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4.9.1.1. Evolução do Lucro da atividade de emissão

O lucro da atividade de emissão cresceu a uma taxa média anual de 14%, perfazendo 70% no acumulado entre 2003 e 2007.

A participação dos dez maiores emissores no lucro total da atividade de emissão vem diminuindo. Em 2003, os demais emissores representavam 1,1% do lucro total, saltando para 8,6% em 2007.

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Gráfico 53: Evolução do lucro da atividade de emissão 10 bancos com maior lucro versus demais

50% 55% 60% 65% 70% 75% 80% 85% 90% 95% 100% 2003 2004 2005 2006 2007 10 maiores Demais

4.9.1.2. Composição das Receitas e Despesas

A principal fonte de receita dos emissores, com participação na receita to- tal de 60% em 2007, é de origem financeira58, cuja taxa de crescimento médio foi de 19,5% ao ano. As receitas com a tarifa de intercâmbio e com a tarifa ao portador repre- sentaram, cada uma, em 2007, 15% da receita total.

A receita com a tarifa ao portador cresceu em média 9,1% ao ano, en- quanto a receita com a tarifa de intercâmbio cresceu em média 23,7% ao ano. Dentre as fontes de receita mais significativas, apenas as receitas com as tarifas ao portador cresceram a uma taxa menor que a do lucro.

As receitas com o incentivo à emissão cresceram 288% no período, mas representam apenas 0,4% das receitas no acumulado.

Tabela 5 – Evolução das receitas dos emissores

Ref. 2003

Receitas 2003 2004 2005 2006 2007 Tx. Média Anual

(%) Total: 100,0 113,4 138,2 167,7 190,0 17,4% Financeiras 56,2 62,1 81,4 104,0 114,5 19,5% Tarifas de Intercâmbio 12,2 15,5 18,3 22,3 28,6 23,7% Tarifas ao Portador 20,0 22,6 24,4 25,6 28,4 9,1% Outras Receitas 10,9 12,3 13,2 15,2 17,4 12,4% Incentivo à Emissão 0,2 0,3 0,7 0,6 0,9 40,3% Marketing 0,5 0,6 0,2 0,1 0,2 -14,8%

58 Receitas originadas pelo crédito rotativo, bem como aquelas geradas por ganhos financeiros decorren- tes de inadimplência (multas, juros, etc).

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Devido à dificuldade reportada pelos emissores na desagregação dos principais custos, o grupo de outras despesas59 foi composto principalmente por des-

pesas administrativas, tributos e gastos com programa de recompensas ao portador. Em 2007, esse grupo representou 40,9% do total das despesas dos emissores.

A participação das despesas com inadimplência subiu de 27,5% em 2003 para 33% em 2007, com média anual de 24,2%. Foi a despesa que apresentou o maior crescimento no período.

Demonstrando os ganhos de escala e a redução dos custos com tecnolo- gia, as despesas com processamento tiveram a menor taxa de crescimento anual, mé- dia de 10,8%, sendo a única inferior à taxa de crescimento anual do lucro. A Tabela 6 mostra a evolução dos custos com processamento suportados pelos emissores para cada operação de débito ou crédito tomando como referência o custo médio da transa- ção em 2003.

Tabela 6 – Evolução dos custos de processamento por transação – emissores Ref. 2003

Processamento 2003 2004 2005 2006 2007

Custo/Transação 100,0 81,0 82,7 68,4 63,1

A Taxa paga ao proprietário do esquema e as despesas com gerencia- mento de risco, que juntas representam pouco mais de 6% do total de despesas, tive- ram crescimento médio anual de 21% no período.

59 Outros custos, em reais, incorridos nas atividades de emissor de cartões de pagamentos, tais como: impostos diretos (ISS, PIS, Cofins, etc); custos advindos das vantagens que o emissor oferece ao porta- dor do cartão, tais como descontos na tarifa de anuidade, programas de milhagem, seguros, pontuação, etc; custo com retenção de clientes (devolução de anuidade); custo com provisões civis e trabalhistas; custo advindo das atividades de estabelecimento de relacionamento comercial com os portadores dos cartões de pagamentos, tais como centrais de help desk, sistema de gerenciamento de informações – MIS, portal na internet, etc; custo atribuído à compra ou a fabricação dos cartões de pagamento, bem como ao processo de inserção dos dados no cartão; custo referente aos serviços de postagem ou de entrega dos cartões de pagamento aos portadores; custo referente ao processo de cobrança das faturas encaminhadas aos portadores (postagem, tarifas interbancárias, etc); custo com despesas administrati- vas, incluindo gasto de pessoal; e outros custos.

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Tabela 7 – Evolução das despesas dos emissores

Ref. 2003

Despesas 2003 2004 2005 2006 2007 Tx. Média Anual

(%)

Total: 100,0 114,2 137,5 171,1 198,2 18,7%

Outras Despesas 43,3 53,6 61,9 72,2 81,2 17,0%

Inadimplência 27,6 28,0 36,9 56,4 65,5 24,2%

Processamento 15,6 16,8 21,7 21,5 23,6 10,8%

Market. & Vendas 7,3 8,5 8,7 11,6 14,8 19,3%

Taxas Bandeiras 3,5 4,1 4,7 5,7 7,5 21,0%

Ger. Risco 2,6 3,3 3,7 3,9 5,6 21,0%

Com o objetivo de verificar a evolução do lucro do cartão como instrumento de pagamento60, foram desconsideradas as receitas e despesas ligadas ao fornecimento de crédito, quais sejam: os juros provenientes da utilização do crédito rotativo, as multas por inadimplência, os custos de gerenciamento de riscos e a inadimplência.

Nesse caso, o conjunto de emissores apresentou resultado deficitário ao longo de todo o período analisado, evidenciando a relevância da participação das recei- tas financeiras nas receitas totais dos emissores.

Aprofundando este estudo, buscou-se separar o lucro da atividade de e- missão de cartões de crédito e da atividade de emissão de cartões de débito.61 Verifi- cou-se que a função crédito é lucrativa e que a função débito é deficitária. Também foi possível verificar que a função crédito permanece lucrativa mesmo sem considerar a receita financeira, o que evidencia que o cartão de crédito é lucrativo para os emissores na qualidade de instrumento de pagamento.

Ainda analisando o resultado dos emissores, foram realizados dois ensaios: no primeiro, buscou-se verificar a importância da tarifa de intercâmbio para o resultado dos emissores; no segundo, buscou-se avaliar o impacto do aumento de custos advindo da redução no prazo para pagamento das compras com cartão de crédito aos estabelecimen- tos no resultado dos emissores.

Com relação à tarifa de intercâmbio, percebe-se que, apesar de correspon- der a grande parte da receita na atividade de emissão, a perda dessa receita não seria suficiente para alterar o sinal do resultado dos emissores, que permaneceria positivo.

60 Este exercício é apenas uma aproximação, dado que toda a despesa com gerenciamento de risco foi atribuída ao financiamento e que nenhuma despesa administrativa foi desconsiderada.

61 Apesar dos dados de receitas e de despesas estarem disponíveis de forma agregada, sem distinção entre as funções dos cartões, é possível, utilizando algumas hipóteses, analisar separadamente o lucro da atividade de emissão de cartões de crédito e de cartões de débito.

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Finalmente, com relação à redução do prazo médio de pagamento aos estabelecimentos das compras realizadas com cartão de crédito, verificou-se que a atividade de emissão continuaria lucrativa mesmo no cenário em que o estabelecimen- to recebe em média dois dias após a compra e o custo de oportunidade fosse arcado integralmente pelo emissor.62

Cabe esclarecer que, não raro, o fornecimento de instrumentos de paga- mento é atividade deficitária para as instituições financeiras, como ocorre com o papel- moeda e com o cheque. Além disso, sabe-se que os instrumentos não-eletrônicos apre- sentam, de forma geral, custos mais elevados que os eletrônicos. Assim, mesmo que o resultado do cartão de pagamento, principalmente o de débito, não se mostre positivo, a eletronização é vantajosa para as instituições, pois, a compensação financeira sobrevém da redução de custos com a substituição dos instrumentos em papel.

4.9.1.3. Análise de Risco – Evolução da Inadimplência

Foram calculados três índices que tentam medir a inadimplência frente ao mercado: inadimplência por volume transacionado; inadimplência por volume do rotati- vo; e inadimplência por receitas financeiras.

Até 2005, inclusive, a inadimplência por volume transacionado ficou abai- xo de 2%, percentual superado nos períodos seguintes. Por esse indicador, há tendên- cia de aumento da inadimplência ao longo do tempo.

A inadimplência por valor financiado no crédito rotativo63 apresenta-se re- lativamente estável no período. Cabe notar que o crédito rotativo também vem aumen- tando em relação ao valor transacionado (ver Gráfico 47).

62 Sabe-se que, no Brasil, o prazo médio de recebimento pelo estabelecimento de uma venda realizada com cartão de crédito é de trinta dias, diferentemente do cenário internacional, onde este prazo é de 2 dias em média. Tal prática isenta os emissores do custo de oportunidade do período sem cobrança de juros, dado que em média eles recebem em vinte e oito dias, podendo gerar receita de float. Nesse exer- cício, considerou-se como custo de oportunidade a Taxa Selic, mantendo-se fixas a tarifa de intercâmbio e a taxa de juros do crédito rotativo.

63 Esse índice tenta medir o volume de inadimplência comparado ao volume efetivamente financiado pelos emissores. Cabe lembrar que a inadimplência pode atingir mesmo valores não financiados, como nos casos em que o portador não paga sequer o valor mínimo da prestação mensal.

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Gráfico 54: Indicadores da evolução da inadimplência

0,0% 1,0% 2,0% 3,0% 4,0% 5,0% 2003/1 2003/2 2003/3 2003/4 2004/1 2004/2 2004/3 2004/4 2005/1 2005/2 2005/3 2005/4 2006/1 2006/2 2006/3 2006/4 2007/1 2007/2 2007/3 2007/4 Inadimplência/Vol. Transações 0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% Inadimplência/Cred. Rotatativo, Inadimplência/Rec. Financeiras

Inadimplência/Vol.Transações Inadimplência/Cred. Rotatativo Inadimplência/Rec. Financeiras

Gráfico 55: Valor financiado no crédito rotativo sobre volume de compras

0,0% 2,0% 4,0% 6,0% 8,0% 10,0% 12,0% 14,0% 16,0% 2003/1 2003/2 2003/3 2003/4 2004/1 2004/2 2004/3 2004/4 2005/1 2005/2 2005/3 2005/4 2006/1 2006/2 2006/3 2006/4 2007/1 2007/2 2007/3 2007/4

Por fim, a inadimplência em relação às receitas financeiras apresentou tendência de alta no período avaliado, permanecendo, entretanto, abaixo de 50%.

Infere-se assim que há tendência de alta da inadimplência, impulsionada pelo crédito rotativo, evidenciada pelo seu comportamento por volume de transação e por receitas financeiras. O Gráfico 56 mostra a relação entre o crescimento do crédito rotativo e o aumento do volume financeiro das compras parceladas, cujo índice de cor- relação é de 0,89.

Gráfico 56: Valor financiado no rotativo sobre volume de compras parceladas

0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0 2003/1 2003/2 2003/3 2003/4 2004/1 2004/2 2004/3 2004/4 2005/1 2005/2 2005/3 2005/4 2006/1 2006/2 2006/3 2006/4 2007/1 2007/2 2007/3 2007/4 Bilhões 0,0% 5,0% 10,0% 15,0% 20,0% 25,0% 30,0% 35,0% 40,0%

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