5. Desenvolupament de la proposta
5.3 Activitat 3. L’hort d’en Joan
Em seqüência ao que já foi exposto, não resta dúvida que o melhor a se fazer para que custos sejam evitados e programas habitacionais sejam otimizados, é tomar providências no sentido de se reduzir a quantidade de desperdício gerado e, conseqüentemente, a quantidade de entulho.
6.1.1 Projetos
Uma das primeiras medidas a serem tomadas para a redução do desperdício e, conseqüentemente, para a redução da geração de entulho no Residencial Campo Alegre, é a modificação dos projetos de forma a torná-los modulares. Neste caso, modularizar o projeto arquitetônico significaria adequar suas dimensões de modo que não houvesse a necessidade de quebra de blocos e as amarrações das paredes se tornassem mais confiáveis. Além disso, as instalações elétricas e hidráulicas seriam executadas sem modificações,
facilitando manutenções futuras, e as possíveis patologias decorrentes de juntas e das próprias amarrações seriam evitadas.
Outra medida seria a confecção de projetos executivos de alvenaria para a orientação dos construtores, a serem distribuídos e explicados juntamente com o memorial descritivo, e também no canteiro de obras pelo pessoal da equipe técnica sempre que houvesse substituição da mão-de-obra voluntária nas residências.
6.1.2 Especificação dos Materiais e Testes Para o Recebimento
Destes
Outra intervenção sugerida seria a especificação correta dos materiais e a execução de testes para recebimento destes. Principalmente no caso de materiais cerâmicos, que teriam que obedecer as Normas Técnicas da ABNT, iniciando pela caracterização visual, e passando pelos testes de Especificação (NBR 7171, 1992), Formas e Dimensões (NBR 8042, 1992) e Verificação da Resistência à Compressão (NBR 6461, 1983).
Para as telhas, a caracterização visual, da mesma forma que para os blocos, e os ensaios de Impermeabilidade (NBR 8948, 1985), Absorção (8947, 1985) e Cargas de ruptura à flexão (NBR 9602, 1986).
Para areia, pelo menos os ensaios que verifiquem a pureza e a granulometria do material.
E, finalmente, para a brita, no mínimo, o ensaio de granulometria.
6.1.3 Distribuição de Blocos Cerâmicos, Tijolos Maciços, Telhas e
Blocos de Concreto aos Mutuários
A forma de entrega dos blocos cerâmicos, tijolos maciços, telhas e bloco de concreto aos mutuários também deverá ser alterada, uma vez que os montes de blocos sem controles de entrega/estoque possibilitaram a perda excessiva. Desta forma, se cada mutuário receber o material em quantidades pré-determinadas, entregues pelo almoxarife, cientes de que estas quantidades são limitadas por residência, eles se responsabilizarão pela utilização correta das peças, com o devido cuidado, para não necessitarem arcar com a reposição.
6.1.4 Manipulação de Traços e Estocagem de Agregados
Com relação ao consumo desnecessário de cimento, cal e agregados, uma das soluções para a redução do desperdício seria a criação de uma central de preparação de concretos e argamassas, onde os traços seriam executados por pessoas preparadas para a função e onde os materiais ficassem estocados adequadamente.
Para isso, seriam designados e treinados funcionários, que poderiam, inclusive, ser pessoas disponibilizadas pela Colônia Penal (sem custo financeiro), apenas para a execução dos traços de concretos e argamassas. O número de funcionários a serem designados poderia ser estimado proporcionalmente às unidades habitacionais a serem construídas. Conforme pôde ser percebido, 2 betoneiras por quadra, ou seja 1 betoneira para aproximadamente 20 casas, foi insuficiente para as primeiras etapas da obra. Desta forma, recomenda-se que sejam utilizadas 1 betoneira para cada grupo de 15 casas e, portanto, treinada 1 pessoa por betoneira e 1 suplente para cada duas betoneiras.
A estocagem dos agregados seria em local adequado, ou seja, próxima a este posto de trabalho, em baias protegidas, onde o material não estivesse sujeito às intempéries, sem a possibilidade de mistura dos agregados com o solo e sem o acesso de terceiros, mesmo que tal medida significasse o distanciamento das centrais de preparação de massa (áreas das betoneiras) até as construções.
Embora esta distância entre central de preparação e as construções seja outro problema a ser resolvido, uma vez que a obra dispõe de trator com carretinha, a solução pode ser equacionada. Além disso, as betoneiras, estando concentradas em um só local, otimizariam a utilização destes equipamentos e evitaria a ociosidade dos mesmos, podendo, inclusive, significar a redução do número de betoneiras nas etapas finais do cronograma.
6.1.5 Mão-de-obra Direta e Voluntária
Com relação ao sistema construtivo em autoconstrução, uma vez que esta mão-de-obra é incerta e, na maioria das vezes, a que termina a obra não é a que iniciou, caberia à equipe técnica do canteiro de obras a fiscalização mais intensa dos serviços e, até mesmo, a disponibilização de treinamento para os interessados.
É importante ressaltar que o PBQP-H já visa ações com o objetivo de elevar os patamares da qualidade e produtividade da construção civil por meio da criação e implantação de mecanismos de modernização tecnológica e gerencial, em que incluem a assistência técnica a autoconstruções e mutirões (MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO, 2005).
Para que a equipe técnica possa apoiar os mutuários de forma mais eficiente, a Secretaria de Habitação necessitaria da contratação de pessoal. Desta forma, tendo percebido que a equipe técnica atual fica, por vezes, ociosa durante a semana e sobrecarregada aos finais de semana, a solução, por exemplo, seria a parceria com outras secretarias municipais, onde os profissionais pudessem prestar trabalho de terça a sexta e, somente ao final de semana, auxiliar no canteiro de obras. É sabido, por exemplo, que a Secretaria de Educação necessita de manutenção para pequenas reformas nas escolas e não dispõe de mão-de-obra. Com esta medida, as construções melhorariam em termos de qualidade, redução do desperdício e otimização do tempo da obra e, em contrapartida, a contratação de profissionais não seria financeiramente onerosa à Prefeitura Municipal.
Ainda com relação a treinamento de mão-de-obra para autoconstrução, alguns trabalhos já estão sendo realizados, inclusive com treinamento de baixo custo à distância, como foi defendido por Campos Filho (2004).
No caso do Residencial Campo Alegre, outra sugestão para treinamento de mão-de-obra poderia ser dada através de parceria com o SINDUSCON-TAP, pela qual esta instituição poderia proporcionar cursos de treinamentos nos canteiros da PMU e fornecer certificados profissionalizantes que atraíssem a participação de voluntários no empreendimento.
6.1.6 Implantação de Programas de Qualidade
Quanto à organização da equipe da PMU, incluindo almoxarifado, a implantação de métodos de planejamento e acompanhamento, onde seriam revisados métodos de recebimento, estocagem e utilização dos materiais, é uma necessidade urgente.
Tais métodos poderiam ser diversos como, por exemplo, o “Ciclo PDCA” e o “5S”. Embora não seja o objetivo deste trabalho dissertar e avaliar métodos, apenas a título de informação, segundo HWA (1996), temos:
• PDCA – método que se baseia no controle de processos, desenvolvido na década de 30 pelo americano Shewhart e, posteriormente, aplicado no Japão. Neste método, a medição dos processos é relevante para a manutenção e melhoria dos mesmos, contemplando, inclusive, o planejamento, a padronização e a documentação destes. A sigla PDCA significa Planejar, executar, verificar e agir. O item planejamento prevê o estabelecimento de metas e a definição dos métodos para alcançá-las; a execução trata do desenvolvimento das tarefas para o alcance dos objetivos; verificar consiste em checar o que está sendo executado e o que está sendo obtido para saber se as tarefas estão sendo executadas conforme planejado; e, por último, agir significa tomar ações corretivas para a melhoria caso tenha sido constatado a oportunidade nas etapas anteriores.
• 5S – é uma “prática” desenvolvida no Japão e ocidentalizada como “Housekeeping”. Em sua filosofia não só aspectos de qualidade e produtividade devem ser delegados aos funcionários. Visando também a melhoria da qualidade de vida no trabalho, deve ocorrer delegação também em relação à organização da área de trabalho, da arrumação dos espaços, da manutenção da arrumação e limpeza, da padronização de procedimentos e da disciplina para manutenção do processo. Para isto, a metodologia de implantação pode ser resumida em “5S", devido às cinco palavras iniciadas pela letra "S", quando pronunciadas em japonês, ou seja, SEIRI (organização), SEITON (arrumação), SEISO (limpeza), SEIKETSU (padronização) e SHITSUKE (disciplina).
Com a aplicação do PDCA, a ação após o controle poderia ser implementada de uma etapa para a outra do empreendimento, ou até na mesma etapa desde que as unidades habitacionais fossem agrupadas em pequenos grupos e o início de cada serviço fosse efetivamente controlado e defasado, no cronograma físico, de um grupo para o outro.
Desta forma, a avaliação do desperdício, tanto incorporado quanto a geração de entulho, estariam sendo avaliados com índices precisos e as intervenções ocorrendo em tempo, a organização do canteiro de obras seria garantida e a equipe seria motivada, uma vez que estaria diretamente envolvida no processos.
Além disso, as Normas ISO 9000, que tratam de qualidade e produtividade, e ISO 14000, que dizem respeito à gestão ambiental, devem ser observadas. Embora estas normas não interfiram diretamente na redução do montante de entulho, devido às preconizações quanto ao meio ambiente e demais aspectos ambientais, quanto aos impactos e aos sistemas de gestão, estas poderão servir de orientação para o estabelecimento de procedimentos.