Part II Presentation of the Research Material
5.2 Activities and cooperation
Se por um lado o desempenho do papel de cuidador informal tem aspectos positivos, como o sentimento de reciprocidade, de dever cumprido, o fortalecimento de laços familiares, sentimentos de lealdade por parte daquele que é cuidado e de crescimento pessoal, e de acordo com o estudo de Drummond, et al (2007), por outro, os aspectos negativos, como o isolamento social e a vivência da sobrecarga (burden) podem tornar-se desgastantes e ter consequências graves para o cuidador, aos níveis físico, mental, social e profissional (Rasgado, 2010). Desta feita, alguns autores como Sequeira (2010,p.151) alertam para o facto de que “cuidar de alguém implica estar exposto às consequências associadas a uma relação de prestação de cuidados”. O contributo do EEER, torna-se assim fundamental na gestão e optimização desta relação de prestação de cuidados de forma a
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Conceito introduzido por Edward Lee Torndike (Psicólogo, 1874-1949) quando formulou a Lei do Efeito, sendo considerada um requisito necessário para que ocorra a aprendizagem. A mesma considera que uma acção acompanhada ou seguida por um estado de satisfação tende a ocorrer com maior frequência, ao passo que uma acção seguida por uma declaração de insatisfação tenderá a ocorrer menos vezes.
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torná-la saudável e benéfica tanto para a pessoa dependente como para o seu familiar cuidador, com o intuito de promover um adequado proveito do cuidar no domicílio numa perspectiva de reabilitação. Face ao exposto, Hagan (1985, p. 78) citado por Navarro,
os profissionais de saúde deverão desenvolver, dentro da sua especialidade, um corpo de conceitos, atitudes e práticas específicas e especializadas que constituirá a base da qual nasçam e na qual se reconheçam todas as actividades que realizam, a que chamamos Educação para a Saúde.
Nesta lógica, o enfermeiro deverá dotar, durante o internamento, o familiar cuidador de competências, através do que, no contexto da prática da profissão, se denomina por ensinos. Nada mais do que a transferência de conhecimentos do enfermeiro para o familiar cuidador, tendo como premissa as respostas humanas da pessoa com AVC que carecem de cuidados de enfermagem. Os ensinos são centrados na aquisição de saberes e saber fazer, através de um processo sistematizado, com particular incidência na informação, quer de aspectos de natureza teórica, quer de aspectos de natureza mais técnica, tal como defende Petronilho (2007). Para o mesmo autor, o processo de ensino-aprendizagem deve contemplar três momentos distintos, o ensino, a instrução e o treino. Assim; o primeiro momento compreende a cedência de informações, apenas com base, numa componente teórica; um segundo momento, em que o enfermeiro comportando-se como um modelo e o cuidador como observador, centra-se na explicação e demonstração de técnicas; e o terceiro momento em que o cuidador executa as intervenções a realizar e o enfermeiro supervisiona e esclarece dúvidas.
Young e Forster (2007), corroboram a ideia do último autor supra mencionado quando referem a partir de uma revisão sistemática da literatura, que o fornecimento passivo de informação, por exemplo sob a forma de folhetos informativos não estava associado a resultados positivos no processo de reabilitação da pessoa com AVC, enquanto que as abordagens activas de teor educativo sob, por exemplo, a forma de uma tutoria do desempenho dos cuidadores junto aos seus familiares, poderiam ser bastante mais efectivas na perspectiva da qualidade dos cuidados prestados. Patel, et al (2004), partindo do pressuposto que os familiares cuidadores que apoiam pessoas vítimas de AVC recebem informação, mas pouco treino para o acto do cuidar, realizaram um estudo que pretendia avaliar a eficácia de treino dos cuidadores a 300 pessoas com AVC, comparando-os com cuidadores que não receberam nenhum treino durante o seu desempenho. Deste modo, determinaram que os cuidadores com treino na prestação de cuidados no processo de
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reabilitação daquelas pessoas tinham reduzido os custos dos cuidados de saúde, a par do aumento na sua qualidade de vida ao final de um ano, sem o aumento da sobrecarga familiar. Kalra, et al (2004), também avaliaram a eficácia de um programa de treino a cuidadores na redução da sobrecarga de trabalho para os mesmos. Este programa realizado por profissionais, e iniciado quando o estado clínico das pessoas com AVC se encontrava estabilizado, compreendia sessões de formação prévias à alta e uma sessão de follow up14 após a mesma. A dimensão teórica das sessões recaía sobre a prevenção e
gestão de problemas associados ao AVC, no domínio dos posicionamentos, incontinência, nutrição, úlceras de pressão e recursos da comunidade. A dimensão prática do programa compreendia o treino de competências básicas de levante e mobilização do familiar dependente, transferências, incontinência e assistência nas AVD´s. Os resultados desta investigação evidenciaram que se reduzia significativamente a sobrecarga de trabalho dos cuidadores e os índices de depressão, melhorando a sua percepção de qualidade de vida e satisfação com a sua actividade de cuidadores, nos três meses, e um ano, seguintes ao treino. Simultaneamente, também os receptores de cuidados denotavam uma percepção de melhor qualidade de vida e bem-estar psicológico nos mesmos períodos. Quanto à optimização do planeamento das altas das pessoas com AVC e o seu consequente processo de reabilitação, Straten, et al (1997), referem algumas abordagens que revelaram sucesso nos procedimentos da alta com a preservação ou aumento da qualidade dos cuidados prestados (expressa através da diminuição da mortalidade, número de readmissões no hospital e satisfação dos sujeitos alvo de cuidados) e a diminuição do número de dias de internamento após a estabilização clínica da pessoa com AVC.
Pelo exposto, o enfermeiro deve valorizar a família naquilo que pode fazer, tendo em consideração o conhecimento que já possui, nomeadamente sobre o seu familiar, preferências, interesses, preocupação, hábitos, ou seja, “quando prestam cuidados a um doente (…), os enfermeiros devem de ter presente que têm muito que aprender com a família” (Pacheco, 2002, p.135). Este facto permite que o processo de reabilitação seja caracterizado por uma partilha de saberes, em que a educação decorre da relação que se estabelece entre o enfermeiro e o familiar cuidador, bem como do ambiente onde a mesma se desenrola. A promoção do diálogo deve ser uma prioridade para o enfermeiro, visto que, deste modo, incentiva e dá espaço ao familiar cuidador, para que este expresse os seus sentimentos e angústias, dificuldades e necessidades. Ao demonstrar disponibilidade e
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Follow-up é uma palavra do idioma inglês que significa continuação, acompanhamento, seguimento,
supervisão, fiscalização ou verificação. De forma mais ampla, podemos considerar que se trata da comunicação que envolve a monitorização de objectivos e metas pré estabelecidas.
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abertura para o diálogo, o enfermeiro abre também uma porta que lhe permitirá conhecer melhor o familiar cuidador e o seu contexto, contributos fundamentais para um diagnóstico bem direccionado, que promova o cuidado transicional e garanta o sucesso do processo de reabilitação.