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7. Annex

7.3.3 Activitat 3: Normativa de l’edificació

Aplicação do Plano de Formação na EFAGO é realizada a partir da sua construção e avaliações anuais. Daí em diante inicia-se uma luta constante dos diversos atores da Escola para a concretização efetiva da aplicação dos instrumentos pedagógicos da Alternância articulando as disciplinas da Base Nacional Comum e Diversificadas, partindo sempre do principio da realidade vivida pelos educandos no seu meio sócio-profissional. A organização para a aplicação se dá através de divisão de trabalhos realizados pela Equipe de monitores onde cada grupo fica responsável por uma série de educandos/as para acompanhar durante todo o ano letivo a aplicação de todos os instrumentos pedagógicos, bem como, a sua ligação com os conteúdos, ou seja, a interdisciplinaridade, que trataremos posteriormente.

Partindo do pressuposto que com a aplicação do Plano de Formação de forma organizada e sistemática ele poderia contribuir para o processo ensino aprendizagem respondendo a um dos objetivos propostos pela Escola através de seu Regimento e Projeto Político Pedagógico que é a formação integral dos jovens. Neste contexto, observa-se a partir do corpus coletados dos monitores que existem muitas contradições entre o ideal e a prática por diversos fatores como falta de formação da Equipe.

A falta de conhecimento sobre a Pedagogia da Alternância por parte de muitos monitores/as faz com que caia a qualidade de trabalho,

muitos são recém-chegados a Escola e não conhecem o PF, outros nunca se adaptaram tornando difícil o trabalho em equipe. O PF só é eficaz se todos o conhecerem, espero que pare o rodízio de profissionais na EFAGO e que a formação na Pedagogia da Alternância nos ajude a colocar em prática todas os instrumentos pedagógicos. (Monitor 1).

Na história da EFAGO sempre houve um sério problema de rodízio de profissionais por inúmeros fatores como a falta de adaptação a uma pedagogia diferenciada, a questão salarial, mesmo com uma carga horária pesada não é reconhecido pelo Governo Estadual, o salário dos profissionais da Escola é até menor do que das outras escolas pelo fato dos professores não serem concursados. Há uma desvalorização pela própria Associação de Agricultores que pensa que o salário é bom por que eles não ganham isso nas suas propriedades, são influenciados pela Igreja que cobra muito trabalho voluntário. Tem todo um contexto histórico da própria região onde está inserida a Escola de Coronelismo, o patrão e o latifúndio, e os pequenos agricultores tradicionais, quanto os assentados em Projetos de Reforma Agrária carregam esse ranço como bem atestam Pessoa (1999), Nascimento (2004), Queiroz (1997) e Martins (1981 e 1997b). Há ainda a questão do excesso de trabalho, péssimas estrutura de funcionamento, o monitor vai numa carroceria de camionete sem nenhuma segurança e muitas vezes o monitor/a não se adapta a essa pedagogia, como: passar o dia todo na escola, pernoitar, passar alguns finais de semana, ir para as comunidades dos alunos para fazer visitas. Mas o que mais se evidencia diante deste quadro de dificuldades é falta de valorização profissional que os monitores sentem da Associação que vê como último plano a busca de solução para a situação caótica que se encontra o monitor que a cada ano não tem nenhuma segurança de continuar na Escola e, como neste ano, ficaram seis meses sem receberem seus salários.

Essa situação está transparente na colocação do monitor acima, tendo como resultado o rodízio nessa Escola. Esta colocação aparece praticamente em todas as respostas dos monitores/as como um fator prejudicial para o melhor desenvolvimento da aplicação do Plano de Formação quanto ao desenvolvimento da Pedagogia da Alternância. Como foi citado no Capítulo I, a Escola esta passando por uma grave crise financeira e que conseqüentemente tem influenciado negativamente nos aspectos administrativos, pedagógicos e vem abalando o relacionamento entres os atores da Escola. Neste sentido, estes aspectos estão muito presentes no corpus e na própria pesquisadora que sendo integrante da Equipe de monitores não poderia ser diferente.

Outro aspecto bastante relevante que prejudica a aplicação do Plano de Formação é falta de formação, poucos fizeram formação inicial em Pedagogia da Alternância, alguns ainda estão fazendo, mas como acontece muito rodízio fica difícil formar uma equipe consistente para saber aplicar o PF. Para dez monitores/as a escola se preocupa com a formação dos profissionais da Escola, entretanto, não acreditam que a associação se preocupe com isso.

Sinceramente não vejo por parte da Associação e pais não a preocupação com a formação dos monitores/as. No que diz respeito à escola vejo sim a preocupação em propiciar essa formação. Faça essa distinção entre Associação e Escola porque infelizmente criou-se essa separação no decorrer dos últimos anos, sem razão de ser porque ambas são uma entidade só. A primeira é hoje representada por presidente e tesoureira, uma centralização que os próprios pais impuseram e a segunda na pessoa do diretor/a e monitores/as. (Monitor 1).

Acredito que a Escola se preocupa com a formação dos monitores/as, pois sempre se organiza de forma que os monitores/as possam participar dos cursos de formação na PA e demais cursos oferecendo as mesmas oportunidades para todos. (Monitor 2).

A Escola tem preocupação com a formação dos monitores/as, mas não há cursos oferecidos pela Regional para suprir a verdadeira realidade da nossa Escola em nível de formação. (Monitor 3).

A Escola sim, mas há dificuldades no setor financeiro para o investimento dos profissionais. (Monitor 4).

Já para dois monitores, na Escola há preocupação com formação, mas são poucos realizadas e as que existem pouco contribuem para a formação na perspectiva de ajudar no trabalho do dia-a-dia.

(...) Mas não adianta só preocupar se não procura meios para estar formando, vai ficar apenas em preocupação. E sinto que não estamos tendo muita formação para melhorar os trabalhos. Neste tempo que estou na Escola participei de poucos momentos que me formaram para desenvolver um bom trabalho. Acredito que devemos pensar nisso, preocupar e executar para funcionar. (Monitor 9).

Percebe-se uma certa contradição nas respostas, para maioria há preocupação e a formação vem se realizando, para outros apenas tem-se a preocupação, mas não acontecem por questão financeira, outros pensam que o regional não oferece formação suficiente. Nesse processo nota-se uma ruptura entre Associação e Escola com relação à formação, pois a Associação

tem uma preocupação maior com a parte administrativa que, por sua vez, também deixa a desejar, porque também falta muita formação para a própria Associação. É questão cultural que o professor é o detentor do conhecimento e o agricultor não sabe. Com relação à formação o Regional tem realizado Cursos de Formação Inicial para Monitores em Serviço por módulos com duração de dois anos. A SIMFR deixou de financiar diretamente os CEFFAs e passou a financiar formação através dos Regionais. Já está realizando o Curso com a segunda turma. Também tem sido realizada formação para os Dirigentes das Associações. Acontece que os pais da Associação de Goiás têm resistência em participar, quase sempre nenhum pai comparece. Agora com relação aos monitores a maioria participa das formações oferecidas, mas acontece também daqueles que criticam que não tem, mas quando acontece não participam. Pode ser pela desmotivação, falta de recursos financeiros ou por falta de credibilidade na proposta da Pedagogia da Alternância.

7.1.1 Ofício de Mestres e Aprendizes

Apesar dos desafios enfrentados pela equipe na Escola com relação a desvalorização profissional e à falta de formação formal, os monitores/as se formam no dia-a-dia na Pedagogia da Alternância, pois estão em constantes trocas de experiências com os educandos, aprendem e ensinam ao mesmo tempo. Nesse sentido, pode-se dizer que o Plano de Formação contribui para a formação da identidade do monitor, que trabalha fazendo o que gosta, apesar dos desafios que existem , fazem o que gostam e, além disso, participam de formação quando acontecem e vai adquirindo junto com os educandos/as conhecimentos. É recíproco o processo de ensino-aprendizagem. Mesmo que o monitor esteja satisfeito com o trabalho e formação na escola se sente desvalorizado no contexto da Escola.

A primeira vez que fui trabalhar na EFAGO foi para substituir uma colega de faculdade, não conhecia nada sobre a escola. Ao trabalhar uma quinzena me apaixonei pela escola e neste período participei de uma assembléia de pais isso em 1998. Depois em 1999 fui convidada a substituir uma monitora durante a licença maternidade, confesso que me identifiquei com a escola pela pedagogia e por retornar ao campo onde tenho minhas raízes, pois sou filha de pequena agricultora. E o meu maior sonho é continuar trabalhando no campo onde realmente me sinto realizada, mesmo diante de tantos desafios. Enquanto monitora preciso continuar buscando novos horizontes do conhecimento para cada vez mais contribuir na troca de experiências e deixar plantado no chão da EFA futuros profissionais. (Monitora 2).

Como monitor me senti de fato aprendendo muito com os alunos/as e os monitores/as com mais experiência. Foi uma troca de experiências que fizemos durante o período em que estive na EFA. (Monitor 8). Vim trabalhar na EFAGO, porque buscava a realização de um grande sonho que sempre foi o de ser Educadora, e poder assim contribuir de alguma forma para tornar o mundo melhor e mais justo, além disso, sempre gostei de conviver com várias pessoas, pois, isso nos humaniza, mas a EFAGO é mais do que eu esperava, e eu me sinto uma pessoa realizada trabalhando nessa Escola. E digo que quando começamos a trabalhar na EFAGO, nós nos apaixonamos tanto pela proposta da Escola quanto pela convivência que temos com os/as jovens e os colegas de trabalho, porque é uma Escola totalmente diferente das outras, sinto não ter conhecido uma EFA nos meus tempos de aluna, pois teria tido uma formação com certeza mais gratificante. Hoje após trabalhar na EFAGO acho que não sentiria satisfeita em trabalhar em outra escola, pois a minha concepção de Educadora vai ao encontro da proposta da mesma, e é impossível descrever como me sinto sendo monitora, pois são tantos os sentimentos ora um, ora outro. (Monitor 6).

O motivo que tenho é que sou de realidade camponesa e sempre vou estar procurando formas para estar desenvolvendo esta maneira de trabalhar com os agricultores/as contribuindo com o campo. Hoje na EFAGO sinto que me identifico muito com minha origem e tenho sempre uma boa relação com os assentamentos e pequenos produtores e sempre sei que o principal responsável por isso é a minha família que me forma. Então por isso que devemos usar meios para que as famílias também participem desta formação na Escola. (Monitor 9).

Eu não só acredito como também tenho certeza que na Escola se ensina e se aprende, há uma verdadeira troca de conhecimento,eu cresci muito depois que estou na EFAGO. (Monitor 3)

No meu caso porque gosto de educação (ser educador) e a EFAGO por ter uma proposta diferente de pedagogia, como monitor da EFAGO percebo uma desvalorização do profissional por parte da Escola. (Monitor 10).

É sem dúvidas uma situação ambígua, por um lado os monitores gostam de trabalhar na EFAGO, porque se apaixonam pelo trabalho, acreditam no processo ensino-aprendizagem, mas por outro lado existe a desvalorização profissional. Neste aspecto, o Plano de Formação às vezes contribui com a auto-estima do monitor/a, porque dar organicidade e mais prazer para desenvolver o trabalho, mas também causa baixa estima para aqueles/as que não entendem muito bem o processo e mesmo para os que entendem e por diversos motivos, como o financeiro, pedagógico e de organização não conseguem aplicar na íntegra o Plano de Formação.

Com a construção do Plano de Formação evidenciam-se duas situações, por um lado as facilidades e por outro as dificuldades na aplicação do PF. Existe opiniões divergentes entre os monitores/as, alguns acreditam que houve mudanças outros não.

O Plano de Formação nos possibilitou planejar melhor nossas aulas, trabalhar melhor o Plano de Estudo, o que fez com que os alunos/as se interessassem mais pelas aulas. Para mim enquanto professora o PF fez com que eu organizasse minhas aulas, eu não vejo dificuldades no Plano de Formação em si, mas como a Pedagogia da Alternância é a pedagogia da complexidade, às vezes, não consigo realizar o planejamento como queria, pois há muitas dificuldades cotidianas. Vejo que se realmente o Plano de Formação funcionasse na íntegra seria o ideal, mas não é o real. (Monitor 6).