• No results found

A VGRENSNING AV UTVALG

In document Endringer i byggekvalitet (sider 17-20)

4. ANALYSE AV BYGGSKADER, NOEN STATISTISKE ASPEKTER

4.2 A VGRENSNING AV UTVALG

No início do processo, os sujeitos detiveram-se apenas às queixas psicológicas. Este movimento persistiu durante as quatro primeiras sessões, na quinta foi proposta uma técnica de focalização na doença periodontal.

Tal constatação foi surpreendente, pois, imaginou-se que – enquanto portadores de uma doença que tanto atrapalha seu cotidiano – fossem trazê-la como tema logo na chegada. Tal expectativa era reforçada pelo fato de que o pedido deles

por auxílio se fez originalmente para a odontologia. A queixa era orgânica, não psicológica.

O que se viu foi uma aparente cisão de queixas – as psicológicas feitas ao psicólogo e as odontológicas feitas ao dentista. Tal divisão condiz com a cultura ocidental que, segundo um modelo cartesiano, cinde a relação psique-corpo.

Trata-se do funcionamento do indivíduo que somatiza. Os indivíduos que expressam seu conflito através do sintoma orgânico, não conseguem estabelecer uma conexão com o seu significado abstrato, perdendo a relação psique-corpo. (RAMOS, 2006)

Com exceção de duas, todas as sessões eram precedidas de relaxamento. Wahba (1982) constatou, por meio do uso do relaxamento num grupo pesquisado, o aumento da conscientização e vivencia corporais. A dimensão orgânica dos sujeitos do grupo não foi expressa, nas primeiras sessões, nem com o relaxamento.

As técnicas escolhidas foram de natureza variada, dentro de uma proposta junguiana, objetivando facilitar a relação psique-corpo e a expressão dos sujeitos, através da elaboração simbólica. Neste contexto, procurou-se acompanhar os processos individual e grupal, trazendo novas técnicas, a cada encontro – numa exploração que, segundo Freitas & Halpern-Chalom (2006) - evita que o ego caia na inércia e na acomodação do conhecido, mantendo a fluidez de forma e conteúdo. Tal diversidade enriquece a exploração simbólica, ampliando a consciência.

Os emergentes simbólicos de cada sessão determinavam a atividade da próxima, procurando-se apresentar propostas seguindo o dinamismo do fluxo da elaboração simbólica e contando com o elemento surpresa como fator catalisador de tais elaborações.

Na primeira sessão, a apresentação verbal entre eles visou estabelecer uma aproximação entre os sujeitos com a exposição sobre si e dos os motivos pelos quais está no grupo, tendo em vista a construção de uma identidade grupal.

A proposta do desenho do corpo foi a de complementar a apresentação verbal com uma apresentação simbólica concreta, visto que o campo simbólico não pode ser reduzido a unicamente seu aspecto verbal (RAMOS, 2006). Mais uma vez, é preciso ressaltar que não houve o acesso ao polo orgânico nem desenhando o próprio corpo.

A sessão com argila promoveu verbalizações de perda de sonhos e de oportunidades. Como a técnica promove o ato criativo, (GOUVÊA, 1989) pode ter mexido com a potencialidade de cada um de criar e produzir.

A experiência de empurrar e ser empurrado e do ouvir o “não” mexeu com lembranças de episódios de maus tratos e repressão agressiva. Farah (1995) observou que o trabalho de oposição de forças serve à interpretação de resistências e dificuldades em lidar ou expressar oposição e agressividade. Ressaltou que tal exercício corporal pode ampliar a capacidade de percepção da própria agressividade nas relações interpessoais.

Em meio aos reatos de injustiça e abusos, surge o sujeito E1, com sua história de exploração pelo filho. Aqui aparece pela primeira vez o ataque coletivo ao sujeito E1, que passou a representar a sombra do grupo. Ele expunha de forma evidente o comportamento sacrificial de todos.

No trabalho com a visualização da boca, com ações para a melhora, objetivou-se tanto o benefício da visualização – que, para Epstein (1989), regulam o funcionamento físico, emocional e intelectual, mediando corpo e mente – quanto para focalizar o tema da doença periodontal.

Foi necessário focalizar ativamente o tema da doença periodontal, pois, já se estava na quinta sessão e os sujeitos não referiam a ela. Quando o tema comum a todos veio à tona, o papel continente do grupo apareceu forte.

Ficou clara a identificação grupal nas falas de solidariedade presentes. Kast (1997) atribuiu ao trabalho grupal a capacidade de promoção do andamento terapêutico por meio de contribuições empáticas entre os membros, cuja fonte é a própria experiência, com a mediação do terapeuta. Tal interação propicia novas óticas e pode auxiliar o processo de desenvolvimento dos colegas.

De fato, estar em grupo e ver que não se encontravam sozinhos com sua angústia foi muito benéfico. Muitos só se abriram sobre a doença periodontal, sua dificuldade em tocar no assunto e sobre o preconceito social, garças ao ambiente acolhedor e rico em trocas do grupo.

Para Freitas & Halpern-Chalom (2006), “Quando algo novo é compartilhado

e reconhecido pelos outros, inauguram-se possibilidades de estar no mundo de formas diferentes” (p.11).

se como um espaço diferenciado do exterior, cujos membros promovem acolhimento e compreensão. Proporciona experiências de correção emocional, o que em psicoterapia breve se denomina experiência emocional corretiva – EEC – oferecendo novas formas de inter-relação e possibilitando maior diversidade emocional à vida do paciente (KNOBEL, 1986; LEMGRUBER, 1997).

Na sessão de imaginação dirigida: boca falando coisas agradáveis e agressivas, visou-se um contato a sombra agressiva que se mostrou dominante no grupo. Lidar com sua sombra agressiva era, até então, quase impossível para os sujeitos. A psicoterapia os auxiliou neste movimente através da figura continente do terapeuta.

A presença do terapeuta como testemunha das expressões dos pacientes controla eventuais excessos da força do inconsciente. Ela encoraja a investigação de conteúdos temidos, inacessíveis na condição de uma pessoa sozinha, e protege a integridade do ego (SHAIA, 2001).

No caso do grupo, o conteúdo mais temido era a sombra agressiva dos sujeitos. Nesta sessão, eles evidenciaram com muita clareza o medo da sombra: eles se expressaram agressivamente e, no momento seguinte, utilizaram-se da compensação pela agressividade, enaltecendo as pessoas cujas atitudes são sempre pacíficas e as falas sempre bondosas. Enfatizaram episódios em que também agiram assim. Retomaram a persona e se tranqüilizaram.

Importante observar que nesta sessão também aumentaram as referências aos “dentes podres, estragados e sujos” e “boca presa, apertada, dolorida, que range os dentes” - junto com o acesso à agressividade contida na sombra.

Tal observação sugere a o papel da repressão agressiva como um fator importante na gênese da doença periodontal destes sujeitos.

Ao final do processo, todos os sujeitos foram capazes de identificar a dificuldade em lidar com a agressividade. Alguns demonstraram, efetivamente, atitudes de mudança, com o estabelecimento de limites e melhora da assertividade.

O trabalho com elementos do sonho teve como meta o aprofundamento do contato com as imagens, vivenciado nas sessões anteriores – desta vez através da recordação de um sonho com o qual possa associar, em qualquer aspecto, à sua doença periodontal e/ou a sua dificuldade com a agressividade. Partiu-se da concepção de que o lidar com as imagens da imaginação ativa tenha preparado e

sensibilizado os sujeitos acerca da riqueza das orientações que provêm das imagens do inconsciente.

A partir das mensagens que puderam obter, observou-se que os sujeitos já apresentaram certa familiaridade com os símbolos, pois, tentaram associar o conteúdo dos sonhos com suas representações, tanto os próprios quanto os dos colegas, conseguindo resultados interessantes.

Tal constatação foi muito estimulante, pois, sugere que os sujeitos já sejam capazes de melhor estabelecer uma relação de interdependência e significado entre vida psíquica e manifestações orgânicas. Caminho que precisam seguir para auxiliar a melhora da doença periodontal.

A escolha da técnica do sandtray grupal se deveu ao fato do grupo estar próximo da separação. Acredita-se que a vivência concreta de uma construção conjunta possa ter servido como ritual de passagem para a despedida do grupo e do processo grupal.

De Domenico (1997) referiu que as cenas em grupo facilitam a comunicação de processos inconscientes de cada indivíduo que, por sua vez, compõe o inconsciente do grupo. A somatória de representações individuais amplia a expressão simbólica de todos os envolvidos num processo grupal.

Gimenez (1989) afirmou que as cenas na caixa de areia possuem uma conotação de ritual de passagem e Ammann (2002) referiu que uma cena não desaparece facilmente da memória do sujeito, continuando a exercer sues efeitos por tempo indeterminado.

Assim, se supôs que esta atividade pudesse possibilitar que cada um expusesse o estado do inconsciente grupal e também levasse uma “lembrança em imagem” do grupo, quando do fim do processo.

Os sujeitos deram mostras de que estão traçando planos para o futuro o que denota força de ego (Lemgruber, 1997). O grupo já se fez importante, há uma identidade e coesão, o que fica claro nas manifestações de tristeza pelo seu término. Também ressaltam a importância do processo terapêutico, com falas de que, a partir do momento em que se viram cuidados, querem se cuidar, afetivamente e apresentam coragem para enfrentar as adversidades.

De fato, tanto para a psicoterapia breve, como para o método junguiano, a proximidade de uma figura continente, representada pelo terapeuta, promove um

temenos analítico dentro do qual se desenvolveria uma relação de solidariedade e pertença que auxilia na recuperação emocional (JACOBY, 1984).

Na sessão do trabalho simbólico com a estória de Jonas e a baleia pode-se avaliar mais claramente o resultado terapêutico de que cada um deles. Surgiram relatos de muita revisão de vida, com razoável capacidade de julgamento das situações, com os sujeitos mais livres para manifestações assertivas e agressivas.

O fato de escolherem como atividade final falar de um conto próprio configura a síntese deste processo analítico: demonstram estar a caminho de adquirir – finalmente – o direito à palavra que explode na emoção, à voz, à boca. Quando foi dada a oportunidade, escolheram falar de si mesmos, contando simbolicamente a própria história.

Os resultados terapêuticos foram avaliados, em sua maioria, como muito favoráveis e favoráveis (5 muito favoráveis, 4 favoráveis, 1 discreto e 3 regulares), conforme foi demonstrado na análise individual dos sujeitos.

Gráfico1 - Resultados individuais da psicoterapia grupal

3 5 2 4 4 4 5 5 5 5 2 4 2 0 1 2 3 4 5

E1 E2 E3 E4 E5 E6 E7 E8 E9 E10 E11 E12 E13 GE

0 – Desfavorável 2 – Regular 4 – Favorável 1 – Nulo 3 – Discreto 5 – Muito favorável

Outro fator interessante no grupo foi a uniformidade presente nos temas. Era esperada uma maior variedade de temas de conflito – possíveis fatores psicológicos da doença periodontal - durante o processo, o que pouco ocorreu.

Entre os temas já explorados nas categorias de análise, o que mais apresentou sinais de melhora foi o da dificuldade em lidar com a agressividade. Quase todos os pacientes terminaram o processo apresentando certo grau de

contato com a agressividade sombria, falando o que sentem e, até mesmo, evidenciando tomada de atitudes.

Outro aspecto de melhora a ser considerado foi o dos papéis exagerados de cuidadores heróicos. Demonstraram maior preocupação consigo e com sua saúde – o que pode ter sido um dos fatores da excelente melhora no índice de placa (IP), muito relacionado com o nível de higiene – e planos para reaver sonhos abandonados.

In document Endringer i byggekvalitet (sider 17-20)