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9.6 Test activities

9.6.4 Action lists

Realizando uma comparação entre as ocorrências de estrangeirismos nessa fase com as que ocorreram na fase anterior, observa-se um pequeno aumento no número de estrangeirismos. Entretanto, a primeira fase foi a que mais forneceu estrangeirismos. Em termos de números temos a seguinte proporção dos referidos elementos em casa fase: 15 > 8 < 11.

Essa desigualdade entre as fases pode ser observada igualmente no total de ocorrências. Fazendo uma somatória das repetições, das utilizações em mais de um jornal e em mais de um exemplar dos onze estrangeirismos, chegamos a um total de cinquenta e nove ocorrências. Na primeira fase tivemos sessenta e cinco e na segunda, trinta e cinco.

As cinquenta e nove ocorrências da terceira fase encontram-se assim distribuídas nos jornais: Animus (20), Estado de Minas (20), Folha Acadêmica (13), O Astro (4) e A Cidade (2). A divisão por jornais nos confirma, mais uma vez, o empate entre os jornais Animus e Estado de

Minas como os maiores concessores de estrangeirismos franceses.

No que diz respeito aos contextos de utilização, assim como na primeira e na segunda fases, a maioria dos estrangeirismos também ocorreu em anúncios (33 ocorrências = 55,9%). Contudo, as outras ocorrências da terceira fase encontram-se distribuídas em uma diversidade maior de contextos.

No que concerne à forma com que os elementos estrangeiros foram grafados, alguns estrangeirismos mantiveram um padrão: atelier, chic, coupon e mademoiselle. Esses itens, em todas as ocorrências, apareceram sem marcas, o que nos leva a crer que eram bem conhecidos ou muito usados. Ao contrário, métier apareceu marcado com itálico em todos os contextos, prova da sua não transparência. Os outros, entretanto, como corbeille, elite, gare e terrasse não apresentaram um padrão e tiveram sua grafia variada entre itálico e não marcada.

Ainda no que diz respeito à forma, percebe-se que, quando os estrangeirismos funcionam como nomes de estabelecimentos comerciais ou os compõem, fica difícil de determinar se as marcas foram utilizadas para assinalar sua estrangeiridade ou para fazer referência ao nome próprio. É o caso de art nouveau e restaurant.

No que se refere à semântica, diferentemente das primeiras fases em que nenhum dos estrangeirismos inovou em relação aos sentidos disponíveis na língua francesa, coupon e élite foram utilizados com sentidos que não estavam previstos pela definição trazida pelo dicionário da

192 Academia Francesa. Outra diferença em relação às fases anteriores foi o estrangeirismo art

nouveau que, por pertencer a uma língua de especialidade, não foi encontrado no dicionário da

Academia Francesa. Os outros estrangeirismos atelier, chic, corbeille, mademoiselle, métier,

restaurant e terrasse possuíam em francês mais de uma acepção e foram utilizados em português

com apenas uma delas. Gare, por sua vez, foi utilizado com o único sentido que possuía na língua francesa.

Em relação aos campos lexicais, dois estrangeirismos art nouveau e terrasse nos permitiram classificá-los em mais de um campo. O primeiro, art nouveau, foi classificado como estabelecimento comercial, pois era o nome de uma tipografia. Acreditamos que a referência desse nome a um estilo ornamental também foi explorada pelo dono do estabelecimento, por isso o segundo campo é o de artes plásticas. No caso de terrasse, ele foi classificado como habitação e suas partes, no entanto, dentro dessa mesma acepção, terrase pode ser aplicado a estabelecimento comercial.

Na terceira fase, quase não apareceram campos lexicais repetidos. Os campos encontrados foram: estabelecimento comercial, habitação e suas partes, artes pláticas, local de trabalho, luxo/requinte, recipiente, espaço publico, epípetos e formas de tratamento, profissão/função/encargos, estabelecimento comercial e um estrangeirismo não classificado.

Quanto à morfologia, mais uma vez temos a predominância dos substantivos: quatro substantivos masculinos e cinco femininos. Dos onze estrangeirismos, apenas um, chic, funcionou como adjetivo. Uma novidade em relação às outras fases foi a presença de uma locução substantiva210, art nouveau. E assim como ocorreu na primeira e na segunda fases, não tivemos elementos e nem exemplos suficientes para tecer considerações a respeito da flexão de número. Apenas em dois, dos onze casos, percebe-se a formação do plural pelo acréscimo de –s.

No tocante à possibilidade dos estrangeirismos terem correspondentes em português, dois deles não apresentavam nem formas portuguesas e nem aportuguesadas para substituí-los, quais sejam, art nouveau e gare. Alguns deles, como por exemplo, coupon e restaurant eram conceitos novos que estavam entrando para a língua, por isso, possuíam a forma correspondente em português, mas nenhuma forma portuguesa que pudesse substituí-los. Os demais apresentavam, além da forma aportuguesada, formas portuguesas para substituí-los.

193 Em relação às razões que explicam o empréstimo dos elementos estrangeiros, percebemos, para os que possuíam correspondentes em português, que o uso da forma francesa se configurava como uma tentativa de associação com ideias de prestigio e de modernidade e também uma forma de fazer referência direta à cultura francesa. Outros estrangeirismos foram usados para designar objetos novos que trouxeram consigo o nome francês. É o caso de art

nouveau, gare, coupon e restaurant. Apesar de restaurant representar um conceito novo, a sua

forma portuguesa era bem difundida. Por esta razão, acreditamos que a permanência da forma francesa foi uma questão de escolha e de prestígio. Art nouveau seria um caso de um conceito novo, mas como foi utilizado para compor o nome de um estabelecimento comercial, cremos igualmente se tratar de um caso de prestígio. Corbeille e mademoiselle são exemplos interessantes, pois são casos em que o estrangeirismo entra para língua com a forma aportuguesada e volta a ser usado na sua forma original tempos depois, por influência da moda do momento.

Para finalizar, observamos que todos os estrangeirismos utilizados nessa fase permaneceram na língua. Apenas mademoiselle não entrou para o dicionário de língua, mas ainda hoje é citado em alguns discursos. A maioria se aportuguesou graficamente, exceto gare e art

nouveau, mas alguns deles ainda continuam sendo usados com a escrita francesa. É o caso de

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