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No caso da análise das ementas, os nomes das disciplinas foram dispostos no Software Excel na coluna A, e as ementas com objetivos gerais e específicos de cada disciplina, na coluna B. Utilizando a ferramenta “localizar” do Software Excel, as palavras-chave eram identificadas, sendo realizada uma leitura imediata a sua localização para verificar se essa palavra encontrada estava dentro do contexto da competência. Foi necessário fazer essa leitura após a identificação da palavra, pois, em algumas vezes, as palavras eram encontradas, mas não se referiam às competências procuradas. Ainda, ressalta-se que, por existirem as mesmas palavras-chave para as competências 25 e 26 apresentadas, a análise, nesse caso, foi feita com maior rigor.

Quando era encontrada a competência, inseria-se o nome chave da competência na frente do nome da disciplina – coluna A, e, ainda, identificava-se com uma cor a célula contendo a competência localizada – primeiramente, na coluna B. Quando eram identificadas mais de uma competência por disciplina, repetia-se o processo, acrescentando o nome da competência na coluna da disciplina e marcando, com cor diferente, a próxima célula e, assim, sucessivamente.

Ainda, após essa primeira verificação, realizou-se uma leitura das ementas de cada disciplina com a finalidade de identificar competências a partir do contexto proposto nas ementas/objetivos sem, necessariamente, apresentar alguma palavra-chave.

Em outra planilha do Software Excel, foram inseridas as competências-chave descritas no questionário, dentro da coluna A, listando-se na coluna B todas as disciplinas que apresentavam cada competência. Esse procedimento foi realizado a partir da conclusão da primeira fase da análise, uma vez que uma mesma ementa pode apresentar a formação de mais de uma competência. A partir da distribuição do nome da disciplina por competência, foi possível verificar as competências mais frequentes. Ainda, em outra planilha, foi contabilizado o número de competências por disciplinas.

Na média, em cada ementa analisada foi identificada uma competência. A ementa que apontou o maior número de competências a ser formada foi “Políticas Públicas”, com cinco competências. Propondo formar quatro competências, identificaram-se cinco ementas. Foram analisadas 144 ementas, e, dessas, em 37 ementas, ou seja, 25,69% em relação ao total, não foram localizadas formação de competências, indicando que a maioria das ementas (74,31%) aponta a formação de competências. Contudo, faz-se uma ressalva de que uma mesma disciplina, em duas instituições diferentes, não necessariamente apresentavam as mesmas

competências, uma vez que a análise foi feita a partir das ementas e objetivos gerais/específicos de cada instituição.

Para apresentar um panorama geral das competências mais evidentes para a formação do egresso, foram identificadas as competências mais frequentes, por meio da soma do número de ementas por competência das três instituições juntas. As competências mais evidentes nas três instituições estão representadas no Gráfico 2, a seguir.

Gráfico 2- Quantidade de ementas por competência

Fonte: dados de pesquisa

As competências comuns nos três projetos pedagógicos vão ao encontro das competências que aparecem com maior frequência nas ementas, sendo elas: “utilizar CHAs”

1 2 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 5 5 6 7 9 12 15 15 21 23 32 0 5 10 15 20 25 30 35 Lidar c/mudanças Criatividade Cooperar (trabalho em equipe) Liderança Negociação Resolver problemas Responsabilidade no trabalho Transpor CHAS Administrar conflitos Desenv. Tecnologias adm Ética Identificar problemas Integrar CHAS Inovação Sustentabilidade Comp. Política Tomada de decisão Formular estratégias Comunicação Cidadania e Democracia Planejamento Visão Crítica Visão Estratégica Utilizar CHAs Quantidade de Ementas Competências

(22,22%); “visão estratégica” (15,97%); “visão crítica” (14,58%); e, por último, “planejamento” e “cidadania e democracia”, com o mesmo percentual de frequência (10,42%).

Com uma frequência ainda significativa, têm-se as competências “comunicação”, que representa 8,33% em relação ao total das ementas, e a competência “formular estratégias”, com 6,25%, estando presentes, respectivamente, em dois e três projetos pedagógicos, mostrando, mais uma vez, a coerência entre projeto pedagógico e ementa.

Outras 18 competências aparecem em um número inferior a nove ementas, constando, a maioria delas, em três, ou pelo menos dois projetos pedagógicos, o que, mais uma vez, apesar de ter uma frequência menor, reafirma a convergência entre projeto pedagógico e ementa, pois são lembradas pela academia.

As competências “desenvolver e utilizar tecnologias administrativas”, “liderança” e “responsabilidade” aparecem em apenas um projeto pedagógico, mas mostram-se presentes nas ementas. Ainda, a competência “administrar conflitos” presente nas ementas não aparece em nenhum projeto pedagógico.

As competências “comprometimento”, “desenvolvimento da capacidade substantivo- crítica”, “desenvolvimento da capacidade técnica/instrumental”, “desenvolvimento de novos profissionais” e “saber ouvir” não foram identificadas nas ementas. Contudo, as competências “comprometimento, desenvolver capacidade substantivo-crítica, desenvolver capacidade técnica/instrumental”, mesmo não sendo identificadas nas ementas, estavam indicadas nos projetos pedagógicos, sugerindo uma preocupação da academia diante dessas competências. Ainda, ressalta-se que essas competências podem estar sendo desenvolvidas com propostas que não estejam descritas nas ementas.

Já as competências “saber ouvir” e “desenvolvimento de novos profissionais” não foram identificadas nos projetos pedagógicos e nem nas ementas, ou seja, não existe uma preocupação apontada nos documentos analisados em relação a essas competências.

Contudo, verifica-se que a academia está preocupada com a formação de competências, uma vez que já insere essa questão tanto nos projetos pedagógicos como nas ementas, propondo a integração entre a teoria e a prática, caminhando em direação as ideias de Perrenoud (1999), Ramos (2001), Reichard (2002) e Torres et al. (2011), bem como com as DCN.

Como já observado na análise dos projetos pedagógicos, a partir da análise das ementas, verifica-se, também, que as competências aparecem nas mesmas, ou seja, as competências são relacionadas pela academia, além de que as competências apontadas, tanto

nos projetos pedagógicos quanto nas ementas convergem com a base teórica de Keinert (1994) e com as considerações apontadas pelos autores referenciados no item 2.3 e 2.6.

Entretanto, as evidências mostram que a abordagem do ensino de competências adotada pela academia vem acontecendo de modo restrito e fechado, como um depositário de conhecimentos na mesma lógica da burocracia, ou seja, conhecimentos fragmentados. Juntá- los e conectá-los, assumindo uma nova fórmula, é tarefa do sujeito, pois os projetos e ementas não são efetivamente inter/transdisciplinar. Não se verifica a existência de relação e integração das competências desenvolvidas. As competências são identificadas e apontadas como necessidade de desenvolvimento; contudo, não se identificam novas propostas efetivas do modo como desenvolver tais competências.

4.4.3 Análise dos Projetos Pedagógicos e Ementas a partir dos grupos identificados no