4. VARESTRØMMER AV FERSK LAKS OG ØRRET
4.12 A LNABRU SOM DET SENTRALE LAKSEKNUTEPUNKT
Embora poucos, os estudos que avaliam a restauração do processo de polinização mostram que esta é possível independentemente das espécies de polinizadores envolvidas (Forup & Memmott 2005; Forup et al. 2008; Williams 2011). Em outras palavras, uma perfeita congruência entre a composição de espécies de áreas restauradas e aquela de áreas referência não é necessária para que o processo de polinização se restabeleça. Quando se objetiva restaurar o serviço de polinização para toda a comunidade de plantas, o ideal seria construir comunidades ricas para promover o maior número possível de grupos funcionais diferentes de polinizadores (Williams 2011; Devoto et al. 2012). Considerando estes fatores, as áreas aqui estudadas parecem estar restabelecendo a polinização das espécies de planta presentes, pelo menos neste estágio inicial de sucessão. A conectância (proporção de interações realizadas dentre todas as possíveis) das redes de visitação (0,12±0,07) e de transporte de pólen (0,11±1,99) apresentaram valores próximos a outros registrados de 0,10 para redes de abelhas e flores na caatinga (Pigozzo & Viana 2010) e 0,11 a 0,19 para abelhas sociais na Mata Atlântica (Biesmeijer et al. 2005). Além disso, tanto as redes de visitação quanto as redes de transporte de pólen exibiram características típicas das redes mutualísticas de interação entre plantas e polinizadores, como assimetria de interações (plantas especialistas tendem a se associar com polinizadores generalistas e vice‐versa; Vázquez & Aizen 2004; Bascompte et al. 2006) e aninhamento (especialistas interagem com subgrupos dentro do grupo com o qual generalistas interagem; Bascompte et al. 2003). O fato de Hymenoptera e Diptera dominarem a comunidade de visitantes florais – e de Hymenoptera ser claramente mais eficiente no transporte de pólen que qualquer outro grupo – também é congruente com a composição típica destas redes (Memmott 1999; Forup & Memmott 2005; Forup et al. 2008; Bazarian 2010).
Obviamente, redes de visitação desconsideram as diferenças na efetividade de cada visitante como polinizador (Bosch et al. 2009), e embora a quantidade de grãos de pólen sendo transportados por um inseto seja correlacionada à deposição dos mesmos no estigma das flores (Howlett et al. 2011), as redes de transporte de pólen também podem ignorar possíveis falhas no processo de polinização. Por exemplo, o risco de fracasso da polinização aumenta se os grãos de pólen chegarem ao estigma em quantidade muito pequena ou excessiva, ou ainda muito misturados ao pólen de outras espécies; e também se os polinizadores forem muito poucos ou inconstantes (Wilcock & Neiland 2002). Embora o
76 uso de redes tróficas seja uma ferramenta poderosa para avaliar a eficácia da restauração e do resgate das funções ecológicas (Memmott 2009), nos casos onde houver interesse particular na restauração de determinada espécie, seriam interessantes experimentos adicionais que avaliassem também a produção de frutos e sementes das espécies em questão. Uma possível estratégia seria utilizar as redes de interação como ponto de partida e, depois de usá‐las para identificar as espécies‐chave na comunidade, aprofundar o conhecimento sobre o sucesso reprodutivo destas espécies nas áreas restauradas.
A modelagem do efeito da extinção de parceiros mutualistas na estabilidade das redes de interação mostrou que a perda de espécies generalistas causa sempre o impacto mais drástico – seja num cenário de declínio de plantas ou de polinizadores, seja utilizando os dados de visitação ou os dados de transporte de pólen. Mas mesmo na simulação deste pior caso, o padrão de extinção não diferiu muito de uma queda linear. Estes resultados condizem com o esperado para redes de interação mutualísticas entre planta e polinizadores (Memmott et al. 2004; Forup et al. 2008; Kaiser‐Bunbury et al. 2010), já que elas são relativamente mais tolerantes a perturbações que outros tipos de redes. Alguns atributos típicos de sua topologia, como aninhamento e a compartimentalização por exemplo, amortecem os efeitos das extinções (desaparecendo um especialista, as espécies remanescentes ainda terão outras com a qual interagir) e desaceleram a propagação dos distúrbios (que podem ficar contidos dentro de um compartimento), aumentando a estabilidade das redes (Tylianakis et al. 2010). A robustez das redes à extinção de espécies também aumenta com a conectância (Dunne et al. 2002), com redes mais ricas em espécies e interações apresentando também maior redundância e complementaridade funcionais.
Contudo, a relativa maior tolerância de redes de polinização à perda de espécies não significa imunidade às consequências de extinções. Do ponto de vista de toda a comunidade, enquanto a perda de um certo número de espécies especialistas ainda possa ser tolerada, o declínio de espécies generalistas, mesmo que em número pequeno, pode levar ao colapso da rede. Embora o processo de polinização nas áreas estudadas pareça estar sendo restabelecido, o estágio em que os reflorestamentos se encontram representa apenas uma fase em um longo processo de sucessão. O fato de as redes de visitação das áreas com maior invasão por gramíneas apresentarem maior robustez à perda de polinizadores (e das áreas RD1 e RD2 apresentarem resposta semelhante à extinção independente das espécies perdidas) indica na verdade maior degradação destes ambientes. Os maiores valores de robustez ocorreram porque a menor riqueza de espécies destas áreas levou aos maiores valores de conectância (capítulo 2), e maiores valores de conectância se traduzem em maior robustez (Dunne et al. 2002). No entanto, estas áreas provavelmente representam os ambientes mais frágeis porque a menor diversidade de espécies lá encontrada representa também menor redundância e complementaridade de espécies (Blüthgen & Klein 2011), indicando maior susceptibilidade ao declínio da biodiversidade local. Estas suposições são apoiadas pelo fato da riqueza de tipos polínicos
77 transportados nestas áreas ser menor que aquela transportada nas áreas mais abundantes em espécies ruderais regenerantes. Assim, embora possam parecer mais tolerantes a distúrbios neste estágio, estas áreas poderão ter problemas adiante; atividades de monitoramento e manejo devem atentar para a possível necessidade de enriquecimento futuramente.