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TUG Observation

4. Abstract of the papers - main results

O presente estudo foi direcionado desde o seu início a avaliar se algum segmento específico da indústria brasileira utilizava-se de práticas de gerenciamento de custos que pudessem ser caracterizadas como Custeio Alvo. A escolha do segmento de autopeças ocorreu desde as fases iniciais do trabalho, dado que a Literatura havia indicado sua ampla utilização em outros ambientes; adicionalmente, a indústria automotiva – e conseqüentemente o segmento de autopeças – possui expressiva representatividade dentro da economia brasileira, de forma que se concluiu que as informações resultantes da pesquisa teriam significativa relevância. Definiu-se também que o estudo abrangeria especificamente empresas com um porte mínimo, que lhes garantisse recursos e estrutura para sustentar um processo consistente de Custeio Alvo – este porte foi definido como um faturamento mínimo de R$ 50.000.000. Uma limitação adicional foi incluída – o comprometimento de ao menos 75% de suas atividades com montadoras, de forma a caracterizar que tais empresas não conseguem atuar discricionariamente sobre

seu mercado, sendo obrigadas a lidar com preços definidos externamente. Do ponto de vista metodológico, definiu-se também que o trabalho seria conduzido através do uso de questionários, enviados aos associados do SINDIPEÇAS. Foram também realizadas duas entrevistas após o recebimento final dos questionários, destinadas apenas a esclarecer e confirmar algumas das conclusões da pesquisa. Os e-mails foram enviados para as 489 empresas associadas ao SINDIPEÇAS, sendo recebidas 20 respostas no total, das quais 8 atendiam aos requisitos de faturamento mínimo e percentual de vendas junto a montadoras. Desta forma, o presente trabalho possui limitações naturais em função de seu escopo, metodologia e dados recebidos, as quais serão discutidas abaixo. A – limitações de escopo: ao contrário de estudos anteriores como os de Dekker e Smidt (2003), Hakala et al (2006) e Rattray et al (2007), que buscavam comparar a aplicação do Custeio Alvo em diversos segmentos distintos, o presente estudo desde o princípio foi direcionado a verificar sua aplicação em um único segmento específico, que havia sido identificado por outros estudos como tendo freqüentemente adotado o modelo (HORVÁTH et al, 1998; MONDEN, 1999). Desta forma, todas as análises e conclusões são específicas ao segmento sob estudo, e qualquer inferência destes resultados para outros segmentos é inapropriada.

Dado que o escopo do trabalho foi o de verificar a aplicação do Custeio Alvo em um segmento específico, definiu-se que a população analisada seria a de membros do SINDIPEÇAS, aos quais foram enviados e-mails solicitando o preenchimento de um questionário. Embora pesquisas anteriores indicassem a utilização do modelo pelo segmento, não havia qualquer garantia de que entre as empresas respondentes desta pesquisa estariam aquelas que utilizavam o modelo. Esta abordagem difere da utilizada por outros autores, como Hibbets et al (2003) e Ellram (2006), que realizaram estudos especificamente com empresas onde se havia detectado anteriormente a aplicação do Custeio Alvo. Entretanto, ao fazê-lo, utilizaram respondentes de distintos segmentos, de forma que não há total comparabilidade entre algumas respostas, que seriam obtidas em um estudo sobre um único segmento – empresas de um mesmo segmento estão por exemplo sujeitas a estruturas competitivas similares, possuindo clientes com características semelhantes.

B – limitações de metodologia: conforme descrito no item 3.2.1, o uso de questionários implica em algumas desvantagens, em especial a impossibilidade de avaliar o grau de exatidão das respostas e a dificuldade de se solicitar informações adicionais caso as respostas do respondente sejam distintas do esperado. É bastante possível que algumas empresas tenham dado respostas que reflitam mais os seus desejos e expectativas do que as verdadeiras práticas que executam em seus processos de cotação, o que não é possível de se detectar a partir do uso de um questionário.

Em função do escopo determinado desde o início, o uso de entrevistas ou estudos de caso não seria factível, dado que não seria viável realizar entrevistas ou estudos de caso com uma quantidade significativa de empresas a ponto de se obter a representatividade desejada do comportamento do segmento. Optou-se portanto em se sacrificar uma maior profundidade das respostas, mas garantir uma maior abrangência de respondentes. De fato, o estudo obteve significativa heterogeneidade de respostas, tanto no sentido de porte, origem, idade, mercados de atuação e modelos de gestão, o que a priori justifica a opção realizada.

No entanto, deve-se reconhecer que, caso fosse viável a realização de uma quantidade suficientemente ampla de entrevistas, seria possível aumentar o nível de profundidade das respostas obtidas, uma vez que seria possível obter informações adicionais que poderiam confirmar ou negar as respostas obtidas no questionário. Cabe observar, no entanto, que a dificuldade em se obter colaboração das empresas para entrevistas pode ser significativa – uma das questões do questionário envolvia a disposição do respondente em participar de um estudo de caso com maior profundidade, e apenas dois dos respondentes das empresas que atingiam as limitações de faturamento e comprometimento de vendas junto a montadoras se propuseram a participar de um estudo de caso mais detalhado (entretanto, outros 7 respondentes de empresas que não atingiam as limitações se propuseram a participar).

C – limitações da amostra: inicialmente, ao se enviar um questionário a todas as empresas associadas ao SINDIPEÇAS, abriu-se mão do uso de uma amostragem não- probabilística, que estivesse direcionada a empresas que atendessem especificamente às características desejadas. Se por um lado isto implicou na limitação da possibilidade de se concentrar esforços junto a um grupo específico para aumentar a taxa de respostas,

por outro aumentou a possibilidade de se obter informações sobre a inteira população do segmento de autopeças. De fato, é interessante observar que, conforme mencionado anteriormente, a amostra resultante deste processo não-probabilístico terminou por possuir distribuições bastante similares à do SINDIPEÇAS em relação a faturamento bruto anual, concentração de vendas junto a montadoras, origem de capital e tempo estabelecido no país, o que torna os resultados da pesquisa ainda mais significativos. Em relação ao número de respondentes, esperava-se desde o início que a taxa de retorno fosse baixa, dado que estudos similares haviam apresentado o mesmo tipo de limitação. Para tentar aumentar a taxa de retorno, tentou-se inicialmente um suporte do SINDIPEÇAS no sentido de execução conjunta da pesquisa, mas em função de diretrizes internas da entidade, houve a recusa da instituição. A realização de um seminário gratuito sobre o Custeio Alvo foi também descartada por limitações de tempo e por abranger apenas autopeças localizadas na Grande São Paulo, de forma que o único reforço possível foi o envio de uma segunda solicitação de respostas ao questionário. Efetivamente, a taxa de retorno das respostas, de 4,1%, não foi de forma alguma suficiente para que a amostra pudesse ser considerada estatisticamente representativa da população de 489 membros do SINDIPEÇAS. Entretanto, mesmo com uma amostra que não seja estatisticamente significativa, o use de testes não-paramétricos permite inferir algumas conclusões sobre a população, de forma que a limitação de tamanho da amostra não invalida as conclusões do estudo – esta foi a mesma abordagem usada por Dekker e Smidt (2003) e Rattray et al (2007). De acordo com Stevenson (2001), os testes não- paramétricos possuem a vantagem de serem aplicáveis a pequenas amostras, ou a amostras sobre as quais não se possa atender a exigências como igualdade de variância ou distribuição normal das populações. Entretanto,

Em lugar de um teste com hipóteses mais fortes, em geral chegamos ao fim com um teste mais fraco (isto é, as hipóteses mais fracas resultam em um teste mais geral porém menos poderoso). Os testes tendem, por vezes, a perder informação. Além disso, há maior probabilidade de se aceitar Ho quando ela é falsa.

O problema de qualificação dos respondentes da pesquisa é, em maior medida, uma limitação da metodologia do que da amostra, uma vez que o controle e verificação do grau de exatidão das respostas em questionários são bastante limitados. Entretanto,

alguns pontos devem ser considerados – dos 20 respondentes, 18 afirmaram que desejariam receber uma cópia dos resultados da pesquisa, tendo fornecido e-mail para contato; e 9 deles se propuseram a participar de estudos de caso com maior profundidade. Assume-se que o interesse em receber os resultados finais da pesquisa e a disposição de participar de estudos de caso complementares indique razoável comprometimento dos respondentes com os dados fornecidos, embora esta afirmação não possa ser comprovada.