Este estudo foi realizado basicamente sob a forma de estudo de caso, que é utilizando, segundo Gil (2001, p. 54) quando “envolve o estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos de maneira que se permita o seu amplo e detalhado conhecimento”. Portanto, o trabalho consistiu em um estudo de múltiplas fontes, pelo qual se coleta uma ampla bibliografia e análise de documentos.
3.2.4.1 A pesquisa empírica
O procedimento adotado para a pesquisa empírica foi o de estudo de caso.
Ao comparar o método do estudo de caso com outros métodos, Yin (1989, p.19) afirma que para se definir o método a ser usado é preciso analisar as questões que são colocadas pela investigação. De modo específico, este método é adequado para responder às questões "como" e '"por que", que são questões explicativas e tratam de relações operacionais que ocorrem ao longo do tempo, mais do que freqüências ou incidências.
Segundo Yin (1994, p.14) o estudo de caso permite uma investigação para se preservar as características holísticas e significativas dos eventos da vida real – ciclos de
vida individuais, processos organizacionais e administrativos, mudanças ocorridas em regiões urbanas, relações internacionais e maturação de alguns setores.
Ainda, de acordo com Yin (1989, p.19), a preferência pelo uso do estudo de caso deve ser dada quando do estudo de eventos contemporâneos, em situações nas quais os comportamentos relevantes não podem ser manipulados, mas é possível se fazer observações diretas e entrevistas sistemáticas. Apesar de ter pontos em comum com o método histórico, o estudo de caso se caracteriza pela capacidade de lidar com uma completa variedade de evidências, quais sejam, documentos, artefatos, entrevistas e observações.
Segundo Gil a crescente utilização do estudo de caso no âmbito das ciências sociais, com diferentes propósitos, tem por objetivo:
a) explorar situações da vida real cujos limites não estão claramente definidos; b) preservar o caráter unitário do objeto estudado;
c) descrever a situação do contexto em que está sendo feita determinada investigação;
d) formular hipóteses ou descrever teorias; e
e) explicar as variáveis causais de determinado fenômeno em situações muito complexas que possibilitam a utilização de levantamentos e experimentos. (GIL, 2001, p. 54).
Portanto, o presente estudo de caso é descritivo e consiste na análise de um projeto caso único com múltiplas unidades de análise, através do exame de diversas unidades. Para Yin (1994, p.14) a vantagem consiste na possibilidade de se aprofundar o estudo da unidade em análise e apresenta como limite o fato de que quando o estudo concentra-se somente no nível das subunidades, não se consegue retornar a uma unidade maior de análise.
Bonoma (1985, p.206) ao tratar dos objetivos da coleta de dados, coloca como objetivos do Método do Estudo de Caso não a quantificação ou a enumeração, "... mas, ao invés disto (1) descrição, (2) classificação (desenvolvimento de tipologia), (3) desenvolvimento teórico e (4) o teste limitado da teoria. Em uma palavra, o objetivo é compreensão".
De forma sintética, Yin (1989, p. 20) apresenta quatro aplicações para o Método do Estudo de Caso:
1. Para explicar ligações causais nas intervenções na vida real que são muito complexas para serem abordadas pelos 'surveys' ou pelas estratégias experimentais;
2. Para descrever o contexto da vida real no qual a intervenção ocorreu;
3. Para fazer uma avaliação, ainda que de forma descritiva, da intervenção realizada; e 4. Para explorar aquelas situações onde as intervenções avaliadas não possuam resultados
claros e específicos.
Um outro aspecto levantado por Gil, é que:
A despeito do estudo de caso encontram-se muitas objeções à sua aplicação. Uma delas refere-se à falta de rigor metodológico, (...) uma vez que são freqüentes os viesses do estudo de caso. (...). Logo, o que cabe ao pesquisador disposto a desenvolver estudos de caso é que redobre seus cuidados tanto no planejamento quanto na coleta de dados para minimizar os efeitos dos viesses. Outra objeção refere-se à dificuldade de generalização. A análise de um único estudo ou de poucos casos de fato fornece uma base muito frágil para a generalização. A análise de um único ou de poucos casos de fato fornece uma base muito frágil para a generalização. No entanto, os propósitos do estudo de caso não são os de proporcionar o conhecimento preciso das características de uma população, mas sim de proporcionar uma visão global do problema ou de identificar possíveis fatores que influenciam ou são por eles influenciados. Outra objeção refere-se ao tempo destinado à pesquisa. Alega-se que os estudos de caso demandam muito tempo para serem utilizados e que frequentemente seus resultados tornam-se poucos consistentes. (...). Todavia, a experiência
acumulada nas últimas décadas mostra que é possível a realização de estudos de caso em períodos mais curtos e com resultados passíveis de confirmação por outros estudos. (GIL, 2001, p.54).
Diante das características e vantagens do método de estudo de caso e considerando as limitações inerentes a este, o pesquisador procurou investigar a realidade em uma organização do ramo de telecomunicações, com fins lucrativos, que foi denominada por Empresa ‘A’, uma vez que a mesma não autorizou a utilização do seu nome real, nem mesmo de seus parceiros, que foram denominados de Empresa ‘B’ e ‘C’ e Cooperativa ‘D’. As unidades de análise desta pesquisa foram: a estrutura dos elementos que compõem o custo de mão-de-obra, a opção pela prática da terceirização e a relação da Empresa ‘A’ com os seus parceiros, quais sejam, trabalhador autônomo, empresas de terceirização (Empresa ‘B’ e ‘C’) e cooperativas de trabalho (Cooperativa ‘D’).
Todas estas categorias de análise serviram como base para o entendimento do processo da terceirização como uma técnica para racionalizar os custos de mão-de-obra para a empresa, embora em contrapartida, produza perdas e prejuízos irreparáveis para o trabalhador.