstrução de forma sistemática que o autor faz de valores religiosos estabelecidos, alguns por centenas de

anos, sob a batuta de uma modernidade líquida e a capacidade emprestada por ela à mente humana de questionar praticamente tudo e romper com tradições, inclusive a religiosa.

Quase finalizando a obra, já no capítulo 19, McLaren se posiciona finalmente como “emergente” e deixa claro que o ‘“pensamento emergente’ tem sido uma pressuposição não verbalizada por trás de todos os meus livros anteriores” (p. 306). Ainda neste capítulo, no que diz respeito a um dos conceitos mais fundamentais da religião cristã e sua soteriologia conservadora, McLaren chama “pecado” de “contra-vírus emergente”. E ao mesmo tempo coloca em dúvida a análise e nova proposta que ele mesmo fez do movimento evangélico quando diz que “nenhuma emergência é perfeita. As coisas antigas, ganhos anteriores que deveriam ser mantidos e integrados são esquecidos e rejeitados”.

McLaren não deixa dúvidas de que está à procura de uma síntese para oferecer aos seus leitores, bem como para fazer parte de sua estrutura de pensamento: “neste capítulo estou tentando [...] deixar claro que creio que haja algo acima e além das alternativas atuais de fundamentalismo/absolutismo moderno e relativismo pluralista” (p. 317).

No último capítulo, intitulado “Por que estou inacabado?”, o autor faz uma suma daquilo que reflete de forma cristalina sua maneira de pensar a religião cristã e sua fé: “Ser um cristão de um modo generosamente ortodoxo não é afirmar que se tem a verdade capturada, apinhada e moldada na parede” (p. 324).

Brian McLaren e sua obra generosa são, talvez um dos primeiros textos cristãos- evangélicos publicados no Brasil que procuram dar alguma resposta, ainda que de forma duvidosamente relevante, para os líquidos modernos, grupo ao qual o autor parece ter adotado ou mesmo pertencer.