Diante do exposto, entende-se em que a inovação - seja esta caracterizada como ciência e tecnologia, seja como valor percebido pelo mercado – possui grande representatividade no desenvolvimento das nações e das organizações, torna-se fundamental a reflexão sobre as condições de enquadramento das empresas brasileiras em relação aos demais países neste contexto.
Segundo informações divulgadas pelo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010) e da OCDE - Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (2010), o Brasil investiu R$ 49,9 bilhões em ciência, tecnologia e inovação no ano de 2009. Este valor investido corresponde a 1,19% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, enquadrando-se na 15ª posição do ranking mundial. As fontes de capital para investimento em P&D no Brasil estão assim distribuídas de forma equilibrada: com 54% de investimentos públicos e 46% de investimentos privados, de acordo com o IBGE e OCDE (2010).
O Japão é o país que mais investe em pesquisa e desenvolvimento, com investimentos que correspondem a 3,44% do PIB (2010), seguido por Coreia do Sul, Alemanha, e Estados Unidos.
Ainda para melhor compreensão da situação atual de desenvolvimento de inovações, pesquisa da ONU (2011) indica que a China é o destino mencionado pelo maior número empresas (72,1%) para futuras expansões em projetos de P&D, dando ao país ótimas perspectivas de crescimento no âmbito de inovações. Os EUA vêm em segundo (41,2%), a Índia em terceiro (38,4%), e o Japão é a quarta opção (14,7%). O Brasil aparece em 19º lugar, com 1,5% de atratividade, indicador preocupante para o desenvolvimento futuro no país.
Estes indicadores demonstram o potencial de desenvolvimento em inovação no Brasil. Para o desenvolvimento necessário de tão importante processo é importante à discussão e reflexão sobre o tema.
Para explicar o sentido de inovação através da funcionalidade das coisas, Drucker (2003) segue demonstrando que há pouco mais de um século, nem o óleo mineral nem a bauxita, ou mesmo o alumínio, constituíam recursos. Eram coisas que tornavam o solo improdutivo para a agricultura. Assim como a penicilina era somente um fungo, definido como praga, até Alexandre Fleming, em meados de 1920, percebeu que esta praga era um assassino de bactérias, e a penicilina tornou-se um recurso de valor, e portanto uma inovação. Drucker (2003) defende que os historiadores relutaram em reconhecer que uma das grandes realizações do século XIX foi a ―invenção da invenção‖. A literatura do início do século XIX do ―lampejo de gênio‖, e o inventor era uma figura romântica e até ridícula. Somente após a Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918), a ―invenção‖ passou a significar pesquisa, atividade sistematizada, com objetivos pré-determinados, planejamento, organização e previsão de resultados almejados.
Ainda segundo Drucker (2003), um processo semelhante ao da invenção tem que acontecer com a inovação, ou seja, as organizações devem aprender a praticar a inovação de maneira sistemática.
A inovação sistemática, portanto, consiste na busca deliberada e organizada de mudanças, e na análise sistemática das oportunidades que tais mudanças podem oferecer para inovação econômica e social (DRUCKER, 2003, p.44).
Entretanto é importante ressaltar que existem diferenças importantes entre os processos de invenção e inovação. Neste sentido Anthony (2012) colabora através da delimitação clara entre os conceitos de invenção e de inovação. Através dos exemplos de dois grandes gênios, Leonardo da Vinci e Thomas Alva Edison, Anthony (2012) explica:
Se você passar os olhos nos cadernos de da Vinci, não deixará de se impressionar com sua capacidade de antever o futuro. Neles, veem-se esboços de aparelhos que lembram em muito os atuais helicópteros. Ele mapeou em detalhes impressionantes o corpo humano. Era um gênio da criatividade. Mas suas ideias corresponderam à nossa definição de inovação? Não, uma vez que não exerceram impacto àquela época. E é importante lembrar-se
disso, pois quando nos dispomos a inovar, devemos estar atentos para não cair na armadilha de fazer da inovação um exercício acadêmico, em que se pensa, pensa, pensa, mas nunca se faz. (ANTHONY, 2012, p. 15).
Constata-se que o sentido de usualidade é fundamental para a concretização da Inovação. Mais que desenvolver itens inéditos e promover ideias originais, as mudanças organizacionais tem que constituir reais vantagens competitivas no âmbito organizacional.
De maneira simples, em seu conceito, Anthony (2012), ressalta que palavras frequentemente inerentes ao processo de inovação, tais como criatividade, tecnologia, pioneirismo, são peças que constituem a inovação, entretanto não a definem por si só.
Outro conceito de inovação é defendido por Gramigna (2004) defende que a inovação manifesta-se nas organizações através da melhoria de processos, em mudanças de layouts, em novas formas de abordar o cliente, no desenvolvimento de novas tecnologias, elaboração de novos produtos e serviços, proposta de novas formas logísticas e gestão de custos. A autora defende ainda, que as possibilidades de inovação são múltiplas, desde que o processo de inovação seja conduzido por uma liderança inovadora.
Uma perspectiva fundamental da inovação é a sua classificação. Assim como se verificou a existência de diversas definições conceituais para o tema, os tipos de classificações são vários. Entretanto, os estudos de Anthony (2012) possibilitam classificar as inovações de maneira fundamentada e objetiva. Anthony (2012) classifica a Inovação em duas vertentes: 1. Propósito Estratégico; e 2. Tipos de Inovação.
Segundo Anthony (2012) a primeira classificação pressupõem que as inovações são sistematicamente inseridas nos propósitos da organização. Anthony (2012) cita o exemplo da Procter e Gamble que adota quatro iniciativas estratégicas fundamentadas em inovação: a inovação comercial, que consiste em descobrir formas de comercialização e promoção de produtos já existentes; a inovação duradoura, que busca aperfeiçoar gradualmente os produtos e serviços disponíveis; a inovação transformacional, que pretende adotar um desempenho inovador em categorias já existentes; e a inovação irruptiva, que significa criar uma nova categoria. A segunda
classificação de Inovação, segundo Anthony (2012) caracteriza-se pelo tipo de inovação: por produtos, distribuição, modelos de geração de receitas, ou processos, ilustrados por diversos exemplos:
Às vezes a Apple lança produtos, como novas versões de tocadores de músicas, computadores ou dispositivos móveis. A empresa também lançou novos meios de distribuir produtos e conteúdos associados, como a loja de músicas iTunes e a App
Store, para aplicativos de telefonia móvel. A Apple criou modelos
de receitas inteiramente novos, como a venda de músicas unitárias numa faixa reduzida de preços. As empresas também podem inovar processos, como fez a Turner Broadcasting, com o programa Fast Facts (ANTHONY, 2012, p.21).
Ou seja, ambas as classificações de inovação tem como premissa, a busca pelo novo: novos mercados, novas categorias, produtos, formas de distribuição, gerando novas fontes de receitas.
Mediante análise das diversas reflexões ora apresentadas, acredita-se que a inovação constitui-se do objetivo essencial de diferenciação e usualidade, cujos elementos sustentadores são a criatividade, a liderança, o hábito do questionamento, e a integração dos diversos atores do ambiente organizacional.
A relevância da inovação para as organizações modernas conduz este estudo à reflexão sobre modelos e políticas de inovação potencialmente desenvolvidas nas empresas. Jonash (2001) posiciona a relevância da inovação no mercado competitivo:
Wall Street atribui cada vez mais valor à inovação do que a qualquer outro método que gere crescimento no resultado e na receita das empresas (...) A inovação impulsiona os ganhos da empresa, acelera seu crescimento, garante uma vantagem sobre os concorrentes e agrada aos acionistas (JONASH 2001, p.34).
Jonash (2001) realizou uma pesquisa cujo escopo era o cruzamento de dados provenientes do ranking das empresas inovadoras promovido pela revista
Fortune, e os indicadores de crescimento destas empresas. Analisando-se as
informações coletadas, concluiu-se que: As empresas que se encontram no ranking da
Fortune, dentre os primeiros 20%, oferecem rentabilidade duas vezes superior ao de
empresas do mesmo setor; As empresas que estão dentre as últimas deste ranking, remuneram os acionistas em menos de um terço das demais do mesmo setor.
Portanto, além dos fatores positivos de desenvolvimento mercadológico e cultural gerados pelas inovações. As organizações e em consequência a sociedade obtém maiores resultados financeiros e econômicos, consecutivos do processo de inovação. Com esta perspectiva atualmente as organizações buscam modelos e políticas de inovação a fim de sistematizá-los no cotidiano empresarial.
Hamel e Prahalad (1995) afirmam que a maior parte da literatura sobre gestão de inovação e desenvolvimento de novos produtos erroneamente pressupõe que as organizações controlam os recursos necessários para a comercialização dessa inovação:
Muitas das novas oportunidades mais interessantes exigem a integração de sistemas complexos, e não a inovação em torno de um produto isolado. Uma única unidade de negócio ou uma única empresa ou país não tem todos os recursos necessários. Poucas empresas podem criar o futuro com suas próprias mãos (HAMEL e PRAHALAD, 1995, p.39).
Entende-se que para a efetividade das inovações tem-se que pensar e operacionalizar diversas variáveis sistêmicas, para realmente gerar vantagem competitiva, apta a impactar o futuro de uma organização. Para vislumbrar o futuro a empresa precisa ser capaz de escapar da visão limitada e ortodoxa do ―ramo atuamos‖ e ―o produto ou serviço que oferecemos‖. Prahalad (2004) propõe um modelo de migração da inovação tradicional para a inovação da experiência. Este novo paradigma da inovação é apresentado comparativamente no Quadro 5: