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5.2 Anthropogenic changes in the North Sea

5.2.3 Abnormal test morphologies

Ao publicar A revolução brasileira, em 1966 – posteriormente ao golpe civil-militar de 1964 –, Caio Prado Júnior (1987) endossava a análise feita por Cardoso (1964). Para o autor, as perspectivas de desenvolvimento formuladas pelo Iseb não davam conta de explicar a realidade brasileira, marcada por um golpe institucional elaborado com amplo apoio do empresariado nacional, do capital internacional e do governo estadunidense. Diante da conjuntura política que levou à destituição de um governo democraticamente eleito, Caio Prado Júnior (1987) questionava a ideia de uma burguesia nacional como sujeito histórico agente da modernização e imbuído, portanto, de levar adiante o desenvolvimento brasileiro contra os setores ditos retrógrados. Por meio da análise dialético-marxista, ele quebrou com essa concepção dicotômica cristalizada que separava classes ligadas à modernização e ao nacionalismo versus classes ligadas ao atraso e ao imperialismo.

Assim, o intelectual procurava desmontar o modelo isebiano, ao reposicionar o entendimento acerca da penetração imperialista no país e da formação da burguesia industrial como agente modernizador da sociedade brasileira. Seu pensamento insere-se no debate sobre a questão nacional, ao buscar as raízes da formação econômica do Brasil e suas implicações na realidade presente, apontando os entraves e as possibilidades de superação a partir de uma análise política, econômica e social do país. Em A revolução brasileira, Caio Prado Júnior (1987) compreende a formação das características particulares e originais da economia brasileira numa estrutura produtiva que atendia ao mercado externo, direcionando-se a interesses exógenos ao país.

Desde o período colonial, portanto, a produção voltada para fora propiciava a influência direta dos interesses estrangeiros no Brasil, introduzindo-o no circuito internacional capitalista. Nesse aspecto, o imperialismo seria apenas sua fase atual. Assim, o historiador paulista distanciava-se do marxismo do PCB, criticando as adaptações da realidade brasileira a pressupostos e conceitos teóricos clássicos incapazes de dar conta do processo de formação da nação brasileira. Para Prado Junior (1987), esse método tinha como resultado a deturpação da realidade. Além disso, a interpretação do PCB impedia o combate efetivo ao imperialismo, na medida em que os equívocos da análise sobre a inserção do Brasil no capitalismo mundial desdobravam-se numa falsa compreensão sobre a superação do atraso brasileiro, centrada na visão da burguesia industrial como agente modernizador. Desse modo, o autor recusava a ideia de polarização entre empresariado industrial, expoente da burguesia nacionalista –

portanto, progressista –, e uma burguesia mercantil aliada ao setor agroexportador em conluio com o imperialismo, que barrava a industrialização brasileira.

Ainda, segundo Caio Prado Júnior (1987), a investigação sobre a origem da burguesia nacional debilitava essa contraposição, uma vez que a burguesia brasileira teria se formado a partir dos comerciantes portugueses que viviam no Brasil e que se integraram, ao longo do tempo (por seus descendentes), à sociedade brasileira após o fim do Pacto Colonial – juntamente com comerciantes de outras origens. Portanto, de origem heterogênea, essa burguesia nacional alinhava-se na defesa de interesses comuns e desenvolveu-se com certa protuberância e rapidez ao controlar as atividades mercantis voltadas para a exportação, consideradas, pelo autor a base da economia brasileira mesmo após a intensificação do desenvolvimento industrial a partir de 1930.

A industrialização, portanto, não significava a oposição ao imperialismo, dada a forte integração da burguesia industrial brasileira ao capital externo. Pelo contrário, o intelectual considerava a inversão externa na economia brasileira como um dos fomentadores de novos negócios para a burguesia nacional, dentre eles o investimento na indústria, setor que necessitava do aporte de capital estrangeiro para desenvolver-se, dada a incapacidade de acumulação endógena de capitais suficiente para esse processo. Assim,

A “burguesia nacional”, tal como é ordinariamente conceituada, isto é, como força essencialmente antiimperialista e por isso progressista, não tem realidade no Brasil, e não passa de mais um desses mitos criados para justificar teorias pré-concebidas; quando não pior, ou seja, para trazer, com fins políticos imediatistas, a um correlato e igualmente mítico “capitalismo progressista” o apoio das forças políticas populares e de esquerda. O antiimperialismo tem no Brasil outro conteúdo e outras bases que interesses específicos da burguesia ou de qualquer de seus setores. (PRADO JÚNIOR, 1987, p. 121)

Caio Prado Júnior (1987) coloca a necessidade de se olhar o imperialismo não como um fator exógeno e impeditivo do desenvolvimento capitalista brasileiro, mas, ao contrário, como elemento constituinte. Dessa forma, pode-se afirmar que a relação estreita entre burguesia nacional e imperialismo é significativa quanto à formação da economia nacional dentro da ordem capitalista.

O pensamento marxista original de Caio Prado Júnior (1987) indicava uma nova possibilidade de análise pela esquerda, que se projetava para além da interpretação nacional- burguesa pela via democratizante com caráter etapista e determinista (PCB). Ainda que sua análise desconsiderasse a força do empresariado industrial, associando-o à burguesia mercantil – o que suprimia as diferenças dentro da burguesia nacional –, Caio Prado Júnior

(1987) indicava a fragilidade daquela análise que simplificava as relações entre desenvolvimento nacional e imperialismo, opondo-os em vez de associá-los. Tornando mais complexa a possibilidade de independência da nação a partir da negação da burguesia como classe modernizante ou revolucionária, sua análise esboçava a continuidade do capitalismo brasileiro dentro do imperialismo, indicando seu caráter industrializante não como uma ruptura necessária para a independência do país. Pode-se dizer, por fim, que Caio Prado Júnior (1987) apresentou uma visão que relacionava os interesses da classe burguesa brasileira ao imperialismo, sendo o desenvolvimento industrial uma de suas facetas.

Prado Júnior (1987) e Cardoso (1964), de certa forma, abriram caminhos para a formação de um pensamento sobre a economia política brasileira que quebrava a filiação automática em torno das teses da Cepal e do Iseb, cujos maiores expoentes eram Celso Furtado e Hélio Jaguaribe, respectivamente.

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