KAPITTEL 5 REKRUTTERING - ET STRATEGISK ORGANISATORISK GREP?
5.2 A NALYSE AV REKRUTTERINGSFASENES STRATEGISKE FORANKRING
Neste item, a intenção é se apropriar dos indícios que Márcia expõe sobre os saberes necessários à docência, a fim de sistematizar as interpretações desta professora sobre os seus próprios saberes e os de seus colegas.
Para Márcia um saber necessário à docência, que não pode ser negligenciado é a leitura. O “saber ler” para esta professora inclui a “leitura” das situações vividas na sala de aula para que possa tomar atitude mais acertada.
Neste aspecto, a professora apresenta um conceito que ultrapassa a noção de leitura de escritos. O ato de ler refere-se à interpretação de realidades, de situações com visão crítica. Neste sentido, “ler” as situações certas indicam caminhos possíveis, situações promissoras nas salas de aula.
Como alertava Paulo Freire (1996) “ensinar exige criticidade”; “ensinar exige reflexão crítica sobre a prática”. Márcia evidencia o ato de “ler” as situações com visão crítica, através dos olhares da reflexão como demanda da profissão. E podemos inferir que as relações estabelecidas com os estudantes, as relações estudantis entre si, a convivência com os pares e a relação do professor com a instituição são elementos que devem ser percebidos pelo professor com a percepção descrita acima.
Além desse saber, considera necessário que o professor saiba como e onde procurar materiais, referencias que auxiliem o professor em sua prática; a este respeito conta que busca muito em livros, em autores renomados, e cita exemplos: na matemática, Constance Kami; na avaliação, Jussara Holfmann; na alfabetização, indica o Cagliari, escritor do livro “Alfabetização sem ba-be-bi-bo-bu”. Também cita
Perrenoud como referência para refletir sobre os desafios da sala de aula e as competências necessárias ao professor. Relata que busca em autores, sites, e que faz parte de um grupo de professores solidários. É um grupo do google, que professores de todo Brasil colocam os desafios que eles têm que lidar sobre várias situações.
Para Márcia, o auxílio teórico que autores consagrados podem trazer não é simples, pois o professor necessita saber como, onde e em que procurar obras confiáveis que irão instruí-lo sobre um determinado tema. É preciso conhecer os meios de se chegar a tais autores, é preciso conhecer os autores e buscar se inteirar da real contribuição dos mesmos. A própria professora relata que conheceu suas referências na formação inicial, no curso superior e nos cursos de formação continuada, através de estudo e indicações de professores.
Prosseguindo com a ideia sobre saber “ler” as situações, a professora coloca que é necessário saber se atualizar através de novos contatos, congressos e eventos. Na mesma lógica que o saber anterior, a professora coloca que é preciso conhecer os congressos que são referências nacionais para selecionar o que é relevante para sua formação. Ademais, comenta sobre a participação de movimento de professores e em sindicatos, dizendo que tudo que é relacionado à educação o professor deve estar atento. Esses saberes se relacionam com a 10ª competência apontada por Perrenoud (2000) como necessária à docência: “Administrar sua própria formação contínua”. A este respeito o autor afirma que “a formação contínua conserva certas competências relegadas ao abandono por causa das circunstâncias”, argumentando a superioridade desta competência com relação às demais por possuir o poder de justamente assegurar que outras habilidades não sejam ignoradas ou esquecidas na rotina. A capacidade de gerir sua própria formação é a que possibilita atualizar e desenvolver todas as outras habilidades necessárias à docência (p. 155).
Também elege como necessário à docência saber lidar com o conhecimento dos conteúdos das matérias que leciona. Para Márcia, os professores precisam conhecer profundamente os conteúdos. A temática, a leitura de imagens, os variados tipos de textos, conhecer as matrizes de referência que serão usadas para avaliar os alunos e basicamente a matriz das competências que o aluno precisa, que é a matriz curricular do fundamental do 1ª ao 5º ano.
Percebemos que o saber disciplinar e o saber curricular emergem na narrativa da professora com destaque. Os disciplinares se referem “aos saberes que correspondem aos diversos campos do conhecimento [...] são transmitidos nos cursos e departamentos
universitários” A prática docente incorpora esses saberes através dos cursos de formação inicial e continuada. (TARDIF, 2010, p. 38).
O saber curricular se refere aos programas escolares, ao conteúdo e método de ensino. Ambos são considerados entre os autores mais conhecidos que tipologizam os saberes docentes (Perrenoud, 2000; Tardif, 2010; Gauthier, 1998). A relevância desses saberes traz à tona a real contribuição do conteúdo e do método na rotina dos professores. Porém, esses não são essencialmente os únicos capazes de promover um ensino de qualidade, pois como já explicitava Gauthier (1998) a falsa ideia de que para ser professor “Basta ter conteúdo” está no rol de noções equivocadas que desprofissionalizam os professores.
Márcia analisa dois casos de ensino que se referem às situações adversas de comportamento dos alunos e a professora comenta sobre a postura que teria se vivenciasse essas situações. Relata que primeiramente iria procurar conhecer o grupo e buscar se tornar uma referência para os alunos, iniciaria as aulas com uma roda de conversa e contando uma história para estimulá-los. Questiona se as atividades desafiavam os alunos ou se eram mais difícil do que podiam compreender, dizendo que procuraria adequar as atividades para eles.
Os saberes explicitados e selecionados pela professora, percebidos como necessários na sua pratica, advêm de uma opinião pessoal e da experiência que construiu ao longo de sua vida, baseada também no que apreendeu sobre o mundo e sobre sua profissão. Reconhecendo a experiência da professora considerada referência como as demais, percebemos a relevância de sua contribuição para um possível progresso no ofício de professor.