• No results found

Abatement  cost  and  carbon  price

Part  2:   The  pilot  schemes

5.   Abatement  cost  and  carbon  price

No desenvolvimento do sistema freireano de educação acontece a desmistificação dos sonhos do pedagogismo dos anos sessenta, que sustentava que a escola era capaz de tudo. Por outro lado, há também a superação do pessimismo dos anos setenta, segundo o qual a escola nada acrescentava, pois era meramente uma reprodutora da estrutura social vigente, portanto uma mantenedora do status quo.

Através do processo de “desalienação” proposto por esse sistema, os oprimidos ad- quirem a consciência de sua própria história e mais cedo podem engajar-se na luta pela emancipação possibilitando a inclusão na sociedade.

37

Quanto a esse processo, Freire (1983, p. 152) afirmou que “Não há história sem ho- mens como não há história para os homens, mas uma história dos homens que, feita por eles, também os faz, como disse Marx”.

A partir desse aspecto ele passa a interessar, não exclusivamente à pedagogia como prática, pelo modo como foi capaz de conceber as formas (a interação entre o professor e o estudante), mas, principalmente, como relaciona essas formas com o contexto político de exploração e dominação (experiência cotidiana do educando). Partindo dessa visão, motiva para a desarticulação das estruturas alienantes, pela reconstrução de uma democracia qualita- tivamente melhor para os oprimidos, os não oprimidos e as gerações futuras.

Preocupou-se muito com o avanço do neoliberalismo e com as críticas que recebia deste, em razão do núcleo central de sua obra propor, incansavelmente, a esperança na educa- ção como estratégia de luta e transformação da realidade opressora.

Nesse sistema, o futuro se apresenta, para ser desvelado, como possibilidade utó- pica de viabilidade política e, para o neoliberalismo, o futuro é dado como fatalidade concreta de viabilidade técnica.

Para Paulo Freire, o conhecimento como artifício de construção de uma outra realida- de, só pode ser construído de forma integradora e interativa e não é algo pronto para ser apropriado e socializado e até memorizado, como sustenta a pedagogia dos conteúdos. Co- nhecer é descobrir e construir, não copiar ou simplesmente apropriar.

A escola não distribui poder, mas constrói o saber que é poder. Não muda- mos a história sem conhecimento, mas temos que educar o conhecimento para que possamos interferir no mercado como sujeitos, não como objeto. O

papel da escola consiste em colocar o conhecimento na mão dos excluídos,

de forma crítica, porque, a pobreza política produz pobreza econômica. “Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo” dizia Freire. Ninguém é ignoran- te de tudo, mas o “analfabeto político” não consegue entender as causas da sua pobreza econômica. Por isso Paulo Freire associava alfabetização e politização. A pedagogia neoliberal é uma pedagogia da exclusão, justamen- te porque reduz o pedagógico ao estritamente pedagógico, buscando retirar da pedagogia a sua essência política. A pedagogia da esperança é o oposto da pedagogia da exclusão. Ensinar e inserir-se na história: não é só estar na sala de aula, mas num imaginário político mais amplo. (GADOTTI, 2001, p. 34)

Esse sistema de ensino continua injustamente empobrecido quando ligado apenas às idéias de programas de alfabetização de adultos, ensino global de língua e outras abordagens construtivistas do ensino e da aprendizagem baseadas nas teorias de Vygotsky.

Lankshear e Mclaren (MCLAREN, 1998, p.57) identificaram na obra de Paulo Freire seis princípios referenciais relativos ao desenvolvimento de suas práticas pedagógicas: o mundo deve ser abordado como uma realidade a compreender e conhecer pelos esforços dos próprios aprendizes, nas suas experiências vividas nas circunstâncias históricas de seu entor- no coletivo e global; o mundo deve ser entendido como um processo de construção coletiva dos homens, a partir de uma realidade cultural, social e histórica e que, portanto, pode ser desconstruído e reconstruído pela representação simbólica e ideológica dos agentes presen- tes; os educandos devem confrontar criticamente as suas condições atuais de existência com a construção da realidade concretizada até o momento histórico; novas construções de realida- de e outras possibilidades de existência em decorrência delas, devem ser consideradas e nessas novas construções, de sentido social, coletivo e partilhado devem ser ouvidas e consi- deradas as vozes de todos os partícipes; é preciso garantir, no processo de alfabetização, que todos que aprendem, tomam consciência da necessidade do domínio da escrita na construção do projeto partilhado, pois aqueles que estão aprendendo sentirão a experiência efetiva de sua potencialidade no entendimento do que significa ser sujeito e humano capaz de identificar a opressão e a marginalização, contidas no discurso dominante, mas que podem e devem ser superadas pela ação transformadora.

Muito embora os críticos de Freire o acusem de uma visão idealista, pela sua proposta de transformação social, ele próprio e os que o apóiam se queixam de que a pedagogia crítica tem se apresentado completamente psicologizada, tecnologizada, liberalmente humanizada e conceitualmente pós-modernizada e que, em sendo assim, a sua luta pela libertação revoluci- onária das classes oprimidas, encontra-se severamente comprometida.

O caráter transformador da educação, nessa perspectiva freiriana, ganha concreticidade, quando se dirige às injustiças socioeconômicas provocadas pela estrutura política da socie- dade capitalista, não só para interpretar, comunicar ou denunciar as relações de dominação e

39

exploração, mas por ser capaz de propor medidas e providências para alterar os padrões de distribuição e redistribuição dos direitos sociais.

Existem críticas legítimas e sérias como, por exemplo, a de que Paulo Freire não tem e nem desenvolveu uma teoria do conhecimento, de que é autoritário quando afirma que seu método supõe a transformação da realidade, que nem todos provavelmente desejam trans- formar, e que seu método é ainda autoritário porque obriga a todos a participarem no processo de transformação.

Na verdade, o pensamento de Paulo Freire é de classificação extremamente complexa, dada a exuberância de sua obra por todo o mundo e a influência que exerce em autores da teoria crítica em educação. Ainda não se tem uma síntese de toda a sua obra, nem é essa a tarefa mais urgente a realizar. Dar continuidade à realização de seu pensamento revolucioná- rio é o que importa, pois a sua contribuição não se atém à educação do passado, mas à do futuro, dada a necessidade urgente de libertar os oprimidos pelas políticas neoliberais de todo o mundo.