Nos primeiros turnos de fala, o professor permite que os alunos conversem entre si, ainda dispostos em pequenos grupos. Nota-se aqui uma diferença de conduta com a aula do
professor William. Apesar de não surgir na transcrição, pois a gravação teve início somente nas falas dos alunos, segundo o relato do professor e do técnico da filmagem, o professor havia feito uma exposição dialogada, apoiado no recurso multimídia (apresentação em .ppt) disponível para sistematização e discussão sobre a natureza e comportamento da luz. Em seguida, apresentou aos alunos as questões relativas às interpretações da Mecânica Quântica sobre o comportamento e natureza da luz.
Entre os turnos 1 e 71 os alunos discutem a respeito dessas abordagens e do arranjo experimental.
Turno Transcrição Classificação
1 Aluno 1: Que que é mesmo aquele interferômetro? 2 Aluno 2: É aquele dos espelhos.
3 Aluno 1: Aquele que é o dos espelhos?
4 Aluno 2: E o outro é aquele dos fótons. Entendeu? Eu acho que é isso, calma aí. Mano eu não sei o nome dele.
5 Aluno 1: Reginaldo?
6 Aluno 2: Tainá, chama ele. (..) eu queria lembrar qual que é o interferômetro e qual que é o outro lá dos fótons.
7 Aluno 1: Interferômetro era o do raio?
8 Aluno 2: Era do espelho? E esse outro de baixo?
9 Aluno 1: O do fóton é a mesma coisa só que só é da bolinha, não é?
10 Aluno 3: É isso aí, da complementaridade é quando é um ou é outro, não é?
11 Aluno 2: A gente não sabe, isso daí a gente não sabe. 12 Aluno 3: Não? Por que não?
13 Aluno 2: Por que você acha que existem tantas interpretações para a natureza da luz?
14 Alunos: Conversas
15 Aluno 2: Achei meio confuso essa resposta. 16 Aluno 3: Mano, nem sei o que eu to fazendo.
17 Aluno 2: Por que você não faz um risquinho aqui de vermelho pra separar o azul com azul? Já que tá fazendo tudo de caneta.
18 Aluno 3: Essa caneta funciona?
19 Aluno 2: Não, não. É que eu cuspo nela pra funcionar. 20 Aluno 3: Dualista é quando é explicada pelos dois, né? 21 Aluno 1: Isso. Quando a partícula e a ondulatória elas se
juntam pra fazer o caminho. 22 Aluno 3: É isso aí.
23 Aluno 1: Vai fazer o caminho. (...) eu, nós aqui, não? Fazer o quê?
24 Alunos: Conversas.
Turno Transcrição Classificação 26 Aluno 1: É isso que a gente tá tentando também.
27 Aluno 3: Complementaridade é quando um complementa o outro.
28 Aluno 4: Capaz de ser isso aí mesmo. 29 Alunos: Conversas.
30 Aluno 4: Dualista-Realista é aquilo que ele tava explicando né?
31 Aluno 2: Aquela lá que você falou da onda com a partícula assim.
32 Aluno 1: Da bolinha, sabe?
33 Aluno 2: Que tá surfando lá, aquele meio 13. 34 Aluno 4: Complementaridade é o quê?
35 Aluno 1: Então, esse aí que a gente tá tentando...
36 Aluno 3: Professor, preciso de uma resposta. Brincadeira, brincadeira.
37 Aluno 1: Complementaridade, como é mesmo o negócio da complementaridade? Como que é mesmo? Eu não lembro. 38 Aluno 2: Ele só vai apontando, é ali, é ali...
39 Aluno 1: Mas ali é o sistema ondulatório... Não eu sei, a gente lembra dos três, mas não lembra desse.
40 Aluno 2: A gente fez tudo só não lembra disso. 41 Aluno 1: Não lembra da complementaridade. 42 Aluno 3: É as duas coisas.
43 Aluno 1: Mas não é a dualista realista que é as duas coisas? Valeu.
44 Aluno 2: Você sabe?
45 Aluno 1: Essa dualista é aqui. 46 Aluno 2: Lógico que não.
47 Aluno 1: Claro que é, porque a dualista é quando a onda carrega o fóton, a onda carrega a partícula de energia. 48 Aluno 2: Então.
49 Aluno 1: E aqui a gente colocou quando ela tá em conjunto. 50 Aluno 2: Não.
51 Aluno 1: Você não colocou? 52 Aluno 2: Não.
53 Aluno 1: Então só fui eu errada.
54 Aluno 2: Tá, mas então qual que é o outro? Não, gente, ó, é quando se junta a onda com o fóton, mas no final fica uma onda vazia, não é isso?
55 Aluno 3: A onda que carrega o fóton, 56 Aluno 2: É isso gente.
57 Aluno 3: (...) 58 Aluno 2: (...) 59 Alunos: Conversas.
60 Aluno 2: E que que é a comple... o outro então? 61 Aluno 3: É os dois.
Turno Transcrição Classificação 62 Aluno 2: Hã?
63 Aluno 3: É os dois.
64 Aluno 2: É os dois, é os dois, eu sei que é os dois.
65 Aluno 1: É quando a onda e a partícula trabalham em conjunto, na mesma fração, entendeu? Tipo, na mesma onda, na mesma partícula, tipo a onda e a partícula elas se juntam pra fazer o bagulhetes lá, pra passar interferência lá do negócio.
66 Aluno 2: Quando a onda...
67 Aluno 1: Quando a onda e a partícula trabalham em conjunto. (...)
68 Aluno 2: Pra que você tá com a borracha se você tá escrevendo de caneta, você tá apagando o quê?
69 Aluno 3: Eu apaguei aqui, filha. 70 Alunos: Conversas.
71 Aluno 2: É quando a onda e a partícula se unem... Trabalham em comum e formam uma única coisa?
72 Aluno 1: Mais ou menos isso aí, baseado nisso aí.
As falas dos alunos entre os turnos 1 e 12 mostram que eles estão confundindo o arranjo experimental do Mach-Zehnder com a simulação do mesmo arranjo. No turno 7, o aluno demonstra bem esta dúvida: “Interferômetro era o do raio?” A partir do turno 10 nota- se que os estudantes passam a discutir as interpretações da Mecânica Quântica.
20 Aluno 3: Dualista é quando é explicada pelos dois, né?
21 Aluno 1: Isso. Quando a partícula e a ondulatória elas se juntam pra fazer o caminho.
22 Aluno 3: É isso aí.
23 Aluno 1: Vai fazer o caminho. (...) eu, nós aqui, não? Fazer o quê?
O aluno 3, no turno 20, faz uma pergunta ao grupo, buscando referendar sua
explicação para a interpretação dualista. O aluno 1 confirma sua asserção, porém apresenta
uma nova explicação: “Isso. Quando a partícula e a ondulatória elas se juntam para fazer o caminho”. Embora ambos tentem explicar a interpretação dualista do fenômeno, é importante perceber que são afirmações distintas e incorretas. Isto também ocorre quando o aluno 1 busca explicar a interpretação da complementaridade. Em suas palavras:
65 Aluno 1: É quando a onda e a partícula trabalham em conjunto, na mesma fração, entendeu? Tipo, na mesma onda, na mesma partícula, tipo a onda e a partícula elas se juntam pra fazer o bagulhetes lá, pra passar interferência lá do negócio.
Explicação
66 Aluno 2: Quando a onda...
67 Aluno 1: Quando a onda e a partícula trabalham em conjunto. (...)
Explicação