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In document 06-00235 (sider 23-27)

A globalização trouxe como conseqüência dois problemas que apontaremos por ser tema de nosso estudo, por um lado, o Estado-nação estão perdendo a nacionalização de sua economia e de sua política, o que está ocasionando desemprego, e dessa forma excluindo seus cidadãos que sem perspectivas de vida, emigram sobretudo do Terceiro Mundo com direção ao Primeiro Mundo. Por outro lado, o Estado ao não garantir a identidade nacional dos cidadãos, eles estão ficando desorientados da sua representação social e individual. E como resistência a essa desorientação que causa a globalização (aceleração do o tempo e do espaço) o indivíduo começou criar suas representações simbólicas no espaço e no local onde vive se desenvolve em prol de sua sobrevivência. ele está se sujeitando até de suas raízes como raça e etnia, para evitar ser excluído da sociedade.

O processo da globalização entende-se como uma expansão do capitalismo permeando as relações sociais dos indivíduos a nível global. No qual as grandes empresas detentoras do capital fizeram e fazem investimentos em nível global com vistas a adquirir maiores lucros. Todavia, esta estratégia ocasiona a desnacionalização da economia e, muitas vezes, promove crises econômicas sérias nos mercados em desenvolvimento. Observa-se que os Estados perdem, em decorrência destes processos, o controle da economia nacional, não podendo mais influenciar politicamente nas decisões das empresas globais, diminuindo, dessa forma, as receitas tributárias e tornando-se meros gerentes daquilo que sobra no seu território.

Ainda, segundo Habermas (2002), a desnacionalização da economia ocasionou que a política perca o domínio das condições de produção. As empresas tomam suas decisões de investimentos em um universo globalmente estruturado. Os governos, sem o dinheiro da receita tributária, não conseguem mais concorrer no mercado internacional gerando o aumento do desemprego. Nesse processo orientado pelas premissas do pensamento

neoliberal, os que mais sofrem são as maiorias do Terceiro Mundo, abandonadas por seus governos e sem poder solucionar por si mesmas os problemas sociais que lhes afligem, saem de seus respectivos países à procura de melhores condições de sobrevivência, até barateando a sua mão-de-obra, deslocando-se tanto para países do Primeiro Mundo quanto para países limítrofes aumentando as correntes migratórias e imigratórias. Dessa forma, acabam intensificando o fenômeno chamado de “subclasse”, ou seja, aumentando o número dos marginalizados.

Devido aos processos da globalização e da desnacionalização da economia, o Estado está perdendo espaço como agente que garante a identidade nacional de um país. Em função de seu enfraquecimento, também os significados de nacionalidade estão se tornando mais distantes de seus cidadãos. Tristemente, temos observado que as nações do Terceiro Mundo cada vez mais perdem sua soberania por causa da globalização, processo que ultrapassa as fronteiras nacionais, sem respeitá-las.

Assim, a decadência da legitimação do Estado como nação está ocasionando transformações na identidade dos indivíduos (Hall, 1999). Por esse motivo, os indivíduos não se encontram mais integrados como sujeitos pertencentes a uma nação. Agora, todos são integrados numa só cultura globalizada, o que está promovendo a perda de sentido de si (Hall, 1999) e, assim, o indivíduo enfrenta o problema de encontrar-se fragmentado social e psicologicamente. A esse respeito, lê-se:

Um tipo diferente de mudança estrutural está transformando as sociedades modernas no final do século XX. Isso está fragmentando as paisagens culturais de classe, gênero, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade, que, no passado, nos tinham fornecido sólidas localizações como indivíduos sociais. Estas transformações estão também mudando nossas identidades pessoais, abalando a idéia que temos de nós próprios como sujeitos integrados. Esta perda de um ‘sentido de si’ estável é chamada, algumas vezes, de deslocamento – descentração dos indivíduos tanto de seu lugar no mundo social e cultural quanto de

si mesmo – e constitui uma ‘crise de identidade’ para o indivíduo. (Hall, 1999:9).

A rede global impõe uma racionalidade comum a todos, dessa forma cria uma ilusão de uma totalidade que não existe. Smith (1990) aponta que a cultura global usa embalagem uniformemente aerodinâmica destinadas às massas. Os produtos como moda, aparelhos, roupas, tênis, música, etc. são padronizados e comercializados como se fossem estilos tradicionais desnacionalizados, como uma série de valores e interesses generalizados, que se transformam como interdependentes no processo de comunicação.

Ao tratar da globalização e de seus aspectos sócio-econômicos, Habermas (2002) discute a questão da inclusão do outro na realidade atual. Segundo este autor, uma das questões referentes às necessidades de inclusão está relacionada aos processos migratórios e imigratórios. O que motivou os habitantes dos países do terceiro mundo a migrar foi a busca de oportunidades reais de emprego e sobrevivência.

Assim, observa-se que a globalização afeta de forma marcante tanto os processos individuais de formação da identidade individual como os de caráter coletivo vinculado às identidades coletiva e cultural.

As pessoas em defesa da globalização estão valorizando mais a inter-relação que tem no seu ambiente local, onde se desenvolve solidariedade entre os vizinhos que participam num local, pode ser, uma vila, bairro, subúrbio, formando redes sociais. Os indivíduos desenvolvem suas identidades locais se protegendo do meio externo que é hostil para eles. Estas identidades possuem outras fontes de significados e o que buscam estas pessoas é o reconhecimento social como grupo ou como comuna, com a finalidade de alcançar a participação como cidadãos brasileiros, e não como indivíduos soltos, que é o mecanismo da globalização, deixar o homem fragmentado, isolado socialmente, e se ele não participa do movimento econômico global de consumo, simplesmente é excluído da sociedade.

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