A teoria da Aprendizagem Significativa é o ponto central da teoria de aprendizagem desenvolvida por AUSUBEL et al. (1980). Para ele, a aprendizagem pode ser por recepção ou descoberta. Na primeira, o conteúdo é apresentado na sua forma final, não envolvendo qualquer descoberta por parte do aluno, do qual se exige que internalize ou incorpore as informações transmitidas, com o intuito de reproduzi-las em ocasiões futuras. Em contrapartida, na aprendizagem por descoberta, o conteúdo não é fornecido ao aluno, mas sim descoberto por ele, antes de ser incorporado à sua estrutura cognitiva.
38
AUSUBEL et al. (1980) aponta que tanto a aprendizagem por recepção quanto a aprendizagem por descoberta pode ser automática (mecânica) ou significativa dependendo das condições de aprendizagem. A aprendizagem automática se dá por meio de associações puramente arbitrárias e quando falta ao aluno o conhecimento prévio relevante para tornar a tarefa significativa. Em contrapartida, a aprendizagem significativa ocorre quando o aluno consegue relacionar informações novas de forma não arbitrária e substantiva a um conjunto de informações já existentes na sua mente. De acordo com o autor “a
aprendizagem significativa é o mecanismo humano para adquirir e armazenar
idéias e informações em qualquer campo do conhecimento.” (AUSUBEL, 1963,
p.58).
Uma relação não arbitrária e substantiva acontece quando o aluno estabelece uma relação entre a informação nova e algum aspecto relevante na sua estrutura cognitiva, podendo ser uma imagem, um símbolo ou um conceito. Esses aspectos são denominados subsunçores e exercem um papel fundamental na aquisição de novos conhecimentos (AUSUBEL et al.1980).
Para AUSUBEL et al. (1980), dois fatores devem ser levados em consideração a fim de estabelecer uma relação não arbitrária e substantiva: a natureza do assunto e a estrutura cognitiva do aluno. Em relação ao primeiro, MOREIRA (1997) enfatiza que é importante realizar uma análise conceitual do conteúdo, no intuito de identificar os principais conceitos e informações a serem incorporados na estrutura cognitiva. Essa etapa é essencial, uma vez que a sobrecarga de conteúdos desnecessários dificulta a organização cognitiva e, consequentemente, a aprendizagem do aluno.
Em relação ao segundo fator, a estrutura cognitiva, é fundamental que o aluno apresente os subsunçores e que estes estejam consolidados na sua mente (MOREIRA, 1997). No caso de eles não existirem ou apresentarem informações insuficientes, AUSUBEL et al. (1980) propõe a utilização dos
39
organizadores prévios, caracterizados por materiais, cuja função é a de servir como uma ponte entre aquilo que o aluno já sabe e o que pretende aprender.
A estrutura cognitiva de um indivíduo é organizada e hierarquizada, de modo que as várias ideias se encadeiam por meio das relações estabelecidas entre elas. É nessa estrutura que se ancoram e reorganizam os conceitos e ideias adquiridas, proporcionando uma progressiva internalização do conteúdo e aprendizagem por parte do aluno (AUSUBEL et al. 1980).
O conhecimento prévio exerce um papel importante na teoria da aprendizagem significativa, uma vez que a aprendizagem se dá por meio da interação entre a nova informação e o conhecimento que o aluno já possui. De acordo com MOREIRA (2000), é nessa interação que os conhecimentos prévios sofrem modificações por meio da aquisição de novos significados, tornando-os mais ricos e elaborados, contribuindo diretamente para sua maior estabilidade.
Segundo AUSUBEL et al. (1980):
Na aprendizagem significativa, o processo de obtenção de informações produz uma modificação tanto na nova informação como no aspecto especificamente relevante da estrutura cognitiva com a qual a nova informação estabelece relação (AUSUBEL et al. 1980, p.48).
De acordo com o autor citado, a aprendizagem reside na ‘ampliação’ da estrutura cognitiva do indivíduo por meio da incorporação de novas informações a ela. Dessa forma, “a estrutura cognitiva está
constantemente se reestruturando durante a aprendizagem significativa. O
processo é dinâmico; o conhecimento vai sendo construído.” (MOREIRA, 1997
p. 07).
No entanto, para que ocorra a aprendizagem significativa é essencial que o aluno manifeste uma disposição para esse tipo de aprendizagem e que o material seja potencialmente significativo (AUSUBEL, 1980). O interesse do aluno assume um papel central nesse processo, uma vez que se ele tiver a intenção de memorizar uma série de informações de forma arbitrária,
40
tanto o processo de aprendizagem quanto o produto da aprendizagem será apenas automático.
De acordo com AUSUBEL et al. (1980) a aprendizagem pode ocorrer de diferentes formas: Subordinação, Superordenação e Combinação.
Subordinação: processo de incorporação de novas informações à estrutura cognitiva do aluno. AUSUBEL et al. (1980) diferencia essa aprendizagem em dois tipos:
Derivativa: Ocorre quando o material é entendido como um exemplo de um conceito estabelecido na mente do aluno, ou seja, é mais um exemplo daquilo que o aluno já sabe.
Correlativa: A informação se refere a uma extensão, elaboração, modificação ou qualificação de informações adquiridas anteriormente, ou seja, uma ampliação do conhecimento do aluno.
Superordenação: A nova informação condiciona o surgimento de várias outras ideias. Dessa forma, a nova informação é mais abrangente do que aquelas presentes na estrutura cognitiva dos alunos.
Combinação: Consiste das combinações de informações aprendidas previamente que podem ou não relacionar-se arbitrariamente à estrutura cognitiva do aluno. De acordo com PRASS (2008), essa nova informação não está nem acima e nem abaixo das ideias presentes na mente dos alunos, podendo, progressivamente, interconectarem-se umas às outras por meio do trabalho intelectual dos alunos.
AUSUBEL et al. (1980) aponta a existência de fatores internos, externos e afetivo-sociais que influenciam na aprendizagem significativa. Como fator interno, é importante a presença de ideias-âncoras na estrutura cognitiva
41
dos alunos, as quais serão responsáveis pela conexão com a nova informação e clareza nas informações. Caso a estrutura-âncora não esteja bem consolidada na mente do aluno, pode acontecer uma relação inadequada com a nova informação, proporcionando uma aprendizagem equivocada a respeito de determinado assunto.
Como fator afetivo-social, AUSUBEL et al. (1980) salienta que o aspecto mais determinante é a disposição do aluno em aprender. Sem essa disposição, ele adotará estratégias de memorização, conduzindo assim a uma aprendizagem automática. O autor aponta ainda a importância dos fatores externos para a aprendizagem significativa, entre eles a própria aula e os materiais didáticos utilizados pelo professor.
NOVAK e GOWIN (2001) também adotaram a teoria da aprendizagem significativa. De acordo com NOVAK (2000), quando as ideias e informações são aprendidas significativamente, os novos conhecimentos adquiridos podem ser aplicados a diferentes e novas situações de forma inédita e criativa. Acrescenta ainda o caráter humanista à teoria da aprendizagem significativa, visão que considera a importância do pensar, sentir e agir na sua teoria de educação. MOREIRA (1997, p.13) define um evento educativo como uma “ação para trocar significados (pensar) e sentimentos entre aprendiz e o
professor.”
De acordo com NOVAK (1984), um evento educativo sempre está acompanhado de uma experiência afetiva. Para o autor, essa experiência é positiva e construtiva, quando o aluno apresenta ganhos em compreensão e reciprocidade.
A teoria da aprendizagem significativa pode ser relacionada a outras teorias cognitivas, como por exemplo, a teoria dos Modelos Mentais. De acordo com MOREIRA (1997), os modelos mentais podem ser revisados e reformulados constantemente, no sentido de explicar e fazer previsões a respeito de um evento. Se um aluno consegue explicar um evento ou um fenômeno é
42
porque apresenta um modelo mental do sistema em sua estrutura cognitiva, e se consegue fazer previsões a partir desse modelo, é porque houve uma aprendizagem que, provavelmente, pode ter sido significativa.
De acordo com MOREIRA (1997), é nesse processo de reformulação dos modelos mentais que a aprendizagem significativa pode ser utilizada na teoria proposta por JOHNSON-LAIRD (1983).
43