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4. RESULTS & DISCUSSIONS

4.3. A XIAL - TORSIONAL CYCLIC PLASTICITY TEST

Do ponto de vista fisiológico, os lipídeos mais relevantes para o metabolismo humano são os fosfolipídios, o colesterol e os triacilgliceróis. Isso

35 porque os fosfolipídios formam a estrutura básica das membranas celulares. O colesterol é precursor dos hormônios esteróides, dos ácidos biliares e da vitamina D. O colesterol também é constituinte das membranas celulares, contribuindo para a fluidez e na ativação de enzimas. Os triacilgliceróis são formados a partir de três ácidos graxos ligados a uma molécula de glicerol e constituem uma das formas de armazenamento energético mais importante no organismo, depositados nos tecidos adiposo e muscular (IV DIRETRIZ BRASILEIRA SOBRE DISLIPIDEMIAS, 2007).

As lipoproteínas são estruturas que permitem o transporte dos lipídeos, os quais são substâncias hidrofóbicas no meio aquoso plasmático. São compostas por lipídios e proteínas denominadas apolipoproteínas (apo). As apolipoproteínas têm diversas funções no metabolismo das lipoproteínas, como: formação intracelular das partículas lipoprotéicas (apoB-100 e B-48), ligantes a receptores de membrana (apoB-100 e E), ou co-fatores enzimáticos (apoC-II, C-III e A-I) (DEVLIN, 2003).

As lipoproteínas podem ser divididas em dois grupos: as ricas em triacilgliceróis, maiores e menos densas, representadas pelos quilomícrons, de origem intestinal, e pelas lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL - very low

density lipoprotein) de origem hepática; e as ricas em colesterol e de densidade baixa (LDL- low density lipoprotein) e de densidade alta (HDL - high density

lipoprotein). Existe ainda uma classe de lipoproteínas de densidade intermediária (IDL - intermediary density lipoprotein) (IV DIRETRIZ BRASILEIRA SOBRE DISLIPIDEMIAS, 2007).

Assim, os triacilgliceróis absorvidos da dieta, são empacotados dentro dos quilomícrons (QM) (ANGELIN, 1989; VARANDA, 1999; BERNE & LEVY, 2000),

36 que ao entrarem na corrente sangüínea têm seu conteúdo de triacilgliceróis hidrolisados pela lipase lipoprotéica (LLP), com liberação de ácidos graxos e monoacilgliceróis para os tecidos (ANGELIN, 1989; BERNE & LEVY, 2000; QUINTÃO & NAKANDAKARA, 2001; SALES et al., 2003). Assim, os QM se tornam partículas menores (remanescentes de QM), sendo retirados da circulação pelo fígado (ANGELIN, 1989; BERNE & LEVY, 2000).

O transporte de lipídeos de origem hepática ocorre por meio das VLDL, IDL e LDL. Os triacilgliceróis das VLDL são hidrolisados pela lipase lipoprotéica muscular. Esta enzima é estimulada pela apoC-II e inibida pela apoC-III. Os ácidos graxos são liberados para os tecidos e metabolizados. Por ação da lipase lipoprotéica, as VLDL progressivamente depletadas de triacilgliceróis se transformam em remanescentes, também removidos pelo fígado por receptores específicos (IV DIRETRIZ BRASILEIRA SOBRE DISLIPIDEMIAS, 2007).

Sabe-se que as VLDL podem ser arbitrariamente divididas em duas partículas: VLDL1, grandes e flutuantes (Sf60 a 400); e VLDL2, pequenas e

densas (Sf 20 a 60). As VLDL1 contêm mais triacilglicerol que as VLDL2, e são

mais ricas em apolipoproteínas C-III e apo-E (ADIELS et al., 2005). A secreção de VLDL1 é dependente do fornecimento de triacilglicerol para os hepatócitos, mas

há também um efeito inibidor direto da insulina sobre a secreção de VLDL1

(KARPE et al., 2007).

Em contrapartida, a secreção de VLDL2 não parece ser dependente de

triacilglicerol e a secreção não é inibida pela insulina. Uma vez no plasma, o conteúdo de triacilglicerol da VLDL1 é hidrolisado rapidamente pela ação da lípase

lipoproteica. Nesta via de delipidação, a VLDL1 vai atingir o mesmo tamanho e

37 processo de delipidação até a LDL. Algumas das VLDL1 nunca irão sofrer

completa delipidação e podem ser retiradas do plasma como partículas remanescentes antes de atingir o estado de LDL. Em contrapartida, quase todas as VLDL2 nascentes serão efetivamente delipidadas à LDL (KARPE et al., 2007).

As VLDL1 são as principais subclasses de lipoproteínas endógenas ricas

em triacilgliceróis, e parecem ser as determinantes da concentração de triacilgliceróis plasmáticos em indivíduos normolipêmicos. Fortes evidências sugerem que o aumento das partículas VLDL1 tem conseqüências para o

metabolismo de outras lipoproteínas, incluindo acúmulo de partículas remanescentes, produção de LDL pequenas e densas, diminuição da concentração de HDL e mudanças em sua composição, situações que aumentam o risco de aterosclerose (ADIELS et al., 2005).

Além disso, uma parte das VLDL dá origem às IDL, que são removidas rapidamente do plasma. O processo de catabolismo continua, envolvendo a ação da lipase hepática (LH) e resultando nas LDL, que permanecem por longo tempo no plasma. Esta lipoproteína tem um conteúdo apenas residual de triacilgliceróis e é composta principalmente de colesterol e uma única apolipoproteína, a apoB-100 (IV DIRETRIZ BRASILEIRA SOBRE DISLIPIDEMIAS, 2007).

As partículas LDL serão incorporadas pelos hepatócitos e outras células teciduais dotadas de receptores que as reconhecem. Dentro do lisossomo da célula ocorre liberação intracelular de colesterol, que vai ativar mecanismos de armazenamento do excesso de colesterol sob forma de ésteres, e de redução da formação de receptores de LDL (enzima acil-colesterol-acil-transferase – ACAT) e da síntese de colesterol (inibição da HMG-CoA redutase no fígado) (ANGELIN, 1989).

38 O transporte reverso de colesterol é uma via de transporte que remove o colesterol das células extra-hepáticas para o fígado e talvez para o intestino, para excreção. Esse processo é determinado pela concentração plasmática de HDL-c, apo A-I e pelo metabolismo entre as subclasses de HDL (pré β-HDL, HDL3 e HDL2) (SALES et al., 2003, FRAYN, 2008).

O transporte reverso de colesterol segue 5 passos: 1) retirada do colesterol das células extra-hepáticas por aceptores específicos (efluxo de colesterol); 2) esterificação do colesterol dentro da HDL por ação da enzima lecitina colesterol acil transferase (LCAT); 3) transferência do colesterol para lipoproteínas que contêm apo B; 4) remodelagem da HDL; e 5) captura de HDL pelo fígado, rim e intestino delgado (SALES et al., 2003).

No processo de redução do volume das partículas ricas em triacilgliceróis, alguns componentes restantes se destacam da superfície, sendo esses constituídos por colesterol livre, fosfolipídios e apolipoproteínas. As partículas precursoras da HDL, chamadas de pré-HDL, com elevado conteúdo protéico, possui a apo A-I, capaz de ativar a enzima plasmática LCAT, que esterifica o colesterol pela remoção do ácido graxo do carbono beta da lecitina com formação de lisolecitina. Dessa forma, à medida que o colesterol livre da superfície passa para o seu interior, a molécula de HDL nascente (discóide) vai tendo sua bicamada transformada em cilindro, e finalmente em esfera, formando a HDL3

(GIANNINI, 1998; QUINTÃO & NAKANDAKARA, 2001; DA COSTA, 2003).

A maior parte do colesterol esterificado, que está presente nas HDL3 é

transferido para os quilomícrons, VLDL e LDL por meio da proteína de transferência (CETP – cholesterol ester transfer protein). Dessa forma, com a perda de colesterol esterificado e ganho de triacilglicerol, a partícula se torna

39 menos densa, passando a ser chamada de HDL2. Com a ação da LH, ocorre a

hidrólise dos triacilgliceróis e dos fosfolipídios, voltando à forma de HDL3.

Portanto, as moléculas de HDL sofrem constantes transformações no plasma, ganhando e perdendo lipídios e apolipoproteínas (BERNE & LEVY, 2000; QUINTÃO & NAKANDAKARA, 2001). Finalmente, podem ser captadas pelo fígado onde o colesterol de origem endógena será metabolizado a sais biliares ou empacotado em partículas de VLDL para transporte a outros tecidos.

1.2.7.2 Dislipidemias

As dislipidemias são anormalidade nas concentrações de lipoproteínas circulantes, que pode incluir elevados níveis de QM, VLDL e/ou LDL , assim como baixos níveis de HDL-colesterol (MAHAN & ESCOTT-STUMP, 1998). As dislipidemias podem ser classificadas em primárias e secundárias. As denominadas primárias, ou sem causa aparente, podem ser classificadas genotipicamente ou fenotipicamente através de análises bioquímicas. Na classificação genotípica, as dislipidemias se dividem em monogênicas, causadas por mutações em um só gene, e poligênicas, causadas por associações de múltiplas mutações que isoladamente não seriam de grande repercussão. A classificação fenotípica ou bioquímica considera os valores do colesterol total, LDL, triacilgliceróis e HDL. Compreende quatro tipos principais bem definidos: hipercolesterolemia isolada; hipertrigliceridemia isolada; hiperlipidemia mista; HDL baixo (IV DIRETRIZ BRASILEIRA SOBRE DISLIPIDEMIAS, 2007).

40 Já as dislipidemias secundárias são causadas por outras doenças ou uso de medicamentos: hipotireoidismo, DM2, síndrome nefrótica, insuficiência renal crônica, obesidade, alcoolismo, icterícia obstrutiva, uso de doses altas de diuréticos, betabloqueadores, corticosteróides, anabolizantes. O tratamento dessas dislipidemias consiste em controlar a doença de base (IV DIRETRIZ BRASILEIRA SOBRE DISLIPIDEMIAS, 2007).

Os níveis séricos de colesterol total foram avaliados no Brasil em regiões específicas. Estudo conduzido em nove capitais, envolvendo 8.045 indivíduos com idade mediana de 35 ± 10 anos, no ano de 1998, mostrou que 38 % dos homens e 42 % das mulheres possuem colesterol total > 200 mg/dL. Neste estudo, os valores do colesterol total foram mais altos no sexo feminino e nas faixas etárias mais elevadas (IV DIRETRIZ BRASILEIRA SOBRE DISLIPIDEMIAS, 2007).

1.2.7.3 Associação do consumo de café com as dislipidemias e mecanismos