• No results found

Achievement: catalyzer for international support

3.3 Achievements and shortcomings

3.3.5 Achievement: catalyzer for international support

Segundo supõe Adriana de Souza, em sua dissertação de mestrado,70 as instituições teológicas ligadas à igreja protestante brasileira podem ter sido, na sua grande maioria, chamadas de Seminários Teológicos, por causa da influência do catolicismo, que já possuía estabelecimento desse tipo para formação do seu clero. Ainda assim, algumas instituições preferiram chamar suas escolas para formação teológica de Faculdade de Teologia. Mas há outras, a exemplo da Escola Superior de Teologia (EST)71 ligada à Igreja Luterana (IECLB) e da Escola de Teologia do Mackenzie, que fogem à tradição de nomenclatura. Embora com nomes diversos, a função dos Seminários, Faculdades ou Escolas Teológicas é a mesma: “ministrar o ensino teológico”.

Ela elenca algumas questões que têm sido de suma relevância no espaço dos Seminários, quais sejam, o processo que considerou como sendo a saída “da marginalidade”

68

TROCH, Lieve. O desafio das fronteiras e das diferenças. São Bernardo do Campo, fev. 2000. Palestra proferida na Aula Magna da Pós-Graduação em Ciências da Religião na UMESP. Trad. Angélica Pereira de Almeida. (texto não publicado). p. 4.

69

Idem.

70

Esta autora trabalha com as representações sociais que, no contexto dos seminários, funcionam como ordenadoras das atividades profissionais e estudantis comuns a cada sexo. Através dos estudos de gênero, traz à tona o fato de que até bem pouco tempo era inconcebível uma mulher estudando teologia, assim como também o fora com outras disciplinas acadêmicas. Existiam os cursos para mulheres e os cursos para homens, bem como disciplinas em que as mulheres poderiam lecionar e outras que só cabiam aos homens. Ela verifica que “nada ou pouca coisa mudou nestes últimos anos”, pois às mulheres ainda reservam-se um bloco de disciplinas tidas como femininas, ou aceitáveis para elas, o que define como disciplinas de não poder.

71

Também ela fora anteriormente nomeada Escola e depois Faculdade Teológica da Igreja Evangélica de

Confissão Luterana do Brasil. p d fMachine

acadêmica rumo “ao reconhecimento formal”, passando pelo caráter confessional destas instituições e o modelo francês de universidade brasileira, além da relação imediata entre teologia e igreja. Quanto ao caráter confessional, isto tem a ver, em parte, com o positivismo que permeava a idéia de ciência no Brasil, o qual desconsiderava a teologia como ciência em sentido estrito, haja vista ser considerada em certa medida como o “estudo de Deus”. Há, ainda hoje, mesmo depois do reconhecimento formal uma suspeição por parte da academia de que a teologia esteja apenas a serviço da manutenção do sistema religioso, o que talvez se sustente pelo fato de que ela se localiza academicamente em instituições particulares (os Seminários e Faculdades de Teologia) e raramente em instituições universitárias. Além disso, há a questão da singularidade do seu objeto, tão passível de discussão científica.

Por outro lado, é inegável e, porque não dizer, preferível uma relação intensa entre a igreja e sua instituição de formação teológica. Ainda exige-se, conforme a mesma pesquisa, dos alunos oriundos das diversas igrejas requisitos morais e espirituais para o ingresso no curso e fomenta-se medidas de controle sobre esse processo de formação e de saída para a recomposição dos quadros pastorais. E mais, em geral, “a igreja não vê a teologia como uma ciência que dá conta de um campo de conhecimento como outra ciência qualquer,”72 havendo em alguns círculos, geralmente pentecostais e neo-pentecostais, um certo desprezo pela erudição. Já as chamadas igrejas históricas aqui instaladas costumam dar especial valor à formação teológica, abrindo espaço para o que Willaime chamou de “religião de doutores”.73 Segundo Edson Martins,74 de fato, desde seus primórdios a preocupação destes centros de formação era realmente endógena, ou seja, visavam preparar pastores e obreiros para a manutenção do protestantismo emergente e do ideal educacional como pré- requisito para uma América pautada nos mais altos valores cristãos.

Na realidade a igreja tem as suas formas de controlar a entrada nos Seminários, mesmo que agora, com reconhecimento formal, não se tenha mais um controle total, mas ela o tem sobre quem lhe interessa, ou seja, sobre os seus próprios candidatos, que em relação aos outros alunos têm um diferencial, são os "candidatos oficiais", "indicados",

72

SOUZA, Adriana de. Gênero e poder: Mulheres docentes em instituições teológicas protestantes da grande

São Paulo. São Bernardo do Campo - SP, 2006. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) – Faculdade de Filosofia e Ciências da Religião, UMESP. p. 53

73

WILLAIME, Jean-Paul. O protestantismo como objeto sociológico. REVISTA DE ESTUDOS DE RELIGIÃO. Por uma sociologia do protestantismo brasileiro. São Bernardo do Campo, ano XIV, n.18, p. 30, jun. 2000.

74

MARTINS, Implantação, marginalidade e reconhecimento formal, p. 37. Em pesquisa de cunho histórico

sobre a educação teológica no Brasil até o seu reconhecimento formal pelo Ministério de Educação em 1999. p d fMachine

"comissionados" e que na sua grande maioria depende financeiramente da Instituição

religiosa a qual está ligada confessionalmente. 75

O Seminário Teológico Presbiteriano do Sul foi o primeiro Seminário Teológico protestante a ser criado no Brasil.76 Levemos em consideração, entretanto, que, em 1867, Ashbel Simonton, A. L. Blackford, Schneider e o luterano Carlos Wagner dedicaram- se a ensinar teologia a Miguel Torres, Antonio Trajano e Modesto Carvalhosa, e, no ano seguinte, Antônio Pedro de Cerqueira Leite, no que ficou conhecido como Seminário Primitivo, que durou até 1870. Depois disso veio a fase que Júlio Ferreira de Andrade77 chamou de seminaristas sem seminários, pela existência de “vocacionados”, mas não de centros de formação para tal. Esta carência era suprida pelo acompanhamento e estudos particulares realizados por missionários americanos, prática comum, por exemplo, entre os batistas.78

Embora os cursos de teologia começassem a ser implantados no Brasil em finais do século XIX, apenas a partir das últimas décadas esses cursos começaram a receber maior visibilidade, especialmente pelo esforço do reconhecimento e pelo surgimento de pós-

graduações em Teologia e em Ciências da Religião.79 É bem verdade que o mestrado e

posteriormente o doutorado autorizado e reconhecido pelo MEC em teologia, em alguns Seminários, é anterior ao reconhecimento da graduação, que só veio a acontecer em 1999, quando foi promulgado o parecer CES 241/99. Até este ano os cursos de teologia eram denominados cursos livres. Portanto, apesar de considerados cursos superiores não

gozavam de reconhecimento formal.80