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A THEORETICAL BASIS FOR SUSTAINABLE INNOVATION

As pesquisas sobre Aprendizagem Cooperativa são muito antigas. Sua origem remonta ao início dos processos de aprendizagem da história da humanidade desde Quintiliano, professor romano do século I, que afirmou: “Qui docet discet”25. No período renascentista, Johan Amos Comenius igualmente acreditava que os estudantes se beneficiavam mutuamente tanto em ensinar outros estudantes como em ser ensinados por eles. Utilizada intensamente na Inglaterra do século XVIII por Joseph Lancaster, o método lancasteriano de ensino mútuo se espalhou por vários países da Europa, chegando a ser exportado para todo o mundo. Em 1806 já existiam centros de ensino lancasteriano em Nova Iorque e demais países como África do Sul, Índia e Brasil. Em nosso país, o método lacansteriano só chegou no início do século XIX, através de um decreto-lei de Dom Pedro I, que criou a Escola do Ensino Mútuo (AVENDAÑO, 2008).

Assim originou-se a criação e aplicação da Aprendizagem Cooperativa que se expandia na medida em que estudos mais profundos de sistematização metodológica e aprofundamento teórico estavam sendo realizados.

Durante o movimento norte-americano chamado “Common School Movement”, iniciado na década de 1830, houve uma mudança sobre a concepção educacional, que deixava de ser uma questão privada e familiar para se tornar um importante instrumento para a promoção da democracia. Surgiu, então, nas últimas décadas do século XIX, as primeiras experiências de aprendizagem cooperativa em ambiente de educação formal, tendo esta sido promovida pelo superintendente das escolas públicas, o Coronel Francis Parker (TORRES; ALCANTARA; IRALA, 2004).

No início da década de 1900, John Dewey encorajou os educadores a construírem uma escola menos competitiva e mais ligada a uma aprendizagem democrática. Porém, somente nos anos de 1970 a aprendizagem cooperativa se desenvolveu nos Estados Unidos, através das ações dos irmãos Johnson da Universidade de Minnesota, em Minneapolis.

25“Aquele que ensina, aprende”.

A Aprendizagem Cooperativa é resultante de contínuas investigações que tratam do processo de ensino e aprendizagem, tendo sido sistematizada pelos irmãos americanos Johnson, Johnson e Holubec (1999)26. Descrita por Lopes e Silva (2009), a Aprendizagem Cooperativa é "[...] um método de ensino que consiste na utilização de pequenos grupos de tal modo que os alunos trabalhem em conjunto para maximizarem a sua própria aprendizagem e a dos outros colegas." Segundo Ribeiro (2006, p. 3):

A investigação sobre Aprendizagem Cooperativa que se tem desenvolvido desde os anos 1970 e tem incidido sobre as várias abordagens e metodologias aplicadas em diversos contextos socio-culturais têm demonstrado largamente as vantagens de aprender em cooperação. Resultados acadêmicos mais elevados, maior compreensão dos conteúdos, competências sociais mais desenvolvidas, diminuição do estereótipo e preconceito em relação à diferença são algumas das dimensões em que a Aprendizagem Cooperativa, usada de forma consciente e continuada, se revelou superior a outros métodos de ensino. [...] Baseada na teoria socio-construtivista de Vygotsky, na qual a aquisição dos processos cognitivos superiores se produz através das actividades sociais, nas quais cada indivíduo participa, a Aprendizagem Cooperativa realça a importância dessas actividades sociais para a promoção da aprendizagem.

Para Johnson, Johnson e Holubec (1999), a Aprendizagem Cooperativa é uma metodologia que parte da interação promotora entre os estudantes e tem como objetivo o desenvolvimento das relações interpessoais que estabelecem estratégias efetivas de aprendizagem entre os membros de um grupo. Assim, segundo Johnson, Johnson e Holubec (1999), existem cinco elementos que caracterizam a Aprendizagem Cooperativa, quais sejam: 1) Responsabilidade individual: parte do pressuposto de que todos os membros da equipe são responsáveis pelo seu próprio desempenho no grupo;

2) Interdependência positiva: os membros da equipe dependem um dos outros para atingir uma meta comum;

3) Habilidades de colaboração: são as habilidades necessárias para que a equipe funcione de maneira efetiva no trabalho em grupo, na liderança e na solução de conflitos;

4) Interação promotora: atuação entre os integrantes para que sejam desenvolvidas relações interpessoais para o estabelecimento de estratégias efetivas de aprendizagem;

5) Processo do grupo: reflexão sistemática para a avaliação do funcionamento do grupo com o intuito de realizar mudanças necessárias para que se atinja o objetivo.

Uma aula fundamentada na metodologia de AC inclui seis fases principais, sendo elas: estabelecer o objetivo a ser alcançado; apresentar as informações aos alunos através de

26Johnson, Johnson (1999) e seus colaboradores trabalham há quase 20 anos no Cooperative Learning Center (Centro de Aprendizagem Cooperativa na Universidade de Minnesota), em Minneapolis, capacitando milhares de professores, procedentes de diversos países, em Aprendizagem Cooperativa.

uma exposição oral ou através de um texto; organizar os estudantes em grupos de aprendizagem; proporcionar tempo e assistência de trabalho ao grupo, avaliar os resultados e, por fim, reconhecer tanto a realização individual quanto a do grupo como um todo.

A Aprendizagem Cooperativa possui em suas bases teóricas o conceito de zona de desenvolvimento proximal de Vygotsky, considerando, neste sentido, que: “Segundo as perspectivas cognitivas, as interações entre os alunos irão, por si só, melhorar a aprendizagem do indivíduo por razões relacionadas com os seus processos mentais.” (LOPES; SILVA, 2009, p. 5). Segundo esses autores, durante o processo de aprendizagem cooperativa, é imprescindível que os estudantes desenvolvam competências sociais para o melhor rendimento e desenvolvimento dos trabalhos em grupo. Assim, o professor necessita ensinar aos estudantes além das suas respectivas disciplinas, práticas interpessoais grupais necessárias para um efetivo funcionamento do trabalho coletivo. Faz parte das competências sociais,

[...] saber esperar sua vez: elogiar os outros; partilhar os materiais; pedir ajudar; falar num tom de voz baixo; encorajar os outros; comunicar de forma clara; aceitar as diferenças; escutar activamente; resolver conflitos; partilhar ideias; celebrar o sucesso; ser paciente a esperar; ajudar os outros, etc. [...] Ou seja, os membros do grupo devem saber como liderar o grupo, tomar decisões, criar um clima de confiança, comunicar e gerir os conflitos e sentir-se motivados para o fazer (LOPES; SILVA, 2009, p. 19).

Vygotsky aponta para a contribuição das relações sociais entre sujeitos em estágios distintos de aquisição de conhecimentos e que interagem para um processo de construção de novas experiências formativas. Por sua vez, Read, em sua proposta de educação pela arte, dispõe sobre a importância das singularidades para a aprendizagem coletiva em uma comunidade. Além disso, o pressuposto defendido por Freire (2002), de que aquele que ensina é necessariamente um sujeito que aprende ao ensinar, reforça para avançarmos no sentido de uma Educação Musical que supere a dicotomia ensino-aprendizagem.