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Embasamento teórico e empírico

O modelo é baseado no mapa conceitual apresentado em detalhes na seção 4.1.

Processo decisório dos agentes

A cada semana, cada pessoa decide se praticará atividade física no lazer. O processo decisório das pessoas está baseado nos pressupostos da racionalidade limitada (i.e., elas não têm informações completas e perfeitas para tomar decisões) (SIMON, 1972), do raciocínio indutivo (ARTHUR, 1994), da prática social (NETTLETON; GREEN, 2014; RUTTEN; GELIUS, 2011) e da dinâmica de opiniões (ACEMOGLU; OZDAGLAR, 2011; MARTINS, 2008).

Não há objetivos ou consequências explícitas que fundamentam o processo decisório, mas as pessoas tendem a manter o seu comportamento habitual ao mesmo tempo que buscam adequar-se ao comportamento observado na sua rede proximal e comunidade. O processo decisório ocorre semanalmente e é probabilístico, com base na intenção da pessoa em fazer atividade física no lazer e condicional à percepção do ambiente físico construído.

A observação que cada pessoa faz sobre o comportamento das pessoas que compõem a sua rede proximal e de alguns membros da comunidade altera o seu nível de intenção e, em consequência, também afeta o processo decisório.

A dimensão temporal afeta o processo decisório por meio da força da intenção, que, em geral, aumenta com o passar do tempo. Quanto mais forte a intenção da pessoa, menor é a influência do comportamento na semana anterior e dos ambientes físico construído e social sobre o processo decisório.

Aprendizagem

O modelo não inclui processos de aprendizagem. Isto é, os agentes não mudam suas regras de decisão com o tempo, como consequência de suas experiências.

Capacidade perceptiva dos agentes

Cada pessoa é capaz de perceber o comportamento de dois grupos de pessoas:

a) A rede proximal, composta pelas pessoas com quem a pessoa tem relações mais estreitas (amigos, familiares etc.);

b) A comunidade percebida, que é o conjunto de pessoas dentro do raio de percepção da pessoa.

Cada pessoa usa a informação obtida em sua comunidade percebida para inferir qual é a norma social da comunidade como um todo. No entanto, a cada semana somente o comportamento de uma fração da comunidade percebida é acessível à pessoa. Isso reflete o fato de que nenhuma pessoa tem conhecimento completo e perfeito sobre o comportamento de toda a comunidade, nem mesmo sobre as pessoas que estão dentro do seu raio de percepção.

Cada pessoa percebe, também dentro do seu raio de percepção, os locais em que atividade física no lazer pode ser praticada. Os valores conferidos por cada pessoa aos atributos dos locais dependem mas não são idênticos aos valores objetivos, representando os aspectos subjetivos que influenciam a percepção.

Os mecanismos pelos quais as pessoas percebem essas informações e o custo para obtê- las e processá-las não fazem parte do modelo. Os locais em que atividade física no lazer pode ser praticada não têm capacidade perceptiva, isto é, não são sensíveis nem reagem ao que ocorre durante as simulações.

Capacidade preditiva dos agentes

Nenhum tipo de agente é dotado de capacidade preditiva, isto é, não prediz as possíveis consequências de suas ações nem considera essa informação para tomar decisões.

Interações e coletividades

Cada pessoa interage diretamente com a sua rede proximal e com a sua comunidade percebida. Ao mesmo tempo, elas podem fazer parte da rede proximal e da comunidade percebida de outras pessoas. A interação ocorre pela percepção do comportamento adotado na semana anterior pelas outras pessoas.

A rede proximal é formada selecionando as k pessoas posicionadas mais próximas da pessoa dentro da grade. Em seguida, cada laço tem probabilidade p de ser trocado por um laço com qualquer outra pessoa fora da rede proximal inicial. Esse procedimento visa garantir que a rede proximal seja formada majoritariamente por pessoas com influências sociais e ambientais semelhantes. Ao mesmo tempo, permite a formação de uma rede do tipo mundo pequeno (WATTS; STROGATZ, 1998) e mais variabilidade das influências ambientais de alguns dos laços proximais.

A comunidade percebida é formada pelo conjunto de pessoas dentro do raio de percepção da pessoa. O comportamento de somente uma fração da comunidade percebida é acessível à pessoa a cada semana (mais detalhes no item “Capacidade perceptiva dos agentes” desta seção).

Heterogeneidade

Os agentes do mesmo tipo não são heterogêneos entre si, no sentido de que seus atributos e processos decisórios são idênticos. O que muda entre eles são os valores atribuídos a cada atributo.

Estocasticidade

São definidos de forma estocástica a posição, a qualidade, a quantidade e os tipos de atividade física no lazer disponíveis nos locais em que atividade física no lazer pode ser praticada, assim como a posição, a intenção inicial, o comportamento e a atividade física no lazer favorita das pessoas. O valor que representa a avaliação subjetiva de uma pessoa sobre um local também é atribuído de forma aleatória, para cada par pessoa-local. A mudança de cada laço da rede proximal por outro laço é estocástica. Isso tudo é definido na inicialização do modelo.

No decorrer da simulação, o comportamento das pessoas também muda estocasticamente, a cada semana. As pessoas da comunidade percebida acessíveis a cada pessoa também são definidas aleatoriamente a cada semana.

Observação

Por meio da representação visual da comunidade pode-se observar padrões de distribuição espacial de prática de atividade física no lazer. Pode-se obter a distribuição populacional do nível de intenção e a proporção de pessoas praticando atividade física no lazer, esta tanto para a população total como para estratos da população de acordo com a intenção. Em todos os casos, é possível acompanhar as variações temporais ou obter dados de um momento em particular. Todas essas informações podem ser observadas dinamicamente e obtidas com resolução semanal.

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