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Absorption, distribution, metabolism and excretion

3. Assessment

3.5. Biological and Toxicological data

3.5.1. Absorption, distribution, metabolism and excretion

Como discutimos anteriormente, complexidade refere-se à gama de informações que um sistema – dinamicamente – possui, indicando suas interações e interferências internas e externas nos mais diversos níveis. Pela própria natureza da complexidade, encontrar parâmetros para pensá-la, de forma a poder sintetizar suas qualidades e tornar estes parâmetros aplicáveis em qualquer fenômeno complexo, torna-se uma tarefa difícil. Para pensar a

complexidade, no entanto, e para construir seus próprios parâmetros, Morin fundamentou grande parte de seu pensamento e se baseou nos princípios, nas propriedades e nos conceitos estabelecidos pela Teoria Geral de Sistemas, de Bertalanffy (MORAES, 2004, p. 79). Bertalanffy, biólogo, interessou-se pelos organismos e pelos problemas do crescimento. Seus trabalhos iniciais datam dos anos 20 e se concentram na abordagem orgânica. Bertalanffy não concordava com a visão cartesiana do universo e, inicorporando uma abordagem orgânica na biologia, lançou a ideia de que o organismo é um todo maior que a soma das suas partes. Assim, criticou a visão de que o mundo é dividido em diferentes áreas e sugeriu que sistemas devem ser estudados globalmente, de forma a envolver todas as suas interdependências, pois cada um dos elementos, ao serem reunidos para constituir uma unidade funcional maior, desenvolve qualidades que não se encontram em seus componentes isolados. Bertalanffy já reconhecia a importância de se ter uma teoria da organização, e Morin, portanto, vem aprimorar e aprofundar tais conceitos.

Em sua própria teoria, no entanto, Morin definiu sete princípios guia, complementares e interdependentes, desdobrados a partir dos três operadores e que também os inclui, que podem ser vistos como instrumentos teóricos ou categorias de análise que nos ajudam a compreender a complexidade do real. São eles:

1. O princípio sistêmico ou organizacional 2. O operador hologramático

3. O princípio do círculo retroativo 4. O operador do círculo recursivo

5. O princípio da auto-eco-organização: autonomia e dependência 6. O operador dialógico

7. O princípio da reintrodução do sujeito cognoscente

O sistêmico ou organizacional é um princípio que religa o conhecimento das partes ao conhecimento do todo, segundo o qual o todo tanto pode ser mais

como pode ser menos do que a soma das partes. Este princípio aponta para a ideia de que a totalidade seria algo mais do que a forma global, considerando que a organização de um todo produz qualidades ou propriedades novas e desconhecidas em relação às partes consideradas isoladamente. Essas partes novas seriam as emergências, que são efeitos organizacionais oriundos de um processo de sinergia, de interações e de auto-organização das partes. O todo, uma vez que totalidade organizada, retroage sobre as partes, que ficam restringidas e inibidas por efeito desta retroação organizacional do todo sobre as partes. Nesse sentido, o todo é também menos que a soma das partes. (MORIN, 1999, 2002a, p. 209-212; MORIN, CIURANA E MOTTA, 2003, p. 33-37; MORAES e VALENTE, 2008, p. 35-45). Esse princípio, segundo Moraes e Valente (2008, p. 37), remete-nos à necessidade de tentar compreender o fenômeno estudado em sua globalidade, levando em conta a dinâmica processual e relacional que caracteriza as interações ocorrentes, percebendo o objeto relacionalmente, inserido num contexto histórico, afetivo e sociocultural, no sentido de compreender as relações contextuais que o englobam, e ao mesmo tempo, que o restringem.

O hologramático, um dos três operadores, aborda que “o adquirido no conhecimento das partes volta-se para o todo e o que se aprende sobre as qualidades emergentes do todo, tudo que não existe sem organização, volta-se sobre as partes” (MORIN, 2005, p. 75)12. Segundo Araújo (2007, p. 519), “dessa

forma, o conhecimento pode ser enriquecido das partes pelo todo e do todo pelas partes, num único movimento produtor de conhecimentos.”

O círculo retroativo permite o conhecimento dos processos auto- reguladores. Esse princípio rompe com a causalidade linear e relaciona-se ao fenômeno de retroação (ou feedback), que, segundo Moraes e Valente (2008, p.39), “nos informa que toda causa age sobre o efeito e este retroage informacionalmente sobre a causa em questão, a partir de processos auto- reguladores que acontecem no sistema”, permitindo a autonomia

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organizacional do sistema. O círculo de retroação pode se apresentar tanto em forma positiva como negativa. Em sua forma positiva, é um mecanismo amplificador do fenômeno, por exemplo, na situação do aumento da gravidade de um conflito. Em sua forma negativa, reduz o desvio, e desse modo, permite estabilizar o sistema (MORIN, 2002a, p. 210).

O círculo de recursividade é um dos três operadores da teoria. A ideia de recursividade ultrapassa a noção de auto-regulagem explicitado pelo princípio retroativo para entrar na fase da autoprodução e auto-organização. Assim como mencionado anteriormente, um processo recursivo é aquele cujos produtos são necessários para a própria produção do processo. Neste sentido, se apresenta numa dinâmica autoprodutiva e auto-organizacional. De acordo com Moraes e Valente (2008, p. 40), a dinâmica engendrada a partir desse operador “gera uma dinâmica de natureza autopoiética, ou seja, autoprodutora de sua organização, autoprodutora daquilo que a produz”.

A auto-eco-organização é compreendida como um princípio explicitador da autonomia e dependência. Segundo Morin et al. (2003, p. 36), qualquer organização necessita da energia e da informação do meio; portanto para manter sua autonomia, necessita da abertura ao ecossistema do qual se nutre e ao qual se transforma. Desta forma, não há possibilidade de autonomia sem múltiplas dependências. Moraes e Valente (2008, p. 42) nos coloca que a relação autonomia/dependência “é que introduz a ideia de auto-eco-organização, de criação de suas próprias estruturas e de novas formas de comportamento a partir das interações desenvolvidas”. De acordo com Morin, Ciurana e Motta (2003, p. 36), um exemplo são os seres vivos, que “têm necessidade de gastar energia, de informação e de organização no seu meio ambiente, (portanto) sua autonomia é inseparável dessa dependência, e é preciso, pois, concebê-los como seres auto-eco-organizadores”.

O dialógico, um dos três operadores da teoria, visa colocar em dialógica a ordem, a desordem e a organização, conforme mencionado anteriormente. Este operador reflete a associação de noções contraditórias para compreender

fenômenos complexos, ou seja, “une dois aspectos, fenômenos, eventos ou noções que, apesar de aparentemente antagônicos, são na verdade complementares e indissociáveis no seio de uma organização” (MORAES e VALENTE, 2008, p. 40). Este operador ajuda a pensar lógicas que se complementem e se excluem, num mesmo espaço mental. Segundo Morin, Ciurana e Motta (2003, p. 36), “o operador dialógico pode ser definido como a associação complexa (complementar/concorrente/antagônica) de instâncias necessárias, conjuntamente necessárias à existência, ao funcionamento e ao desenvolvimento de um fenômeno organizado”. A dialógica permite assumir a associação de ações contraditórias, como exemplos podemos citar a união dos contrários, a dialogia ordem/desordem nas organizações e indivídio/sociedade.

A reintrodução do sujeito cognoscente em todo conhecimento refere-se ao resgate e reintrodução do papel ativo do sujeito, integrando-o na evolução do sistema, levando-se em consideração a reconstrução das implicações históricas, culturais e circunstanciais de cada um na construção da realidade. Segundo Morin e Le Moigne (2000, 211), esse princípio opera a restauração do sujeito e torna presente a problemática da percepção à teoria científica, considerando que “todo conhecimento é uma reconstrução/tradução por um espírito/cérebro numa cultura e num tempo determinados”. Dessa forma, o que os organismos/indivíduos são e o que eles fazem é inseparável do meio ou do contexto, como afirma Moraes e Valente (2008, p. 45), já que “o sujeito, autor de sua história e co-autor de construções coletivas, é resgatado no processo de construção do conhecimento”. De acordo com Morin, Ciurana e Motta (2003, p.37), “trata-se de uma construção que é certamente sempre incerta, porque o sujeito encontra-se inserido na realidade que pretende conhecer”. Assim, este princípio permite rejuntar o conhecedor e o conhecimento, como um todo, associando aquele que conhece ao seu conhecimento e o observador à sua observação, contextualizando o sujeito e o meio.

Os operadores e princípios se apresentam em vertentes diferentes de discussões sobre a complexidade na Educação (e em diversas áreas do

conhecimento), já que são instrumentos teóricos que “nos ajudam a trabalhar e a compreender melhor a complexidade da realidade, colaborando para o desenvolvimento de um entendimento mais adequado dos fenômenos educativos” (MORAES e VALENTE, 2008, p. 9). Devido ao fato de o pensar complexo ser transdisciplinar, encontramos discussões tomando como base tais princípios relacionadas a temas como método de pesquisa (MORAES e VALENTE, 2008), método de aprendizagem (MORIN, CIURANA e MOTTA, 2003), ensino (MORIN, 2004), conhecimento (MORIN, 1977/2005), pensamento complexo (MORIN, 1990/2005), configuração de sistemas complexos (MORIN, 1999), entre outros. As ideias de Morin refletem uma preocupação com questões que vão desde as sócio-antropológicas e políticas, as éticas e as decorrentes da ciência na modernidade, revolucionando nossa maneira de pensar sobre a ciência, sobre a vida e sobre o modo que com ela nos relacionamos.

De acordo com Morin e Le Moigne (2000):

O pensamento complexo não se reduz nem à ciência, nem à filosofia, mas permite a comunicação entre elas, servindo-Ihes de ponte. O modo complexo de pensar não tem utilidade somente nos problemas organizacionais, sociais e políticos, pois um pensamento que enfrenta a incerteza pode esclarecer as estratégias no nosso mundo incerto; o pensamento que une pode iluminar uma ética da religação ou da solidariedade. O pensamento da complexidade tem igualmente seus prolongamentos existenciais ao postular a compreensão entre os homens.

Neste trabalho, especificamente, me apoio nos sete princípios a fim de compreender o fenômeno estudado numa visão de realidade complexa.

É importante dizer que há mais um conceito na Teoria da Complexidade que me ajuda a olhar esta pesquisa, que é o conceito de união. Este conceito será retomado nos itens “Pensamento Eco-sistêmico” e “O amor como base para uma visão ecossistêmica”.