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Accuracy of approximation and confidence distributions

In document Topics in Confidence Distributions (sider 43-50)

Essa pesquisa constituiu-se em um estudo transversal de base populacional, descritivo que utilizou abordagens quantitativa e qualitativa, amostragem não probabilística (por conveniência). A escolha em desenvolver uma pesquisa que envolvesse a investigação social e a integração entre métodos quantitativo e qualitativo constituiu-se em um desafio.

No Brasil, as discussões sobre a utilização de vários métodos investigativos tomaram vulto na década de 1980. Até aquele momento, o campo da saúde era caracterizado pela realização de estudos quantitativos, geralmente submetidos à fundamentação epidemiológica; e na área das ciências sociais, os estudos eram eminentemente qualitativos (BOURDIEU, 2000; BRÜGGEMANN; PARPINELLI, 2008).

Em uma perspectiva mais atual, autores afirmam que a dinâmica da ciência e da pesquisa tem como contrapartida a aceitação de que métodos devem ser recrutados de acordo com as necessidades do fazer científico, e não o contrário. Isso implica considerar a natureza e as especificidades dos objetos, ou seja, reconhecer o escopo de cada metodologia, seu alcance e suas limitações (CAMARGO JR.; BOSI, 2011).

Na realidade, segundo Bourdieu (2000), o que conta é a capacidade de construir e reconstituir, científica e socialmente, objetos importantes e apreendê-los a partir de um novo ângulo (BOURDIEU, 2000). Cada área do conhecimento se apropriava de métodos investigativos e restringia sua interlocução entre elas, ou seja, tanto do ponto de vista quantitativo quanto do ponto de vista qualitativo, era necessário utilizar todo o arsenal de métodos e técnicas que ambas as abordagens desenvolveram para que fossem consideradas científicas (MINAYO; SANCHES, 1993; LANDIM et al., 2006; BRÜGGEMANN; PARPINELLI, 2008; POPE; MAYS 2009; PEREIRA; MICLOS, 2013). Ou, ainda, um estudo

quantitativo pode gerar questões para serem aprofundadas qualitativamente ou vice-versa (POPE; MAYS, 2009).

Nesse fluxo de ir e vir cabe destacar os três modelos que buscam qualificar os mecanismos pelos quais a integração entre quantitativo e qualitativo pode ser realizada: por predomínio de um dos polos (priorização de um dos métodos, geralmente o quantitativo, enquanto o método qualitativo é considerado como uma etapa preliminar ou suplementar do estudo), justaposição das abordagens (uma junção de ambas, não havendo predomínio deste ou daquele método), e modelo dialógico (a integração entre métodos das diferentes abordagens é considerada desde a etapa de desenho da investigação e construção do objeto) (LANDIM et al., 2006; BRÜGGEMANN; PARPINELLI, 2008; POPE; MAYS 2009). Independente do enfoque e do mecanismo de interação é necessário compreender as diferenças teórico-conceituais para que não se perca a especificidade de cada uma das abordagens (LANDIM et al., 2006; BRÜGGEMANN; PARPINELLI, 2008).

A combinação dos métodos quantitativos e qualitativo, ou simplesmente método misto, possibilita diferentes tipos de análise de dados que passou a ser chamada de triangulação metodológica (POLIT; HUNGLER, 1995; POPE; MAYS, 2009; DRIESSNACK; SOUSA; MENDES, 2007; CAMARGO JR.; BOSI, 2011). Para Azevedo et

al (2013) significa olhar para o mesmo fenômeno, ou questão de pesquisa, a partir de mais de uma fonte de dados isto é:

[...] pode combinar métodos e fontes de coleta de dados qualitativos e quantitativos (entrevistas, questionários, observação e notas de campo, documentos, além de outras), assim como diferentes métodos de análise dos dados: análise de conteúdo, análise de discurso, métodos e técnicas estatísticas descritivas e/ou inferenciais, etc. (AZEVEDO, et

al., 2013).

A interação dos diferentes procedimentos metodológicos (método misto), os espaços locais (em períodos e eventos diferentes), os indivíduos diferentes (trabalhadoras rurais e lideranças rurais) pode possibilitar efetuar a complementariedade e obter informações e/ou resultados, provenientes de diferentes ângulos, sobre um mesmo fenômeno que podem ser usados para corroborar, elaborar ou iluminar o problema de pesquisa (AZEVEDO, et al., 2013). Este processo de adquirir novos conhecimentos ou interpretações de um fenômeno é conhecido como raciocínio lógico abdutivo utilizado nas abordagens pragmáticas (AZEVEDO, et al., 2013). Isto é, um raciocínio que se move entre o indutivo e o dedutivo, entre o subjetivo e o objetivo, convertendo observações em teorias (AZEVEDO, et al., 2013).

A finalidade foi tornar o estudo mais fidedigno e reflexivo a partir da complementariedade dos resultados e limitar vieses (MINAYO, 2010; AZEVEDO, et al., 2013). O conhecimento é construído a partir da complexidade de interpretação sobre um resultado ou um assunto apresentado pelo pesquisador (MINAYO, 2010).

A aproximação entre as duas abordagens permitiu avaliar, conhecer e compreender as experiências dessas mulheres a partir de sua realidade. Com base nessa informação e tendo a preocupação em buscar um método que envolvesse os questionamentos sobre a complexidade das violências, optou-se pelo modelo dialógico, isto é, a integração entre dois métodos como estratégia para enriquecer a compreensão do fenômeno, produzir novos conhecimentos ou descobrir novas dimensões a partir desta pesquisa (AZEVEDO, et al., 2013).

Desse modo, os primeiros passos para foram definidos a partir do estabelecimento de parcerias para viabilizar a aproximação com o universo das mulheres trabalhadoras rurais, inclusão dos aspectos éticos para o desenvolvimento da pesquisa e a elaboração dos procedimentos metodológicos de cada etapa.

3.1.1 Estabelecimento de parcerias para viabilizar o trabalho de campo

A ideia inicial desta pesquisa foi concebida entre meados de 2010 e início de 2011. O projeto foi apresentado à Presidência e à Secretaria das Mulheres Trabalhadoras Rurais da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (CONTAG). Essa entidade congrega as federações e sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras rurais. Um de seus propósitos de suas atividades é o de colaborar com a realização de pesquisas relacionadas às questões de gênero, saúde, desenvolvimento sustentável e qualidade de vida. Procedeu-se o encaminhamento do projeto de pesquisa e o termo de coparticipação à Presidência da mesma. Houve a emissão do termo de ciência da instituição confirmando sua aceitação em participar desta pesquisa.

3.1.2 Aspectos éticos

A OMS, em 1999, desenvolveu recomendações sobre a conduta ética a fim de orientar as pesquisas na área de violência contra a mulher (WHO, 1999; PÉREZ; CASTAÑO;

CASES, 2007). Dentre as recomendações da OMS para este estudo, destacaram-se: a segurança das participantes e da equipe de pesquisa; informações a todos das decisões do projeto; garantia de que os estudos de prevalência fossem metodologicamente sólidos e que possam contribuir para minimizar a subnotificação das violências; proteção da confidencialidade para garantir a segurança da qualidade dos dados e das mulheres; seleção cuidadosa de todos os membros da equipe desta pesquisa, que receberiam treinamento especializado e suporte contínuo de apoio da pesquisadora; o desenho do estudo incluindo a possibilidade de desenvolver ações destinadas a reduzir qualquer possível sofrimento causado as participantes pela pesquisa e, se necessário, o encaminhamento, quando solicitado, à assistência a partir das fontes de apoio disponíveis para o enfrentamento da violência contra a mulher (WHO, 1999). Existe também a obrigação ética de garantir que os resultados estejam corretamente interpretados e que sejam utilizados na implementação de diretrizes para o avanço das políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres e o desenvolvimento de futuras ações.

Para o desenvolvimento do estudo foi necessário dividir a coleta de dados em três etapas, denominadas, respectivamente, de Etapa I, Etapa II e Etapa III (subdividida em Etapa III-1 e Etapa III-2) apresentadas ao longo desse capítulo.

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