O uso das entrevistas em profundidade é um exemplo próprio de pesquisa qualitativa (BOGDAN; BIKLEN, 1994). Neste estudo, optamos, com base em Cruz Neto (1994), pelas entrevistas em profundidade e abertas. Em conformidade com Bogdan e Biklen (1994), não afirmamos nosso posicionamento como certo ou errado, mas como representativo de nossa opção, a qual contempla nossos objetivos de pesquisa.
Spindola e Santos (2003) conjecturam sobre esse tipo de entrevista no trabalho com histórias de vida, porém, fazem uso da expressão “entrevista prolongada”. Refletimos sobre a entrevista prolongada em razão de apresentar a mesma acepção das entrevistas em profundidade e abertas.
As autoras afirmam que a entrevista deve ser prolongada para que haja uma permanente interação entre pesquisador e participante, bem como para que o próprio participante conte e conduza a conversa, premissa esta que dialoga com a modalidade de entrevista aberta apresentada por Cruz Neto (1994, p. 58), na qual “[...] o informante aborda livremente o tema proposto”. Em Paulilo (1999), as histórias de vida são apreendidas com base nas entrevistas prolongadas, mediante uma interação sucessiva entre pesquisador e participante.
Bogdan e Biklen (1994) afirmam que a entrevista em profundidade pode abranger toda a vida do indivíduo, desde o nascimento até os dias atuais, assim como nossos roteiros procuraram abranger, mediante a realização de um movimento da origem familiar à
aposentadoria pela rede de ensino da SEE-SP, conforme o Quadro 1 neste tópico. Todas as transcrições também podem ser observadas nos Apêndices desta pesquisa (APÊNDICE C, APÊNDICE D e APÊNDICE E), os quais ilustram as entrevistas em profundidade e abertas.
Tomando-se por base as histórias de vida como procedimento metodológico, Cruz Neto (1994) evidencia a ideia de entrevista em profundidade como uma possibilidade de diálogo, correspondido de modo intenso entre pesquisador e pesquisado.
Para muitas pesquisas, a história de vida tem tudo para ser um ponto inicial privilegiado porque permite ao informante retomar sua vivência de forma retrospectiva, com uma exaustiva interpretação. Nela geralmente acontece a liberação de um pensamento crítico reprimido e que muitas vezes nos chega em tom de confidência. É um olhar cuidadoso sobre a própria vivência ou sobre determinado fato. Esse relato fornece um material extremamente rico para análises do vivido. Nele podemos encontrar o reflexo da dimensão coletiva a partir da visão individual. (CRUZ NETO, 1994, p. 59).
Do mesmo modo, em Betti e Mizukami (1997, p. 113), essa possibilidade de reflexão sobre o coletivo subsidiada pela pesquisa desenvolvida com uma professora de Educação Física aposentada confirma-se: “analisando a história de vida de um profissional entendemos que, apesar dela ser única e singular, pode ser visualizada também como uma trajetória com alguns pontos fortes, especialmente quando estes são encontrados em outras histórias de vida profissional”.
Além dessas questões, Corrêa (2009, p. 20), ao optar pela história oral de seis professores de Educação Física em sua pesquisa de Doutorado - na qual buscou desvelar a trajetória da Educação Física na escola nas décadas de 1930, 1940 e 1950, com base nas reformulações educacionais suscitadas nos governos de Getúlio Dornelles Vargas (1882- 1954) - afirma que, nesse caso,
[...] cujas fontes são pessoas que irão compartilhar suas memórias de vida, é imprescindível prever muitos encontros anteriores à concretização da entrevista, de forma a estabelecer os laços de confiança, pois elas não contam suas experiências pessoais de vida a alguém que acabam de conhecer ou, se eventualmente isso ocorrer, a essência e a profundidade das reminiscências serão perdidas. (CORRÊA, 2009, p. 20).
Conforme a autora, também contatamos os professores em diversos momentos anteriores às entrevistas (via telefone, via Correio, via e-mail e/ou pessoalmente), seja para apresentar e explicitar o tema e o objetivo da pesquisa, seja para enviar-lhes o TCLE, seja para informá-los dos roteiros das entrevistas e/ou para acalmá-los em relação ao estado de
ansiedade provocado, sobretudo nas duas professoras. Independentemente das razões, os contatos serviram para o estreitamento de laços entre pesquisadoras e pesquisados.
Contudo, essas questões e reflexões não pretendem dizer que não existam roteiros norteadores nesse processo. Spindola e Santos (2003) asseguram que o pesquisador deve ouvir atentamente, com mínimas interferências no relato do participante. Entretanto, essa escuta não deve ser passiva, uma vez que, enquanto pesquisadoras, explicaram e incitaram, em alguns momentos da pesquisa, algumas minudências e os relatos de suas participantes - trabalhadoras de enfermagem (SPINDOLA; SANTOS, 2003). As autoras também ilustram a complexidade do exercício de fazer pesquisa: “na teoria, tudo pode parecer muito ‘simples’, todavia, na prática, nem sempre o é” (SPINDOLA; SANTOS, 2003, p. 123, grifo das autoras).
Cruz Neto (1994) afirma ainda que as histórias de vida podem ser escritas ou expostas oralmente. No caso desta pesquisa, as histórias de vida foram apreendidas por meio das falas dos participantes, as quais foram gravadas e, posteriormente, transcritas (APÊNDICE C, APÊNDICE D e APÊNDICE E).
Conforme as reflexões precedentes, nossa opção pelas histórias de vida se justifica com base em um olhar que se volta, preferencialmente para os professores, para os seus pontos de vista e aspectos de suas trajetórias pessoais e profissionais (CORRÊA, 2009; DAOLIO, 2009; GOODSON, 1995; HUBERMAN, 1995; MOITA, 1995; MONTEIRO, 2006; NÓVOA, 1995; PAULILO, 1999; SPINDOLA; SANTOS, 2003). Essas reflexões subsidiaram a construção dos roteiros das entrevistas, conforme o Quadro 1, a seguir.
Quadro 1: Roteiros e questões das entrevistas.
ROTEIROS QUESTÕES
Trajetória na vida extraescolar
Caracterização da origem, cultura familiar e do contexto histórico-político-social. Descrição dos princípios educacionais familiares, das relações socioafetivas, das condições de moradia e de vida.
Descrição dos lugares frequentados, das atividades lúdicas e de lazer e das oportunidades de aprendizagem e realização de atividades.
Trajetórias iniciais e de maior interesse por práticas corporais.
Perspectiva ou valores dos pais e/ou familiares e da sociedade em relação a essas práticas e participação/envolvimento dos pais e/ou familiares nessas práticas. Descrição de sentimentos, situações e pessoas que marcaram e/ou encerraram essas trajetórias e apresentação de documentos representativos dessas trajetórias.
Trajetória na vida escolar
Caracterização do início do processo de escolarização, perspectiva ou valores dos pais e/ou familiares e da sociedade em relação à escola e ao futuro, participação dos pais e/ou familiares na vida escolar.
Descrição da trajetória escolar na Educação Básica.
Trajetórias nas aulas de Educação Física (situações de sucesso e insucesso).
Trajetórias escolares que contribuíram (ou não) para a escolha da docência e da docência em Educação Física.
Trajetórias escolares que cruzaram o tempo e a formação inicial.
Concepção de Educação Física e de professor de Educação Física na época.
Descrição de sentimentos, situações e pessoas que marcaram e/ou encerraram essas trajetórias e apresentação de documentos representativos dessas trajetórias.
Atuação pré- profissional
Descrição das trajetórias profissionais antecedentes à opção e ingresso na docência. Caracterização das trajetórias profissionais com finalidades não escolares vivenciadas durante e após a formação inicial.
Influências da vida pessoal na profissão e da profissão na vida pessoal.
Práticas profissionais com finalidades escolares e não escolares que contribuíram (ou não) para a escolha do ensino da Educação Física na escola.
Descrição de sentimentos, situações e pessoas que marcaram e/ou encerraram essas trajetórias e apresentação de documentos representativos dessas trajetórias.
Formação inicial e continuada
Caracterização da opção pela docência, da trajetória no Magistério e/ou na formação inicial em Educação Física, perspectiva ou valores dos pais e/ou familiares e da sociedade em relação à formação para o exercício da docência, à formação em Educação Física e ao futuro profissional.
Trajetórias da formação inicial que contribuíram (ou não) para a escolha do ensino da Educação Física na escola.
Características da formação, concepção de Educação Física e concepção de professor na época (em especial do professor de Educação Física), perfis dos ingressantes e dos futuros professores, expectativas e transformações nos âmbitos pessoal e profissional após a opção pela Educação Física e pela docência em Educação Física.
Descrição de sentimentos, situações e pessoas que marcaram e/ou encerraram essas trajetórias e apresentação de documentos representativos dessas trajetórias.
Atuação profissional
Caracterização das atuações profissionais.
Perspectiva ou valores dos pais e/ou familiares e da sociedade em relação ao exercício profissional da docência.
Conceito de boas práticas e de professor de Educação Física bem-sucedido na época, caracterização dos sucessos e insucessos percebidos enquanto docente e vivências com certas práticas corporais (aluno e/ou atleta) que contribuíram para o seu ensino na escola.
Participação em cursos e programas de formação continuada.
Descrição de sentimentos, situações e pessoas que marcaram e/ou encerraram essas trajetórias e apresentação de documentos representativos dessas trajetórias.
Relação com as práticas corporais contemporâneas. Fonte: Acervo da pesquisadora.
Os roteiros correspondem, respectivamente: ao contexto familiar, em período anterior e concomitante à trajetória escolar (vida extraescolar); à escolarização na Educação Básica - da Educação Infantil ao Ensino Médio e/ou Magistério (vida escolar); às atuações profissionais que não ocorreram na docência em Educação Física, as quais podem ter acontecido antes, durante e após a formação inicial e antes, durante e após a atuação profissional em Educação Física na rede de ensino da SEE-SP (atuação pré-profissional); à formação profissional - Magistério, Educação Física e outros cursos (formação inicial e continuada); e ao exercício da docência em Educação Física na rede de ensino da SEE-SP (atuação profissional).
Esses roteiros, os quais direcionaram, nas entrevistas, os relatos dos professores de Educação Física aposentados, contribuíram para a coleta e organização das narrativas de vida desses professores. No entanto, afirmamos que, em virtude da especificidade dos dados coletados nos roteiros sobre as atuações pré-profissionais e profissionais, optamos pela junção desses dados no processo de análise. Assim, realizamos a supressão de dados considerados recorrentes e consideramos .
O foco em questões que permearam todos os roteiros das entrevistas realizadas, como, por exemplo, as descrições de sentimentos, situações e pessoas que, de algum modo, marcaram e/ou encerraram as trajetórias pesquisadas, bem como documentos (fotografias, registros) também representativos desses sentimentos, situações e pessoas (Quadro 1), evidencia elementos das histórias de vida dos participantes com base na reconstituição dessas histórias. Embora tenhamos priorizado algumas questões em detrimento de outras, com algumas questões recorrentes em todos os roteiros, procuramos abranger todas as histórias de vida dos professores aposentados.
Conforme nossos dizeres prévios, também recorremos à análise documental como um instrumento para recolher dados. De acordo com André (1998, p. 28), “os documentos são usados no sentido de contextualizar o fenômeno, explicitar suas vinculações mais profundas e completar as informações coletadas através de outras fontes”. Assim, complementamos as narrativas orais dos professores por meio especialmente por meio de dados iconográficos (de distintos e variados momentos das trajetórias dos professores) e outros registros (legislação e documentos), conforme nossas reflexões na introdução deste trabalho (BRASIL, 1961, 1971b, 1980, 1987; SÃO PAULO, 1983, 1984, 1988).
O foco e a importância atribuída aos pontos de vista dos participantes tornaram-se evidentes, tanto pelos assuntos tratados nas entrevistas (APÊNDICE C, APÊNDICE D e APÊNDICE E) quanto pela nossa preocupação em apreender, de forma
apropriada, esses pontos de vistas. Tal preocupação se materializou, no caso desta pesquisa de Doutorado, pela entrega das transcrições (por e-mail, pessoalmente por pen-drive e impressas via Correio) aos participantes17, cuja finalidade consistiu na valorização de seus pontos de
vista por meio da confirmação dos dados coletados e, também, a ocorrência de contatos posteriores com os professores. De acordo com Corrêa (2009, p. 21), esses contatos são
[...] exigidos pelo procedimento metodológico adotado, que prevê a devolução do material transcrito, literal e integralmente, para ciência, eventuais restrições ao seu conteúdo e, diante de um novo texto, uma nova leitura e posterior autorização ou não da utilização e publicação, o que consolida a confiança conquistada pelo pesquisador e demarca esse processo como resultado de uma produção mútua e democrática. (CORRÊA, 2009, p. 21).
Esses procedimentos também são elencados por Ferreira e Amado (2000) no contexto da história oral. As autoras refletem, entre outras questões, sobre a utilização da abordagem biográfica como uma das possibilidades da história oral - entendida por elas como metodologia. Como parte desses procedimentos, apresentam algumas regras referentes às transcrições das entrevistas:
as passagens pouco audíveis podem ser colocadas entre colchetes. As dúvidas, os silêncios, as rupturas sintáticas, assinalados por reticências. As pessoas citadas, se for necessária discrição, designadas por iniciais. O grifo será utilizado para anotações; por exemplo: “risos”. As palavras usadas com forte entonação serão grafadas em negrito. O texto será organizado cuidadosamente em parágrafos, devendo-se atentar para a pontuação, que é imprescindível à boa compreensão do texto. Os subtítulos podem facilitar a leitura. Serão corrigidos em notas os erros flagrantes por parte do entrevistado: datas, nomes próprios etc. (FERREIRA; AMADO, 2000, p. 239-240, grifo das autoras).
Em nossas transcrições, optamos por reticências para representar as pausas; por letras maiúsculas para representar as palavras pronunciadas com mais entusiasmo; por colchetes para representar as interrupções nas gravações; por parênteses para representar os risos; por aspas - apenas nos fragmentos utilizados neste estudo - nos nomes de outras pessoas citados pelos participantes; e, também por aspas, para representar, nas narrativas, as seguintes reproduções: das próprias falas, das falas de outras pessoas, de algumas canções e de trechos de livros. Além disso, em virtude de nossa opção pelas histórias de vida como referencial teórico e metodológico, fizemos uso dos sobrenomes Andrade, Ribeiro e Pardo nos fragmentos das narrativas dos professores Antônio Carlos, Romilda Augusta e Dinalva Aparecida, citados nesta pesquisa, para situá-los no mesmo patamar dos demais autores. Essas
opções também buscaram atender à preocupação de apreensão adequada das persepctivas dos docentes.
O Quadro 2, a seguir, elucida o processo de realização das entrevistas com todos os professores participantes - os quais, em TCLE, consentiram a gravação das entrevistas, o acesso a registros e fotos da época da sua formação e atuação profissional e o uso do nome próprio, conforme o Apêndice A. Nesse quadro, também há a apresentação dos roteiros das entrevistas - emergentes de diversas leituras e reflexões e definidos antes e durante a coleta de dados - e as respectivas datas nas quais essas entrevistas foram realizadas com os professores Antônio Carlos Ferraz de Andrade, Romilda Augusta dos Santos Ribeiro e Dinalva Aparecida Dantas Pardo.
Quadro 2: Realização das entrevistas.
PARTICIPANTES ENTREVISTAS ENTREVISTAS/ROTEIROS ROTEIROS DATAS
Professor Antônio Carlos
Ferraz de Andrade18
(DE de Ourinhos e Região)
Entrevista 1 Trajetória na vida extraescolar 25/04/2015 Entrevista 2 Trajetória na vida escolar 25/04/2015 Entrevista 3 Atuação pré-profissional 25/04/2015 Entrevista 4 Formação inicial e continuada 25/04/2015 Entrevista 5 Atuação profissional 25/04/2015 Professora Romilda19
Augusta dos Santos Ribeiro
(DE de Bauru e Região)
Entrevista 1 Trajetória na vida extraescolar 27/04/2015 Entrevista 2 Trajetória na vida escolar 27/04/2015 Entrevista 3 Atuação pré-profissional 27/04/2015 Entrevista 4 Formação inicial e continuada 27/04/2015 Entrevista 5 Atuação profissional 11/05/2015 Professora Dinalva
Aparecida Dantas Pardo
(DE de Jaú e Região)
Entrevista 1 Trajetória na vida extraescolar 30/05/2015 Entrevista 2 Trajetória na vida escolar 30/05/2015 Entrevista 3 Atuação pré-profissional 30/05/2015 Entrevista 4 Formação inicial e continuada 30/05/2015 Entrevista 5 Atuação profissional 30/05/2015 Fonte: Acervo da pesquisadora.
Conforme Cunha (2014), o delineamento de alguns cuidados e critérios na seleção dos professores também considerou, entre outras, a seguinte questão: por quais razões os professores Antônio Carlos, Romilda Augusta e Dinalva Aparecida foram selecionados? No tópico seguinte, explicitamos essas razões por meio da apresentação dos critérios pelos quais esses professores foram escolhidos e relatamos todo o processo realizado na busca dos perfis selecionados.
18 Realizamos a entrevista no primeiro semestre de 2015 e mantivemos o contato ao longo do segundo semestre.
Porém, no mês de dezembro, após não termos obtido retorno de alguns e-mails e mensagens enviadas via
WhatsApp, ligamos e soubemos que o professor se encontrava acamado e incomunicável há um tempo (o qual
não sabemos precisar) em razão de um tratamento médico. Infelizmente, essa situação não favoreceu a solicitação de informações adicionais, documentos e confirmação de alguns dados da vida do professor durante o processo de análise e redação desta Tese. No início de fevereiro de 2016, soubemos do seu falecimento (fato que provavelmente ocorreu entre o final de dezembro e início de fevereiro) e expressamos nossos sentimentos. Tentamos contato, sem sucesso, com a família para reiterarmos nossos sentimentos e também manifestar nossa perda. Em face dessas circunstâncias, igualmente consideramos esta pesquisa como uma homenagem ao professor Antônio Carlos e um conforto aos seus familiares, uma vez que pretendemos fazer-lhes uma devolutiva ao término do Doutorado. Assim, registramos nossa perda, para a família e para a pesquisa. No entanto, pouco mais de um mês após o Exame de Qualificação (realizado em 29 de março de 2016), conseguimos, após algumas tentativas, restabelecer o contato com a esposa do professor Antônio Carlos, a qual manifestou ciência sobre a pesquisa, concordou com a sua continuidade e com futuros contatos para confirmação de alguns dados com uma das filhas. Nessa conversa, soubemos que o professor faleceu em 12 de janeiro de 2016 (data, segundo a esposa, de aniversário de casamento do casal), reiteramos nossos sentimentos, manifestamos nossa perda e comprometemo-nos a fazer uma devolutiva à família ao final da pesquisa. A filha, com a qual conversamos, apreciou a ideia da devolutiva e se colocou à disposição para localizar e encaminhar, via e-mail, os seguintes documentos: históricos dos cursos de Magistério e Pedagogia, fotos de formatura, trabalho e casamento, entre outros. Entretanto, não obtivemos nenhum retorno.
19 No processo de construção dos roteiros, foi possível a realização de uma primeira entrevista com a professora
Romilda. O conteúdo dessa entrevista, realizada nos dias 7 e 9 de fevereiro de 2015, foi fundamental para confirmar a pertinência dos roteiros e possibilitar, sem perder de vista os objetivos do trabalho, um adequado exercício de síntese e de organização dos roteiros e das questões das entrevistas. Assim, optamos por refazê-la, juntamente com a realização das demais entrevistas.