Nas modalidades, do turismo não massificadas, o turismo no espaço rural (TER) ocupa um lugar de referência. Apesar de não ser recente, o TER já se pratica desde inícios do século passado, numa lógica de voltar às origens por parte da população para encontrar o sossego e a tranquilidade que o espaço rural pode oferecer (Fonseca & Ramos, 2007).
Este tipo de turismo consiste numa atividade complexa e com características próprias, cujo objetivo principal é potenciar a prática de viver, as tradições e os valores da população local, podendo beneficiar de um serviço de hospedagem personalizado. De modo geral, o turismo em áreas rurais é entendido como todas as atividades turísticas que ocorrem em espaços rurais. Em conexão com o próprio turismo em áreas rurais estão outras tipologias, tais como o turismo de natureza, o cultural, o ecoturismo, o enoturismo, entre outras (Pinto, 2004).
Esta ligação torna-se evidente no sentido em que as áreas rurais constituem o cenário por excelência destas tipologias de turismo, evidenciando-se cada vez mais os pequenos museus locais, ecomuseus, as rotas temáticas subordinadas aos mais variados temas (azeite, vinho, pão, seda, linho), os percursos históricos, as feiras e festivais, a gastronomia, a prática de desportos de aventura e natureza (Burnay, 1997). Visando de certo modo a oferta integrada de produtos e serviços muito abrangentes, onde se tocam diferentes tipologias de turismo no mesmo espaço.
Gradualmente, o turismo de massas tem vindo a perder peso nas opções dos turistas. Este declínio tem como origem uma nova tendência em procurar outras formas de turismo designadas de “turismo alternativo” (Cavaco, 1995). Entre as formas de turismo alternativo foi englobado o turismo em áreas rurais. Esta procura pelo espaço rural como um local para descanso é cada vez maior, numa sociedade altamente industrializada que vive num ritmo frenético, em espaços congestionados, poluídos, distantes da natureza e ávida por consumir. Por oposição aos espaços rurais caracterizados por deterem um capital de recursos naturais e culturais únicos, apelativos ao sossego, calma e tranquilidade, locais conotados com a ideia de que o “tempo não passa” (Cavaco,1995).
Atividades relacionadas com a agricultura e com a natureza constituem a base do turismo em áreas rurais, que deve estar localizado em zonas rurais, de pequena dimensão e personalizado, dirigido a um tipo de turista que procura a calma, o repouso, e a natureza. Assim, dentro do turismo em áreas rurais podem enquadrar-se várias modalidades das quais se destaca: a caça e pesca; férias numa quinta; passeios a cavalo e de bicicleta; aventura; turismo étnico; turismo de natureza; turismo cultural, entre outras, como é referenciado por Leal (2001, citado em Silvano, 2006). Desta forma, considera-se que o turismo rural se pode estruturar nos seguintes pressupostos: deve cingir-se a uma zona rural, ser promovido por pequenas empresas, deve ser de pequena escala, ser tradicional e estar ligado às famílias locais, deverá contribuir para a manutenção das características rurais da região e utilizar recursos locais, bem como apresentar diferentes alternativas ou opções que correspondam à diversidade do ambiente envolvente, da economia e da história local (Soares & Oliveira, 2006).
O turismo rural pode resultar num contributo relevante para o desenvolvimento de algumas áreas rurais, se planeado tendo em conta os critérios da sustentabilidade. Na medida em que o êxodo rural registado se apresenta como uma fragilidade a nível económico e social, impõe-se a necessidade de revitalizar e tirar partido dos recursos naturais, transformando-os em atividades económicas viáveis, competitivas, atrativas e que representem uma alternativa no sentido do DL, como refere Leal (2001 citado em Silvano, 2006).
Pode-se frisar que o turismo em áreas rurais comporta qualidades efetivas para apoiar dinâmicas de desenvolvimento a nível local, podendo resultar num instrumento de criação de alternativas para as economias locais, ao valorizar os recursos endógenos (ambiente, cultura, património) e ao potenciar a recuperação das diferentes funcionalidades que o meio rural possui. Um dos principais alvos interessados é a população oriunda dos espaços urbanos, caracterizada por um bom nível de formação académica, culta, que procura nos meios rurais o sossego e a tranquilidade que não encontra nos locais de residência. Os jovens em idade escolar também poderão ser um alvo do turismo rural, numa vertente mais lúdica. As quintas pedagógicas, os centros de interpretação ambiental ou determinados locais são exemplos de funções que podem captar estes tipos de população (Fonseca & Ramos, 2007).
A complementaridade cultura/recreio pode ser uma mais-valia para este público, através da prática de desportos de contacto com a natureza nestes espaços. Mas não só. O turismo de aventura ou o turismo de natureza (embora este pressuponha estar
localizado em áreas protegidas) desenvolve-se em muitos espaços rurais e atrai população jovem (Soares & Oliveira, 2006).
O TER manifesta-se por um conjunto articulado de ações que passam pela recuperação do património arquitetónico, pela revitalização do património cultural (artesanato, gastronomia e tradições), pela preocupação em preservar a qualidade ambiental e a unidade paisagística.
A sustentabilidade do TER traduz-se pelo impulso que dá a um conjunto de atividades que lhe são subsidiárias, contribuindo para o desenvolvimento e para a sustentabilidade económico-social dos espaços rurais (Pinto, 2004).
Para além do estímulo que conferem às atividades diretamente relacionadas com a oferta, nomeadamente, as unidades de hotelaria, restauração, atividades de animação e de informação turística, há que contabilizar os benefícios surtidos num conjunto de atividades a montante, como na produção do artesanato e de produtos regionais. A nível imaterial situam-se aqui também importantes ações qualificadoras da oferta turística, tais como as políticas de ordenamento territorial, de conservação do edificado, de preservação ambiental e de qualificação dos recursos humanos. Um conjunto de atividades pode surgir da atividade turística, como lojas de produtos regionais e de artesanato, novos serviços de animação e de organização de eventos, etc… O desenvolvimento integrado que o TER pode suscitar está ainda de acordo com as políticas que advogam a multifuncionalidade dos espaços rurais criando alternativas às atividades tradicionais em declínio, gerando emprego e mantendo a população local (Fonseca & Ramos, 2007).
É evidente que, para rentabilizar e gerir de um modo sustentável uma estruturação deste tipo ao nível do TER deve prevalecer uma estreita articulação e uma concordância de esforços entre entidades públicas e privadas, de forma a não coexistirem políticas conflituosas ou contraditórias a nível local, mas sim sinergias das atuações.