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2.1.1. Acoustic

A Escola de Engenharia do Pará foi criada no dia 07 de abril de 1931, sendo a engenharia Civil a primeira especialidade a ser implantada (UFPA.ITEC, 2010).

As primeiras alunas a se matricularem nessa especialidade, segundo o livro de memórias do Instituto de tecnologia (UFPA.ITEC, 2010) foi Helena Chermont Roffé em 1944 quando o curso já funcionava há 13 anos. A aluna seguinte, Angelita Ferreira da Silva que só chegou em 1946, dois anos após o ingresso da primeira. E a terceira, Deusimar Nazaré de Macedo, em 1949, ou seja, três anos depois da chegada de Angelita. O que demonstra o quanto deveria ser inquietante para as mulheres ter que sair do seu mundo privado e adentrar num mundo restrito ao masculino como a engenharia, considerada como inadequada à sua identidade de gênero e que se supõe que lhe trouxesse tão pouca ou quase nenhuma visibilidade como profissional.

Mesmo assim, entende-se que estas pioneiras inauguraram uma nova forma de pensar as hierarquias e desigualdades que historicamente permeiam os cursos de engenharia, que Tabak (2002) visualiza que sejam construídas culturalmente com tendência à estabelecer papéis sociais a serem desempenhados por homens e por mulheres no contexto das profissões. A partir de então, vem crescendo embora timidamente, a inserção de mulheres nos cursos de engenharia da UFPA, conforme dados estatísticos apresentados pelo Sistema de Informação Educacional (SIE) da Instituição. Embora que, de um modo geral nos cursos de graduação da UFPA as mulheres são maioria, dentre os mais de 31.000 alunos matriculados nessa modalidade de ensino. Cofome revelam os dados divulgados pelo Centro de Registro e Indicadores Acadêmicos (CIAC), da instituição.

Estes números, comparados com os das matrículas nos últimos cinco anos, induz ao parecer que, a ampla incorporação das mulheres ao ensino de graduação da UFPA, resulta de um lado da luta delas pela conquista de “um lugar ao sol” no seletivo e tão concorrido mercado de trabalho, e de outro, da invasão feminina nos campi do interior do Estado a partir de 1971, quando foi implantada a interiorização das ações da UFPA.

Ao se reportar ao Programa de Interiorização, Freitas (2005) explica que em 2001, o programa foi redimensionado, passando a seguir uma nova engenharia institucional, desta feita centrada no conceito de universidade-rede, que integra ensino, pesquisa e extensão com ações voltadas para os interesses sociais e coletivos, mas com novas perspectivas de desenvolvimento para o cidadão da Amazônia.

A instalação de uma instituição universitária em determinado lugar ganha contornos socioespaciais pela incorporação no contexto econômico, político, cultural e histórico do seu entorno nas funções que exerce [...] empreendendo processos de inovação, de produção e difusão da ciência e cultura, ocupando lugar estratégico no desenvolvimento socioeconômico, qualificando os diferentes níveis do próprio sistema educacional, além de desempenhar uma pluralidade de funções em termos de formação acadêmico-profissional.

Ao adotar o modelo de Universidade Multicampi, a UFPA ampliou sua estrutura em 10 (dez) campi do interior, a saber: Abaetetuba, Altamira, Bragança, Breves, Cametá, Capanema, Castanhal, Maraba, Soure e Tucurui, com vistas a implantação de mais 2 (dois), em Ananindeua e Salinas respectivamente. Conforme localização demonstrado no Mapa 1.

Mapa 3 – Localização dos Campi da UFPA

Fonte: Universidade Multicampi/Galeria de imagem da UFPA49 Adaptado por Corrêa (2011)

Dentro do contexto da Universidade Multicampi que as engenharias da UFPA adquirem maior nível de expressividade regional ao possibilitar o acesso nessa modalidade de ensino, de pessoas que estavam excluídas do ambiente universitário, devido às distâncias e a falta de condições para se locomoverem até a Capital.

Há de se pensar a implantação das engenharias da Instituição, a partir das potencialidades e vocações locais, como sugere registros da Assessoria de Comunicação da (ASCOM, 2011). Seguindo nesse direcionamento que em Altamira fomentaram-se as Ciências Agrárias a fim de atender à demanda da economia agropecuária; em Marabá, as engenharias de Materiais e de Minas e Meio ambiente; em Abaetetuba, a engenharia

industrial; em Tucurui, engenharia civil, elétrica e mecânica e em Bragança a engenharia de pesca, privilegiando estudos sobre o vasto sistema de manguezais na região.

Tabela 3 – Matrículas por gênero nos cursos de engenharia da UFPA – 2005 – 2009 -Campus Belém

B E L É M ENGENHARIAS 2005 2006 2007 2008 2009

Fem. Mas. Fem. Mas. Fem. Mas. Fem. Mas. Fem. Mas. Alimentos 136 58 107 53 135 47 137 44 137 48 Civil* 189 766 187 758 155 590 170 654 183 656 Computação 40 268 33 215 49 348 43 312 45 326 Elétrica 87 558 53 319 56 384 50 327 48 340 Mecânica** 32 544 25 400 37 527 36 443 42 455 Naval 07 13 09 27 09 43 15 54 19 72 Química 152 213 116 122 135 164 113 139 118 126 Sanitária/ Ambiental 126 134 112 93 129 264 126 119 139 124 TOTAL % 769 23,11 2554 76,89 642 32,31 1987 67,69 705 29,78 2367 70,22 690 32,98 2092 67,02 731 34,04 2147 65,96 Fonte: Anuário Estatístico – 2005/2006/2007/2008/2009 – PROPLAN/CIAC/SIE/UFPA

Elaborado por: Corrêa (2011). * e ** - Cursos diurnos e Noturnos

Tabela 4 - Matrículas por gênero nos cursos de engenharia da UFPA – 2005 – 2009 Campi dos interiores.

CAMPI ENGENHARIAS 2005 2006 2007 2008 2009

Fem. Mas. Fem. Mas. Fem. Mas. Fem. Mas. Fem. Mas.

TUCURUI CIVIL 14 16 25 29 42 41 57 57 67 74 TUCURUI ELÉTRICA 06 24 14 42 13 68 27 91 30 108 ALTAMIRA FLORESTAL 00 00 00 00 00 00 00 00 14 26 ABAETETUBA INDUSTRIAL 00 00 00 00 00 00 00 00 12 28 MARABÁ MATERIAIS 27 32 35 43 48 56 60 70 69 86 TUCURUI MECÂNICA 00 00 00 00 04 24 13 43 25 60 MARABA MINAS 21 37 28 53 35 78 36 104 48 119 BRAGANÇA PESCA 00 00 19 25 14 26 45 61 53 73

Fonte: Anuário Estatístico – 2005/2006/2007/2008/2009 – PROPLAN/CIAC/SIE/UFPA Elaborado por: R.N.F. Corrêa (2011).

Ressalte-se que em alguns cursos, elas já ameaçam a maioria masculina: Como é o caso do curso de Administração (em Belém), de Ciências Econômicas, da capital, de Direito (em Belém), bacharelado de Estatística e bacharelado de Filosofia e no curso de Matemática à distância. Por outro lado, as mulheres tornaram-se maioria numa infinidade de cursos como Arquitetura, Biblioteconomia, Ciências Biológicas (em Santarém, Bragança, Soure e

Altamira), Ciências Naturais (em Breves), Ciências Sociais (na capital, Marabá e Rondon do Pará); Jornalismo (na capital e em Parauapebas); Farmácia; História (em Juruti). Matemática (em Mocajuba, Santa Izabel, Tomé-Açu e Breves), Medicina Veterinária, Oceanografia e Odontologia.

Além disto, elas se mantiveram largamente majoritárias nos seus redutos tradicionais, como nos cursos de Letras (185 alunas/45 alunos, na licenciatura de Língua Portuguesa, em Belém), Farmácia (214 alunas/103 alunos), Pedagogia (305 alunas/33 alunos, na capital), Serviço Social (460 alunas/ 43 alunos). Mas também esmagaram numericamente os homens em Nutrição (267 alunas/31 alunos), Psicologia (228 alunas/69 alunos), e Turismo (230 alunas/82 alunos). No curso de Medicina, há quatro anos elas preponderam sobre os alunos (490 alunas/448 alunos, em 2008). Vale ressaltar que no contexto atual a presença feminina na UFPA se distancia muito do que existia no início do funcionamento da instituição, há 54 anos. Para se dimensionar a referida distância, basta lembrar que a UFPA surgiu em 1957 da união de várias unidades isoladas de ensino superior.

Observa-se através dos dados coletados e demonstrados na tabela 5, que na UFPA, o quantitativo de docentes femininas nos cursos de engenharia é inferior à quantidade de docentes masculinos no mesmo referencial. Nesse sentido Carvalho (2010) explica que, nos dados disponibilizados pelo MEC há indicativos que na educação básica, 85% de todos os professores são mulheres, o que se poderia antever que a educação é um campo de trabalho feminino pensado como importante mercado de trabalho para as mulheres, porém a realidade é adversa no pensar da autora. Ao visualizar os diferentes tipos de trabalho, sob o prisma de uma pirâmide, a autora enfatiza que na base está a educação infantil com quase 100% de mulheres e no topo estaria o ensino universitário, onde se encontra de forma hierarquizada, uma porcentagem bem menor de mulheres professoras. O que significa, explica a autora, que no cume da pirâmide, estão concentrados, os alunos mais velhos, o mais alto salário e o prestígio social e onde é maior a percepção do trabalho docente como intelectual e técnico, o que ela considera como uma simples transmissão de conteúdos e assim mais associados à masculinidade.

Tabela 5 – Docentes por gênero nos cursos de engenharia da UFPA.Campus Belém ENGENHARIAS MASCULINO FEMININO

B E L É M Alimentos 10 07 Civil 41 06 Elétrica 28 07 Mecânica 28 04 Naval 08 02 Química 14 07 Sanitária e Ambiental 19 04 TOTAL % 148 75% 37 25% Fonte: Dados coletados nas Faculdades e Site do ITEC/UFPA Elaborado por Corrêa (2011)

Neste sentido, pode-se observar no Quadro 1, que a presença das mulheres nos grupos de pesquisa das engenharias na UFPA, não foge à regra. Elas estão em desvantagem em relação ao universo masculino, tanto as pesquisadoras docentes, quanto as pesquisadoras discentes.

Quadro 1 – Pesquisadores por gênero nos grupos de pesquisa das engenharias na UFPA GRUPOS DE PESQUISA

PESQUISADORES

DOCENTES DISCENTES BOLSISTAS Masculinos Femininos Masculinos Femininos 1.Análise Experimental Estruturas e

materiais

10 01 80 20

2.Recursos Hídricos da Amazônia* * * * *

3.Hidráulica e Saneamento 07 06 00 00

4.Vibração e Acústica*

5.Energia, biomassa & meio Ambiente 80 20 09 01

6.Engenharia de materiais 03 00 06 01

7.Amazônico de Pesquisa em Metalúrgica e Meio Ambiente*

* * * *

8.Estudos e desenvolvimento de Alternativas Energéticas

07 00 14 08

Fonte: ITEC/Grupos de Pesquisa50 e Faculdades de Engenharia da UFPA Elaborado por Corrêa (2011)

*Dados não disponibilizados.